Blog do Paullo Di Castro


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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Da Mala para as Malas

Foto: Polícia Federal 

Até poucos dias atrás a maior peça de flagrante da investigação da Força Tarefa da Operação Lavajato era da mala com R$ 50.000 transportada pelo deputado Rodrigo Rocha Loures, braço direito do presidente Michel Temer. O que ninguém de bem na República podia imaginar na proporção é que aquela era só a ponta do iceberg. A apreensão de uma série de malas em casa atribuída ao ex-ministro Geddel Rocha Lima, em que foram necessárias várias horas para serem contabilizadas as cédulas encontradas e chegar no exorbitante valor de R$ 51.000.000 (cinquenta e um milhões)! E não era tudo: em dólares foram encontrados mais de 2 milhões e meio.
Como não bastasse de notícia alarmante no dia, tal apreensão ocorreu na mesma terça em que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, foi conduzido pela Polícia Federal para dar depoimento sobre compra de votos na candidatura do Rio de Janeiro como sede dos jogos em 2016, na operação Fair Play, desdobramento da Lavajato. Um negócio bastante lucrativo para seus operadores visto toda infraestrutura montada com altas cifras de investimento, hoje tendo várias praças esportivas abandonadas.
O eleitor assiste a um governo, que acaba de completar um ano após o conturbado impedimento do mandato da presidente Dilma, viver a revelação de episódios escusos da relação do poder estatal e privado sem precedentes na história. Não houve escândalo algum para aproximar do que estamos vendo hoje. O que se propaga como urgência de aprovar reformas, especialmente a política e previdenciária, termina em papel de coadjuvante frente às mazelas cometidas pelas pessoas públicas que as coordenam.
Isso tudo também a pouco menos de um ano para elegermos deputados, senadores, governadores e presidente. O prognóstico não é nada animador. A mudança de financiamento público de campanha não tira das mãos de quem obtém o capital financeiro formar os potenciais eleitos. Fazer campanha para não reeleger ninguém é uma voz que se sufoca diante da máquina de fazer política trabalhando para reeleger quem lhe é conveniente, seja com os mesmos atores ou seus herdeiros.
No momento em que como população mais temos acesso à informação, menos coisas ficam escondidas e mais preocupação para quem vive à margem da lei, do outro lado da moeda continuamos refém de um ciclo vicioso que se regenera em cada revés, e com poucas perdas obtém ganhos sem fim. A mesma mão que deixa escorrer um pouco do tufo de poder, logo já está abocanhando mais.
Onde está o fio da miada dessa história? Não dá para ignorar a relação de cumplicidade e subserviência entre os três poderes. Enquanto tivermos um judiciário à serviço do executivo, o executivo á serviço do legislativo, o legislativo à serviço do judiciário, com recíprocas verdadeiras, não temos muita chance de ver mudanças profundas na raiz da questão. Entre mala e malas descobertas, vemos que a mudança precisará de porções muito maiores para acontecer.




quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Impedimento é do Brasil



Não é a presidente Dilma que está sofrendo um progressivo e traumático processo de impedimento. É o Brasil. Com isso não atesto que o impeachment é um golpe, que não existe base legal ou qualquer discurso que esbravejam os aliados do governo, mas sim, com o olhar mais profundo, vemos que o projeto de poder dos grupos que nos governam é que historicamente trava o Brasil desde a democracia iniciada nas Diretas Já.

Dilma perdeu a governabilidade logo ao pegar a sucessão de Lula, a bolha da aplicação dos projetos sociais sem planejamento, e em especial os grandes esquemas de corrupção como Mensalão e Petrobrás, culminou em estourar em suas mãos. A habilidade política é inexistente, visto não ter ocupado nenhum cargo eleitoral antes de assumir o mais alto posto do país. A oratória é um desastre, o carisma idem. O que sobra?!

Sobra ser controlada pelos caciques do seu partido e por quem tem maioria no Congresso Nacional. A escolha do seu nome foi uma alternativa depois de muitas caírem por terra. José Dirceu, Palocci e Genuíno eram sucessores em potencial. Todos caíram. Precisavam de um perfil que destoasse do desgaste dos grandes do PT. Sobrou a Dilma. E para ela sobrou a bomba armada.

