Blog do Paullo Di Castro


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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Carta do mandatário de Goyaz para a Presidente


Ilma.  e querida PresidentA!
 

Em primeiro lugar, quero dizer que muito além da questão partidária, tenho profundo respeito e admiração por Vossa Excelência! Nosso relacionamento político tem sido bom nesses últimos anos, mesmo porque o Brazil está sob o comando do seu partido desde o começo da década passada e Goyaz está sob o meu ainda antes da virada do milênio.

Reconheço que já peguei pesado com o seu líder máximo, falei para os quatro cantos que havia denunciado o mensalão para ele, como era vice-presidente do Senado na época, aproveitei da minha posição para tentar uma projeção nacional, coisa que nunca consegui. Mas apesar disso, deve reconhecer o benefício que fiz para a União ao entregar de mão beijada a nossa empresa de energia, maior patrimônio dos goianos.

Sou grato pelas verbas destinadas a Goyaz que nos repassou, e me permitiram tocar obras no estado todo, e fazer das propagandas elas ficarem muito maiores. Quase todas não consigo terminar, tem algumas que faço desde o primeiro mandato. O segredo é fazer o lançamento e injetar publicidade em toda a imprensa, aí faz tudo ficar mais bonito.

Contratei várias duplas sertanejas, cantores bregas e que o povão gosta, e com nossa projeção em Goyaz movimentam a economia do Brazil todo. Viu o desfile na Sapucaí que beleza? Pra conquistar aquela homenagem não medimos esforços.

Diante isso, venho pedir encarecidamente que me ajude na Segurança de Goyaz. A verdade é que não dou conta de melhorar nada nessa área aqui. São tantos comissionados e empresários que tenho que atender, aí eu tento fazer programas mirabolantes sem obedecer a lei e insisto até que me proíbam. Já até coloquei o meu vice que vai ficar com o abacaxi pra descascar.

Aqui em Goyaz tenho partidos da sua base que fazem parte da minha. Essa é a maravilha da política: Podemos defender bandeiras diferentes e de unir por conveniência em qualquer tempo! Tenho um monte de gente chata aí no Congresso, dois delegados que fazem barulho contra seu governo, mas para compensar isso tirei deles a chance de serem candidatos a prefeito da nossa capital.

Confiando na empatia com Vossa Excelência, peço que me mande recursos, Exército, Marinha (temos muitos rios aqui que podem servir pra eles), Aeronáutica, BOPE, qualquer coisa para nos ajudar!

Atenciosamente

Coronel de Goyaz

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um ano para aprender


2015 não tivemos muito que comemorar, seja como cidadãos goianienses, goianos ou brasileiros. Vivemos dias nebulosos, imprecisos e de difícil diagnóstico. A resposta que virou um lugar comum é que tudo é culpa da crise. Tem muito fundamento essa afirmação. Mas a crise maior que vivemos não é a econômica. É a crise moral, acompanhadas pela crise da falta de bom senso, a crise sem desconfiômetro, a crise que trás a desonestidade, a corrupção, a apatia. Todas imorais.

As eleições de 2014 tiveram uma conta alta demais. Ainda estamos pagando. Tanto o Brasil quanto Goiás fizeram das tripas o corpo inteiro para garantirem a reeleição de seus governos. Muitas baixarias, caixas 2, 3, 4 a perder de vista, financiamento de campanha de empresas que serão devidamente recompensadas com perdão, isenção fiscal e negociatas de licitações fraudulentas e muita mão lavando a outra. A imoralidade encontra muitas brechas na lei, e todas que são encontradas são preenchidas.

O governo Dilma vive a pior crise desde a era Lula, que começou (por ironia) 13 anos atrás. A bomba estourou nas primeiras investigações de corrupção na Petrobrás e os presos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal tiveram estilhaços que pegou todos os escalões do governo. Para a presidente sobrou uma conturbada abertura de processo de Impeachment, que por enquanto foi salvo pelo gongo do recesso de final de ano. A relação com o vice Michel Temer abalou, como sintoma do fiel da balança PMDB decidir sua vida no Congresso. 2016 ainda promete fortes capítulos nessa novela em que existe um “mar vermelho” para se atravessar.

Em Goiás a coisa não anda melhor. O “pacote de maldades” do governo veio maior que qualquer saco de papai Noel nesse fim de ano. Os servidores tem diversos benefícios cortados. Os Hospitais gerenciados por Organizações Sociais recebem alto investimento e realizam poucos atendimentos para o tamanho da demanda. CREDEQs e várias obras prometidas caminham a passos de lesma. O pagamento de IPVA é antecipado. A segurança que sempre é instrumento eleitoreiro assiste uma categoria desgastada e fazendo paralizações. A educação vê a implantação de três projetos levarem mais de 20 escolas a serem ocupadas por estudantes e apoiadores. Pra terminar, mais de 1 milhão é gasto para promover shows dos sertanejos Leonardo e Eduardo Costa, intitulado “Cabaré”, e da funkeira Anitta, que foi rebolar em evento para crianças da OVG.
 
Goiânia vê dias complicados na receita, crise política no rompimento do vice Agenor Mariano com o prefeito Paulo Garcia, obras inacabadas e em ritmo de tartaruga. Mesmo com um fôlego para pagar a folha e anunciar concursos, a insatisfação e conturbados momentos políticos afetam e muito o dia dia da população. Criminalidade e assassinatos aumentando nas ruas diariamente. Da promessa faraônica de 81 CMEIs em 2012 o prefeito entra no último ano muito longe dessa meta. Talvez ela estava em aberto e a intenção é dobrar...
 
