Blog do Paullo Di Castro


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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Carta do mandatário de Goyaz para a Presidente


Ilma.  e querida PresidentA!
 

Em primeiro lugar, quero dizer que muito além da questão partidária, tenho profundo respeito e admiração por Vossa Excelência! Nosso relacionamento político tem sido bom nesses últimos anos, mesmo porque o Brazil está sob o comando do seu partido desde o começo da década passada e Goyaz está sob o meu ainda antes da virada do milênio.

Reconheço que já peguei pesado com o seu líder máximo, falei para os quatro cantos que havia denunciado o mensalão para ele, como era vice-presidente do Senado na época, aproveitei da minha posição para tentar uma projeção nacional, coisa que nunca consegui. Mas apesar disso, deve reconhecer o benefício que fiz para a União ao entregar de mão beijada a nossa empresa de energia, maior patrimônio dos goianos.

Sou grato pelas verbas destinadas a Goyaz que nos repassou, e me permitiram tocar obras no estado todo, e fazer das propagandas elas ficarem muito maiores. Quase todas não consigo terminar, tem algumas que faço desde o primeiro mandato. O segredo é fazer o lançamento e injetar publicidade em toda a imprensa, aí faz tudo ficar mais bonito.

Contratei várias duplas sertanejas, cantores bregas e que o povão gosta, e com nossa projeção em Goyaz movimentam a economia do Brazil todo. Viu o desfile na Sapucaí que beleza? Pra conquistar aquela homenagem não medimos esforços.

Diante isso, venho pedir encarecidamente que me ajude na Segurança de Goyaz. A verdade é que não dou conta de melhorar nada nessa área aqui. São tantos comissionados e empresários que tenho que atender, aí eu tento fazer programas mirabolantes sem obedecer a lei e insisto até que me proíbam. Já até coloquei o meu vice que vai ficar com o abacaxi pra descascar.

Aqui em Goyaz tenho partidos da sua base que fazem parte da minha. Essa é a maravilha da política: Podemos defender bandeiras diferentes e de unir por conveniência em qualquer tempo! Tenho um monte de gente chata aí no Congresso, dois delegados que fazem barulho contra seu governo, mas para compensar isso tirei deles a chance de serem candidatos a prefeito da nossa capital.

Confiando na empatia com Vossa Excelência, peço que me mande recursos, Exército, Marinha (temos muitos rios aqui que podem servir pra eles), Aeronáutica, BOPE, qualquer coisa para nos ajudar!

Atenciosamente

Coronel de Goyaz

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um ano para aprender


2015 não tivemos muito que comemorar, seja como cidadãos goianienses, goianos ou brasileiros. Vivemos dias nebulosos, imprecisos e de difícil diagnóstico. A resposta que virou um lugar comum é que tudo é culpa da crise. Tem muito fundamento essa afirmação. Mas a crise maior que vivemos não é a econômica. É a crise moral, acompanhadas pela crise da falta de bom senso, a crise sem desconfiômetro, a crise que trás a desonestidade, a corrupção, a apatia. Todas imorais.

As eleições de 2014 tiveram uma conta alta demais. Ainda estamos pagando. Tanto o Brasil quanto Goiás fizeram das tripas o corpo inteiro para garantirem a reeleição de seus governos. Muitas baixarias, caixas 2, 3, 4 a perder de vista, financiamento de campanha de empresas que serão devidamente recompensadas com perdão, isenção fiscal e negociatas de licitações fraudulentas e muita mão lavando a outra. A imoralidade encontra muitas brechas na lei, e todas que são encontradas são preenchidas.

O governo Dilma vive a pior crise desde a era Lula, que começou (por ironia) 13 anos atrás. A bomba estourou nas primeiras investigações de corrupção na Petrobrás e os presos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal tiveram estilhaços que pegou todos os escalões do governo. Para a presidente sobrou uma conturbada abertura de processo de Impeachment, que por enquanto foi salvo pelo gongo do recesso de final de ano. A relação com o vice Michel Temer abalou, como sintoma do fiel da balança PMDB decidir sua vida no Congresso. 2016 ainda promete fortes capítulos nessa novela em que existe um “mar vermelho” para se atravessar.

Em Goiás a coisa não anda melhor. O “pacote de maldades” do governo veio maior que qualquer saco de papai Noel nesse fim de ano. Os servidores tem diversos benefícios cortados. Os Hospitais gerenciados por Organizações Sociais recebem alto investimento e realizam poucos atendimentos para o tamanho da demanda. CREDEQs e várias obras prometidas caminham a passos de lesma. O pagamento de IPVA é antecipado. A segurança que sempre é instrumento eleitoreiro assiste uma categoria desgastada e fazendo paralizações. A educação vê a implantação de três projetos levarem mais de 20 escolas a serem ocupadas por estudantes e apoiadores. Pra terminar, mais de 1 milhão é gasto para promover shows dos sertanejos Leonardo e Eduardo Costa, intitulado “Cabaré”, e da funkeira Anitta, que foi rebolar em evento para crianças da OVG.
 
Goiânia vê dias complicados na receita, crise política no rompimento do vice Agenor Mariano com o prefeito Paulo Garcia, obras inacabadas e em ritmo de tartaruga. Mesmo com um fôlego para pagar a folha e anunciar concursos, a insatisfação e conturbados momentos políticos afetam e muito o dia dia da população. Criminalidade e assassinatos aumentando nas ruas diariamente. Da promessa faraônica de 81 CMEIs em 2012 o prefeito entra no último ano muito longe dessa meta. Talvez ela estava em aberto e a intenção é dobrar...
 
