Blog do Paullo Di Castro


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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O que esperar?


O que você espera da próxima administração pública de da sua cidade?  Tá desiludido com tantos escândalos de corrupção, e fica tentado a generalizar toda a classe política de fazer parte desse lamaçal? Infelizmente esse quadro é o que mais tenho visto hoje. Mesmo tendo meu voto definido e com absoluta tranquilidade para tentar eleger o que considero melhor pra Goiânia, eu entendo pessoas que pensam assim.

Eu entendo partindo da premissa que a pessoa conhece cada candidato ao executivo, pesquisou sua vida, seu grupo político e tem convição do voto para um deles ou nenhum, crendo que fez parte de verdade nesse processo. No voto parlamentar, uma representatividade de classe, região ou outros segmentos é importante, e mais ainda a renovação de homens comprometidos com a Casa de Leis que regem nossas vidas.

O voto nulo e o branco são opções legítimas, porém, é uma lavagem de mãos perigosa, que vai dar condições a alguém governar sem a participação de quem optar por esse caminho. Não vejo como uma escolha que ajudará a sociedade, ao menos enquanto vemos os mesmo políticos continuando no poder, caciques centralizadores e herdeiros sempre recebendo a bênção de quem já está no lá há muito tempo.

O voto ainda é o instrumento pra começar a mudar esse quadro, se não está satisfeito com o que está lá, nem com quem não te representa, simplesmente mude! Não vote em quem te decepcionou, nem em quem está ligado a pessoas que não corresponderam a sua expectativa. Uma gestão pública precisa estar livre de apadrinhamentos políticos, compromissos com grandes grupos financeiros, só assim ela poderá operar em favor do cidadão.

Pesquisas eleitorais mostram comportamentos, tendências e são o retrato de um momento do cenário político. Mas não são elas que devem pautar o seu voto! Você deve pautar baseado nos seus conceitos e valores, e em escolher quem você vê competência, currículo, companhias e passado ilibado para assumir tamanha responsabilidade.

Decepções nós temos sim, afinal nossos representantes são homens falhos como nós. Mas o aprofundamento no campo eleitoral para discernir nossa escolha pra mim sempre vai ser um dever do cidadão. Não tenha medo, não pense em votar no “menos pior”, vote em quem você visualiza daqueles que entraram na disputa, governando o lugar que você mora. 

A participação no mandato deve continuar, cobrando através de e-mails, pelas redes sociais, e manifestações que legitimem a indignação do povo, como foi a Lei da Ficha Limpa. Vote em alguém ficha limpa, e que de preferência não tenha nenhuma outra suja por perto. Isso não é impossível, acredite!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pouca renovação.

Estou envolvido nas eleições municipais de Goiânia, e não acho ético comentar nada sobre as mesmas. Mas para não ficar com os dedos coçando, tenho observado de longe algumas capitais do Brasil que tem campanhas bem interessantes. Algumas com uma movimentação que sinto faltar aqui, mas sem mais por aqui, vamos falar das de lá.

O Rio de Janeiro é o que mais tem me chamado a atenção. O caminho tá livre pro prefeito Eduardo Paes faturar a reeleição, mas existe um fator surpresa interessante. Subindo impressionantemente está o candidato do PSOL Marcelo Aleixo, com o vice Marcelo Yuka, ex-O Rappa. A chapa pura dos socialistas nunca incomodou tanto. Os xarás representam um discurso social contundente, que vai de encontro à realidade dos cariocas. Mesmo que não tenham fôlego pra alcançar o prefeito, a ousadia e frutos dela poderão abrir bons caminhos para eles e a legenda. A dupla inusitada Rodrigo Maia (DEM) e Clarissa Garotinho não alcançarão agora o posto já conquistado e desgastado de seus pais.

São Paulo também tem novidades interessantes. Quando a polarização entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) parecia certa, surge Celso Russomano (PRB) e desponta pra liderança. Pólvora pura nos ninhos tucanos e petistas. O desespero bate, para o antipático Serra, com a imagem arranhada de tantos pleitos eleitorais pro executivo disputados (e maioria perdidos), e também com Haddad, nova aposta que Lula tenta carregar nas costas, mesmo com um programa eleitoral com recursos de primeiro mundo dificilmente mudará isso. Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS) tinham potencial, mas sem alianças fortes, são cartas foras, vão negociar como é tradicional com os cabeças.

