Blog do Paullo Di Castro


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quinta-feira, 24 de março de 2011

TBC News em tempos de censura?

A novidade da vez em Goiás é a criação de um canal all news de TV pública no lugar do que hoje é a retransmissora da TV Cultura. A Televisão Brasil Central passaria então a ser um canal de notícias 24 horas, aos moldes da Globo News, Record News e Band News, mas com prioridade para a cobertura de Goiás.

Sem dúvidas os benefícios são grandes, Goiás é carente de produção jornalística em determinados horários, e a TBC, como informativo do governo sofre com a carência de espaço na grade da Cultura, antes do Jornal Brasil Central 2ª edição que era apresentado por Paulo Beringhs, e antes de toda aquela polêmica de seu pedido de demissão ao vivo, era o único jornal noturno local, em casos como o da queda do avião no Flamboyant, a cobertura sempre esfriava.

A perda da TV Cultura é significativa, visto a riqueza de sua programação, especialmente a infanto-juvenil, ao contrário do que oferecem as outras emissoras abertas. Mas os ganhos podem ser supridos por uma grade qualificada do novo canal. O diretor da empreitada é Marcos Vilas Boas, experiente jornalista goiano. Tem tudo para ter sucesso no novo desafio, em entrevista na rádio 730, segue algumas falas do que prometeu:

"90% dos programas da nova TBC serão locais e 100% dos programas serão jornalísticos;

"Da TV Cultura, queremos manter só o Roda Viva, os outros programas, não;

"Nova TBC não terá programas terceirizados, jornalistas com empresas não terão espaço na grade de programação"; 

"A intervenção do governo na imprensa, tanto estatal quanto privada, já acabou, não há censura nas redações, nem na TBC." 

Pegando o gancho da última fala, na tarde da última sexxta-feira,  um episódio de clara censura em plena Praça Cívica aconteceu com a equipe da TV UFG, que foi abordada por policiais militares, questionando o conteúdo da gravação, alegando que deveriam ser informados previamente sobre o mesmo, e que o vetariam em caso de ataques ao governo. 

E não foi só isso, a intimidação foi completa, encaminharam a repórter para uma sala no Palácio das Esmeraldas, ladeada somente de policiais, foi questionada sobre sua formação, sendo que era jornalista com diploma, além de ser indagada sobre uma autorização inconstitucional para realizar a gravação. Um ato de barbaridade feito por gente despreparada que não sabe uma das principais leis que regem seu país.

Isso não poderia ficar barato, e veio em resposta de uma carta de repúdio escrita pela competente professora Rosana Borges, diretora da TV UFG, disponível aqui. A resposta de Marconi Perillo veio logo, em carta ao reitor da UFG, prometeu apurar os fatos a fundo e cobrar de quem for punições cabíveis para os responsáveis. Atitude coerente do governador, assim como nos casos de nepotismo de sua equipe de governo.

Para concluir, um fato está separado do outro, mas como cidadãos só podemos esperar que um governo que ofereça um canal de comunicação para nos abastecer de notícias durante todo o dia não tenha segmentos que censurem a imprensa, seja privada ou estatal, que o episódio sirva de lição para não manchar ainda mais o nome de Goiás fora.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

WikiLeaks


A maior pauta que fere a liberdade de imprensa, e de transparência do que acontece nos órgãos públicos dos últimos tempos foi a investida do governo americano contra o serviço denunciativo do WikiLeaks. Será que o apoio do presidente Lula pode até levar a um acidente diplomático?

Um site de vazamento de documentos secretos não poderia ficar no ostracismo, e nem ser abafado por qualquer autoridade política que seja. Os limites de uma segurança nacional esbarram na utilidade pública que o site faz ao revelar documentos que encoberta ações reprovadas pela maioria da sociedade.

O arquivo é muito amplo, com mais de um milhão de documentos, dentre os quais se destacam o manual da prisão de Guantánamo até o estupim que causou a confusão atual: Um vídeo de 2007 que mostra um helicóptero americano atirando no Iraque, episódio que custou a vida, além de vários iraquianos, de dois correspondentes da Agência de notícias Reuters, a maior do mundo.

É claro que essas revelações desagradam em cheio governos que querem esconder isso e prosseguir em várias ações secretas que mantenham seu poder sem desaprovação popular. A perseguição a esse importante veículo de transparência. As medidas preventivas para mais segurança com os documentos oficiais tem o lado bom de evitar investidas perigosas aos civis por inimigos políticos, e o lado ruim de esconder decisões e ações que afetam a todos.

Até o candidato derrotado a presidência da República, José Serra, prometeu o que não deveria na campanha: revogar a decisão do Congresso sobre o marco de exploração do pré-sal, gerando insatisfeitos de lá e impotentes de cá.