O ano que passou deixou muitas lições. Como cidadãos, nossa responsabilidade aumenta diante de tantos fatos determinantes para passar tantos pontos a limpo. O combate a corrupção é a maior tarefa que temos para inibir o mau uso do dinheiro público. Com 1,5 milhão de assinaturas, o projeto 10 Medidas Contra a Corrupção pode virar lei. Faltam pouco menos de 300 mil. Acesse o site da campanha do Ministério Público Federal aqui e dê sua contribuição, assim como fiscalizar diariamente a vida de quem deve nos prestar contas.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Qual o sabor da pizza?


O resultado das apurações da CPMI do Cachoeira no Congresso Nacional, como era de se esperar as mais pessimistas previsões, acabou mais uma vez em pizza. Para alguns uma iguaria italiana, aperfeiçoada e melhorada no Brasil. Para a maioria, uma pizza bem amarga, daquelas que amadores e desastrados fazem, com a massa azeda, recheios vencidos, fungos e o que mais tiver direito. Tudo para dar a pior digestão que o povo brasileiro poderia experimentar.

Cada personagem principal teve seu sabor:

Pizza de Calabresa (Marconi Perillo): É a pizza mãe de todas. Sua tradição é a de se perpetuar no poder e se blindar pra sempre continuar no cardápio;

Pizza Quatro Queijos (Carlinhos Cachoeira): Essa fornece ingredientes para todas as outras. Sem seus queijos, poucas teriam a fartura que tem;

Pizza Napolitana (Demóstenes Torres): Mesmo se for unanimidade, se passar do ponto pode decepcionar, e ser a primeira a ser queimada;

Pizza de Mussarela (Fernando Cavendish): Essa é usada para dar fartura na refeição do freguês. Tem a relação mais estreita com a Quatro Queijos;

Pizza Pepperoni (Carlos Leréia): É uma pizza que fica mais no canto do cardápio, mas quando pedida tem muita coisa pra oferecer;

Pizza Marguerita (Wladmir Garcêz): É uma pizza secundária, mas importante para unir o tempero especial de outras. Está sempre ao lado das principais;

Pizza Frango com Catupiry: (Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral): Juntos são imbatíveis, tem várias caras, e ficam ao lado de quem manda;

Pizza Moda da casa: Essa representa todos os parlamentares que compactuam com os escândalos apresentados, e com conchavos polítivos e receios da bomba estourar em seus próprios quintais, preferem assar tudo no forno a lenha e deixar o cheiro do orégano (dinheiro) atiçar seus paladares para mais. Dando nome aos bois, ou às pizzas: 

SENADORES: Álvaro Dias (PSDB-PR), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Jayme Campos (DEM-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC), Sérgio Souza (PMDB-PR), Ciro Nogueira (PP-PI), Ivo Cassol (PP-RO), Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP) e Marco Antonio Costa (PSD-TO). 

DEPUTADOS: Carlos Sampaio (PSDB-SP), Domingos Sávio (PSDB-MG), Luiz Pitiman (PMDB-DF), Gladson Cameli (PP-AC), Maurício Quintela Lessa (PR-AL), Sílvio Costa (PTB-PE), Filipe Pereira (PSC-RJ), Armando Virgílio (PSD-GO) e César Halum (PSD-TO).

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O ex-amigo



O depoimento mais aguardado pela CPMI que investiga os negócios de Carlinhos Cachoeira, surpreendentemente não era de nenhum político, até porque a maioria optou pelo mesquinho direito de ficar calado. Foi nas palavras do jornalista Luiz Carlos Bordoni que brotaram as melhores explicações e materiais  para investigação. Com a oratória serena, confiante e confrontando partidários de Marconi Perillo, Bordoni não se intimidou e fez declarações interessantes.


A maior acusação foi afirmar que o governador Marconi Perillo mentiu em seu depoimento, nessa mesma CPMI dias atrás. O jornalista bateu de frente em relação aos pagamentos de seus serviços de rádio na campanha de 2010. Os valores e formas de pagamento entram em conflito, também no envolvimento de sua filha, Bruna, além das nomeações dela para o gabinete do senador Demóstenes Torres. Esse são ingredientes que apimentam o embate das duas partes.


Alguns acertos financeiros na campanha sem nota deixam de atestar com mais precisão as afirmações de Bordoni. Negociar diretamente com o governador, pegar dinheiro vivo são outros meios que levam desconfiança. Mas isso não descredita o que foi falado pelo jornalista na CPMI, pelo contrário, só aumentam as fontes de investigação, que competem aos parlamentares dessa Comissão buscarem e usarem suas prerrogativas para trazer a tona, informar a população e aplicar as medidas cabíveis.


O palco de guerra com ânimos exaltados de parlamentares continuam a acontecer e envergonhar todos os brasileiros. Nomes chulos sendo brandado aos gritos mesmo com microfones desligados. A acusação de caixa 2, só reflete a formação do mesmo, e execução feita pelo comando de campanha do então candidato Marconi Perillo, a apuração de provas documentais, novos adentos que prorrogam mais os trabalhos da Casa, e aumentam a resposabilidade da CPMI ter sua eficácia investigação.


