Blog do Paullo Di Castro


Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Muita temperança nessa hora





A eleição do bilionário Donald Trump nos Estados Unidos causou alvoroço em todo o mundo. O perfil de anti-político, inclusive de politicamente incorreto, e principalmente as declarações polêmicas do mega empresário causaram grande desconforto a vários setores da sociedade. A grande questão levantada entre tantos pitacos e análises mais profundas é: O que nos espera nos anos que virão, tendo esse homem no poder da nação mais influente no mundo?

Em meio a uma chuva de críticas aos eleitores de Trump, uma coisa para se ressaltar dos Estados Unidos é o sistema partidário bilateral, sempre tendo nas cabeças dos processos eleitorais dois postulantes. Dando uma distinção superficial, temos um de frente mais conservador e ostensivo (Partido Republicano), e outro mais liberal e articulado (Partido Democratas).

O sistema de colegiado representativo é controverso? Sim! Mas o ponto que realmente é digno de reflexão é a alternância de poder dos últimos anos. Nenhum ficou mais de 8 anos consecutivos em mandatos. Isso é saudável para a democracia. O Brasil, ainda precoce no processo democrático sabe o porquê, da pior forma.

Hillary Clinton e Donald Trump protagonizaram a eleição mais acirrada, ácida, turbulenta talvez de todos os tempos. A mídia em grande maioria, institutos de pesquisas e classe artística, deu como vitoriosa a eleição da democrata. Muitos subestimaram a força de Tramp, pelo fato de sua imagem ser um produto midiático ascendente com chance de alta rejeição, sem nenhuma candidatura anterior no currículo.

As declarações claramente xenófobas contra os imigrantes, em tempo de acolhimento de refugiados que não tem opção para sobreviver, a não ser abandonar suas pátrias em guerras, é realmente preocupante. Mas até que ponto ele sustentará e colocará na prática esse discurso? Mesmo tendo maioria no Congresso, lutar contra uma parcela significante até o fim é um caminho improvável na democracia.

A questão climática é outro espinho. Ignorar o aquecimento global é preocupante. O extremo oposto de um militante oportunista como Al Gore, não consegue agregar o apoio de nenhum país se passar por cima dessa questão. Mas ele teria esse poder? O ex-presidente George W. Bush mostrou que sim, ao não assinar o Protocolo de Kyoto, compromisso entre países pela redução de gases poluentes.

Construir um muro na fronteira com o México e falar que os vizinhos é que vão pagar é outra falácia inconcebível. Ambas tem em comum um posicionamento firme, truculento, mas de clara inclinação repugnante para o separatismo. Isso contemplou uma maioria que prefere essa postura do que a continuidade do governo de Barack Obama, e do marido da candidata derrotada, Bill Clinton.

O próprio Trump baixou o tom que tomou conta da campanha em suas primeiras declarações após a confirmação da vitória, se comportando como legítimo republicano pela primeira vez. O momento nosso é de temperança. Não adianta gastarmos energia e pensarmos nas piores consequências. Trump pode ser a ponta do iceberg, e hoje é o problema que enxergamos. Se não olharmos nossas bases econômicas, sociais e culturais criticamente e com desejo concreto de promover mudanças, não teremos boas conquistas, independente de quem está ocupando o cargo mais cobiçado do planeta.

Prever os dias que virão nós não conseguimos, mas isso não significa destoar da construção de uma retomada em crescimento do nosso país. As relações Brasil e Estados Unidos historicamente são boas, mas não nos coloca em posição privilegiada com a mudança estadunidense agora.  O sonho americano vai virar pesadelo para muitos que ainda querem trocar a pátria? Só o tempo dirá, mas acabar essa ilusão pode ser benéfico para a gente se concentrar mais em nossos problemas e deixar de sonhar os sonhos de outros. 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Não é o fim!


Foram quase 10 anos atrás, me lembro que estava no 2º ano do Ensino Médio, assistindo a aula normalmente naquela terça, 11 de setembro, e nada me chegou aos ouvidos naquela manhã. Nenhum dos educadores nem alunos do meu colégio aparentemente tiveram acesso ao evento que o mundo mais comentava naquele momento, e que comentaria por muitos e muitos anos. Eram outros tempos, sem a tecnologia móvel tão aguçada como hoje. Só chegando em casa na hora do almoço e ligando casualmente a TV, é qua fui saber sobre o atentado às torres gêmeas, e quem era Osama Bin Laden.

