Blog do Paullo Di Castro
terça-feira, 16 de outubro de 2012
O acordão pra amarrar o Brasil
Dois poderes, duas frentes, dois lados da mesma moeda, e como é impossível a moeda cair em pé no jogo da justiça, nada melhor que sair do jogo, fica bom pra você e não deixa tão mal pra mim. É esse o sentimento que antecipa o fatídico encerramento das investigações tanto da CPMI do Congresso Nacional, como da CPI da Assembléia Legislativa de Goiás.
Ambas tinham como alvo todo o esquema de desvio de dinheiro encabeçado por Carlinhos Cachoeira. Mas o alvo acertaria bem mais que o contraventor, envolveria personagens dos dois lados mais representativos da política nacional. Tanto situação como oposição do governo federal teriam a carne cortada, e pra evitar "constrangimentos", nada melhor que um acordo bom pros interessados.
O fatídico fim era anunciado: Quando se levantou a investigação dos nome dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o de Brasília Agnelo Queiroz (PT) e do Rio Sérgio Cabral (PMDB), sabia-se que algo não fecharia, tanto que Cabral foi dispensado do depoimento. A primeira saída que encontraram era deixar a batata assar só na mão do senador Demóstenes, cujo partido Democratas não hesitaria de cortar fora.
Carlinhos era um hábil articulador, e naturalmente não iria fazer acordos só com um lado político. A base do governo estremeceu diante da possibilidade de caírem alguns de seus figurões. A única forma de salvar seus vários nomes envolvidos seria propor encerrarem os trabalhos de investigação, mesmo que isso custe perder a melhor oportunidade de enfraquecer a oposição. Na ALEGO, o caso era mais evidente, com o governador nadando de braçada em maioria na casa, facilmente seria neutralizado por sua base.
Por hora Cachoeira vai continuar sendo o único preso (mesmo que o juiz Tourinho Neto tente o contrário), e os parlamentares serão poupados. A vasta documentação que falta para analisar será ignorada. O julgamento do mensalão já será muito desgastante, pra quê insistir em cavar mais podridão nesse buraco? Que o STF e sua bancada lulista resolva lá na frente, se preciso.
Uma política retrógrada, de legislação em causa própria e alimentada pelas verdinhas do cachoeirolduto. Esse é o sentimento que nos deixam as casas legislativas federal e estadual. Perdemos uma grande oportunidade de exposição de saber quem é quem dos amigos de Cachoeira. O impacto nas eleições desse ano já foi pequeno, e o cuidado pra 2014 é estratégico para a sobrevivência política da maioria.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
O que esperar?
O que você espera da próxima administração pública de da sua
cidade? Tá desiludido com tantos
escândalos de corrupção, e fica tentado a generalizar toda a classe política de
fazer parte desse lamaçal? Infelizmente esse quadro é o que mais tenho visto
hoje. Mesmo tendo meu voto definido e com absoluta tranquilidade para tentar
eleger o que considero melhor pra Goiânia, eu entendo pessoas que pensam assim.
Eu entendo partindo da premissa que a pessoa conhece cada
candidato ao executivo, pesquisou sua vida, seu grupo político e tem convição do voto para um deles ou nenhum, crendo que fez parte de
verdade nesse processo. No voto parlamentar, uma representatividade de classe,
região ou outros segmentos é importante, e mais ainda a renovação de homens
comprometidos com a Casa de Leis que regem nossas vidas.
O voto nulo e o branco são opções legítimas, porém, é uma
lavagem de mãos perigosa, que vai dar condições a alguém governar sem a
participação de quem optar por esse caminho. Não vejo como uma escolha que
ajudará a sociedade, ao menos enquanto vemos os mesmo políticos continuando no
poder, caciques centralizadores e herdeiros sempre recebendo a bênção de quem
já está no lá há muito tempo.
O voto ainda é o instrumento pra começar a mudar esse
quadro, se não está satisfeito com o que está lá, nem com quem não te
representa, simplesmente mude! Não vote em quem te decepcionou, nem em quem
está ligado a pessoas que não corresponderam a sua expectativa. Uma gestão
pública precisa estar livre de apadrinhamentos políticos, compromissos com
grandes grupos financeiros, só assim ela poderá operar em favor do cidadão.