O mais interessante tirando a gravidade das denúncias, é o histórico de relações de Bordoni com Marconi, tendo o conhecido ainda menino e trabalhando com o pai, passando pelo PMDB jovem nos anos 80, e fortalecendo a amizade trabalhando nas campanhas políticas desde a histórica primeira vitória sobre Íris Rezende em 1998. De lá pra cá, nas 3 campanhas vitoriosas para o governo e uma para o senado. Em todas o programa de rádio da campanha era comandado por Bordoni. Após ver o nome da sua filha citado por Demóstenes em depoimento na mesma Comissão, e ser investigado para tal, a caixa de marimbondos estava provocada, e a picada é certa. Resta se ver os feridos em breve. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Casa




Era uma casa de uma venda engraçada

Não tinha nome no cheque, não tinha nada

Ninguém podia entender ela não

Porque não se sabe os donos quem são

Ninguém entendia os contatos da rede

Porque a sujeira tava debaixo do tapete

Ninguém sabia o que sai daí

Porque o Cachoeira foi preso alí

Mas era feita com laranjas espertos

No condomínio de poucos, contas com zeros.





*Paráfrase de "A casa", de Toquinho e Vinícios de Moraes. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

#FORAMARCONI

Em 1984 tinha apenas um ano de idade, só anos depois vendo imagens na televisão que me lembro de assistir as passeatas pelas Diretas em várias partes do Brasil, eram anos em que a falida Ditadura Militar dava seus últimos suspiros e o país caminhava para profundas transformações sociais. Mais tarde, em 1992, vi a população brasileira pintar a cara e exigir a saída do primeiro presidente eleito democraticamente. Não vi mais minha geração tomar atitudes parecidas, nem em nível nacional, muito menos regionalmente. 




De lá pra cá, poucas foram as manifestações populares significativas que mostraram a insatisfação do povo com o seu governante. Em Goiás, a coisa andava mais devagar ainda, o histórico de coronelismo, familiocracia e os modos arcaicos de governar não tinham ainda provocado alguma mobilização que chamasse a atenção, isso durou até o quarto mês do segundo ano do terceiro mandato do governador Marconi Perillo. 


No dia 14 de abril, pela primeira vez diversos grupos se organizaram via Facebook em especial, com muitos comentários também no Twitter, vídeos no Youtube, com fins de irem às ruas em protesto contra os últimos acontecimentos envolvendo políticos goianos, em especial Marconi, muito citado em várias gravações, além do já "morto politicamente" e "ex-paladino da moralidade" Demóstenes Torres, flagrado em diversas escutas telefônicas reveladas na Operação Monte Carlo que investiga as relações ilícitas do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos de diversos partidos.




Na segunda semana, dia 21, aliado ao movimento nacional contra a corrupção, o Fora Marconi ganhou mais peso, saiu da Assembléia Legislativa, foi até a Praça Tamandaré, e voltou pra Praça Cívica, terminando em frente ao prédio do TRE, local em que dois incidentes aconteceram, mas que foram atos isolados de pessoas que não entenderam (ou fingiram que não), o propósito da organização. Aglomerados urbanos, de tantas pessoas diferentes infelizmente estão sujeitos a isso, mas o foco do protesto foi mantido.


A presença foi significativa, principalmente pelo fato inédito que representava. A cobertura da imprensa deu um bom espaço, tirando um ou outro veículo que não disfarçam as relações com o governo, os quais tentaram diminuir como puderam os efeitos do que o povo queria. A assessoria do governador insistiu em argumentar que era a favor da expressão livre e democrática, porém não achava que a manifestação expressava a opinião dos goianos, além de atacar veículos de comunicação que mostram podres da administração pública. Sim, o governo foi eleito no voto democrático, mas atitudes assim em uma época de mídias instantâneas e informação acessível, é um tiro no pé.




O que está acontecendo não é uma tentativa de terceiro turno, mas sim pessoas levantando da frente do computador e agindo como podem, mesmo com a maioria elegendo, ninguém é obrigado a esperar 4 anos para se indignar e mostrar isso de forma ordeira e expressiva. Termos uma queda do governador é a coisa mais difícil de acontecer, mas quem disse que as Diretas, o Fora Collor foram fáceis? Se esse não for o caminho, mas sim uma varredura na equipe do governo, como aos poucos está acontecendo, e parlamentares de calças curtas explicando o inexplicável, já é um ganho considerável.


Recentes notícias como a conturbada venda da casa de Marconi que virou de Cachoeira, em um condomínio de luxo de Goiânia, que o Estadão trouxe detalhes, dão mais ingredientes para o III Fora Marconi, que foi marcado para esse sábado, dia 05 de maio, 10h com saída no Lago das Rosas, do Setor Oeste. É prudente ao governo mudar a postura e não desqualificar um movimento que ganha proporções maiores, assim como as denúncias e provas que vem surgindo. Muitas mudanças vem acontecendo, e que os trabalhos de CPIs e do Poder Judiciário não ignorem a voz das ruas em suas investigações e julgamentos. 


Fotos de Victor Mileo.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Balanço político

Como um dos últimos posts do ano, nada mais apropriado que refletir sobre as três esferas políticas, que estão encerrando um ciclo e começando outro, sem muita novidade.