O principal responsável tem nome: PMDB. Um partido que veio do outrora aguerrido MDB, e com tanta sede de poder que cresceu na ditadura, viu aliados seus fundarem outros projetos políticos, tais como PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o PT de Lula. Mas o PMDB cresceu ainda mais. Não precisou ganhar nenhuma eleição com a cabeça de chapa, mas em todas foi o aliado de primeira obra, com controle das duas casas legislativas federais.

É incalculável o mal que o PMDB faz ao Brasil, juntamente com PT e PSDB, cada um em seu tempo. A estratégia deu muito certo para o continuísmo: Priorizar o legislativo, e negociar posteriormente o apoio com o executivo. Mesmo quando saía em uma eleição na chapa perdedora, ao iniciar o novo governo estavam abraçados.  

Assim como no impeachment de Collor, a maior sigla do país se novamente se vê na possibilidade de assumir a maior cadeira do Brasil. Não precisou de eleições para isso, era só passar para o lado certo na hora certa. O cenário agora é muito diferente de quando Itamar Franco assumiu em 1992. Não tem um novo plano monetário como o Real, nem uma pós-guerra fria para se construir novas relações de mercado. Agora o crédito já não é o mesmo.

Como pensar em mudanças concretas com a saída da presidente? A linha sucessória dos próximos três nomes são todos do PMDB. Um é o mesmo líder que já presidiu a Câmara e tem uma carreira de articulações pela manutenção no poder. O próximo é réu na Operação Lavajato da Polícia Federal, maior mantenedor do cargo de presidente usando todos os recursos do Regimento Interno da casa, o terceiro já renunciou mandato para sobreviver a processo, voltou ao topo naqueles ciclos que só a política partidária é capaz de fazer.

A saída de Dilma pode representar alguma oxigenação em termos de mercado, no ambiente político e social, porém, isso é só a ponta do iceberg. O velho PMDB está aí para tomar as rédeas, e continuar seu projeto de poder em altos escalões. Mesmo com processos enfrentados por Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não se consegue tirar três homens com essa envergadura política. O caminho poderia ser a impugnação da chapa pelo TSE. Pelos ministros indicados por esses governos que sempre foram norteados pelo PMDB. Seria possível? Sim, mas está longe de ser uma realidade.

Se convocada novas eleições, o que acontecerá? Qual nome tem sido levantado para potencializar uma nova perspectiva de comando do executivo? São perguntas que não tem respostas fáceis. O brasileiro tem saído às ruas, vestido de amarelo e exigido mudanças. Mas quando essas mudanças virão no voto? Qual dos mais de 30 partidos pode assumir? O impedimento maior até o momento é de todo o Brasil.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Carta do mandatário de Goyaz para a Presidente


Ilma.  e querida PresidentA!
 

Em primeiro lugar, quero dizer que muito além da questão partidária, tenho profundo respeito e admiração por Vossa Excelência! Nosso relacionamento político tem sido bom nesses últimos anos, mesmo porque o Brazil está sob o comando do seu partido desde o começo da década passada e Goyaz está sob o meu ainda antes da virada do milênio.

Reconheço que já peguei pesado com o seu líder máximo, falei para os quatro cantos que havia denunciado o mensalão para ele, como era vice-presidente do Senado na época, aproveitei da minha posição para tentar uma projeção nacional, coisa que nunca consegui. Mas apesar disso, deve reconhecer o benefício que fiz para a União ao entregar de mão beijada a nossa empresa de energia, maior patrimônio dos goianos.

Sou grato pelas verbas destinadas a Goyaz que nos repassou, e me permitiram tocar obras no estado todo, e fazer das propagandas elas ficarem muito maiores. Quase todas não consigo terminar, tem algumas que faço desde o primeiro mandato. O segredo é fazer o lançamento e injetar publicidade em toda a imprensa, aí faz tudo ficar mais bonito.

Contratei várias duplas sertanejas, cantores bregas e que o povão gosta, e com nossa projeção em Goyaz movimentam a economia do Brazil todo. Viu o desfile na Sapucaí que beleza? Pra conquistar aquela homenagem não medimos esforços.

Diante isso, venho pedir encarecidamente que me ajude na Segurança de Goyaz. A verdade é que não dou conta de melhorar nada nessa área aqui. São tantos comissionados e empresários que tenho que atender, aí eu tento fazer programas mirabolantes sem obedecer a lei e insisto até que me proíbam. Já até coloquei o meu vice que vai ficar com o abacaxi pra descascar.

