Blog do Paullo Di Castro
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Qual o sabor da pizza?
O resultado das apurações da CPMI do Cachoeira no Congresso Nacional, como era de se esperar as mais pessimistas previsões, acabou mais uma vez em pizza. Para alguns uma iguaria italiana, aperfeiçoada e melhorada no Brasil. Para a maioria, uma pizza bem amarga, daquelas que amadores e desastrados fazem, com a massa azeda, recheios vencidos, fungos e o que mais tiver direito. Tudo para dar a pior digestão que o povo brasileiro poderia experimentar.
Cada personagem principal teve seu sabor:
Pizza de Calabresa (Marconi Perillo): É a pizza mãe de todas. Sua tradição é a de se perpetuar no poder e se blindar pra sempre continuar no cardápio;
Pizza Quatro Queijos (Carlinhos Cachoeira): Essa fornece ingredientes para todas as outras. Sem seus queijos, poucas teriam a fartura que tem;
Pizza Napolitana (Demóstenes Torres): Mesmo se for unanimidade, se passar do ponto pode decepcionar, e ser a primeira a ser queimada;
Pizza de Mussarela (Fernando Cavendish): Essa é usada para dar fartura na refeição do freguês. Tem a relação mais estreita com a Quatro Queijos;
Pizza Pepperoni (Carlos Leréia): É uma pizza que fica mais no canto do cardápio, mas quando pedida tem muita coisa pra oferecer;
Pizza Marguerita (Wladmir Garcêz): É uma pizza secundária, mas importante para unir o tempero especial de outras. Está sempre ao lado das principais;
Pizza Frango com Catupiry: (Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral): Juntos são imbatíveis, tem várias caras, e ficam ao lado de quem manda;
Pizza Moda da casa: Essa representa todos os parlamentares que compactuam com os escândalos apresentados, e com conchavos polítivos e receios da bomba estourar em seus próprios quintais, preferem assar tudo no forno a lenha e deixar o cheiro do orégano (dinheiro) atiçar seus paladares para mais. Dando nome aos bois, ou às pizzas:
SENADORES: Álvaro Dias (PSDB-PR), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Jayme Campos (DEM-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC), Sérgio Souza (PMDB-PR), Ciro Nogueira (PP-PI), Ivo Cassol (PP-RO), Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP) e Marco Antonio Costa (PSD-TO).
DEPUTADOS: Carlos Sampaio (PSDB-SP), Domingos Sávio (PSDB-MG), Luiz Pitiman (PMDB-DF), Gladson Cameli (PP-AC), Maurício Quintela Lessa (PR-AL), Sílvio Costa (PTB-PE), Filipe Pereira (PSC-RJ), Armando Virgílio (PSD-GO) e César Halum (PSD-TO).
terça-feira, 16 de outubro de 2012
O acordão pra amarrar o Brasil
Dois poderes, duas frentes, dois lados da mesma moeda, e como é impossível a moeda cair em pé no jogo da justiça, nada melhor que sair do jogo, fica bom pra você e não deixa tão mal pra mim. É esse o sentimento que antecipa o fatídico encerramento das investigações tanto da CPMI do Congresso Nacional, como da CPI da Assembléia Legislativa de Goiás.
Ambas tinham como alvo todo o esquema de desvio de dinheiro encabeçado por Carlinhos Cachoeira. Mas o alvo acertaria bem mais que o contraventor, envolveria personagens dos dois lados mais representativos da política nacional. Tanto situação como oposição do governo federal teriam a carne cortada, e pra evitar "constrangimentos", nada melhor que um acordo bom pros interessados.
O fatídico fim era anunciado: Quando se levantou a investigação dos nome dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o de Brasília Agnelo Queiroz (PT) e do Rio Sérgio Cabral (PMDB), sabia-se que algo não fecharia, tanto que Cabral foi dispensado do depoimento. A primeira saída que encontraram era deixar a batata assar só na mão do senador Demóstenes, cujo partido Democratas não hesitaria de cortar fora.
Carlinhos era um hábil articulador, e naturalmente não iria fazer acordos só com um lado político. A base do governo estremeceu diante da possibilidade de caírem alguns de seus figurões. A única forma de salvar seus vários nomes envolvidos seria propor encerrarem os trabalhos de investigação, mesmo que isso custe perder a melhor oportunidade de enfraquecer a oposição. Na ALEGO, o caso era mais evidente, com o governador nadando de braçada em maioria na casa, facilmente seria neutralizado por sua base.
Por hora Cachoeira vai continuar sendo o único preso (mesmo que o juiz Tourinho Neto tente o contrário), e os parlamentares serão poupados. A vasta documentação que falta para analisar será ignorada. O julgamento do mensalão já será muito desgastante, pra quê insistir em cavar mais podridão nesse buraco? Que o STF e sua bancada lulista resolva lá na frente, se preciso.