Se você quer que o WikiLeaks permaneça ativo, participe do abaixo-assinado: http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?slideshow

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Censura

Me contive por vários dias para não escrever sobre isso, mas com um repercussão deste tamanho, e com fatos novos motivados por esse cenário, não dá pra deixar de refletir aqui sobre as colocações usadas sobre o tema censura na reta final do processo eleitoral de Goiás. E nada pior que explodir a bomba no ninho da imprensa, o melhor jeito de confundir o eleitor.
Como o Brasil e vários lugares do mundo viram Paulo Beringhs, folclórico jornalista goiano, que eu cresci vendo na telinha, e pensando que um dia poderia trabalhar com ele, ou apresentar um jornal como ele. Muitos anos depois, mudo o pensamento, após o que vi uma semana atrás, na quarta-feira, 20 de outubro de 2010, quando peguei o final do jornal Brasil Central para assistir e me deparei com a parte do vídeo que milhares de pessoas viram no youtube, a ficha demorou a cair. Estava presenciando uma auto-demissão ao vivo, mas não em nome da dignidade, mas do partidarismo e calor eleitoral que muda a cabeça de muitas pessoas, jogam ética e profissionalismo no ralo, mesmo quando tentam maquiar de várias formas.
Mas não quero me prender nesse assunto, o que foi feito está feito, e ainda vai passar muita água em baixo dessa ponte. Mas o fato desmembrou duas questões peculiares, uma positiva: a discussão sobre a TV pública no Brasil, e a outra totalmente antiquada e prepotente: a ação pela censura ao twitter promovida pelo PSDB goiano.
Quanto a primeira, realmente o controle do Estado em um veículo de televisão deve estar acima de qualquer espaço privilegiado para determinado grupo político ou social. A educação deve ser prioridade, tanto em programas infantis, como nos outros segmentos informativos. A TV Cultura luta por esse modelo, mas escorrega em alguns pontos em que a TV Brasil, a Sesc TV e o Futura acertam mais. É uma pauta importante, defendida pelo professor Luiz Signates (UFG/PUC-GO), que promoverá esse debate começando no sábado, 30, às 9h00 na Rádio Universitária.
A outra repercussão maior, foi motivada pela ação encabeçada pelo deputado tucano Daniel Goulart, que encaminhou à Polícia Federal representação contra supostos panfletos apócrifos ao candidato Marconi Perillo, e de perfis no twitter atacando o mesmo. Fiquei impressionado com essa atitude, vinda de um grupo com o passado e o presente de tantas repressões contra a liberdade de imprensa, de uso indiscriminado de materiais ofensivos aos outros candidatos, além de ataques virtuais, principalmente via twitter nessas mesmas eleições, formaram um exército digital, de inúmeros perfis fakes e reais remunerados, que anunciavam a renúncia de candidaturas que se mantinham firmes, além de criarem factóides diários contra os adversários, que por vezes vendiam a imagem ao eleitor de inimigos.
Nessa verdadeira guerra eleitoral, Vanderlan Cardoso (Alcides Rodrigues e Jorcelino Braga) e Marta Jane foram os mais atingidos, a arma mais usada foi o Diário da Manhã, em intervenção pelo PSDB, e manchando a história de luta na imprensa de Batista Custódio. A artilharia contra Iris sobrou só para o segundo turno. Se plantar que o PMDB tem tradição de censurar a imprensa goiana, sendo Marconi o político que mais processou jornalistas em Goiás, é uma contradição imensa.
Essa foi a realidade que vi nesses meses de pré-campanha e campanha oficial. Outros grupos também usaram de armas imorais, mas não dessa proporção, com essa estrutura de campanha. O twitter foi o espaço mais democrático que se abriu nesse processo eleitoral. Essa voz não pode ser calada, o que fez ela ser usada para mais ataques. Agora a tentativa de se abortar o uso desse espaço é uma atitude irracional e de graves conseqüências. Com a chegada ao poder de gente com essa mentalidade, a instabilidade do campo de idéias digital pode ter proporções perigosas.
Por esses e outras, Paulo Beringhs não é um cara peitando um sistema em nome de um afronta à liberdade, ele é um partidário, filiado, amigo pessoal e media training de Perillo nessas eleições. O candidato dele teve espaço como nunca em seu programa, e isso não era motivo para se chutar o balde daquele jeito. Se esse senhor entrar efetivamente no governo caso Marconi ganhe, veremos o tamanho da sua dignidade. Assim como de vários jornalistas e outros profissionais que desceram ao mais baixo nível nessas eleições para conseqüentemente afrontar quem estivesse do outro lado.
As eleições finalmente estão chegando, e a contabilidade de feridos nesse processo não será conhecida por um bom tempo. Os dois maiores figurões da política regional em um confronto de revanchismo, não deixa pedra sobre pedra ao fim do processo. A decisão do dia 31 vai esclarecer aos poucos muito do que falei, outras coisas ficarão para sempre ocultas, no estilo DOPS de ser.
O maior perseguido em terras goianas, Jorge Kajuru, diz que no Brasil não existe liberdade de imprensa, mas sim liberdade de empresa. O problema maior é quando a imprensa está controlada pelas empresas ligadas ao poderio político.