Em Porto Alegre a simpática e aguerrida Manuela D'Ávila (PCdoB) sofre pra quebrar a tradição eleitoral gaúcha, sempre polarizada, mesmo ela entrando nessa polarização, tirar a reeleição de José Fortunati (PDT), carregado pelo espólio de Leonel Brizola, é um grande desafio. Manuela tem bom diálogo com segmentos da juventude, esportes e cultura. Mas isso pra competir com a máquina do governo torna a tarefa ingrata, mas acredito que ela tem potencial pra virar o jogo. Aliar-se com o PSD demonstra a determinação dessa campanha.

Outras capitais não me chamaram tanto a atenção, em Belo Horizonte os petistas deixaram a estranha aliança com os tucanos, e não devem tirar a reeleição de Márcio Lacerda (PSB), continuando a hegemonia tucana mineira. Em Salvador o Neto de um dos maiores coronéis do Brasil tem tudo pra continuar a dinastia levar as três siglas que mandaram tantos anos por lá. Desejo ao menos que São Luís do Maranhão e Maceió-AL respirem longe disso. Mas não é fácil não. Ao menos, é bom ver quadros buscando renovação nas cidades, mesmo que o eleitor não se conscientize e prefira dar seu voto ao continuísmo, ou mesmo se excluir do processo anulando o voto, mas esse assunto fica pra outro post.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A futilidade da "musa"



A mulher cada vez mais ganha  ascensão, conquista lugares maiores no mercado de trabalho, mas existem motivações que mais parecem retrocesso para a figura feminina. Uma grife que permanece incansável e virou uma praga, é a de "musa" de algum segmento. Colocar mulher bonita associada a algum produto é tática certa do mercado publicitário, e sim, vende! Mas o culto ao corpo não precisava alcançar qualquer instância social e profissional, o que dirá na política!

As musas inspiradoras de poetas, músicos, artistas plásticos sempre existem, mas apenas figuravam como dedicatórias para obras de cunho artístico. Belíssimas canções tiveram suas origens graças a formosura e charme de várias mulheres. Até aí tudo certo, bela contribuição dessas donzelas para seus inspirados artistas. Mas quando se extrapola lugares que exigem seriedade e foco completamente diferentes, a coisa muda de figura.


O termo musa virou uma banalização de promoção de atributos físicos, usando como pano de fundo de um segmento que não tenha nada a ver com a figura de uma mulher. Na campanha ao governo de Goiás em 2010, a coligação vencedora fez uso de sua musa, e viu depois que quase foi um tiro no pé. Garota 45 com certeza foi uma das coisas mais ridículas que já tinha visto na política. Isso antes de saber quem era, e do que é capaz de fazer a senhora Andressa "Cachoeira" Mendonça. Ganhar a alcunha de "musa da CPI", foi só o começo.


É tarefa dispensável julgar a trajetória da moça. O fato de ser ex-mulher do senador Wilder Morais, que assumiu a vaga do deposto Demóstenes Torres, mostra ramificações conturbadas dela com o mundo político. O mundo de glamour e luxo mostrado em gravações da Polícia Federal, e de presença vip na alta sociedade goiana, já falam por sim só sobre a senhora Cachoeira, que nem esposa é, fato atrapalhado pela prisão do bicheiro, mas que não desqualifica a união estável e de negócios que os dois tinham.

A beleza vira justificativa da incansável exposição de Andressa na mídia. Além dos atributos físicos, elegância, ela produz fatos novos, mesmo os banais, entram no lugar do que se espera de concreto nas investigações em torno de Carlinhos Cachoeira. As juras de amor trocada pelos dois tomaram o lugar daquilo que mais interessava: A versão de Carlinhos Cachoeira sobre os fatos. Quanto mais protagonista se torna, mais existe pauta para falar de Andressa.


Uma hora ela será esquecida, mas enquanto isso, o "amor bandido" continua tomando conta do noticiário que poderia aparentemente estar em editorias de entretenimento, mas em vez disso ocupa manchetes principais e toma conta de cadernos de Cidades, Política e Justiça. Como arquivos vivos sobre os maiores rombos ao dinheiro público revelados nos últimos anos, o casal permanecerá por um tempo ainda na grande mídia. Não tem eleições, nem mensalão, nem Olimpíadas que tomem espaço deles. Aguentemos!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Partida do Partido

A sensação de "já vi esse filme", "eu falei que ia dar errado" "desse mato não sai coelho", foram alguns sentimentos de políticos, eleitores e a imprensa com a notícia que movimentou a cena política goiana nessa quarta-feira, dia 20. Vanderlan Cardoso declarou que estava saindo do PMDB, poucos dias depois de completar 1 ano na sigla.