O ano que passou deixou muitas lições. Como cidadãos, nossa responsabilidade aumenta diante de tantos fatos determinantes para passar tantos pontos a limpo. O combate a corrupção é a maior tarefa que temos para inibir o mau uso do dinheiro público. Com 1,5 milhão de assinaturas, o projeto 10 Medidas Contra a Corrupção pode virar lei. Faltam pouco menos de 300 mil. Acesse o site da campanha do Ministério Público Federal aqui e dê sua contribuição, assim como fiscalizar diariamente a vida de quem deve nos prestar contas.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Triste fim, sombrio recomeço.

Um dia triste, sem precedentes para todo o estado de Goiás, não bastassem os últimos crimes na capital, como o estarrecedor assassinato do radialista Valério Luiz, a segurança pública em caos, greves, e instabilidade em várias áreas, ainda vivenciamos o nosso primeiro senador perder o mandato, o segundo na história do Brasil. Ele, que era o próprio senhor-Justiça.


O que tirou Demóstenes Torres do Congresso não foram os 56 votos pró-cassação, mesmo em votação fechada, seus colegas agiram com a cabeça lá fora, por fora das paredes daquela casa estavam todos os brasileiros perplexos, indignados e pedindo a cabeça do agora ex-senador. O episódio foi instrumento de um jogo político do governo contra a oposição? Sem dúvida sim, mas maior que as canetadas do Executivo é a massificação da rejeição pública.


Como homem com formação brilhante em Ciências Jurídicas e extensa carreira em ascensão, Demóstenes usou dos últimos minutos que contava na tribuna pra discorrer sua inocência baseado em princípios norteadores que não são uma prática plausível para a sua situação. Comparar seu caso com Jesus, Pilatos e Judas foi um desfecho lamentável pra quem um dia já usou seu mandato para o cumprimento da Justiça. Nem com o advogado mais bem sucedido, que livrou a cara de tantos, a sua pele seria salva.


A vida política de Demóstenes foi para o ralo, mas as implicações desse caso são extensas e preocupantes. Ele vai lutar por sua inocência até o Supremo Tribunal Federal. Colocar-se como bode expiatório do caso Cachoeira era natural, mas lutar por seu mandato com o sério risco de perdê-lo, junto aos direitos políticos por 15 anos, foi uma ousadia e tanto. Muito diferente de outros como Renan Calheiros que já renunciaram pra escapar da cassação, e no mandato seguinte se elegeu como se nada tivesse acontecido.


Aquele antigo procurador do estado, conhecido pelo empenho de estourar o cativeiro de Wellington Camargo, que era o Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, relator da CPI dos Bingos, e agora, que ironia, aparece em escutas da Polícia Federal acertando com Carlinhos Cachoeira favores pra unir debaixo dos panos a máquina pública e privada. É uma mudança e tanto de comportamento, perspectivas, prioridades e duelo verdade x mentira.


A vaga deixada é outra polêmica, o suplente imediato Wilder Morais tem muita coisa pra explicar. É no mínimo curioso traçar o perfil dele como um dos homens mais ricos do estado, com patrimônio e declarações de imposto colocadas em dúvida. Não o bastante, é ex-marido da companheira de Cachoeira, Andressa, e secretário de Infraestrutura do governo Marconi. O currículo e consequentemente ligações com outros investigados não ajuda, assumir sem ser eleito precisa urgentemente ser repensado, do contrário teremos financiadores como ele e Cyro Miranda, herdeiro de Marconi, assumindo as vagas a quem o povo não os destinou.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Efervescência Cultural em Goiás


O fim de semana passado foi muito peculiar em vários aspectos para a cultura, artes, comunicação e empreendedorismo em Goiás. Vários eventos em diversos locais aconteceram pra encerrar o semestre com chave de ouro. São tantos que até dá pesar de não participar de alguns, mas isso é ótimo pro nosso estado. Foi-se o tempo em que as boas opções eram espaças no calendário. Hoje a agenda é extensa, recheada de oportunidades para todos os gostos. 


Pra começar a destacar algum, nada melhor que falar do FICA, a edição desse ano foi bastante movimentada, um belo trabalho da SeCult. Trazer um ícone como Caetano Veloso, que pouco pisa em solo goiano é um ápice, mas deve-se valorizar mais ainda iniciativas de participação de alunos de escolas públicas, o número de oficinas e seminários temáticos que engrandecem muito o evento. Estima-se que 140 mil pessoas compareceram nessa edição, o que mostra o prestígio e crescimento do Festival. Destaco também a presença da Orquestra Imperial, foi outra grande sacada. É um coletivo de músicos excepcionais, a maioria do Rio, caberia um post só pra falar deles. A Mostra da ABD deu o lugar merecido às produções goianas, que não precisam de cota na mostra competitiva pra mostrar seu valor. 


Outro evento bem bacana, voltado para a área de comunicação, foi o II Intermídias, excelente iniciativa da Contato Comunicação. O investimento nessa edição foi grande, trazendo personalidades de muita influência fora, e o mais importante; valorizando diversos profissionais e atuantes nas mídias sociais de Goiás. Os debates e temas foram enriquecedores, o mercado de mídias digitais que tanto cresce e tanto precisa de esclarecimentos, pede por eventos assim. O Intermídias poderia ser prorrogar mais, dois dias e dois períodos já ficou pequeno pra abrangência dos assuntos tratados.


A Feira do Empreendedor já é uma tradição de Goiás. O Sebrae faz um excelente trabalho, em especial para os micro e pequenos empresários, que recebem cursos, consultorias e um bom suporte pra começar e engrenar o seu próprio negócio. A feira trás novidades dos mercados, idéias inovadoras e vira também uma ótima opção para o público em geral, além de incentivar nossos empreendedores a colocarem sua força de trabalho priorizando o benefício próprio e consequentemente da comunidade. 