Aqui em Goyaz tenho partidos da sua base que fazem parte da minha. Essa é a maravilha da política: Podemos defender bandeiras diferentes e de unir por conveniência em qualquer tempo! Tenho um monte de gente chata aí no Congresso, dois delegados que fazem barulho contra seu governo, mas para compensar isso tirei deles a chance de serem candidatos a prefeito da nossa capital.

Confiando na empatia com Vossa Excelência, peço que me mande recursos, Exército, Marinha (temos muitos rios aqui que podem servir pra eles), Aeronáutica, BOPE, qualquer coisa para nos ajudar!

Atenciosamente

Coronel de Goyaz

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um ano para aprender


2015 não tivemos muito que comemorar, seja como cidadãos goianienses, goianos ou brasileiros. Vivemos dias nebulosos, imprecisos e de difícil diagnóstico. A resposta que virou um lugar comum é que tudo é culpa da crise. Tem muito fundamento essa afirmação. Mas a crise maior que vivemos não é a econômica. É a crise moral, acompanhadas pela crise da falta de bom senso, a crise sem desconfiômetro, a crise que trás a desonestidade, a corrupção, a apatia. Todas imorais.

As eleições de 2014 tiveram uma conta alta demais. Ainda estamos pagando. Tanto o Brasil quanto Goiás fizeram das tripas o corpo inteiro para garantirem a reeleição de seus governos. Muitas baixarias, caixas 2, 3, 4 a perder de vista, financiamento de campanha de empresas que serão devidamente recompensadas com perdão, isenção fiscal e negociatas de licitações fraudulentas e muita mão lavando a outra. A imoralidade encontra muitas brechas na lei, e todas que são encontradas são preenchidas.

O governo Dilma vive a pior crise desde a era Lula, que começou (por ironia) 13 anos atrás. A bomba estourou nas primeiras investigações de corrupção na Petrobrás e os presos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal tiveram estilhaços que pegou todos os escalões do governo. Para a presidente sobrou uma conturbada abertura de processo de Impeachment, que por enquanto foi salvo pelo gongo do recesso de final de ano. A relação com o vice Michel Temer abalou, como sintoma do fiel da balança PMDB decidir sua vida no Congresso. 2016 ainda promete fortes capítulos nessa novela em que existe um “mar vermelho” para se atravessar.

Em Goiás a coisa não anda melhor. O “pacote de maldades” do governo veio maior que qualquer saco de papai Noel nesse fim de ano. Os servidores tem diversos benefícios cortados. Os Hospitais gerenciados por Organizações Sociais recebem alto investimento e realizam poucos atendimentos para o tamanho da demanda. CREDEQs e várias obras prometidas caminham a passos de lesma. O pagamento de IPVA é antecipado. A segurança que sempre é instrumento eleitoreiro assiste uma categoria desgastada e fazendo paralizações. A educação vê a implantação de três projetos levarem mais de 20 escolas a serem ocupadas por estudantes e apoiadores. Pra terminar, mais de 1 milhão é gasto para promover shows dos sertanejos Leonardo e Eduardo Costa, intitulado “Cabaré”, e da funkeira Anitta, que foi rebolar em evento para crianças da OVG.
 
Goiânia vê dias complicados na receita, crise política no rompimento do vice Agenor Mariano com o prefeito Paulo Garcia, obras inacabadas e em ritmo de tartaruga. Mesmo com um fôlego para pagar a folha e anunciar concursos, a insatisfação e conturbados momentos políticos afetam e muito o dia dia da população. Criminalidade e assassinatos aumentando nas ruas diariamente. Da promessa faraônica de 81 CMEIs em 2012 o prefeito entra no último ano muito longe dessa meta. Talvez ela estava em aberto e a intenção é dobrar...
 
O ano que passou deixou muitas lições. Como cidadãos, nossa responsabilidade aumenta diante de tantos fatos determinantes para passar tantos pontos a limpo. O combate a corrupção é a maior tarefa que temos para inibir o mau uso do dinheiro público. Com 1,5 milhão de assinaturas, o projeto 10 Medidas Contra a Corrupção pode virar lei. Faltam pouco menos de 300 mil. Acesse o site da campanha do Ministério Público Federal aqui e dê sua contribuição, assim como fiscalizar diariamente a vida de quem deve nos prestar contas.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O calor, o valor e o horror


 
2015 começou quente, mais quente pra evaporar nosso dinheiro que no clima. O pacote de aumentos de impostos colocados pelo governo federal pegaram o já minguado bolso do brasileiro de surpresa. Mês de janeiro de tantos gastos com a chance de passear, a compra de material escolar, dentre tantas coisas e de presente de ano novo recebemos reajustes exorbitantes na já onerosa carga tributária.