Pesquisas eleitorais mostram comportamentos, tendências e
são o retrato de um momento do cenário político. Mas não são elas que devem
pautar o seu voto! Você deve pautar baseado nos seus conceitos e valores, e em escolher
quem você vê competência, currículo, companhias e passado ilibado para assumir
tamanha responsabilidade.
Decepções nós temos sim, afinal nossos representantes são
homens falhos como nós. Mas o aprofundamento no campo eleitoral para discernir
nossa escolha pra mim sempre vai ser um dever do cidadão. Não tenha medo, não
pense em votar no “menos pior”, vote em quem você visualiza daqueles que
entraram na disputa, governando o lugar que você mora.
A participação no
mandato deve continuar, cobrando através de e-mails, pelas redes sociais, e
manifestações que legitimem a indignação do povo, como foi a Lei da Ficha
Limpa. Vote em alguém ficha limpa, e que de preferência não tenha nenhuma outra
suja por perto. Isso não é impossível, acredite!
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Pouca renovação.
Estou envolvido nas eleições municipais de Goiânia, e não acho ético comentar nada sobre as mesmas. Mas para não ficar com os dedos coçando, tenho observado de longe algumas capitais do Brasil que tem campanhas bem interessantes. Algumas com uma movimentação que sinto faltar aqui, mas sem mais por aqui, vamos falar das de lá.
O Rio de Janeiro é o que mais tem me chamado a atenção. O caminho tá livre pro prefeito Eduardo Paes faturar a reeleição, mas existe um fator surpresa interessante. Subindo impressionantemente está o candidato do PSOL Marcelo Aleixo, com o vice Marcelo Yuka, ex-O Rappa. A chapa pura dos socialistas nunca incomodou tanto. Os xarás representam um discurso social contundente, que vai de encontro à realidade dos cariocas. Mesmo que não tenham fôlego pra alcançar o prefeito, a ousadia e frutos dela poderão abrir bons caminhos para eles e a legenda. A dupla inusitada Rodrigo Maia (DEM) e Clarissa Garotinho não alcançarão agora o posto já conquistado e desgastado de seus pais.
São Paulo também tem novidades interessantes. Quando a polarização entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) parecia certa, surge Celso Russomano (PRB) e desponta pra liderança. Pólvora pura nos ninhos tucanos e petistas. O desespero bate, para o antipático Serra, com a imagem arranhada de tantos pleitos eleitorais pro executivo disputados (e maioria perdidos), e também com Haddad, nova aposta que Lula tenta carregar nas costas, mesmo com um programa eleitoral com recursos de primeiro mundo dificilmente mudará isso. Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS) tinham potencial, mas sem alianças fortes, são cartas foras, vão negociar como é tradicional com os cabeças.
Em Porto Alegre a simpática e aguerrida Manuela D'Ávila (PCdoB) sofre pra quebrar a tradição eleitoral gaúcha, sempre polarizada, mesmo ela entrando nessa polarização, tirar a reeleição de José Fortunati (PDT), carregado pelo espólio de Leonel Brizola, é um grande desafio. Manuela tem bom diálogo com segmentos da juventude, esportes e cultura. Mas isso pra competir com a máquina do governo torna a tarefa ingrata, mas acredito que ela tem potencial pra virar o jogo. Aliar-se com o PSD demonstra a determinação dessa campanha.
Outras capitais não me chamaram tanto a atenção, em Belo Horizonte os petistas deixaram a estranha aliança com os tucanos, e não devem tirar a reeleição de Márcio Lacerda (PSB), continuando a hegemonia tucana mineira. Em Salvador o Neto de um dos maiores coronéis do Brasil tem tudo pra continuar adinastia levar as três siglas que mandaram tantos anos por lá. Desejo ao menos que São Luís do Maranhão e Maceió-AL respirem longe disso. Mas não é fácil não. Ao menos, é bom ver quadros buscando renovação nas cidades, mesmo que o eleitor não se conscientize e prefira dar seu voto ao continuísmo, ou mesmo se excluir do processo anulando o voto, mas esse assunto fica pra outro post.