Pra encerrar, nada melhor que falar do evento que faço parte, um festival cultural que anda na contramão da grande mídia, que valoriza artistas que não precisam pagar jabá, ter mega produções por trás para ter o espaço. O Prosa & Canto Festival fez a sua quinta edição, mantendo essa proposta ousada. Não é um festival gospel, justamente por fugir dessa lógica de mercado, e abrir espaço para a música brasileira, de conteúdo em letras, que preza os ritmos regionais e a atitude dos tradicionais. O ponto de encontro que atende tão bem o eixo Goiânia-Anápolis-Brasilia, assim como vários outros, vira uma grande confraternização, regada pela boa música, boa comida típica, um frio que pede por mais aconchego ainda. A cada ano se cresce mais, a luta por realizar e ver o resultado disso continua sendo um incentivo para a Lam-C e Áudio House System fazerem um festival maior, acreditando ser possível trabalhar uma cosmovisão cristã em harmonia com a música de qualidade independente de rótulos.


Goiás luta ainda com indiferença do centro econômico de Rio e São Paulo, mas cada vez mais usa de sua posição geográfica privilegiada para fomentar diversos eventos que promovam as artes, trabalhos e ofertas de ótimos momentos para diferentes públicos. Existem a pulverização da massa que realizam coisas como o Villa Mix, que aproveitam a explosão do sertanejo pra fazer uma festa com o que de pior o cidadão pode ir pra fazer. Deixando de legado um lixo imenso, muitos bêbados saindo pra dirigir e a certeza que Goiás não se resume a isso, é muito mais. Basta prestigiar os eventos primeiros aqui descritos, e saber que quem quer curtir e se entreter de maneira mais edificante, tem sempre bons e agradáveis lugares para ir.  


Foto de Simone Lago: www.simonelago.com

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Partida do Partido

A sensação de "já vi esse filme", "eu falei que ia dar errado" "desse mato não sai coelho", foram alguns sentimentos de políticos, eleitores e a imprensa com a notícia que movimentou a cena política goiana nessa quarta-feira, dia 20. Vanderlan Cardoso declarou que estava saindo do PMDB, poucos dias depois de completar 1 ano na sigla.


A notícia não era de se espantar, mas deu muito pano pra manga. Depois da grande festa pra receber o novo afiliado no ano passado, no Centro de Convenções, se transformou em uma caminhada pelo estado que não teve o apoio da cúpula peemedebista. Por cúpula leia-se Íris Rezende Machado. O veterano líder, mesmo com derrotas significativas, não consegue renovar o quadro e permitir a ascensão de novas lideranças significativas.


Desde Maguito Vilela, que nos últimos 4 anos passou por um ostracismo pegando a batata quente da prefeitura de Aparecida de Goiânia, não existe mais nenhum nome que ocupe a cabeça de chapa do PMDB em Goiânia e no estado. Íris disputou todas as últimas 3 eleições para os cargos, alguns potenciais candidatos abandonaram a legenda, agora foi a vez de Vanderlan.


O precedente dessa filiação é de um passado muito recente. Henrique Meirelles era um nome forte, uma novidade que representaria a quebra do político de carreira pra alguém que tem no currículo a presidência mundial de um banco e do Banco Central do Brasil. Isso não foi o suficiente para a abertura de espaço. Íris atropelou esse projeto que estava bem encaminhado, para mais uma vez ir às urnas. Meirelles, como era de se esperar, não permaneceu.


O ex-prefeito de Senador Canedo chegou com afagos e muitas promessas, fala vibrante de Iris na filiação, juras de amor eterno. O discurso no desfecho foi de que Vanderlan precisava conquistar seu espaço. Por quanto tempo? Se ele seria o candidato de 2014, porque não já investiram na pré-campanha, fato que fez muita falta pra ambos em 2010? As perguntas ficam no ar, as consequências saberemos daqui dois anos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

TBC News em tempos de censura?

A novidade da vez em Goiás é a criação de um canal all news de TV pública no lugar do que hoje é a retransmissora da TV Cultura. A Televisão Brasil Central passaria então a ser um canal de notícias 24 horas, aos moldes da Globo News, Record News e Band News, mas com prioridade para a cobertura de Goiás.

Sem dúvidas os benefícios são grandes, Goiás é carente de produção jornalística em determinados horários, e a TBC, como informativo do governo sofre com a carência de espaço na grade da Cultura, antes do Jornal Brasil Central 2ª edição que era apresentado por Paulo Beringhs, e antes de toda aquela polêmica de seu pedido de demissão ao vivo, era o único jornal noturno local, em casos como o da queda do avião no Flamboyant, a cobertura sempre esfriava.

A perda da TV Cultura é significativa, visto a riqueza de sua programação, especialmente a infanto-juvenil, ao contrário do que oferecem as outras emissoras abertas. Mas os ganhos podem ser supridos por uma grade qualificada do novo canal. O diretor da empreitada é Marcos Vilas Boas, experiente jornalista goiano. Tem tudo para ter sucesso no novo desafio, em entrevista na rádio 730, segue algumas falas do que prometeu:

"90% dos programas da nova TBC serão locais e 100% dos programas serão jornalísticos;

"Da TV Cultura, queremos manter só o Roda Viva, os outros programas, não;

"Nova TBC não terá programas terceirizados, jornalistas com empresas não terão espaço na grade de programação"; 

"A intervenção do governo na imprensa, tanto estatal quanto privada, já acabou, não há censura nas redações, nem na TBC." 