A notícia não era de se espantar, mas deu muito pano pra manga. Depois da grande festa pra receber o novo afiliado no ano passado, no Centro de Convenções, se transformou em uma caminhada pelo estado que não teve o apoio da cúpula peemedebista. Por cúpula leia-se Íris Rezende Machado. O veterano líder, mesmo com derrotas significativas, não consegue renovar o quadro e permitir a ascensão de novas lideranças significativas.


Desde Maguito Vilela, que nos últimos 4 anos passou por um ostracismo pegando a batata quente da prefeitura de Aparecida de Goiânia, não existe mais nenhum nome que ocupe a cabeça de chapa do PMDB em Goiânia e no estado. Íris disputou todas as últimas 3 eleições para os cargos, alguns potenciais candidatos abandonaram a legenda, agora foi a vez de Vanderlan.


O precedente dessa filiação é de um passado muito recente. Henrique Meirelles era um nome forte, uma novidade que representaria a quebra do político de carreira pra alguém que tem no currículo a presidência mundial de um banco e do Banco Central do Brasil. Isso não foi o suficiente para a abertura de espaço. Íris atropelou esse projeto que estava bem encaminhado, para mais uma vez ir às urnas. Meirelles, como era de se esperar, não permaneceu.


O ex-prefeito de Senador Canedo chegou com afagos e muitas promessas, fala vibrante de Iris na filiação, juras de amor eterno. O discurso no desfecho foi de que Vanderlan precisava conquistar seu espaço. Por quanto tempo? Se ele seria o candidato de 2014, porque não já investiram na pré-campanha, fato que fez muita falta pra ambos em 2010? As perguntas ficam no ar, as consequências saberemos daqui dois anos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Religião x Estado




Três personalidades, três extremos, três influências, três líderes cristãos que viraram notícia em três dias. As comparações entre eles param por aí. O motivo das manchetes diferem bastante, e infelizmente, para muitos são farinhas do mesmo saco. É preciso um exercício de despir-se de generalizações para poder de forma clara se entender quem de fato são e qual a realidade de cada um.


Nessa quarta-feira o que pipocou nos jornais e mais ainda nas redes sociais foi o anúncio da presidenta Dilma do novo Ministro da Pesca, trata-se de Marcelo Crivella (PRB), senador que tem um longo histórico ligado como bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. O que muitos não sabem é que o mesmo não faz mais parte dessa denominação, e a ligação com práticas polêmicas dessa e de seu líder Edir Macedo não fundamentam o trabalho parlamentar de Crivella. Pode-se argumentar que o mesmo não é qualificado para tal ministério. Mas quem o é? Já se foi uma polêmica a criação dessa pasta, desmembrada do Ministério da Agricultura.

As piadas e trocadilhos com passagens bíblicas são inevitáveis, dado o nome da pasta, daí se vê o rótulo impregnado na sociedade, que não vê naturalmente a inserção de líderes ligados a igrejas no poder. O senador já foi um defensor eficiente de Direitos Humanos e lavanta bandeiras sociais importantes no Congresso, as pessoas precisam separar a atuação política de qualquer ofício e ligações indiretas com pessoas de caráter duvidosos. Muitas análises entendem que a indicação ao cargo foi uma trégua do Planalto com a bancada evangélica, mas isso é negado pela mesma.


A afirmação é do deputado federal goiano João Campos (PSDB). Líder da Frente Parlamentar Evangélica e delegado de Polícia, daí se julga um perfil conservador, o que de fato é. Também criou bafafá na imprensa ao propor um Projeto de Decreto Legislativo para tornar sem efeito a resolução que estabelece normas de atuação dos psicólogos em relação à orientação sexual dos pacientes. Com isso declarou não querer estabelecer o comportamento sexual como doença, mas dar autonomia para uma orientação. 

Isso significaria o direito de se tratar para uma mudança de opção sexual, aí o embate está formado tanto com a comunidade GLBT (não sei qual a última sigla usada), como para quem simplesmente não vê razões para se encaixar o comportamento em qualquer aspecto de saúde pública. Eu penso assim, com ressalvas. Dar orientação pode ser válido, enquanto for um conflito mental para a pessoa, caso contrário, o Estado não deve interferir. Isso dá muito pano pra manga, eis um bom estudo sobre o assunto aqui.


