Blog do Paullo Di Castro


Mostrando postagens com marcador Centro Cultural Oscar Niemeyer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Centro Cultural Oscar Niemeyer. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

5º Goyaz Festival



Acontece desde a quarta-feira a quinta edição de um evento único, de idéia revolucionária, e prestígio merecido à boa música instrumental. O palco, depois de muitos contratempos, foi o Palácio da Música, do Centro Cultural Oscar Niemeyer, apesar de estar disponível parcialmente, já foi uma vitória do segmento cultural contar novamente com esse importante local, independente das trapalhadas e disputas políticas.

Antes feito no Teatro Goiânia, e no período de carnaval, o recuo para o mês de janeiro, e a mudança para o CCON estão sendo bem recebidas pelo público. Na primeira noite, pude acompanhar pela rádio Executiva FM o show do grande trombonista Bocato e banda, Bem animado por voltar aos palcos depois de um período de molho cuidando da saúde, o veterano desfilou um repertório eclético, empolgante, e de alto nível.

Depois dele, veio o percussionista e DJ goiano Múcio Guimarães, acompanhado do grande conterrâneo Fred Valle na bateria, fizeram um emaranhado rítmico inovador, usando várias programações, samplers de músicas de sucesso, e a pegada orgânica das batidas, interessantíssimo de se ouvir, com certeza mais ainda de se ver.

A quinta-feira reservava mais dois espetáculos de grandeza: primeiro subiu ao palco o percussionista baiano Marco Lobo. Com grande trajetória no Brasil e exterior, e acompanhado de uma competente banda, e sendo um show à parte, exalando ritmos pelos mais diversos instrumentos, e passeando por várias vertentes musicais: world music com cara de Brasil.

Depois, um momento histórico sem dúvidas, entrou no palco César Camargo Mariano, um dos pianistas mais conceituados do mundo. Não por ter sido o maior suporte do brilhantismo de Elis Regina, nem por ser progenitor de Maria Rita, Pedro Mariano, dentre outros, mas pela grande contribuição em dar a cara da bossa nova e da música instrumental no Brasil, seja como arranjador, produtor ou instrumentista.

Além de tocar e encantar a todos, contou várias histórias, um pouco de sua trajetória, comentando o formato de piano, baixo e bateria que foi a base do jazz americano, e da nossa bossa nova, além de ser como ele começou, e três anos atrás, decidiu voltar ao formato. Estava acompanhado de seu experiente filho Marcelo Mariano no baixo (que DNA dessa família!), e do jovem Thiago Rabello na bateria (César disse que não houve ensaio com ele antes dessa apresentação, o que não impediu o brilhantismo da performance de Thiago).

O velho Mariano deixou três grandes lições:
1 - A importância de um evento como esse, feitos em moldes populares, acessíveis a todos e importantíssimo para a divulgação da música instrumental, tão abafada pelos grandes veículos;
2 – A humildade em destacar o papel dos vários profissionais que fazem um evento como esse acontecer, desde o faxineiro, o porteiro, o iluminador, quem cuida dos bastidores, da produção. Ressaltando isso, se colocou como mais uma peça que monta um espetáculo como esse;
3 – A música! É claro. Em seu toque ao piano, dando espaço para seus companheiros, e propagando o jazz e a música brasileira com a maestria que mais de 50 anos de carreira podem oferecer a um público privilegiado.
Isso foi só a metade do festival, ainda restam dois dias, muita música boa para o deleite de quem tem a esperteza de aproveitar um momento único como esse. O único ponto negativo vai para alguns inconvenientes expectadores, que ficam de conversa durante as apresentações, em total desrespeito ao artista, e a todo o público. Mas no restante, nada a desejar: organização eficiente, consumação moderada, porém suficiente, som e luz impecáveis, e a música, a melhor possível! 

Programação:


Sexta-feira 21 de Janeiro de 2011
Tanghetto
Paraphernalia

Sábado 22 de Janeiro de 2011
Jaques Morelembaum
Yamandu Costa
Todos os dias a partir das 21 horas no Centro Cultural Oscar Niemeyer (G0-020, Km 0)
Entrada franca


domingo, 28 de março de 2010

Julgamento e mais alguma coisa

Semana em que quase só se falava de julgamento, de BBB e mobilizações populares, um pouquinho delas:

CONDENAÇÃO:
O julgamento mais tumultuado dos últimos anos, com uma semana de extensa duração, finalmente chegou ao fim. A meia noite desse sábado, 28 de março, a leitura da sentença pelo juíz Maurício Fossen culminou na condenação de Alexandre Nardoni, com 31 anos de prisão e de Ana Carolina Jatobá, com 26. São réus primários, não devem ficar mais de 5, 6 anos no regime fechado. A força da opinião pública já destruiu moralmente esse casal. A melhor justiça agora é coibir pais que pensem em faz alguma barbaridade desse nível com seus filhos. Caso julgado, espero um sossego da mídia, que explora exaustivamente assuntos como esse.