Pegando o gancho da última fala, na tarde da última sexxta-feira,  um episódio de clara censura em plena Praça Cívica aconteceu com a equipe da TV UFG, que foi abordada por policiais militares, questionando o conteúdo da gravação, alegando que deveriam ser informados previamente sobre o mesmo, e que o vetariam em caso de ataques ao governo. 

E não foi só isso, a intimidação foi completa, encaminharam a repórter para uma sala no Palácio das Esmeraldas, ladeada somente de policiais, foi questionada sobre sua formação, sendo que era jornalista com diploma, além de ser indagada sobre uma autorização inconstitucional para realizar a gravação. Um ato de barbaridade feito por gente despreparada que não sabe uma das principais leis que regem seu país.

Isso não poderia ficar barato, e veio em resposta de uma carta de repúdio escrita pela competente professora Rosana Borges, diretora da TV UFG, disponível aqui. A resposta de Marconi Perillo veio logo, em carta ao reitor da UFG, prometeu apurar os fatos a fundo e cobrar de quem for punições cabíveis para os responsáveis. Atitude coerente do governador, assim como nos casos de nepotismo de sua equipe de governo.

Para concluir, um fato está separado do outro, mas como cidadãos só podemos esperar que um governo que ofereça um canal de comunicação para nos abastecer de notícias durante todo o dia não tenha segmentos que censurem a imprensa, seja privada ou estatal, que o episódio sirva de lição para não manchar ainda mais o nome de Goiás fora.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pescadores de Ilusões?

O estado de Goiás passa por coisas que só se acredita vivendo. Ou será normal uma decisão judicial invalidar um concurso público após ter sido nomeado, empossados e começado o trabalho de diversos profissionais? Se houve erro no edital, qual é a culpa das pessoas que estudaram, se dedicaram, planejaram, e o pior: viram esse sonho se tornar realidade ao assumirem suas funções?

As áreas da Saúde, Cidadania e Trabalho, Polícia Tecnico-Científica e Corpo de Bombeiros fizeram o processo seletivo em 2010, tudo correu normalmente durante os prazos estipulados, exceto que o edital não previa a quantidade de vagas disponíveis, colocando como cadastro reserva. Mas mesmo assim realizou-se o certame, divulgaram os aprovados, e foram chamados, e submetidos a todos os processos de contratação, inclusive tendo começado a trabalhar. Depois, a decisão de se suspender o certame.

Um ítem em comum nessas seleções, é dizer que a aprovação gera a expectativa da nomeação, isso é uma cláusula medíocre, que apenas mobiliza uma força que não pode contar com a sua convocação, e fica-se a insegurança de investir em um concurso para não se ter nem expectativa real de que será empregado.

Tratam-se quase 4.000 profissionais, todos com a vida encaminhada e dedicada para o emprego que conquistaram por direito. Isso faz vários empossados assumirem compromissos financeiros, contando com a estabilidade que o cargo público supostamente oferece a eles.

O trâmite na justiça será longo. A interpretação do delicado assunto pode gerar distorções e embasamentos que não atenderão necessariamente aos trabalhadores, gerando no mínimo o clima de instabilidade para todos. Ninguém provavelmente será destituído do cargo enquanto o processo corre em vários âmbitos, mas o transtorno poderia ser evitado.

Parece ser tempestade em copo d’água, mas não é. A estrutura do estado é muito falha, e precisa de mudanças profundas. O funcionalismo muitas vezes é inoperante, defasado, e desqualificado, justamente por não se priorizar a qualificação encaminhada através de um concurso público. Não é a solução para todos os problemas, mas com certeza uma reforma que melhoraria muito a funcionalidade dos órgãos estaduais.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Balanço político

Como um dos últimos posts do ano, nada mais apropriado que refletir sobre as três esferas políticas, que estão encerrando um ciclo e começando outro, sem muita novidade.

BRASIL:

Chegamos ao fim do mandato de oito anos, do presidente mais popular, de maior índice de aprovação, que veio da esquerda, que não tinha estudo, que tantou, tentou, e chegou lá, fazendo um governo um tanto irreverente, que muito seguiu a política econômica dos anos FHC, porém, ao invés de privatizações, produziu um crescimento nunca visto. Se o Fome Zero que era o programa carro-chefe do primeiro mandato não vingou, o Minha Casa Minha Vida, do ano passado pra cá, surtiu mais efeito. Já o PAC ficou devendo.
Um dos trunfos do governo que se encerra é a política internacional, que colocou o Brasil em patamares "nunca antes na história desse país" alcançados. Um diálogo aberto com países de A a Z, desde os EUA até os controversos Irã e Coréia do Norte. A crise econômica que tomou a maioria das nações não chegou com força em solo brasileiro.
O fato é que Lula fez um governo diferenciado, mesmo com a crise do mensalão, que derrubou tanta gente do alto clero governamental, o presidente conseguiu com sua habilidade política e populista escapar da participação. O Congresso Nacional fez as piores lambanças de todos os tempos, até o apagar das luzes, mas o presidente, com sua marca fortalecida, ficou inabalável, e com o nome marcado no hall dos mais importantes homens do Brasil. É incontestável a força popular de Lula.
O que esperar do governo Dilma? Os potenciais sucessores saíram manchados pós mensalão, restou acreditar na mulher que esteva ao lado do presidente em todo o governo, mesmo sem a devida experiência em cargos eletivos, pode fazer um continuísmo interessante do atual governo, isso se percebe fácil pela montagem de seu ministério, com o devido dedo de Lula. Se conseguirá a habilidade do chefe para tratar com nobres e plebe, eis a questão.