O Rio de Janeiro é o que mais tem me chamado a atenção. O caminho tá livre pro prefeito Eduardo Paes faturar a reeleição, mas existe um fator surpresa interessante. Subindo impressionantemente está o candidato do PSOL Marcelo Aleixo, com o vice Marcelo Yuka, ex-O Rappa. A chapa pura dos socialistas nunca incomodou tanto. Os xarás representam um discurso social contundente, que vai de encontro à realidade dos cariocas. Mesmo que não tenham fôlego pra alcançar o prefeito, a ousadia e frutos dela poderão abrir bons caminhos para eles e a legenda. A dupla inusitada Rodrigo Maia (DEM) e Clarissa Garotinho não alcançarão agora o posto já conquistado e desgastado de seus pais.
São Paulo também tem novidades interessantes. Quando a polarização entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) parecia certa, surge Celso Russomano (PRB) e desponta pra liderança. Pólvora pura nos ninhos tucanos e petistas. O desespero bate, para o antipático Serra, com a imagem arranhada de tantos pleitos eleitorais pro executivo disputados (e maioria perdidos), e também com Haddad, nova aposta que Lula tenta carregar nas costas, mesmo com um programa eleitoral com recursos de primeiro mundo dificilmente mudará isso. Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS) tinham potencial, mas sem alianças fortes, são cartas foras, vão negociar como é tradicional com os cabeças.
Em Porto Alegre a simpática e aguerrida Manuela D'Ávila (PCdoB) sofre pra quebrar a tradição eleitoral gaúcha, sempre polarizada, mesmo ela entrando nessa polarização, tirar a reeleição de José Fortunati (PDT), carregado pelo espólio de Leonel Brizola, é um grande desafio. Manuela tem bom diálogo com segmentos da juventude, esportes e cultura. Mas isso pra competir com a máquina do governo torna a tarefa ingrata, mas acredito que ela tem potencial pra virar o jogo. Aliar-se com o PSD demonstra a determinação dessa campanha.
Outras capitais não me chamaram tanto a atenção, em Belo Horizonte os petistas deixaram a estranha aliança com os tucanos, e não devem tirar a reeleição de Márcio Lacerda (PSB), continuando a hegemonia tucana mineira. Em Salvador o Neto de um dos maiores coronéis do Brasil tem tudo pra continuar a
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Cotas e chacotas
A polêmica
continua. O sistema de cotas ganha novas proporções e consequentemente, aumenta
os pontos divergentes. O novo projeto aprovado pelo Congresso Nacional
distribui em 50% as vagas do ensino público superior para alunos de baixa
renda, oriundos de escolas públicas, assim como para negros, indígenas e pardos.
Dois artigos
publicados nessa terça no jornal O Popular trás duas opiniões contrárias de
ótimas abordagens, do jornalista Rodrigo Alves e do empresário Melchior Luiz Duarte.
Esse é o ponto mais interessante, de se ouvir as diferentes percepções de um
debate tão importante, que dita os rumos da nossa sociedade, como formação da
cidadania. O assunto é quase infinito, mas sua urgência é imprescindível.
No Brasil com
suas peculiaridades e históricos sociais conturbados, a preocupação com a
equiparação do ensino provoca medidas ousadas, injustificáveis em um país sem
tamanha desigualdade social. O atraso no tratamento para com as classes sociais
e de grupos minoritários leva a opções de remediar, longe de conseguir
prevenir. Se um dia se conseguirá chegar a um patamar que não precise de tais
medidas, é uma grande interrogação.
Analisando
friamente, penso que não. Temos apenas um remédio que arrolará as oportunidades
para um maior alcance dos segmentos sociais, porém, não dará as condições que o
alicerce da educação não sustenta. O câncer do ensino básico provoca o efeito
cascata da falta de estrutura, que resulta na falta de retorno do aluno, sem
esperança para crianças trilharem seu caminho.
