Blog do Paullo Di Castro


Mostrando postagens com marcador Operação Monte Carlo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Operação Monte Carlo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Quem investiga quem?


A Operação Monte Carlo se desdobra em proporções a perder de vista, todo dia são fatos novos, provas novas, nomes novos envolvidos com o que aparentemente seria só a exploração ilegal do jogo do bicho em Goiás, agora virou o maior esquema de corrupção da política nacional. Sem esquecer o mensalão, cujas investigações reaparecem, com muita propulsão de guerra partidária, mas são ofuscadas por tantos envolvimentos de agentes públicos em torno de um empresário, de uma construtora e uma CPMI surgindo com a árdua missão de julgar os envolvidos, mas aí vem mais problemas: Quem vai julgar?

Alguns pontos da legislação brasileira não favorecem o trato isento de quem investiga e decide o destino dos agentes políticos apanhados em manobras ilícitas. As cotas de nomeações do judiciário são a maior prova disso; os chefes do executivo escolherem boa parcela da instância que julgam eles próprios, não é o que se pode chamar de colegiado isento.

No legislativo as escolhas de relatores e presidentes das Comissões Parlamentares Mistas de Inquéritos fazem parte, como em toda a maneira de fazer política, de conchavos e acordos partidários. Buscando um ilusório equilíbrio da mesa que irá julgar os colegas, e chamar para depor aqueles que normalmente estão envolvidos com vários da casa. Credibilidade é uma palavra que não passa muito aí.

Historicamente o povo sempre tem ao que recorrer por meio do Ministério Público, o único órgão de representatividade que não passa pelos mesmos crivos de nomeações das outras instâncias do Poder Judiciário, diferente dos Tribunais de Contas, que não dificilmente deixam passar aprovações de contas dos governantes que os colocaram lá. Mas o que acontece quando até membros do outrora ilibado MP entra na roda das investigações?

No executivo vemos os governadores de Goiás e do DF, talvez até o do Rio de Janeiro, preocupados com o que mais respingará em seus nomes nas escutas telefônicas da Polícia Federal. Qualquer envolvimento com a mega operação é perigoso, mas o excesso de publicidade do caso não ajuda em sua solução, a mídia em parte se cala por ter a quem responder nos envolvidos, em parte denuncia com teor de maior agravante que as provas aparecem, deixando o povo perplexo e sem esperança alguma na famigerada classe política.

Desanima pensar em onde, tanto a CPMI quanto as investigações da Polícia Federal, vão chegar. Parece não haver um horizonte que permita um desfecho que mostre pra sociedade o tanto de bandido e os poucos mocinhos. A sujeira da lama condena todo mundo, mas a influência do poder maquia a cara da maioria.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Até tu, Demóstenes?




Essa é a pergunta que o Brasil mais tem feito nas últimas horas. O senador que por anos construíu uma  imagem de caráter ilibado, luta pela ética e honra, formação juridica brilhante, que despontou em Goiás como um grande secretário de Segurança Pública e Justiça, que o levou ao Congresso para se tornar referência na área. Agora tudo entra em xeque, ao cair uma bomba sobre as fortes ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.


De algumas semanas pra cá, o envolvimento já era desenhado, porém, sem nada que atingisse em cheio o senador, até a revista Carta Capital soltar a matéria: "Os 30% de Demóstenes". A participação do parlamentar seria bem maior que a imaginada pela maioria. Escutas da Polícia Federal dariam conta que o montante de R$ 170,00 seria repassados em 1/3 para Demóstenes, que por indicações controlaria a legalidade das máquinas caça-níqueis em Goiás.


Em seu twitter, Demóstenes se defendeu com o juridiquês cabível, negando veementemente qualquer veracidade dessas informações. Sim, ele tem todo o direito a defesa, o que todo jurista nos faz questão de lembrar. As influências que o senador tem no Poder Judiciário, são percebidas no fato que que a  Procuradoria Geral da República teria recebido as denúncias da Polícia Federal em 2009, e não teria levado o caso adiante, como levantou o jornalista Josias de Souza em seu blog.


As denúncias não estão aliviando o lado partidário, visto que são citados também os deputados Rubens Otoni (PT), Carlos Alberto Leréia (PSDB), Sandes Júnior (PP) e Jovair Arantes (PTB), e até o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), esse porém de forma mais superficial, apenas com o negócio de uma casa em um condomínio de luxo, que pertencia a Marconi e foi vendida para Cachoeira, segundo esse um "presente" para seu filho que estava casando.


Com tamanho trânsito que o senador tem nesses meios, e sua formação, fica mais difícil acreditar em sua na inocência. Seu partido, o Democratas, já está em enorme descrédito desde a queda de José Roberto Arruda no DF, e a debandanda de vários filiados para o ressurreto PSD. No mesmo dia em que o deputado Ronaldo Caiado, tal como Demóstenes respeitado pela sua seriedade, alegou também no twitter não assinar a CPI que investigaria Cachoeira, a bomba explode pro lado de Demóstenes. Coincidência?


Não votei em Demóstenes em sua última disputa eleitoral, o motivo foi um fato isolado, do mesmo ter sido contrário à obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Fora críticas pontuais, nunca duvidei do homem Demóstenes Torres. Agora resta acompanhar o prosseguimento do caso, e ver se essa reserva moral cairá por terra, e decepcionará mais ainda os brasileiros com a descreditada classe política.