BRASIL:

Chegamos ao fim do mandato de oito anos, do presidente mais popular, de maior índice de aprovação, que veio da esquerda, que não tinha estudo, que tantou, tentou, e chegou lá, fazendo um governo um tanto irreverente, que muito seguiu a política econômica dos anos FHC, porém, ao invés de privatizações, produziu um crescimento nunca visto. Se o Fome Zero que era o programa carro-chefe do primeiro mandato não vingou, o Minha Casa Minha Vida, do ano passado pra cá, surtiu mais efeito. Já o PAC ficou devendo.
Um dos trunfos do governo que se encerra é a política internacional, que colocou o Brasil em patamares "nunca antes na história desse país" alcançados. Um diálogo aberto com países de A a Z, desde os EUA até os controversos Irã e Coréia do Norte. A crise econômica que tomou a maioria das nações não chegou com força em solo brasileiro.
O fato é que Lula fez um governo diferenciado, mesmo com a crise do mensalão, que derrubou tanta gente do alto clero governamental, o presidente conseguiu com sua habilidade política e populista escapar da participação. O Congresso Nacional fez as piores lambanças de todos os tempos, até o apagar das luzes, mas o presidente, com sua marca fortalecida, ficou inabalável, e com o nome marcado no hall dos mais importantes homens do Brasil. É incontestável a força popular de Lula.
O que esperar do governo Dilma? Os potenciais sucessores saíram manchados pós mensalão, restou acreditar na mulher que esteva ao lado do presidente em todo o governo, mesmo sem a devida experiência em cargos eletivos, pode fazer um continuísmo interessante do atual governo, isso se percebe fácil pela montagem de seu ministério, com o devido dedo de Lula. Se conseguirá a habilidade do chefe para tratar com nobres e plebe, eis a questão.

GOIÁS:

O governador Alcides, longe da popularidade de Lula, deixa o cargo sem apego popular, mas com as contas do estado em melhor posição do que anos atrás. Com a impossibilidade da reeleição, foi um oxigênio para se trabalhar pela re-organização do estado.
Vale destacar o bom trato com a imprensa, a boa articulação com o governo federal. De ruim fica a participação do secretariado, ausência de reuniões e funcionalismo sofrendo com os cortes. Publicidade foi fraca, o que pode não ser ruim, muitas obras paradas, e a explicação era uma só: pagar as contas herdadas.
A fraqueza do governo era sentida especialmente na Assembléia legislativa, mesmo com poucos opositores de destaque, era difícil o bom diálogo entra a casa e o Palácio. No final o golpe duro do empréstimo da CELG barrado em votação enfraqueceu mais o governo, que não estava ao lado das duas maiores forças do estado, e conseqüentemente não conseguiu usar a influência para continuarem com seu grupo político, em maioria rachado.
O que esperar do próximo governador? Ele já é muito conhecido, impõe modernidade, mesmo depois de 12 anos em cargos majoritários. Tinha mais 4 anos no senado, a vice-presidência da casa, mas as portas estavam abertas pra voltar ao governo, o que astutamente fez.
A formação do secretariado foi um tanto esperada, muitos nomes que o acompanharam firmemente nos últimos anos. A surpresa maior ficou por conta do deputado federal eleito pelo PMDB, Thiago Peixoto ter sido convidado, e aceitado o cargo de secretário da Educação. Era a bandeira que o deputado mais atuava, porém, vindo do maior inimigo político, o convite surpreende, e abre margem para se perceber a boa jogada de Marconi ao trazer para o seu lado o talvez maior potencial adversário político em um futuro próximo.

GOIÂNIA:

Na prefeitura, mesmo sem sucessão eleitoral, também muitas mudanças. Desde abril o vice petista Paulo Garcia já assumia o cargo para suprir Iris que teimou em disputar o governo, o partido saiu fortalecido, e o prefeito foi impondo sua gestão para tocar obras como o antecessor, e abrir diálogo com a população. Destaque para o uso do twitter, onde em várias noites o prefeito respondia e dava satisfação aos internautas sobre as questões do município.
Em uma discreta mudança no secretariado, Paulo conseguiu reunir adversários visando 2012. Várias articulações, tanto no âmbito municipal como no estadual, já preparam o caminho para as próximas eleições. Política é isso. Cabe à população participar cobrando, para que não tenhamos tantos desgostos como nos últimos anos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Censura