Acompanhando
ocasionalmente algumas escolas públicas de Goiânia, vejo uma grande massa do
corpo discente desinteressada e imersa em seus problemas familiares e sociais,
arrastando-se nos estudos acompanhada por professores desmotivados, com alto
nível de stress. Medidas de acompanhamento dessas mentes fecundas são tímidas,
transferindo para quem mais precisa de orientação resolver a maioria de suas
próprias dificuldades.
O programa
CQC na última segunda mostrou a situação de algumas escolas no estado do Piauí.
Colégios de uma única sala, em triste abandono, usado para várias faixas
etárias, com uma professora que também atua como diretora, coordenadora,
faxineira, e usa do seu salário pra tentar amenizar a precariedade do lugar.
Refeições de água de balde colhida em poço, sem luz e seneamento, uniformes
pagos pelos pais. Essa é uma mostra grátis do que tem sido oferecido, e
empurrar alunos assim para uma faculdade não lhes dá a mínima condição de uma
educação sólida.
Dinheiro para
isso não falta. Quanto a ele chegar a esse destino, não é o que temos visto. A
negligência com o ensino só aumenta o preço que todos pagam por não se
estruturar a formação do cidadão.
A dignidade na formação acadêmica depende muito do esforço do estudante,
porém, as condições a ele oferecidas, não ajudam em nada no respaldo que ele
trará. Exemplos de superação são vistos constantemente em nossa volta, mas para
arrancar a esperança de um ser humano em formação, basta tirar o que lhe é mais
fundamental.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Balanço Olímpico
Não foram os Jogos Olímpicos que os brasileiros esperavam
muito menos os atletas, patrocinadores e boa parte da crítica especializada. Um
saldo de medalhas muito aquém da grandeza de nosso país, da nossa economia e
recursos humanos. Algumas lições marcaram essa competição:
1) Nunca superestime alguns atletas, e nem subestime outros. Todos chegaram lá por méritos e supostamente tem chances de conquistar lugares altos. As duas medalhas de ouro individuais vieram de atletas “desconhecidos”, que eram sombra de nomes fortes que estão acostumados a bajulações. É obrigação da imprensa que cobre os jogos saber do histórico de todos os atletas, e não ter o carão de confessar que não conhece esse ilustre novo campeão que surpreendeu a todos com o ouro.
1) Nunca superestime alguns atletas, e nem subestime outros. Todos chegaram lá por méritos e supostamente tem chances de conquistar lugares altos. As duas medalhas de ouro individuais vieram de atletas “desconhecidos”, que eram sombra de nomes fortes que estão acostumados a bajulações. É obrigação da imprensa que cobre os jogos saber do histórico de todos os atletas, e não ter o carão de confessar que não conhece esse ilustre novo campeão que surpreendeu a todos com o ouro.
2) A briga de Globo x Record empobreceu o
espetáculo no Brasil, pela primeira vez não sendo a emissora oficial, o
plim-plim tratou com desdém a competição, chegando ao ponto de no início não
pegar imagens da concorrente, preferindo pagar mais caro pelas de fora. Por sua
vez a Record apanhou no ineditismo da transmissão, com âncoras mal preparados
como até a experiente Ana Paula Padrão, e destinando pouquíssimas análises
pós-jogos, deixando a noite carente de informações, mesmo com o horário
britânico não batendo, era importante destinar mais o horário nobre e fim de
noite para a atualização do dia dos jogos.
3) A
Seleção Brasileira de futebol masculino NÃO É IMBATÍVEL. A ausência da
Argentina não ia mudar isso. Mano Menezes está capengando a um bom tempo, após
essa primeira prioridade fracassada, deve sobreviver até a Copa das
Confederações, última tentativa de consertar algo pro Mundial no Brasil. A figura
de Neymar nunca brilhará nos momentos decisivos se o moleque não tomar um chá
de realidade e os flashs sobre ele não diminuírem. Na feminina, infelizmente
não vivemos só de Martas, o esporte não crescerá; a vitrine midiática, e a
própria cultura do país é totalmente tomada pelos homens.