GOIÁS:

O governador Alcides, longe da popularidade de Lula, deixa o cargo sem apego popular, mas com as contas do estado em melhor posição do que anos atrás. Com a impossibilidade da reeleição, foi um oxigênio para se trabalhar pela re-organização do estado.
Vale destacar o bom trato com a imprensa, a boa articulação com o governo federal. De ruim fica a participação do secretariado, ausência de reuniões e funcionalismo sofrendo com os cortes. Publicidade foi fraca, o que pode não ser ruim, muitas obras paradas, e a explicação era uma só: pagar as contas herdadas.
A fraqueza do governo era sentida especialmente na Assembléia legislativa, mesmo com poucos opositores de destaque, era difícil o bom diálogo entra a casa e o Palácio. No final o golpe duro do empréstimo da CELG barrado em votação enfraqueceu mais o governo, que não estava ao lado das duas maiores forças do estado, e conseqüentemente não conseguiu usar a influência para continuarem com seu grupo político, em maioria rachado.
O que esperar do próximo governador? Ele já é muito conhecido, impõe modernidade, mesmo depois de 12 anos em cargos majoritários. Tinha mais 4 anos no senado, a vice-presidência da casa, mas as portas estavam abertas pra voltar ao governo, o que astutamente fez.
A formação do secretariado foi um tanto esperada, muitos nomes que o acompanharam firmemente nos últimos anos. A surpresa maior ficou por conta do deputado federal eleito pelo PMDB, Thiago Peixoto ter sido convidado, e aceitado o cargo de secretário da Educação. Era a bandeira que o deputado mais atuava, porém, vindo do maior inimigo político, o convite surpreende, e abre margem para se perceber a boa jogada de Marconi ao trazer para o seu lado o talvez maior potencial adversário político em um futuro próximo.

GOIÂNIA:

Na prefeitura, mesmo sem sucessão eleitoral, também muitas mudanças. Desde abril o vice petista Paulo Garcia já assumia o cargo para suprir Iris que teimou em disputar o governo, o partido saiu fortalecido, e o prefeito foi impondo sua gestão para tocar obras como o antecessor, e abrir diálogo com a população. Destaque para o uso do twitter, onde em várias noites o prefeito respondia e dava satisfação aos internautas sobre as questões do município.
Em uma discreta mudança no secretariado, Paulo conseguiu reunir adversários visando 2012. Várias articulações, tanto no âmbito municipal como no estadual, já preparam o caminho para as próximas eleições. Política é isso. Cabe à população participar cobrando, para que não tenhamos tantos desgostos como nos últimos anos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Meio caminho andado



É difícil descrever a noite de ontem sem ser 100% emoção. Ver o Serra Dourada completamente lotado, todo colorido de verde, com o povo cantando os 90 minutos, depois de uma temporada mesquinha, sem título nenhum dentre os que sempre disputamos, um rebaixamento para coroar tanta incompetência acumulada, e de repente, ao apagar das luzes, estamos a um passo de conquistar o primeiro título internacional.
Claro que a euforia por um bom resultado no primeiro jogo na final não reflete diretamente na preocupação que precisa se ter na derradeira partida, onde enfrentaremos um alçapão argentino do time que mais ganhou competições dessas, mas que ultimamente só vive mesmo do passado.
No jogo em si, o primeiro tempo foi muito bom, o Goiás partindo pra cima, buscando o gol até conseguir achar, o primeiro com o oportunismo do matador He-Man, vulgo Rafael Moura, e o segundo com o renegado Otacílio Neto, que entrou no lugar de Felipe que não vinha jogando nada, e deixou o dele. O meio campo do Goiás, com Marcelo Costa armando bem o time, e Carlos Alberto um leão em campo. Marcão e Tolói resguardaram bem a defesa.
O segundo tempo foi de pressão dos argentinos, e uma visível queda de rendimento dos dois times. Com um a mais, o Goiás ainda levava sufoco, com Saci e Ernando pouco produzindo, como se tivesse 9 em campo. Mas tiveram garra pra administrar o resultado, esbarrando na própria incompetência do Independiente. Vale destacar a torcida dos hermanos, mesmo sendo somente cento e poucos contra 40.000, fizeram um barulho imenso, cantando o jogo todo, amostra grátis do que o Goiás enfrentará na Argentina.
Agora, destacando novamente o papel da imprensa nacional nesse jogo, pra resumir em uma palavra: vergonhosa. Os principais noticiários destacando o jogo do Fluminense de domingo, a fila de torcedores pra comprar ingresso pra um jogo que faltam 4 dias! Matérias frias, reprises das locais sobre o confronto no Serra Dourada. Segundo me falaram, a Globo teve a capacidade de passar "Duro de Matar 4" pra Goiânia. O filme desperta meus "instintos mais primitivos" para com o tratamento pífio da mídia nacional com o verde.
Não tem nada ganho, pé no chão acima de tudo, o Goiás tem grandes condições de conquistar o título, e coroar um ano que até poucos dias atrás, era pra se esquecer.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pacaembuzaço