Me contive por vários dias para não escrever sobre isso, mas com um repercussão deste tamanho, e com fatos novos motivados por esse cenário, não dá pra deixar de refletir aqui sobre as colocações usadas sobre o tema censura na reta final do processo eleitoral de Goiás. E nada pior que explodir a bomba no ninho da imprensa, o melhor jeito de confundir o eleitor.
Como o Brasil e vários lugares do mundo viram Paulo Beringhs, folclórico jornalista goiano, que eu cresci vendo na telinha, e pensando que um dia poderia trabalhar com ele, ou apresentar um jornal como ele. Muitos anos depois, mudo o pensamento, após o que vi uma semana atrás, na quarta-feira, 20 de outubro de 2010, quando peguei o final do jornal Brasil Central para assistir e me deparei com a parte do vídeo que milhares de pessoas viram no youtube, a ficha demorou a cair. Estava presenciando uma auto-demissão ao vivo, mas não em nome da dignidade, mas do partidarismo e calor eleitoral que muda a cabeça de muitas pessoas, jogam ética e profissionalismo no ralo, mesmo quando tentam maquiar de várias formas.
Mas não quero me prender nesse assunto, o que foi feito está feito, e ainda vai passar muita água em baixo dessa ponte. Mas o fato desmembrou duas questões peculiares, uma positiva: a discussão sobre a TV pública no Brasil, e a outra totalmente antiquada e prepotente: a ação pela censura ao twitter promovida pelo PSDB goiano.
Quanto a primeira, realmente o controle do Estado em um veículo de televisão deve estar acima de qualquer espaço privilegiado para determinado grupo político ou social. A educação deve ser prioridade, tanto em programas infantis, como nos outros segmentos informativos. A TV Cultura luta por esse modelo, mas escorrega em alguns pontos em que a TV Brasil, a Sesc TV e o Futura acertam mais. É uma pauta importante, defendida pelo professor Luiz Signates (UFG/PUC-GO), que promoverá esse debate começando no sábado, 30, às 9h00 na Rádio Universitária.
A outra repercussão maior, foi motivada pela ação encabeçada pelo deputado tucano Daniel Goulart, que encaminhou à Polícia Federal representação contra supostos panfletos apócrifos ao candidato Marconi Perillo, e de perfis no twitter atacando o mesmo. Fiquei impressionado com essa atitude, vinda de um grupo com o passado e o presente de tantas repressões contra a liberdade de imprensa, de uso indiscriminado de materiais ofensivos aos outros candidatos, além de ataques virtuais, principalmente via twitter nessas mesmas eleições, formaram um exército digital, de inúmeros perfis fakes e reais remunerados, que anunciavam a renúncia de candidaturas que se mantinham firmes, além de criarem factóides diários contra os adversários, que por vezes vendiam a imagem ao eleitor de inimigos.
Nessa verdadeira guerra eleitoral, Vanderlan Cardoso (Alcides Rodrigues e Jorcelino Braga) e Marta Jane foram os mais atingidos, a arma mais usada foi o Diário da Manhã, em intervenção pelo PSDB, e manchando a história de luta na imprensa de Batista Custódio. A artilharia contra Iris sobrou só para o segundo turno. Se plantar que o PMDB tem tradição de censurar a imprensa goiana, sendo Marconi o político que mais processou jornalistas em Goiás, é uma contradição imensa.
Essa foi a realidade que vi nesses meses de pré-campanha e campanha oficial. Outros grupos também usaram de armas imorais, mas não dessa proporção, com essa estrutura de campanha. O twitter foi o espaço mais democrático que se abriu nesse processo eleitoral. Essa voz não pode ser calada, o que fez ela ser usada para mais ataques. Agora a tentativa de se abortar o uso desse espaço é uma atitude irracional e de graves conseqüências. Com a chegada ao poder de gente com essa mentalidade, a instabilidade do campo de idéias digital pode ter proporções perigosas.
Por esses e outras, Paulo Beringhs não é um cara peitando um sistema em nome de um afronta à liberdade, ele é um partidário, filiado, amigo pessoal e media training de Perillo nessas eleições. O candidato dele teve espaço como nunca em seu programa, e isso não era motivo para se chutar o balde daquele jeito. Se esse senhor entrar efetivamente no governo caso Marconi ganhe, veremos o tamanho da sua dignidade. Assim como de vários jornalistas e outros profissionais que desceram ao mais baixo nível nessas eleições para conseqüentemente afrontar quem estivesse do outro lado.
As eleições finalmente estão chegando, e a contabilidade de feridos nesse processo não será conhecida por um bom tempo. Os dois maiores figurões da política regional em um confronto de revanchismo, não deixa pedra sobre pedra ao fim do processo. A decisão do dia 31 vai esclarecer aos poucos muito do que falei, outras coisas ficarão para sempre ocultas, no estilo DOPS de ser.
O maior perseguido em terras goianas, Jorge Kajuru, diz que no Brasil não existe liberdade de imprensa, mas sim liberdade de empresa. O problema maior é quando a imprensa está controlada pelas empresas ligadas ao poderio político.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Agora sai!


Depois de quatro anos praticamente inativo, um dos maiores investimentos em estrutura para a cultura em Goiás finalmente está com os dias contados para retornar. Isso após muita pressão popular, e principalmente de setores da música independente, encabeçados pela Monstro Discos, a Fósforo Cultural, além do Circuito Fora do Eixo e da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN).
O Centro Cultural Oscar Niemeyer foi inaugurado no dia 30 de março de 2006, quando o então governador Marconi Perillo estava no seu último dia de governo, saindo para concorrer ao Senado, e apressou como pôde a abertura do espaço, o que foi provado depois a gravidade que foi a maneira precipitada desse evento. O espaço ainda cheirava forte cheiro de tinta naquele dia, e abria o espaço somente do Palácio da Música, do Teatro e do Monumento aos Direitos Humanos, todos ainda inacabados.
O espaço que mais atrasava era a Biblioteca, e só recentemente se revela que a construção não comportaria a quantidade de livros lá, mostrando a precariedade da obra. Um local tão importante para a população, mesmo em um espaço um pouco afastado, às margens de uma importante rodovia, o que previlegia faixas sociais mais ricas, ficando o deficitário transporte público devendo um melhor acesso popular ao local.
Nessa terça, 23 de março, os representantes da música estiveram com o secretário da Fazenda de Goiás, Jorcelino Braga, e ouviram a promessa que o Centro Cultural voltará reformado em cerca de 100 dias. Depois desse governo empurrar três anos com a barriga, jogando a responsabilidade para a AGETOP, que alegava aguardar licitação, que precisava ser liberada pelo TCE, o que finalmente aconteceu, dando a abertura para o processo da reabertura finalmente tornar-se realidade.
Não só esse governo fez descaso ao CCON, como o ex-aliado e atual desafeto Marconi Perillo, que sai pela tangente e ainda coloca em seu site que idealizou e concluiu o lugar. O pior é o arrombo financeiro milionário, fruto de licitações fraudulentas, e muito comodismo das autoridades, que só agora despertaram mediante a mobilização popular, e a iniciativa dos produtores culturais.
Para ver isso tornando verdade, os idealizadores dessa causa estão promovendo no sábado, dia 27 de março uma mobilização sem nenhum vínculo político, fazendo uma grande festa, com shows de grandes bandas da capital, para se despertar a importância do Oscar Niemeyer para a nossa cidade. Abrace essa idéia!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Duas semanas em pauta