Muito diferente dos dois políticos, está o Bispo da Igreja Anglicana Robinson Cavalcanti, a trágica morte dele e de sua esposa sensibilizou o país, porém muito mais aqueles que acompanharam a obra literária, pregações e posicionamentos de muita relevância de quem tinha muita propriedade para falar. Pra mim não cabe discutir sobre adoção e o comportamento desequilibrado de um filho acolhido por ele e mergulhado nas drogas.

A muito admiro a sensatez e clareza desse ministro do evangelho. Não se resguardava de assuntos polêmicos e aplicava os ensinos bíblicos a uma perspectiva moderna diante das realidades seculares. Seu livro Cristianismo e Política - Teoria Bíblica e Prática Histórica, rompeu as barreiras que insistem em taxar a mistura de igreja e Estado com a atuação de quem professa uma fé cristã na política militante, indo muito além disso. Nada mais apropriado para se analisar o momento de Marcelo Crivella e João Campos. 
Para conhecer mais a história desse servo de Deus, leia aqui


sábado, 10 de setembro de 2011

Brasil do 7, do 11, do 21, de todos setembros


Parece que sempre temos pautas inevitáveis em certos períodos do ano, seja por fenômenos da natureza, por datas de acontecimentos marcantes, por feriados ou ocasiões meramente comemorativas que são o filão para o comércio vender uma imagem em cima de um sentimento específico. Tudo como uma grande roda-viva que se diferencia pelas peculiaridades que um dia após o outro pode trazer.

Não quero falar de 11 de setembro, chega! Cansei, passou, lições foram aprendidas, egos foram feridos e vidas sacrificadas. Também prefiro não citar enchentes no sul, tantas cidades alagadas, casas com tudo dentro perdido, famílias se amontoando em ginásios. A necessidade de mobilização, solidariedade, chega tímida, não mais que as providências das autoridades. Igualmente não falarei sobre seca, meio ambiente castigado, os problemas respiratórios, dificuldades com a escassez do elemento água, a chuva que um dia finalmente virá.

Falar de Brasília? Pior ainda! Lembrar que o projetista daquela perfeição arquitetônica com mais de um centenário de vida concluiu que deveria ter feito um camburão em vez de um avião no traçado, para assim abrigar a espécie de representantes do povo naquele lugar, que usam como pinico um vaso de flores. Precisa falar mais sobre peculato, propina, uso inadequado do dinheiro público? A informação já chegou! A mudança, não.

E o futebol? Não era nossa menina dos olhos, uma seleção imbatível, com craques disputados nas mais altas cifras dos mercados da bola? Onde está a soberania? Ficou em algum gramado europeu, na crava da chuteira de jogadores que sequer pisam no Brasil. Foi usada como concreto para reformar algum estádio para a Copa de 2014? Onde está a transparência, as prestações de contas das licitações ? E as contas do presidente vitalício da CBF, quem tem cacife para derrubá-lo?

Olha que ficamos só nos nossos problemas, e se formos servir de colo para o Egito e a Líbia? Que palavra de esperança temos pra eles, vindos de um país emergente em pós regime ditatorial que custa tanto a aprender andar nos passos democracia? Viramos um modelo de como não fazer? Ou recomendamos que entrem no falido método socialista do vizinho Hugo Chavez e da ilha de Fidel?

No meio disso tempos que dar espaço para diversidade sexual, para a religiosidade partidária, para direito disso, daquilo, do segmento x, da representatividade y. Onde estão nossas prioridades? Morrendo nas filas de pacientes vítimas da negligência do atendimento de saúde público? Ou esquecidas e sem o aparato para se receber educação digna?
É fato que datas como a Independência do Brasil, tenha o valor titular que tiver, ou o atentado às torres gêmeas de Nova York, mexem com o brio de todos. Paramos para pensar na vulnerabilidade do ser humano, e a dificuldade de se impor diante dos desafios inesperados, ou aqueles ao qual nunca estamos prontos. Como brasileiro, resta não virar as costas para as duras realidades que nos rodeiam, e deixar de ser apenas indignado, perplexo para ser agente de mudanças sociais profundas, sempre mais fáceis no discurso que na ação.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Balanço político

Como um dos últimos posts do ano, nada mais apropriado que refletir sobre as três esferas políticas, que estão encerrando um ciclo e começando outro, sem muita novidade.