O futebol ainda vale a pena porque proporciona emoção que nenhum outro esporte ou ocupação social promove. E isso acontece principalmente quando a famosa "zebra" quebra a expectativa de um resultado provável. E foi o que presenciamos na noite do dia 24 de novembro de 2010, mais precisamente no tradicional estádio paulista do Pacaembu.
O Goiás vinha encerrando uma temporada que todos os que se envolvem emocionalmente e profissionalmente com o clube queriam esquecer, depois de ficar fora da final do campeonato estadual, não passar da segunda fase da Copa do Brasil, e o pior: o rebaixamento para a série B do Campeonato Brasileiro, sem dúvida o maior castigo para o que foi por tantos anos o único representante de Goiás na elite do futebol brasileiro. Mas o ano ainda não havia acabado.
A Copa Sul-Americana sempre foi a competição patinho-feio dos torneios internacionais. Ganhou mais expressão quando passou a valer uma vaga na Libertadores da América, e também um caminho viável pra quem disputa um Brasileirão com segurança, mesmo sem figurar entre os primeiros, classifica-se e tem a chance de disputar com grandes times da América Latina a taça e de quebra uma boa premiação.
Mas voltando ao que aconteceu na data citada acima, o maior adversário que o Goiás enfrentou não foi o Palmeiras, mas sim a impresa paulista e carioca, que elevavam o verde paulista como o legítimo representante brasileiro no confronto, promovendo chamadas direcionada apenas à eles, esquecendo que o Brasil é muito maior que essa própria arrogância deles. Existe futebol além do eixo Rio-São Paulo, e a lição ficou bem clara no duelo alvi-verde.
O time do Goiás é limitadíssimo, mas lá tinham jogadores que queriam dar o sangue para fechar o ano com um alento a tudo o que passaram. Destaque para Rafael Moura (He-Man), Rafael Tolói, Marcelo Costa e Carlos Alberto e do técnico coopeiro Arthur Neto. Em 2010 mudou-se a direção (a virtual), técnico de nome que afundou o time, além de pegar uma bolada na justiça, técnico sem nome que afundou mais ainda, e novato cheio de vontade que não fez o suficiente. Um elenco desmotivado, com jogadores que perderam chances de grandes negociações, e fizeram corpo mole na maior parte da temporada. Mas ainda tinham guerreiros capaz de lutar contra tudo isso, e dar esperança a uma torcida que tanto sofreu esse ano.
Tudo tem que ser mais difícil se tratando de Goiás, assim foi cada etapa, empatando com o Grêmio aqui e vencendo lá no Olímpico, ganhando do tradicional Penharol aqui por 1x0 e perdendo lá no Uruguai por 3x2, e empatando com o Avaí em casa por 2x2 e ganhando em Floripa por 1x0. Tudo mais difícil, tudo mais saboroso. Com o Palmeiras não foi diferente, após a derrota no Serra por 1x0, a maioria esmagadora da imprensa apontava o Palmeiras como já classificado. Esqueceram que estavam falando de futebol, o esporte mais imprevisível que existe, onde "oba-oba" e "já ganhou" muitas vezes acabam em tragédia.
Ver aquele estádio lotado, e com incômodo silêncio, comentaristas procurando irregularidades onde não existiu, tudo isso faz uma vitória ser mais saborosa. Ainda não foi o último passo, tem a final pela frente contra um poderoso adversário argentino ou equatoriano. Mas com certeza, só essa noite já lavou a alma de todos os esmeraldinos ao redor do mundo.
Vila e Atlético lutam para não cair pra série C e B respectivamente, e salvar um pouco o ano do futebol goiano, que tanto precisa de reformulação na mentalidade de seus dirigentes, do apoio do torcedor, da seriedade da imprensa e de mostrar pra todo o Brasil, como o Goiás fez no Pacaembu, que aqui existem três forças que precisam ser respeitadas, já nos tiraram a sede da Copa de 2014, não podem tirar também nossa relevância no futebol brasileiro.

Ps: O título do artigo remete à fatídica final de Brasil x Uruguai em 1950, quando o Maracanã se calou diante da vitória da celeste. Episódio que ficou conhecido como Maracanazo. Na nova versão, o Goiás calou novamente torcida e imprensa, e mostrou que o futebol é "uma caixinha de surpresas", e o jogo "só acaba quando termina."

