Blog do Paullo Di Castro


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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vamos rir do quê?

A lei eleitoral, dos últimos pleitos pra cá evoluiu em vários sentidos, e infelizmente regrediu em outros. Na internet, prudentemente, não tentou impor nenhuma restrição mais séria, o que seria uma guerra inútil, como o mundo virtual já se mostrou incontrolável em seus diversos conteúdos, não dava para agora tentar restringir o uso eleitoral, em especial nas redes sociais.
Mas, para dar uma bola fora, o TSE apela para podar o humor segmentado na política. Depois de programas como o CQC expor a individualidade, e colocar em pauta o comportamento dos políticos, como nunca havia feito antes, levando muito mais consciência para o eleitor, os poderosos, incomodados com as quedas de máscaras, mexeram os pauzinhos e conseguiram um mimo: de ficarem livres de quem nos leva alegria durante as eleições.
A resolução do Tribunal diz: As emissoras estariam proibidas, em sua programação normal, de “usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem, ridicularizem candidato, partido político ou coligação, bem como produzir ou veicular programa com esse efeito”. E sendo o humor um instrumento tão didático, claro aquele que trás diversão, reflexão e nos faz pensar de ângulos diferentes, será que acham que a sátira de um candidato o faz perder votos, e mais, as próprias presepadas deles não podem ser reveladas, e de uma forma divertida e saudável?
No rádio e TV, os veículos atingidos por essa determinação, já é obrigatório o horário eleitoral, lá todos os candidatos tem o seu espaço garantido, com as limitações que a lei rege, se lá eles podem falar tudo o que pensam, as propostas para sua gestão, porque uma contrapartida, feita com humor para aliviar a tensão do momento, não pode ter vez nesse espaço democrático? A propaganda política é enfadonha para uns, e relevante para outros, mas com certeza fica mais interessante quando podemos nos descontrair com os representantes que precisamos escolher para mandar em nossa cidade, estado e país.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Antes da hora


Campanha eleitoral antecipada não é novidade nenhuma no Brasil. Isso acontece principalmente no primeiro semestre de um ano de eleições, e a oportunidade mais usada é o lançamento de obras públicas. Quando o potencial candidato fica o máximo possível exposto ao lado do governante, como verdadeiro papagaio de pirata.
Vamos ao fato concreto: Nunca antes na história desse país um presidente alcançou tamanha aprovação popular. Isso poderia até forçar a criação de um terceiro mandato, mas era arriscado, melhor escolher um poste de boa visibilidade e usar toda a influência de Lula para levar o escolhido ao poder, no caso, a escolhida. Anos atrás os possíveis herdeiros lulistas seriam Antônio Palocci, José Dirceu ou José Genuíno. Mas o fator mensalão os tirou da reta, e levantou como primeira ministra Dilma Rousseff, que com muito esforço virou a pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto.
Ano passado a primeira cartada do Poder Executivo: O lançamento do filme "Lula, o filho do Brasil". Uma época bem propícia, para levantar ainda mais o nome do presidente, com o pano de fundo de falar apenas do que foi os primeiros anos da vida de Lula e seu início da carreira sindical. Tudo bem floreado para comover ainda mais o eleitorado e preparar o caminho para Dilma. Isso após duas ocasiões no berço eleitoral nordestino serem usadas para enaltecer o trabalho de Dilma ao máximo.
Da semana passada para cá, dois atos públicos foram palco de uma pré-campanha. o TSE tomou providências e multou o presidente em R$ 5,00 e R$ 10,00 por discursos ainda em janeiro, e não o bastante, um evento para as mulheres sindicalizadas do ABC foi visível ver Dilma ovacionada e centro das atenções. Depois, o pior: O lançamento do PAC 2, mas como se nem o primeiro está concluído nem na metade?
O presidente diz que precisava estabelecer orçamento para o futuro governante, mas como foi oportuno levar a "mãe do PAC" para discursar e responder o máximo possível sobre metas para os próximos 4 anos! A lei é burlada como pode, e o nome da pré-candidata exaltada de todas as formas.
Prefiro encarar o câncer enfrentado em 2009 como um fator isolado nesse processo. A mudança no visual é natural para se melhorar a imagem, mas usar a máquina pública da maneira que vem sendo usada, é um perigoso jogo de imposição eleitoreira. O brasileiro consciente quer mais idéias, e menos encosto em Lula.