BRASIL:

Chegamos ao fim do mandato de oito anos, do presidente mais popular, de maior índice de aprovação, que veio da esquerda, que não tinha estudo, que tantou, tentou, e chegou lá, fazendo um governo um tanto irreverente, que muito seguiu a política econômica dos anos FHC, porém, ao invés de privatizações, produziu um crescimento nunca visto. Se o Fome Zero que era o programa carro-chefe do primeiro mandato não vingou, o Minha Casa Minha Vida, do ano passado pra cá, surtiu mais efeito. Já o PAC ficou devendo.
Um dos trunfos do governo que se encerra é a política internacional, que colocou o Brasil em patamares "nunca antes na história desse país" alcançados. Um diálogo aberto com países de A a Z, desde os EUA até os controversos Irã e Coréia do Norte. A crise econômica que tomou a maioria das nações não chegou com força em solo brasileiro.
O fato é que Lula fez um governo diferenciado, mesmo com a crise do mensalão, que derrubou tanta gente do alto clero governamental, o presidente conseguiu com sua habilidade política e populista escapar da participação. O Congresso Nacional fez as piores lambanças de todos os tempos, até o apagar das luzes, mas o presidente, com sua marca fortalecida, ficou inabalável, e com o nome marcado no hall dos mais importantes homens do Brasil. É incontestável a força popular de Lula.
O que esperar do governo Dilma? Os potenciais sucessores saíram manchados pós mensalão, restou acreditar na mulher que esteva ao lado do presidente em todo o governo, mesmo sem a devida experiência em cargos eletivos, pode fazer um continuísmo interessante do atual governo, isso se percebe fácil pela montagem de seu ministério, com o devido dedo de Lula. Se conseguirá a habilidade do chefe para tratar com nobres e plebe, eis a questão.

GOIÁS:

O governador Alcides, longe da popularidade de Lula, deixa o cargo sem apego popular, mas com as contas do estado em melhor posição do que anos atrás. Com a impossibilidade da reeleição, foi um oxigênio para se trabalhar pela re-organização do estado.
Vale destacar o bom trato com a imprensa, a boa articulação com o governo federal. De ruim fica a participação do secretariado, ausência de reuniões e funcionalismo sofrendo com os cortes. Publicidade foi fraca, o que pode não ser ruim, muitas obras paradas, e a explicação era uma só: pagar as contas herdadas.
A fraqueza do governo era sentida especialmente na Assembléia legislativa, mesmo com poucos opositores de destaque, era difícil o bom diálogo entra a casa e o Palácio. No final o golpe duro do empréstimo da CELG barrado em votação enfraqueceu mais o governo, que não estava ao lado das duas maiores forças do estado, e conseqüentemente não conseguiu usar a influência para continuarem com seu grupo político, em maioria rachado.
O que esperar do próximo governador? Ele já é muito conhecido, impõe modernidade, mesmo depois de 12 anos em cargos majoritários. Tinha mais 4 anos no senado, a vice-presidência da casa, mas as portas estavam abertas pra voltar ao governo, o que astutamente fez.
A formação do secretariado foi um tanto esperada, muitos nomes que o acompanharam firmemente nos últimos anos. A surpresa maior ficou por conta do deputado federal eleito pelo PMDB, Thiago Peixoto ter sido convidado, e aceitado o cargo de secretário da Educação. Era a bandeira que o deputado mais atuava, porém, vindo do maior inimigo político, o convite surpreende, e abre margem para se perceber a boa jogada de Marconi ao trazer para o seu lado o talvez maior potencial adversário político em um futuro próximo.

GOIÂNIA:

Na prefeitura, mesmo sem sucessão eleitoral, também muitas mudanças. Desde abril o vice petista Paulo Garcia já assumia o cargo para suprir Iris que teimou em disputar o governo, o partido saiu fortalecido, e o prefeito foi impondo sua gestão para tocar obras como o antecessor, e abrir diálogo com a população. Destaque para o uso do twitter, onde em várias noites o prefeito respondia e dava satisfação aos internautas sobre as questões do município.
Em uma discreta mudança no secretariado, Paulo conseguiu reunir adversários visando 2012. Várias articulações, tanto no âmbito municipal como no estadual, já preparam o caminho para as próximas eleições. Política é isso. Cabe à população participar cobrando, para que não tenhamos tantos desgostos como nos últimos anos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Tá quase acabando!