HORA DO PLANETA:
Nesse sábado, dia 27, um movimento mundial de proporção poucas vezes vista levanta a temática que ultrapassa a economia, a sustentabilidade, o ambiental e demais áreas de preocupação com o futuro do planeta. Mesmo sendo um ato simbólico, apagar as luzes das oito e meia até nove e meia da noite é um gesto de milhões de pessoas que param um tempo para lembrar das necessidades da nossa casa (planeta). Nascido na Austrália três anos atrás, hoje Goiânia e mais 14 capitais brasileiras aderem a essa causa , o despertar de uma nova consciência. A adesão pode não ter sido a esperada, mas qualquer ato público que faça as pessoas lembrarem mais de cuidar do nosso planeta, já estamos no lucro.

CANDIDATO:
Íris declarou em seu ciclo partidário que sairá candidato ao governo do estado. Se comoveu com o pedido de uma romaria que foi a Paço Municipal interpelar o prefeito que dispute as eleições em outubro, e como uma epopéia extraordinária, ele não teve como dizer não. Todo esse cenário apimenta mais a política local, um corre-corre de partidos para definirem suas coligações, na Assembléia e na Câmara pouco tempo sobra para cuidar das CPIs e projetos de leis. Mais importante para a maioria é articular, rodar muito para "visitar as bases", e claro, fazer o máximo possível uma campanha antecipada debaixo das barbas do TSE.

ROCK PELO NIEMEYER:
Foi uma festa e um protesto digno do tamanho de nossa cultura, da força do rock independente e do descaso das autoridades com um espaço tão fantástico da nossa cidade. Fui na Praça Cívica e acompanhei a concentração e metade do cortejo rumo ao Oscar Niemeyer. Fiquei impressionado com essa organização, com a experiência das bandas tocando em cima do trio e principalmente com o povo unidos por um ideal. A organização da Mostro Discos e da Fósforo Cultural está de parabéns, a polícia, AMT e SAMU fizeram um bom trabalho. O povo compareceu, poderiam ir mais, com certeza, mas só o barulho feito, alcançando todos os que estavam nas principais vias do centro e região sul da cidade já valeu demais. E fica a espectativa da reabertura do Centro, dia 29 de julho saberemos, e teremos a comemoração, ou outro protesto.

FÓRMULA 1:
Foi eletrizante e valeu a pena ficar acordado quase a madrugada toda para ver o GP da Austrália. Dos brasileiros, Massa foi brilhante e abocanhou o pódium. O Bruno e Di Grassi infelizmente abandonaram, mas ambos tem muito a crescer na competição. A RBR realmente parece que vai faturar muito esse ano. O vai-e-vem das chuvas complicou os trabalhos de pilotos e equipes, mas rendeu mais emoções e perícia dos corredores. Vettel começou na pole mas abandonou, melhor para Button, que ralou para assumir a ponta. Nunca uma edição reuniu tantos campeões mundiais, o que promete ser um ano diferenciado na F1. 50 anos que faria o nosso maior campeão, precisamos de disputas assim para animar o Brasil.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Agora sai!


Depois de quatro anos praticamente inativo, um dos maiores investimentos em estrutura para a cultura em Goiás finalmente está com os dias contados para retornar. Isso após muita pressão popular, e principalmente de setores da música independente, encabeçados pela Monstro Discos, a Fósforo Cultural, além do Circuito Fora do Eixo e da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN).
O Centro Cultural Oscar Niemeyer foi inaugurado no dia 30 de março de 2006, quando o então governador Marconi Perillo estava no seu último dia de governo, saindo para concorrer ao Senado, e apressou como pôde a abertura do espaço, o que foi provado depois a gravidade que foi a maneira precipitada desse evento. O espaço ainda cheirava forte cheiro de tinta naquele dia, e abria o espaço somente do Palácio da Música, do Teatro e do Monumento aos Direitos Humanos, todos ainda inacabados.
O espaço que mais atrasava era a Biblioteca, e só recentemente se revela que a construção não comportaria a quantidade de livros lá, mostrando a precariedade da obra. Um local tão importante para a população, mesmo em um espaço um pouco afastado, às margens de uma importante rodovia, o que previlegia faixas sociais mais ricas, ficando o deficitário transporte público devendo um melhor acesso popular ao local.
Nessa terça, 23 de março, os representantes da música estiveram com o secretário da Fazenda de Goiás, Jorcelino Braga, e ouviram a promessa que o Centro Cultural voltará reformado em cerca de 100 dias. Depois desse governo empurrar três anos com a barriga, jogando a responsabilidade para a AGETOP, que alegava aguardar licitação, que precisava ser liberada pelo TCE, o que finalmente aconteceu, dando a abertura para o processo da reabertura finalmente tornar-se realidade.
Não só esse governo fez descaso ao CCON, como o ex-aliado e atual desafeto Marconi Perillo, que sai pela tangente e ainda coloca em seu site que idealizou e concluiu o lugar. O pior é o arrombo financeiro milionário, fruto de licitações fraudulentas, e muito comodismo das autoridades, que só agora despertaram mediante a mobilização popular, e a iniciativa dos produtores culturais.
Para ver isso tornando verdade, os idealizadores dessa causa estão promovendo no sábado, dia 27 de março uma mobilização sem nenhum vínculo político, fazendo uma grande festa, com shows de grandes bandas da capital, para se despertar a importância do Oscar Niemeyer para a nossa cidade. Abrace essa idéia!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

ELEFANTES BRANCOS

As obras inacabadas e abandonadas de Goiânia são um caso à parte, tanto é que destino o que seria um resumo da semana a falar exclusivamente de grandes vergonhas do povo goiano.