Depois de intermináveis duas semanas sem postar, volto ao meu sagrado canto para descarregar a relevância do que achei mais importante nos últimos dias. Vamos lá:

Glauco:
Violência, fanatismo religioso, prestação de contas? Vários ingredientes cabeludos cercaram a morte desse cartunista que marcou época nos anos 80 na revista Chiclete com Banana e depois nas suas tirinhas na Folha de São Paulo. O personagem Geraldão não existe mais, e pior, o playboy que assassinou o cartunista e seu filho, tenta fugir para Paraguai, e confessa o assassinato a sangue frio, várias versões contraditórias, e poucas razões. Cadu deve ter problemas psíquico. O caso ainda vai se prolongar muito.

Canedense:
O que esperar de um estádio acanhado, de uma cultura provinciana, de uma polícia despreparada e jogadores com sangue quente? Só poderia ter dado pancadaria, e no único jeito do Vila Nova aparecer nas manchetes nacionais. O futebol goiano cresceu o nível técnico em campo, e fora dele ainda passa vergonha em todos os goianos. O pior é a impunidade, o campo da Canedense logo estará liberado, o prefeito de Itumbiara vai escapar ileso, e a polícia vai continuar operando para coibir o torcedor e afastar os grandes espetáculos das arquibancadas.

Bruno (Flamengo):
Depois do mico da cara de decepção ao não levar o prêmio de melhor goleiro do Brasileirão de 2009 (veja aqui.), despreparo emocional e psicológico desse jogador é de dar pena. Defender um companheiro de time, mesmo que seja o Adriano que só faz burrada fora de campo, tudo bem, mas falar "quem nunca chegou até a sair no tapa com mulher?", faça-me o favor! Azar da mulher que apanhou dele e não o denunciou. O Flamengo com jogadores como Bruno, e o "Império do Amor", não consegue ter sucesso que poderia dentro de campo pelos problemas causados por esses personagens fora dele.

Arruda/Nardonis/Belo:
Cada juiz uma sentença, e de fato a justiça brasileira vem surpreendendo a todos. Os tribunais superiores, que tanto ganham bem, agora começam a impetrar ações que satisfazem a indignação popular, independente do colarinho branco. Ver o ex-governador do DF ser o primeiro de expressão no executivo a ficar atrás das grades, sem mandato, sem direitos políticos, ver o casal Nardoni sem conseguir nenhum relaxamento de prisão é de se animar com a sempre morosa justiça. O cantor de água oxigenada escapou agora de continuar com a vida restrita, mas já pagou bem, e continuou ganhando dinheiro mesmo preso. Tudo isso será bom se principalmente servir de exemplo prático para quem pensa em cometer crimes como esses indivíduos.

Marconi:
o vice do senado segue firme e até agora sozinho em uma pré-candidatura consolidada ao governo do estado. Foge do caso CELG, Niemeyer do jeito que pode, e visita as bases para se fortalecer, agora com o nome de Vanderlan ganhou mais uma preocupação, mas continua no perigoso caminho do já-ganhou, feito pelo PMDB em 98, que culminou na derrota para o próprio. O mais irritante são seus fiéis seguidores, dispostos a tudo para o reconduzirem ao governo, e claro, serem recompensados mais pra frente.

Vanderlan:
Por essa poucos esperavam, mas o prefeito de Senador Canedo chegou para ficar, tem que primeiro convencer o próprio partido, depois outros anti-iristas e anti-marconistas e o máximo possível de lulistas. A terceira via pode enfim ser um fator que determine a eleição, e saia da bipolaridade que se reveza no poder do estado por vários anos. Mas o desafio é árduo, Vanderlan precisará de muita desenvoltura no interior, um marketing forte e uma coligação bem unida. Sua história empresarial e os dois mandatos em Canedo o credenciam para a disputa, no mínimo para ser uma opção diferenciada para o eleitor.

Íris:
O maior expoente da política goiana não se decidiu, o vai-não vai é constante, só se vê agora um partidário dizer que ele sai candidato, depois vem outro e afirma que não sai. Isso deve durar até o fim do mês, e para mim poderia se descartar agora. Já está tarde para todas essas decisões, que pesam deixar a prefeitura e correr o risco de mais uma derrota no fim da carreira. Agora um fator que realmente atrapalha a decisão atende pelo nome de Lula. Íris não se define, principalmente por não ter o apoio do presidente, de ter o risco de dividi-lo no palanque com outro candidato. Henrique Meireles quer brigar pra ser vice de Dilma e não voltará atrás, ficam poucas alternativas para o PMDB, apoiar Rubens Otoni é o mais viável.

Guerra ao terror:
Um filme de americanos, feito para americanos, e sobra um pouco para o resto do mundo curtir. A temática de guerras sempre é delicada, principalmente com os EUA de protagonistas. Mas quando se leva para uma perspectiva mais humanitária, como o filme aborda em certos momentos, é mais relevante para se mostrar a peleja. O caso do Iraque é intragável até hoje, Bush fez o que quis e Obama fez o que prometeu não querer, mesmo levando Nobel da Paz. Resta curtir uma boa produção, e esquecer tudo o que está por trás dela.