Aquele mítico líder da Al Qaeda, com seu turbante, jaqueta militar, barba grossa, ficando grisalha; aparentava até uma fragilidade, porém totalmente contrária ao poder que exercia no Oriente Médio, e que o Ocidente conheceu naquele dia. George Bush Júnior estava no momento lendo para crianças do primário, bem longe de Nova York, quando recebeu a notícia. Ali começava o que se vendeu como "Guerra ao Terror."

O nacionalismo estado-unidense tinha duas faces: O pesar pelas vítimas do World Trade Center, e por outro lado a sede de soberania que resultou em ocupação no Afeganistão, então morada do saudita Osama, que se extendeu pra ocupação, morte e derrubada de Saddam Hussain no Iraque, tomado por tropas militares que nunca recebiam ordens de regressar, ficando lá para representar o poderio do império outrora abalado.

O que mais acontecia com os EUA, se não colher o que plantou? Visto o histórico de apoio em treinamento e tática militar que haviam proporcionado a Bin Laden anos atrás. Tudo o que aconteceu no pós-Guerra Fria, no ataque ao Kuwait em 91, no cobiçado petróleo que sempre estava nas intenções dos conflitos culminavam na retaliação. Quando a criatura se voltou contra o criador, o estrago foi sem precedentes, e por muitos anos se seguiriam sem um desfecho satisfatório. Não que agora isso tenha ocorrido de fato.

No início da madrugada desse domingo, chega a notícia da morte do homem, que conseguiu driblar toda a inteligência e poderio da nação mais poderosa do mundo, nos últimos 10 anos. Barack Obama anunciou em um discurso de 10 minutos, a uma hora da manhã no Brasil, que Osama estava morto, destacou o incansável trabalho das tropas e inteligência dos EUA (incansável por 10 anos?), disse que o trabalho não havia acabado. E centralizou sua fala em "a justiça foi feita."

Desde 2001, a imigração e política alfandegária tomaram outro padrão nos principais países do mundo. E o mundo islâmico passou a ser mais segregado e associado com o terrorismo. A tal ponto que se vê hoje uma comemoração por vários setores da sociedade, parecendo ser o fim de todos os problemas socio-econômicos, e de relações internacionais de seu país. E as consequências futuras dessa sequência de fatos ficam encobertas pelo momento triunfante da captura (leia-se morte) do homem mais procurado do mundo.


Mais de três mil vidas podem ter sido tiradas pelos atentados promovidos pela Al Kaeda, mas quantas vidas inocentes foram mortas nesses 10 anos de ocupação no Paquistão, Afeganistão, Iraque, Jordânia, etc? A intenção de proteção ao povo estado-unidense não justifica a brutal ação de anos a fio no governo Bush, que não foram tão abrandadas na gestão atual. E por muita coincidência, o anúncio é feito logo um dia depois da reafirmação da candidatura para a reeleição de Obama, em que alfinetou o virtual candidato oposisionista, o milionário Donald Trump. Difícil não ligar os fatos enxergar uma intenção eleitoreira do anúncio.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

WikiLeaks


A maior pauta que fere a liberdade de imprensa, e de transparência do que acontece nos órgãos públicos dos últimos tempos foi a investida do governo americano contra o serviço denunciativo do WikiLeaks. Será que o apoio do presidente Lula pode até levar a um acidente diplomático?

Um site de vazamento de documentos secretos não poderia ficar no ostracismo, e nem ser abafado por qualquer autoridade política que seja. Os limites de uma segurança nacional esbarram na utilidade pública que o site faz ao revelar documentos que encoberta ações reprovadas pela maioria da sociedade.

O arquivo é muito amplo, com mais de um milhão de documentos, dentre os quais se destacam o manual da prisão de Guantánamo até o estupim que causou a confusão atual: Um vídeo de 2007 que mostra um helicóptero americano atirando no Iraque, episódio que custou a vida, além de vários iraquianos, de dois correspondentes da Agência de notícias Reuters, a maior do mundo.

É claro que essas revelações desagradam em cheio governos que querem esconder isso e prosseguir em várias ações secretas que mantenham seu poder sem desaprovação popular. A perseguição a esse importante veículo de transparência. As medidas preventivas para mais segurança com os documentos oficiais tem o lado bom de evitar investidas perigosas aos civis por inimigos políticos, e o lado ruim de esconder decisões e ações que afetam a todos.

Até o candidato derrotado a presidência da República, José Serra, prometeu o que não deveria na campanha: revogar a decisão do Congresso sobre o marco de exploração do pré-sal, gerando insatisfeitos de lá e impotentes de cá.

Se você quer que o WikiLeaks permaneça ativo, participe do abaixo-assinado: http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?slideshow