Uma política retrógrada, de legislação em causa própria e alimentada pelas verdinhas do cachoeirolduto. Esse é o sentimento que nos deixam as casas legislativas federal e estadual. Perdemos uma grande oportunidade de exposição de saber quem é quem dos amigos de Cachoeira. O impacto nas eleições desse ano já foi pequeno, e o cuidado pra 2014 é estratégico para a sobrevivência política da maioria.
terça-feira, 31 de julho de 2012
A futilidade da "musa"
A mulher cada vez mais ganha ascensão, conquista lugares maiores no mercado de trabalho, mas existem motivações que mais parecem retrocesso para a figura feminina. Uma grife que permanece incansável e virou uma praga, é a de "musa" de algum segmento. Colocar mulher bonita associada a algum produto é tática certa do mercado publicitário, e sim, vende! Mas o culto ao corpo não precisava alcançar qualquer instância social e profissional, o que dirá na política!
As musas inspiradoras de poetas, músicos, artistas plásticos sempre existem, mas apenas figuravam como dedicatórias para obras de cunho artístico. Belíssimas canções tiveram suas origens graças a formosura e charme de várias mulheres. Até aí tudo certo, bela contribuição dessas donzelas para seus inspirados artistas. Mas quando se extrapola lugares que exigem seriedade e foco completamente diferentes, a coisa muda de figura.
O termo musa virou uma banalização de promoção de atributos físicos, usando como pano de fundo de um segmento que não tenha nada a ver com a figura de uma mulher. Na campanha ao governo de Goiás em 2010, a coligação vencedora fez uso de sua musa, e viu depois que quase foi um tiro no pé. Garota 45 com certeza foi uma das coisas mais ridículas que já tinha visto na política. Isso antes de saber quem era, e do que é capaz de fazer a senhora Andressa "Cachoeira" Mendonça. Ganhar a alcunha de "musa da CPI", foi só o começo.
É tarefa dispensável julgar a trajetória da moça. O fato de ser ex-mulher do senador Wilder Morais, que assumiu a vaga do deposto Demóstenes Torres, mostra ramificações conturbadas dela com o mundo político. O mundo de glamour e luxo mostrado em gravações da Polícia Federal, e de presença vip na alta sociedade goiana, já falam por sim só sobre a senhora Cachoeira, que nem esposa é, fato atrapalhado pela prisão do bicheiro, mas que não desqualifica a união estável e de negócios que os dois tinham.
A beleza vira justificativa da incansável exposição de Andressa na mídia. Além dos atributos físicos, elegância, ela produz fatos novos, mesmo os banais, entram no lugar do que se espera de concreto nas investigações em torno de Carlinhos Cachoeira. As juras de amor trocada pelos dois tomaram o lugar daquilo que mais interessava: A versão de Carlinhos Cachoeira sobre os fatos. Quanto mais protagonista se torna, mais existe pauta para falar de Andressa.
Uma hora ela será esquecida, mas enquanto isso, o "amor bandido" continua tomando conta do noticiário que poderia aparentemente estar em editorias de entretenimento, mas em vez disso ocupa manchetes principais e toma conta de cadernos de Cidades, Política e Justiça. Como arquivos vivos sobre os maiores rombos ao dinheiro público revelados nos últimos anos, o casal permanecerá por um tempo ainda na grande mídia. Não tem eleições, nem mensalão, nem Olimpíadas que tomem espaço deles. Aguentemos!
Uma hora ela será esquecida, mas enquanto isso, o "amor bandido" continua tomando conta do noticiário que poderia aparentemente estar em editorias de entretenimento, mas em vez disso ocupa manchetes principais e toma conta de cadernos de Cidades, Política e Justiça. Como arquivos vivos sobre os maiores rombos ao dinheiro público revelados nos últimos anos, o casal permanecerá por um tempo ainda na grande mídia. Não tem eleições, nem mensalão, nem Olimpíadas que tomem espaço deles. Aguentemos!
quarta-feira, 27 de junho de 2012
O ex-amigo
O depoimento mais aguardado pela CPMI que investiga os negócios de Carlinhos Cachoeira, surpreendentemente não era de nenhum político, até porque a maioria optou pelo mesquinho direito de ficar calado. Foi nas palavras do jornalista Luiz Carlos Bordoni que brotaram as melhores explicações e materiais para investigação. Com a oratória serena, confiante e confrontando partidários de Marconi Perillo, Bordoni não se intimidou e fez declarações interessantes.