Assembléia Legislativa:
Dias tensos vive a casa de leis do estado. Em clima de pré-candidatos, e duas CPIs polêmicas, envolvendo muito dinheiro. As investigações correm muito lentas, sem solução, sem estudos conclusivos, e vão jogando a sujeira para debaixo do tapete, as eleições se aproximam, e aí é que as coisas não caminharão.

Risadaria:
Um coletivo do humor, juntando vários feras do assunto, por iniciativa do ótimo Paulo Bonfá. Foi entrevistado no Programa do Jô (que não deixa o entrevistado falar, mas quando é bom como ele fala!) Brilha desde os Sobrinhos do Ataíde, depois Rock Gol na MTV, agora junta uma nova geração como Marcelo Adnet, e vira tudo uma grande diversão. Os shows solos são ótimos, stand up rende muito, mas quando se juntam várias forças a alegria é maior. Homenagens mais que justas à lenda viva Chico Anísio e Glauco. E viva o humor brasileiro! Sem ele é muito mais difícil viver nesse país.

Ibsen Pinheiro:
Polêmica, é a primeira coisa que se pensa com essa lei. O Rio de Janeiro contra o Brasil. Monteiro Lobato, nos anos 20 gritou que o petróleo era nosso, agora, ao invés disso, vemos os cariocas amedrontados por perderem o bolo completo e ter que dividi-lo entre os estados. Uma solução pacífica, com uma vantagem maior para o Rio poderia ser uma boa saída, mas na guerra de egos, e de milhões em royalties vai ser difícil de se encontrar uma saída, mas que os cariocas poderiam olhar um pouco menos para o próprio umbigo, isso poderiam. A riqueza é nossa!

Fórmula 1:
Voltou com tudo a maior competição do automobilismo mundial. E para variar, nosso melhor brasileiro superado só pelo seu parceiro de equipe. Mas esse ano, apesar de novas regras que podaram muito o desenvolvimento dos carros, o calibre dos pilotos em disputa promete muitas emoções. A volta de Schumacher é um ingrediente a mais na disputa pelas pontas com Alonso, Haminton, Button, Rubinho e Massa. É bom ver a estréia de Bruno Senna e a inevitável lembrança do tio dele, maior corredor de todos os tempos, de uma época em que a Fórmula 1 era mais apaixonante para os brasileiros. Mas dias melhores virão, o Brasil já passou da hora de ter o título. 2010 pode ser o ano!

Guns'n Roses:
Axl Rose junto quem queria, demorou o tempo que queria, fez o disco do jeito que queria, e o resultado é ouvir a gloriosa banda dos anos 90 em uma versão duvidosa. Sim, lá no fundo eu queria ir ao show e ouvir sucessos que marcaram minha adolescência, mas sem Slash, Duff, e Matt definitivamente não é a mesma coisa. Bandas como Charlie Brown Jr, Engenheiros do Hawai, Oasis, dentre outras cujo líder deixa seus companheiros saírem e insistem em continuar levando o legado que era coletivo e passa a ser individual, são de mal gosto. Tanto que algumas não duram muito tempo. Voltar a formação original em troca de uma turnê rentável é mais digno que levar o nome de uma banda em cima de uma só pessoa.


sábado, 6 de março de 2010

Picadinhos da semana

Goiânia viveu uma semana de Porto Alegre, todos os dias chovendo, céu fechado na maior parte do tempo, o sol pouquíssimo apareceu. Coisa que goiano não está muito acostumado. Dias quentes só na política, nas moradias, e segue a vida...

ENCHENTE EM JATAÍ:
A cidade de minha família sofreu muito. Por ser bastante inclinada, e banhada na parte sul por um rio que dá origem a um majestoso lago, batizado apropriadamente de JK (foi na cidade que o ex-presidente prometeu construir Brasília), com Memorial, Roda d'água e uma vegetação rica e de ótima estrutura para servir à população. Infelizmente, a água subiu mais de 4 metros e devastou a região, famílias desabrigadas, comércios perdidos. Imagens chocantes do que restou. O governo prometeu ajuda, a cidade necessita, mesmo desenvolvida e com uma boa gestão do prefeito Humberto Machado, tragédias como essa demandam muita ajuda.

MARCONI PERILLO:
O senador protagonizou o aniversário mais concorrido do ano. Falam-se em mais de 30 mil pessoas na casa de show Atlanta para felicitá-lo. Vários shows sertanejos para alegrar a galera. Tudo grátis: Entrada e consumação. Momentos de emoção, com o vídeo de sua filha que estuda na Suíça. Estamos falando do vice-presidente do senado, político mais jovem a chegar no cargo máximo de Goiás. É um prato cheio para críticas e oportunismo, mas vale se atentar a detalhes evidentes, como a candidatura ao governo estar decretada, da rivalidade com Íris Rezende provocar uma organização de aniversário assim, e de se questionar a origem da verba para tanta estrutura. A corrida ao Palácio das Esmeraldas já começou faz tempo.

ARRUDA:
É impossível não falar dele toda semana. Principalmente por ter um habes corpus negado novamente. Nunca um chefe de executivo ficou tanto tempo detido. A estrutura de sua detenção é melhor que de todos os presidiários do Brasil, evidentemente. Depoimentos confirmam que ele era informado sempre das etapas dos vários casos de propina. Até de falsidade ideológica vai ser processado. Com tanta impunidade no nosso país, e os poderosos saindo constantemente ilesos e afortunados, ver o ex-homem forte do DF nessa situação provoca um certo alívio e esperança. Alguns corruptos podem pensar duas vezes antes de montar esquemas de enriquecimento ilícito. Não custa sonhar.