O clima de instabilidade no país vem se arrastando por todo o conturbado ano de 2014. A Copa do Mundo de Futebol trouxe a festança que se esperava, o mundo todo com os olhos para nós, com as obras superfaturadas e sendo entregues a toque de caixa e o circo armado para o Brasil concluir com chave de ouro em campo. Os 7x1 para a Alemanha mostrou o tamanho da vergonha que o povo brasileiro reflete com tanta corrupção em todos os setores da sociedade.

As eleições vieram com as figurinhas repetidas de sempre. A morte trágica de Eduardo Campos parece que minaram uma ponta de esperança de alguma renovação. Veio a reeleição da presidente, contra seu oponente que carregava toda uma oligarquia e nenhuma novidade. As políticas sociais e os 12 anos de poder foram o suficiente para garantir mais 4 anos para o PT.

A conta sempre chega depois da festa. A que o Brasil (o brasileiro) está pagando agora é muito cara. Vemos um anúncio de enxugamento enorme, cujo desconto só pode ser debitado no bolso do contribuinte. O mesmo que não vê benefícios retornando para ele. O mesmo que não tem saúde pública de qualidade, educação como prioridade, segurança garantida, etc.

Em meio ao caos da administração pública, em todo o mundo temos as expressões de “protesto” extrapolando limites. Charlie Hebdo quer liberdade de expressão mas não respeita quem se expressa sem atacar. As consequências são as piores. Sangue inocente sendo derramado. Se dois povos não falam a língua um do outro, não é uma ilustração ácida que vai ajudar isso a melhorar.

Na Indonésia um brasileiro é condenado por tráfico de drogas. Nenhum pedido diplomático poupou a vida dele. Aqui no Brasil, se pego, ele estaria jogado em uma unidade do sistema carcerário, em uma cela minúscula com bem mais detentos que sua capacidade. Em qual lugar sua vida seria menos valorizada?

Vivemos com medo. Medo de perder o emprego, medo de aumentar os impostos e termos que cortar até despesas prioritárias, medo de não termos o Artigo 5 da Constituição Federal respeitado. Se formos mais longe, até medo de expressar nossa fé. Não faltam motivos para ter medo. Sobram motivos para não ter paz.

Nossa esperança definitivamente não pode estar em homens. Somos corruptos por natureza, e, uma vez no poder, nós somos usurpadores. É preciso outra perspectiva para enfrentar tanto revés. A mesma fé perseguida por alguns é uma esperança. Deus nos criou e nos colocou como mordomos desse mundo. Se não cuidamos dele, sofremos as consequências. Doa o tanto que doer.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Balanço político

Como um dos últimos posts do ano, nada mais apropriado que refletir sobre as três esferas políticas, que estão encerrando um ciclo e começando outro, sem muita novidade.

BRASIL:

Chegamos ao fim do mandato de oito anos, do presidente mais popular, de maior índice de aprovação, que veio da esquerda, que não tinha estudo, que tantou, tentou, e chegou lá, fazendo um governo um tanto irreverente, que muito seguiu a política econômica dos anos FHC, porém, ao invés de privatizações, produziu um crescimento nunca visto. Se o Fome Zero que era o programa carro-chefe do primeiro mandato não vingou, o Minha Casa Minha Vida, do ano passado pra cá, surtiu mais efeito. Já o PAC ficou devendo.
Um dos trunfos do governo que se encerra é a política internacional, que colocou o Brasil em patamares "nunca antes na história desse país" alcançados. Um diálogo aberto com países de A a Z, desde os EUA até os controversos Irã e Coréia do Norte. A crise econômica que tomou a maioria das nações não chegou com força em solo brasileiro.
O fato é que Lula fez um governo diferenciado, mesmo com a crise do mensalão, que derrubou tanta gente do alto clero governamental, o presidente conseguiu com sua habilidade política e populista escapar da participação. O Congresso Nacional fez as piores lambanças de todos os tempos, até o apagar das luzes, mas o presidente, com sua marca fortalecida, ficou inabalável, e com o nome marcado no hall dos mais importantes homens do Brasil. É incontestável a força popular de Lula.
O que esperar do governo Dilma? Os potenciais sucessores saíram manchados pós mensalão, restou acreditar na mulher que esteva ao lado do presidente em todo o governo, mesmo sem a devida experiência em cargos eletivos, pode fazer um continuísmo interessante do atual governo, isso se percebe fácil pela montagem de seu ministério, com o devido dedo de Lula. Se conseguirá a habilidade do chefe para tratar com nobres e plebe, eis a questão.