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Censura

Me contive por vários dias para não escrever sobre isso, mas com um repercussão deste tamanho, e com fatos novos motivados por esse cenário, não dá pra deixar de refletir aqui sobre as colocações usadas sobre o tema censura na reta final do processo eleitoral de Goiás. E nada pior que explodir a bomba no ninho da imprensa, o melhor jeito de confundir o eleitor.
Como o Brasil e vários lugares do mundo viram Paulo Beringhs, folclórico jornalista goiano, que eu cresci vendo na telinha, e pensando que um dia poderia trabalhar com ele, ou apresentar um jornal como ele. Muitos anos depois, mudo o pensamento, após o que vi uma semana atrás, na quarta-feira, 20 de outubro de 2010, quando peguei o final do jornal Brasil Central para assistir e me deparei com a parte do vídeo que milhares de pessoas viram no youtube, a ficha demorou a cair. Estava presenciando uma auto-demissão ao vivo, mas não em nome da dignidade, mas do partidarismo e calor eleitoral que muda a cabeça de muitas pessoas, jogam ética e profissionalismo no ralo, mesmo quando tentam maquiar de várias formas.
Mas não quero me prender nesse assunto, o que foi feito está feito, e ainda vai passar muita água em baixo dessa ponte. Mas o fato desmembrou duas questões peculiares, uma positiva: a discussão sobre a TV pública no Brasil, e a outra totalmente antiquada e prepotente: a ação pela censura ao twitter promovida pelo PSDB goiano.
Quanto a primeira, realmente o controle do Estado em um veículo de televisão deve estar acima de qualquer espaço privilegiado para determinado grupo político ou social. A educação deve ser prioridade, tanto em programas infantis, como nos outros segmentos informativos. A TV Cultura luta por esse modelo, mas escorrega em alguns pontos em que a TV Brasil, a Sesc TV e o Futura acertam mais. É uma pauta importante, defendida pelo professor Luiz Signates (UFG/PUC-GO), que promoverá esse debate começando no sábado, 30, às 9h00 na Rádio Universitária.
A outra repercussão maior, foi motivada pela ação encabeçada pelo deputado tucano Daniel Goulart, que encaminhou à Polícia Federal representação contra supostos panfletos apócrifos ao candidato Marconi Perillo, e de perfis no twitter atacando o mesmo. Fiquei impressionado com essa atitude, vinda de um grupo com o passado e o presente de tantas repressões contra a liberdade de imprensa, de uso indiscriminado de materiais ofensivos aos outros candidatos, além de ataques virtuais, principalmente via twitter nessas mesmas eleições, formaram um exército digital, de inúmeros perfis fakes e reais remunerados, que anunciavam a renúncia de candidaturas que se mantinham firmes, além de criarem factóides diários contra os adversários, que por vezes vendiam a imagem ao eleitor de inimigos.
Nessa verdadeira guerra eleitoral, Vanderlan Cardoso (Alcides Rodrigues e Jorcelino Braga) e Marta Jane foram os mais atingidos, a arma mais usada foi o Diário da Manhã, em intervenção pelo PSDB, e manchando a história de luta na imprensa de Batista Custódio. A artilharia contra Iris sobrou só para o segundo turno. Se plantar que o PMDB tem tradição de censurar a imprensa goiana, sendo Marconi o político que mais processou jornalistas em Goiás, é uma contradição imensa.
Essa foi a realidade que vi nesses meses de pré-campanha e campanha oficial. Outros grupos também usaram de armas imorais, mas não dessa proporção, com essa estrutura de campanha. O twitter foi o espaço mais democrático que se abriu nesse processo eleitoral. Essa voz não pode ser calada, o que fez ela ser usada para mais ataques. Agora a tentativa de se abortar o uso desse espaço é uma atitude irracional e de graves conseqüências. Com a chegada ao poder de gente com essa mentalidade, a instabilidade do campo de idéias digital pode ter proporções perigosas.
Por esses e outras, Paulo Beringhs não é um cara peitando um sistema em nome de um afronta à liberdade, ele é um partidário, filiado, amigo pessoal e media training de Perillo nessas eleições. O candidato dele teve espaço como nunca em seu programa, e isso não era motivo para se chutar o balde daquele jeito. Se esse senhor entrar efetivamente no governo caso Marconi ganhe, veremos o tamanho da sua dignidade. Assim como de vários jornalistas e outros profissionais que desceram ao mais baixo nível nessas eleições para conseqüentemente afrontar quem estivesse do outro lado.
As eleições finalmente estão chegando, e a contabilidade de feridos nesse processo não será conhecida por um bom tempo. Os dois maiores figurões da política regional em um confronto de revanchismo, não deixa pedra sobre pedra ao fim do processo. A decisão do dia 31 vai esclarecer aos poucos muito do que falei, outras coisas ficarão para sempre ocultas, no estilo DOPS de ser.
O maior perseguido em terras goianas, Jorge Kajuru, diz que no Brasil não existe liberdade de imprensa, mas sim liberdade de empresa. O problema maior é quando a imprensa está controlada pelas empresas ligadas ao poderio político.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

De dentro do processo

Vivi uma experiência diferenciada e empolgante trabalhando dentro de uma campanha para o governo do estado. Parecia tudo muito grande para lidar, muitos desafios para vencer, tudo em larga dimensão, e sempre necessitando de um trabalho coletivo que estava muito além de nossas forças individuais, as decisões vinham de cima, e o nosso trabalho se limitava a um tanto, mas sempre fundamental para se fazer a coisa andar. Lidando com a imprensa no dia-a-dia então, sendo que representávamos uma força que era solicitada diariamente, precisava ser ouvida e pautar a imprensa, a séria e a que distorcia em favor de uma outra força.
Muitas coisas acontecem simultaneamente, e as informações chegavam e tinham que ser produzidas para fornecer um bom material e divulgar nosso candidato. A internet era uma força que agregava, e mesmo com um público em maioria de posição definida, através das redes sociais levava ao conhecimento do eleitor as ações e o perfil de quem representávamos. e com certeza fez o diferencial para se levantar novas opções em nossa política. O exemplo de Marina Silva, em um partido pequeno, e foi o fator do segundo turno, e na internet levantou uma legião que foi às urnas e incomodou a polarização que bancava a disputa sozinha até então.
Os limites entre ser um profissional e vestir a camisa com paixão são um grande desafio a ser controlado. Em um ambiente de tamanha disputa, a emoção sempre puxa mais que a razão, mas a busca pelo equilíbrio nos faz ter pés no chão, e colher os resultados que vêm, mesmo não sendo os mais esperados. Quando você representa um candidato que transmite seriedade, humildade e confiança de ser um político diferenciado, que não está ali simplesmente para agregar poder e ter viés econômico, mas para contribuir com a lisura e o êxito de sua vida fora da política, e na experiência de sucesso que já construíu nela, tudo isso torna a missão muito mais prazerosa, e com a convicção de que valeu a pena.
É difícil aguentar ataques contra o seu grupo de trabalho, ver vários factóides sendo plantados sem nenhum nexo, um exército digital batendo de todas as formas, mascarados em formas de falsas personalidades virtuais, plantando na cabeça de quem é menos informado mentiras e colocando uma imagem imaculada de outro candidato, ora vítima, ora pacificador, o que entra em contradição com esse vale tudo doentio pelo poder.
Fica o lado negro de se ver tanto vai e vem de apoios, gente que fez juras de amor eterno e terminou abraçado ao lado de outros. O lado bom foram que mostraram o caráter, ou a falta dele, e varrerem muitos do cenário eletivo, pois negociaram suas candidaturas em trocas de favorecimentos alternativos (cargos no governo, compensação financeira). Isso desanima, mas faz parte do processo de sedução que a política brasileira contrói. Bom é saber, e trabalhar para gente que destoa desse perfil.
A maior vitória é ter chegado até o final tendo enfrentado tantas incertezas, tantas especulações atormentadas, cada dia que seguia em frente era uma conquista, pois para muitos no dia anterior teria ido por água abaixo todo esse projeto. Não cabe aqui citar nomes, mas deixar registrado essa lição de vida, que vivi ao lado de colegas em maioria jovens como eu, recém saídos da universidade, de profissionais que já admirava, o que aumentou na convivência, entrando todos em uma luta de peixes grandes. Tendo chefes otimistas, que não deixavam a peteca cair, e nos motivava a cada dia dar o melhor de nós para o êxito político que seria dividido por todos.
Eu, e penso que muitos, fariam tudo de novo, pois foi um aprendizado e tanto, e uma proposta de mudança ousada, que levou ao conhecimento da maioria da população de Goiás uma nova alternativa de fazer política. É bom colocar a cabeça no travesseiro, e ver que seu trabalho foi em algo que acredita, e que trará dimensões que você nunca vai saber. E que venham as novas experiências!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O dia em que o Brasil viu Goiás, sem tragédias...