Essa semana uma série de entraves culturais de Goiânia vem pautando as rodas de discussão, o twitter, e diversas conversas entre os goianienses que só se perguntam: Quando teremos tal espaço pronto, funcionando e entretendo o povo?
Elefantes brancos são o que mais temos na capital goiana, não o bastante a especulação imobiliária, que serve para valorizar mais o que deve e rechear um determinado mercado, deixam terrenos em lugares privilegiados para se faturar o máximo que der, enquanto isso vão virando cenário de proliferação do mosquito da dengue, que toma a cidade de assalto, trazendo caos à saúde pública, acuando ainda mais nossa população.
Nossa bela e verde cidade sofre com espaços importantes em total descaso e jogo de empurra-empurra entre novos e antigos governantes. O caráter eleitoreiro desse ano só piora o progresso da capital goiana; vamos para um caso adormecido de cada vez:

CENTRO CULTURAL OSCAR NIEMEYER:
Me lembro como se fosse hoje o dia da "inauguração", o último dia do mandato de Marconi Perillo no governo de Goiás, e não por coincidência, aquele gigante da saída de São Paulo era entregue a todos, só pra inglês ver, porque o cheiro de tinta era muito forte, e alguma coisa dizia que não era só isso que não cheirava bem. Exceto no Festival Goiânia Noise e uma exposição de Pablo Picasso, não pude mais voltar ao local, simplesmente porque lá não aconteceu mais nada. Era pra ser a AGEPEL o órgão responsável, aí dizem que é a AGETOP, e no final das contas ninguém se responsabiliza.

AEROPORTO:
A única cidade do Brasil que o aeroporto parece uma rodoviária, e que a rodoviária quase parece um aeroporto, com shopping incluso. Além de estar entre os piores e menores das capitais brasileiras, os portões de desembarque são no mesmo local. Tudo isso não é motivo suficiente para já ter saído o novo aeroporto. Deve quebrar o recorde de demora do CD Chinese Democracy do Guns N´Roses. Licitações fraudulentas, muito desvio de dinheiro público e principalmente, falta de pulso das autoridades, em todos os 3 poderes. Enquanto isso o cidadão aguenta o tranco, e vê uma Copa do Mundo não vir para que em boa parte por ter um pouso tão decepcionante.

SERRA DOURADA:
Parte elétrica com 15 anos de atraso, gramado com 35 (desde a fundação), mas agora sim, parece que tudo se tornará novo, menos a estrutura, será que precisaria um desmoronamento como o da Fonte Nova, em Salvador, para se mudar algo? Os clubes goianos são obrigados a jogar todos os jogos em seus acanhados estádios particulares, e o pior: de lembrar do único palco que teve Pelé jogando em Goiânia, o Estádio Olímpico, nada mais é que vários amontoados de terras em pleno centro da cidade, atravessando os anos e as gestões totalmente parado.

AUTÓDROMO:
Outro lugar que envergonha até o nome que usa (nada menos que Ayrton Senna), já sediou Mundial de Moto Velocidade, várias provas de Fórmula Truck e diversas modalidades do automobilismo nacional. O traçado da pista é um dos mais elogiados do mundo. E com tudo isso, hoje se vê um asfalto judiado, nenhuma competição relevante sendo disputada, e ainda as festas de gosto duvidoso continuam. Ou se investe pesado ali, ou teremos apenas um lugar pra dar cavalo de pau e mostrar mega watts de som automotivo.

ZOOLÓGICO:
O que povoava o imaginário das crianças no passado, hoje é um velho mato com animais morrendo e tristemente enjaulados. A culpa pode não ser de A ou B, mas que o modelo do Zoo goianiense é ultrapassado e claramente não funciona, é fato. Desde a mudança do local, até incluir-se museus, e viveiros de melhor porte, pode-se salvar esse patrimônio goiano que anda tão judiado.

O prefeito é um grande tocador de obras, mas prefere priorizar contruções e se esquece do que existe para o lazer e utilidade da população. O governador diz que está pagando as contas e que só tem herança maldita, o ex-governador e senador diz que arrumou a gestão anterior e deixou tudo no jeito para se concluírem depois. Ninguém assume a culpa e todos jogam a batata quente para os rivais. E o povo? Com a palavra os nossos governantes.

Algumas manifestações e intervenções estão acontecendo, principalmente pela internet, e possivelmente ganhando corpo para as ruas logo. No site http://www.envolva-se.com/ você encontra várias frentes desses protestos, e com um pouco de vontade pública pode-se conseguir as mudanças necessárias.