A maior acusação foi afirmar que o governador Marconi Perillo mentiu em seu depoimento, nessa mesma CPMI dias atrás. O jornalista bateu de frente em relação aos pagamentos de seus serviços de rádio na campanha de 2010. Os valores e formas de pagamento entram em conflito, também no envolvimento de sua filha, Bruna, além das nomeações dela para o gabinete do senador Demóstenes Torres. Esse são ingredientes que apimentam o embate das duas partes.
Alguns acertos financeiros na campanha sem nota deixam de atestar com mais precisão as afirmações de Bordoni. Negociar diretamente com o governador, pegar dinheiro vivo são outros meios que levam desconfiança. Mas isso não descredita o que foi falado pelo jornalista na CPMI, pelo contrário, só aumentam as fontes de investigação, que competem aos parlamentares dessa Comissão buscarem e usarem suas prerrogativas para trazer a tona, informar a população e aplicar as medidas cabíveis.
O palco de guerra com ânimos exaltados de parlamentares continuam a acontecer e envergonhar todos os brasileiros. Nomes chulos sendo brandado aos gritos mesmo com microfones desligados. A acusação de caixa 2, só reflete a formação do mesmo, e execução feita pelo comando de campanha do então candidato Marconi Perillo, a apuração de provas documentais, novos adentos que prorrogam mais os trabalhos da Casa, e aumentam a resposabilidade da CPMI ter sua eficácia investigação.
O mais interessante tirando a gravidade das denúncias, é o histórico de relações de Bordoni com Marconi, tendo o conhecido ainda menino e trabalhando com o pai, passando pelo PMDB jovem nos anos 80, e fortalecendo a amizade trabalhando nas campanhas políticas desde a histórica primeira vitória sobre Íris Rezende em 1998. De lá pra cá, nas 3 campanhas vitoriosas para o governo e uma para o senado. Em todas o programa de rádio da campanha era comandado por Bordoni. Após ver o nome da sua filha citado por Demóstenes em depoimento na mesma Comissão, e ser investigado para tal, a caixa de marimbondos estava provocada, e a picada é certa. Resta se ver os feridos em breve.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Quem investiga quem?
A Operação Monte Carlo se desdobra em proporções a perder de
vista, todo dia são fatos novos, provas novas, nomes novos envolvidos com o que
aparentemente seria só a exploração ilegal do jogo do bicho em Goiás, agora
virou o maior esquema de corrupção da política nacional. Sem esquecer o
mensalão, cujas investigações reaparecem, com muita propulsão de guerra
partidária, mas são ofuscadas por tantos envolvimentos de agentes públicos em
torno de um empresário, de uma construtora e uma CPMI surgindo com a árdua
missão de julgar os envolvidos, mas aí vem mais problemas: Quem vai julgar?
Alguns pontos da legislação brasileira não favorecem o trato
isento de quem investiga e decide o destino dos agentes políticos apanhados em
manobras ilícitas. As cotas de nomeações do judiciário são a maior prova disso;
os chefes do executivo escolherem boa parcela da instância que julgam eles
próprios, não é o que se pode chamar de colegiado isento.
No legislativo as escolhas de relatores e presidentes das
Comissões Parlamentares Mistas de Inquéritos fazem parte, como em toda a
maneira de fazer política, de conchavos e acordos partidários. Buscando um
ilusório equilíbrio da mesa que irá julgar os colegas, e chamar para depor
aqueles que normalmente estão envolvidos com vários da casa. Credibilidade é uma
palavra que não passa muito aí.
Historicamente o povo sempre tem ao que recorrer por meio do
Ministério Público, o único órgão de representatividade que não passa pelos
mesmos crivos de nomeações das outras instâncias do Poder Judiciário, diferente
dos Tribunais de Contas, que não dificilmente deixam passar aprovações de contas dos governantes que os colocaram lá. Mas o que acontece quando até membros do outrora
ilibado MP entra na roda das investigações?
No executivo vemos os governadores de Goiás e do DF, talvez
até o do Rio de Janeiro, preocupados com o que mais respingará em seus nomes
nas escutas telefônicas da Polícia Federal. Qualquer envolvimento com a mega
operação é perigoso, mas o excesso de publicidade do caso não ajuda em sua
solução, a mídia em parte se cala por ter a quem responder nos envolvidos, em parte
denuncia com teor de maior agravante que as provas aparecem, deixando o povo
perplexo e sem esperança alguma na famigerada classe política.
Desanima pensar em onde, tanto a CPMI quanto as investigações
da Polícia Federal, vão chegar. Parece não haver um horizonte que permita um
desfecho que mostre pra sociedade o tanto de bandido e os poucos mocinhos. A sujeira
da lama condena todo mundo, mas a influência do poder maquia a cara da maioria.
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