Vésperas de natal, comércio lotado, empurra-empurra, muita gente entrando de férias, debandando para o litoral, para o interior. Ficar parado é que não dá, e a semana foi assim, agitada, procurando tranquilidade, e com fatos terríveis, bem cara de fim de ano.

COPENHAGUE
Terminou a 15ª Conferência sobre o clima, em que se esperava um documento mais concreto que o do Protocolo de Kioto, de 1997, mas o que se viu foi apenas muitas intenções e poucas decisões. Os países ricos estão inclinados a doar bilhões para a causa, porém tudo ficou raso, nenhuma meta concreta para se salvar a degradação do nosso planeta. Seguimos ladeira abaixo, sem ter quase nada para brecar.

SÍLVIO BERLUSCONI
Que o caráter dele não vale muita coisa, todo o mundo já sabe, mas uma agressão desse porte, nem ele merece. Dois dentes a menos, muito sangue, e um fechamento de ano que é para se esquecer. Não bastasse as denúncias de favorecimento à prostituição, fraudes fiscais, agora o ex-todo poderoso da Itália se vê nessa humilhação. Quem sabe isso o ajude a mudar de atitude e parar de torrar tanta grana com o que não presta.

SÃO PAULO
Alarmante os estragos causados pelas chuvas, e agravados pela falta de estrutura de vários pontos da cidade. São Paulo é uma terra de oportunidades, e de penitência. Horrível a maneira em que sofre a cidade nessas ocasiões, e parece que a cada ano piora. Mais que medidas paleativas, precisa-se de mudanças profundas em vários locais que são danificados pelas águas. O governo poderia construir mais prédios populares em vez de casas. Com o nível de urbanização de São Paulo, medidas radicais são inevitáveis.

VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS
Não sei o que é pior, um ritual de magia negra que deixou um menino baiano de apenas 2 ano com tantas agulhas no corpo, ou o inscrupuloso ato de estrupro. O ser humano não cansa de extrapolar os limites de maldades extremas, e contra a faixa etária mais frágil, mais viva e pura. Não entra na cabeça como um pai consegue fazer isso, não pode estar em pleno gozo de suas faculdades mentais, mesmo padrastos, apartir do momento em que assumem o companheiro e consequentemente os filhos desse, não se pode conceber a idéia de atentar contra uma vida inocente assim. Pena de morte não vale, então o mínimo é muita cadeia neles. Deus nos livre de outros casos como o de Lucélia.

POLÍTICA
Mais um ano com poucos avanços, principalmente por não ser eleitoral, mas já era uma prévia do caldeirão que vai ser 2010. No Brasil a Dilma tem que aparecer em tudo para ser lembrada, o Serra segue, tranquilo, principalmente pela renúncia prematura de Aécio Neves, que deve se valorizar em uma vice ou no senado. Ciro Gomes corre por fora para ser 3ª via e Marina Silva é a esperança da esquerda. Em Goiás, Alcides cobre uns buracos sem boas perpectivas para 2010, ao contrário do vice do senado, doido para enfrentar o prefeito de Goiânia, que precisará de muita saúde para seguir em diante. Íris segue fazendo uma administração elogiada, fechou o ano sem problemas na Câmara, onde tem maioria absoluta, mesmo com tantos parlamentares faltosos, e sem tato para a boa convivência.

CÉSAR CIELO
Desde Guga, não via um atleta de esporte individual brilhar tanto. Mesmo tirando os maiôs que favoreciam o desempenho na piscina, nosso campeão bateu o recorde e fechou o ano brilhantemente. Colhe os frutos não é por acaso, foi se preparar nos Estados Unidos para chegar nas Olimpíadas com chances de medalhas, e deu no que deu, manteve o nível esse ano e promete nos dar muitas alegrias ainda. O governo tem que acordar para não precisar ter atletas campeões treinando fora.

Vou tentar escrever ainda sobre natal, retrospectiva do ano (essa vai dar trabalho), e o que mais der na telha, uma das melhores coisas que fiz esse ano foi esse blog, e quero encerrá-lo com chave de ouro, ano que vem continua, claro, ele faz parte da minha vida, assim como todos os leitores, essa troca é muito boa!