A última segunda-feira foi um dia inesquecível para torcedores, jogadores e funcionários do Goiás Esporte Clube, na ocasião do lançamento do novo uniforme do verde, a diretoria preparou uma grande surpresa, que fez todo o Brasil abrir a boca e comentar sobre a maior contratação do futebol brasileiro em plena época de janela européia aberta: Fernandão, campeão do mundo com o Internacional estava de volta ao clube que o formou.
O matador chega para reviver uma dupla de sucesso com seu ex-companheiro de Internacional, Iarley. A briga pelo seu passe estava acirrada. O colorado gaúcho o dava como certo, além de São Paulo, Santos e Palmeiras sonherem em tê-lo no elenco. Mas foi do centro-oeste que saiu a confirmação, em tempos de debandada de grandes jogadores para fora do Brasil, Fernandão estava de volta.
O comentarista Lédio Carmona, em seu blog, fez o que pouquíssimos jornalistas fazem: foi o post mais democrático, justo, sensível e verdadeiro feito por um jornalista de Rio-São Paulo sobre um time de fora do eixo.
Como esmeraldino, estou juntamente com toda nossa torcida eufórico por essa grande contratação feita pelo Goiás. Isso foi uma atitude de quem quer alçar vôos altos em nível nacional, e com certeza chegaremos lá. O Goiás é um dos mais organizados, estruturados e bom pagador times do Brasil, e vai colhendo os frutos disso gradativamente. Estamos de maneira ininterrupta em toda última década na elite do futebol brasileiro, pouquíssimos, inclusive os grandes podem dizer isso.
O Goiás ainda surpreenderá muita gente, não só com um terceiro lugar, mas com resultados e títulos de encher os olhos, envergonhar goianos que torcem para times de fora, esses indivíduos vão ver que aqui existe futebol para competir de igual para igual com os grandes do Brasil, que se localizam a milhares de km e só visitam Goiânia uma ou duas vezes por ano, calar a boca da imprensa de má fé e levar a maior torcida do Centro-Oeste a viver dias de glória.
Quanto a frustração do Internacional, lembrem-se que Fernandão foi criado aqui, sua família está aqui, ele se projetou no futebol aqui e assim não existia lugar melhor para ele voltar. No colorado ele fez história, conquistou grandes títulos, mas o coração dele é ESMERALDINO!
Os torcedores do verde estão de um jeito que nunca vi, a comunidade oficial do orkut de minuto em minuto fala sobre Fernandão, tem torcedores que nem conseguiram dormir, outros já estão chamando o novo reforço de FernanDeus, aí já pegaram pesado, já vira fanatismo irracional.
O trabalho da diretoria do Goiás foi fantástico. Trabalharam muito bem nos bastidores, quando assumiu a presidência do clube, o médico Syd de Oliveira Reis prometeu em dois anos de gestão o título nacional. O caminho mais fácil parecia a Copa do Brasil, mas após ser eliminado pelo Fluminense nas oitavas de final com dois empates, o Brasileirão parecia muito distante, e hoje, no meio da competição, o verdão é o terceiro colocado, o time que mais ganhou fora de casa, 60% de aproveitamento e outros números que brindam uma bela campanha do Goiás e o fazem ser reconhecido como nunca foi.
Os desafios continuam, o trabalho está sendo bem feito, e tudo o que se espera agora são títulos, alegrias, Serra Dourada cheio e uma mudança de cultura no futebol nacional.


Nome: Fernando Lúcio da Costa
Posição: atacante
Origem: Goiânia-GO
Idade: 31 anos (18/03/1978)
Altura: 1,90m
Peso: 85kg

Clubes:

1997-2001: Goiás
2001-2004: Olympique de Marselha-FRA
2004: Toulouse-FRA
2004-2008: Internacional
2008: Al-Gharafa-CAT

Títulos:

Campeonato Goiano: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
Copa Centro-Oeste: 2000, 2001
Campeonato Gaúcho: 2005, 2008
Copa Libertadores: 2006
Mundial de Clubes: 2006

Seleção Brasileira:

Uma partida: 27/04/2005 (Guatemala)