GOIÁS:

O governador Alcides, longe da popularidade de Lula, deixa o cargo sem apego popular, mas com as contas do estado em melhor posição do que anos atrás. Com a impossibilidade da reeleição, foi um oxigênio para se trabalhar pela re-organização do estado.
Vale destacar o bom trato com a imprensa, a boa articulação com o governo federal. De ruim fica a participação do secretariado, ausência de reuniões e funcionalismo sofrendo com os cortes. Publicidade foi fraca, o que pode não ser ruim, muitas obras paradas, e a explicação era uma só: pagar as contas herdadas.
A fraqueza do governo era sentida especialmente na Assembléia legislativa, mesmo com poucos opositores de destaque, era difícil o bom diálogo entra a casa e o Palácio. No final o golpe duro do empréstimo da CELG barrado em votação enfraqueceu mais o governo, que não estava ao lado das duas maiores forças do estado, e conseqüentemente não conseguiu usar a influência para continuarem com seu grupo político, em maioria rachado.
O que esperar do próximo governador? Ele já é muito conhecido, impõe modernidade, mesmo depois de 12 anos em cargos majoritários. Tinha mais 4 anos no senado, a vice-presidência da casa, mas as portas estavam abertas pra voltar ao governo, o que astutamente fez.
A formação do secretariado foi um tanto esperada, muitos nomes que o acompanharam firmemente nos últimos anos. A surpresa maior ficou por conta do deputado federal eleito pelo PMDB, Thiago Peixoto ter sido convidado, e aceitado o cargo de secretário da Educação. Era a bandeira que o deputado mais atuava, porém, vindo do maior inimigo político, o convite surpreende, e abre margem para se perceber a boa jogada de Marconi ao trazer para o seu lado o talvez maior potencial adversário político em um futuro próximo.

GOIÂNIA:

Na prefeitura, mesmo sem sucessão eleitoral, também muitas mudanças. Desde abril o vice petista Paulo Garcia já assumia o cargo para suprir Iris que teimou em disputar o governo, o partido saiu fortalecido, e o prefeito foi impondo sua gestão para tocar obras como o antecessor, e abrir diálogo com a população. Destaque para o uso do twitter, onde em várias noites o prefeito respondia e dava satisfação aos internautas sobre as questões do município.
Em uma discreta mudança no secretariado, Paulo conseguiu reunir adversários visando 2012. Várias articulações, tanto no âmbito municipal como no estadual, já preparam o caminho para as próximas eleições. Política é isso. Cabe à população participar cobrando, para que não tenhamos tantos desgostos como nos últimos anos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Antes da hora


Campanha eleitoral antecipada não é novidade nenhuma no Brasil. Isso acontece principalmente no primeiro semestre de um ano de eleições, e a oportunidade mais usada é o lançamento de obras públicas. Quando o potencial candidato fica o máximo possível exposto ao lado do governante, como verdadeiro papagaio de pirata.
Vamos ao fato concreto: Nunca antes na história desse país um presidente alcançou tamanha aprovação popular. Isso poderia até forçar a criação de um terceiro mandato, mas era arriscado, melhor escolher um poste de boa visibilidade e usar toda a influência de Lula para levar o escolhido ao poder, no caso, a escolhida. Anos atrás os possíveis herdeiros lulistas seriam Antônio Palocci, José Dirceu ou José Genuíno. Mas o fator mensalão os tirou da reta, e levantou como primeira ministra Dilma Rousseff, que com muito esforço virou a pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto.
Ano passado a primeira cartada do Poder Executivo: O lançamento do filme "Lula, o filho do Brasil". Uma época bem propícia, para levantar ainda mais o nome do presidente, com o pano de fundo de falar apenas do que foi os primeiros anos da vida de Lula e seu início da carreira sindical. Tudo bem floreado para comover ainda mais o eleitorado e preparar o caminho para Dilma. Isso após duas ocasiões no berço eleitoral nordestino serem usadas para enaltecer o trabalho de Dilma ao máximo.
Da semana passada para cá, dois atos públicos foram palco de uma pré-campanha. o TSE tomou providências e multou o presidente em R$ 5,00 e R$ 10,00 por discursos ainda em janeiro, e não o bastante, um evento para as mulheres sindicalizadas do ABC foi visível ver Dilma ovacionada e centro das atenções. Depois, o pior: O lançamento do PAC 2, mas como se nem o primeiro está concluído nem na metade?
O presidente diz que precisava estabelecer orçamento para o futuro governante, mas como foi oportuno levar a "mãe do PAC" para discursar e responder o máximo possível sobre metas para os próximos 4 anos! A lei é burlada como pode, e o nome da pré-candidata exaltada de todas as formas.
Prefiro encarar o câncer enfrentado em 2009 como um fator isolado nesse processo. A mudança no visual é natural para se melhorar a imagem, mas usar a máquina pública da maneira que vem sendo usada, é um perigoso jogo de imposição eleitoreira. O brasileiro consciente quer mais idéias, e menos encosto em Lula.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pautas da semana