MÃE ASSASSINA:
Sempre aparece um caso policial para nos deixar mais perplexos que outros. O ser humano consegue sempre extrapolar os limites da maldade. O que passa na cabeça de uma mãe que deixa o filho de um ano de idade sem nenhuma comida por vários meses? Essa vida foi embora assim, mas a mãe ficou e deve pagar. Por que escolheu esse caminho, e não entregar a criança para ser criada por outra pessoa? Várias perguntas passam na cabeça, e resposta é o que menos se encontra. Parabéns a delegada Adriana Accorsi pelo ótimo trabalho. Casos como o da Lucélia tiveram solução, do Jeferson, infelizmente não.

COLDPLAY:
O Brasil está bem servido de atrações internacionais na música. Tocou esses dias uma banda que chegou com diferencial, fazendo um rock britânico calcado no vocalista performático e boa-pinta, com baladas bem tristes. Com o tempo, se perdeu um pouco dessa energia e segue fazendo um trabalho que empolga menos que no início da carreira. Esse ano devemos ter gente do quilate de U2, Aerosmith, Paul McCartney, Shakira, dentre outros. Destaque da semana também para o Focus, que fez uma apresentação inesquecível em Goiânia, com um envolvente rock setentista, de músicas vigorosas e de extrema qualidade.

As águas de março vão fechando o verão, o que não pode fechar é a promessa de vida em nossos corações!


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pitacos da semana

Que semana quente! Em vários sentidos! Só pra São Paulo que a preocupação maior ainda está infelizmente nas chuvas. O restante se abana como pode! Segue umas curtas do que passou:

JORCELINO BRAGA:
O poderoso secretário da Fazenda de Goiás se viu de calças curtas ao ser divulgado um vídeo de sua filha recebendo propina de entidade filantrópica, mesmo sendo de seu pouco convívio, o laço sanguíneo pesa essa hora, e a credibilidade de seu cargo também. Se defendeu muito bem, e realmente nos leva a pensar que é impossível um pai controlar e responder pelos atos de um filho maior de idade (ou até menor hoje em dia!), as investigações continuarão, e não provando sua participação direta, que a filha dele pague e ele segue forte, mas não ao ponto de ser competitivo na corrida eleitoral do governo de Goiás.


MARCONI X ÍRIS
Não dá pra fugir da política goiana em outro assunto, que na verdade está ligado com o de cima, mas essa semana a bipolaridade da guerra partidária em nosso estado ganhou temperos diferentes. Dizem que entre amigos Íris se declarou candidato, fora um pequeno impasse com Henrique Meirelles, era o cenário esperado, já pra Marconi, a ressaca da denúncia de doações para campanha ao senado, feita pelo Estadão. No twitter chuveu de comentários alheios, opiniões de jornalistas, e principalmente de aliados defendendo o senador com unhas e dentes. Foi abafado pelo caso Braga, que jogou a batata quente na mão do ex-aliado e novo desafeto. Teremos muitos próximos capítulos!

TESSÁLIA:
Como é impossível passar dispercebido para quem não assiste o BBB (Big Bordel do Bial!), ver a "rejeição" popular dessa garota que, só com 22 anos faz um barulho desses, é incomodante. Estar envolvida em uma traição em rede nacional é pouco perto de cenas protagonizadas lá. Pudor e caráter não fazem parte do vocabulário dela, solta frases calculadas para serem polêmicas e reverter em popularidade, já era assim no Twitter, agora muito mais. Com certeza vai chuver muita grana nessa horta, já que ela parece disposta a tudo.

COMBUSTÍVEL:
O brasileiro sofre muito em períodos entre-safra do álcool. Esse ano está pior, os exorbitantes preços de R$ 1,95 para álcool e R$ 2,65 para gasolina deixa qualquer motorista refém de uma indústria que não pára de praticar preços abusivos. Cartéis de postos em uma mesma cidade, com bandeira ou sem todo mundo sabe, mas as usinas também tem a parcela de culpa, e principalmente o governo, que com uma potência chamada Petrobrás não se move para mudar essa realidade. Aí resta contar com o transporte coletivo... lascou!

BEYONCÉ:
Diva é diva, talento, carisma e sensualidade fazem parte do cardápio dessa morena furacão. As músicas dela, feita por produtores carimbados, na maioria tem a batida certa para pistas de dança. Mas ela ainda tem um chão pra percorrer e chegar no patamar de ícone da música pop. Está no caminho com certeza, a Wanessa Camargo evoluiu muito como cantora e mereceria mesmo abrir a tour dela aqui no Brasil, temos umas bem melhores, mas próximo do tipo de música da Beyoncé, encaixou-se bem. Já Ivete Sangalo, acho que forçaram um pouco a barra!

CARNAVAL:
Termino com a festa da carne só pra ressaltar um ponto: Carnaval, além de ser a maior concentração de contaminações de toda espécie, higiênicas a DST, também é o maior trampolim para diversas "cantoras-atrizes-apresentadoras subindo no estrelato. Além de irem a praia se exibir para os paparazzos em seus micro-biquinis, rebolar muito e declarar amor para uma escola de samba são os ingredientes certos para rechear a grande indústria midiática de fofoca. Isso cansa, mas vende, fazer o quê?

Vamos para a última semana de férias do Brasil, depois do carnaval sim as coisas começam a funcionar! Como diz Luis Melodia "Carnaval, carnaval, eu fico triste quando chega o carnaval...", ficaria se ficasse em casa vendo desfiles na TV, tem coisa melhor para fazer, eu garanto!