Uma semana tensa, em várias esferas da sociedade. Pra começar, o Brasil começando de fato a funcionar em 2010, após as folias de carnaval. Volta às aulas congestionando o trânsito nas grandes cidades. Junta-se a isso o clima de intenso trópico, apesar do fim do período polêmico e até agora não muito eficiente Horário de Verão, o clima não deu moleza, e intensas temperaturas altas dividiam o dia com fortes chuvas. É Goiânia de fato virando uma mini-São Paulo.

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA:
O início dos trabalhos no plenário foram bem concorridos. Os parlamentares do governo ficaram de cabelo em pé com a articulação que está resultando na CPI do Déficit. A oposição, que mesmo tendo pouquíssimos adeptos de verdade, comemorou a aprovação para se averiguar as contas do estado. Pasmem: As mesmas contas que eles ano passado "aprovaram"! Enquanto isso a CPI da CELG não consegue concluir as investigações desse buraco que parece não ter fim.

CAMPEONATO GOIANO:
Segue uma temporada bem atípica, o Goiás começou muito mal e aos poucos se recupera, O Vila capengando e ganhando só de adversários inexpressivos e o Atlético bem radical, arrumando um bom time, mas assim como o Goiás com uma defesa fraca, o que pode gerar grandes problemas a ambos no Brasileirão. Do interior a Anapolina prova que é xata e fica nas pontas, o Itumbiara sofre com o planejamento mal feito e os demais só figuram na competição.

ARRUDA:
Não tem como deixar de falar dele, após passar o carnaval, amargurou mais uma semana, agora em uma cela de 10 m². Pra fechar bem sua segunda semana preso, o pedido de impeachment foi encaminhado pela Assembléia distrital, e após ser liberado, ou pede pra sair ou saem com ele. Enquanto isso, o seu vice Paulo Otávio renuncia, antes que a batata asse na mão dele. É o fim da carreira política de Arruda, penso que nem em cargo legislativo ele se elege mais.

DILMA:
Em convenção do Partido dos Trabalhadores, a enigmática ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff foi aclamada a pré-candidata da sigla. Nenhuma novidade, vide a frequente exposição da ministra nas obras inauguradas em ritmo nunca visto no governo Lula. Lá está ela falando, como "mãe do PAC", para ter sua imagem associada ao máximo possível com o presidente. É a aposta mais arriscada do PT em muitos anos. Sua vice deve ficar entre Henrique Meirelles e Michel Temer.

BOLÃO DA MEGA-SENA:
Hipocrisia, assim defino o episódio ocorrido com a lotérica que fez o jogo e um chamado bolão e depois alega não ser válido, sendo que nunca havia contestado isso antes. Os premiados ficam travados de retirar a bolada e a Caixa faz vista grossa. Esses jogos nunca me atraíram. A chance real que você tem é de perder uns trocados a cada aposta realizada.

BRIGA NO PARTO:
Dois médicos negligentes trocam a pancadaria por uma vida. Triste saldo, é de cortar o coração um bebê que faleceu devido a atitude irresponsável dos médicos. Pode-se confirmar outra versão, mas nada muda o cenário de uma humanidade que já não sabe nem ajudar em vida aqueles que precisam do nosso atendimento.

Que venha a próxima, um pouco mais tranquila, espero!