4) Que
nosso vôlei é um dos melhores do mundo é notório. Foram os que mais brilharam
mesmo o ouro só vindo com as meninas da quadra. As duplas da areia brigaram de
igual pra igual, e merecem terem suporte maior. A renovação das seleções está
sendo sofrida, e só teremos outras gerações vitoriosas se as autoridades
acordarem e der o apoio que o esporte tanto precisa, investindo na formação de
atletas. Se dependermos de lugares como Goiânia, que tem um buracão de terra no
lugar do que seria um Centro de Excelência, a tendência é só cair.
5) Nosso
atletismo sofre com a pouca exposição e investimento. Os fracassos dos maiores
nomes mostram a carência de revelações, de quem chegue com a mesma qualidade
para disputar medalhas. Alguns tipos que poucos conhecem podem trazer bons
frutos, bastam incentivos, políticas públicas pra dar acesso a uma preparação
para crianças de baixa renda. É tão pouco perto da mudança de vida que famílias
podem passar com isso.
6) Os
esportes aquáticos tem um leque maravilhoso de modalidades, sujeitos a grandes
conquistas. Mas a realidade é dura, atletas que querem melhor preparo vão
treinar fora, muitas vezes com recursos próprios, e perdem a própria identidade
com o país, falando besteira de vez em quando. Quem muito ganha no Pan, não
reflete o mesmo sucesso nas Olimpíadas, ali o nível é completamente diferente.
E não é com a fraca estrutura que o país fornece que isso irá mudar.
7) As
lutas são outras meninas dos olhos, mesmo sem tantas conquistas, sempre se
espera uma surpresa dos lutadores, tem gente que ligou a ascensão do MMA pra se
ter maiores vitórias agora. Não tem nada a ver, a prática de cada um demanda
tempo, muita dedicação, e uma exposição maior, o que vemos nos duelos do UFC é
uma jogada midiática de quem conseguiu vender bem esse peixe. Já o das
competições segmentadas, o adversário da falta de apoio é o maior de todos.
8) O
basquete olha com saudade para tempos distantes, em que outras gerações
brilhavam e a um bom tempo não se repetem. As brigas internas de dirigentes, e
os novos quadros de organização ainda estão longe de produzir um bom resultado.
Achar que os poucos que jogam na NBA salvam o time, tendo um abismo na
preparação de lá com a realidade daqui, é acreditar em conto de fadas.
9) Esportes
pouquíssimos conhecidos podem ser celeiros de grandes conquistas, basta pra
isso sair do amadorismo. Não é pouca coisa, mas perfeitamente possível. Ficar
dependendo de classes A e B, consequentemente de “paitrocinadores” não formará
mais campeões.
10) O
Brasil será sede dos dois próximos eventos esportivos de maiores expressões.
Megas estruturas estão sendo construídas. O uso posterior delas é
imprescindível para a formação de novos atletas, fomentação das competições
regionais e nacionais. Cada país sede dos últimos torneios conseguiu façanhas
em seu planejamento e execução, aqui em muito já passamos a conta de gastos,
licitações e financiamentos. Arenas multi-uso poderiam agregar muito para a
economia além do esporte. Os resultados disso, bons ou não, marcarão o futuro
do país.
A verdade é que pra 2016 o cenário está perturbador. Não
bastassem os problemas da organização, superfaturamentos e riscos estruturais
do Rio de Janeiro, que acumula a responsabilidade imensa do Mundial de Futebol
daqui dois anos, nossos competidores estarão lutando contra adversários maiores
que seus concorrentes. O principal é a inércia de quem mais pode incentivá-los
a seguir com segurança essa carreira.
Não só o governo, mas a imprensa, os dirigentes e a iniciativa privada, assim como a sociedade em geral pode dar o prestígio que esses guerreiros precisam, e que levam o nome do Brasil pra fora, nos dando poucos momentos de alegria. Lembrar-se de nossos atletas dos esportes especializados apenas de 4 em 4 anos não mudará o quadro que vemos hoje.
terça-feira, 31 de julho de 2012
A futilidade da "musa"
A mulher cada vez mais ganha ascensão, conquista lugares maiores no mercado de trabalho, mas existem motivações que mais parecem retrocesso para a figura feminina. Uma grife que permanece incansável e virou uma praga, é a de "musa" de algum segmento. Colocar mulher bonita associada a algum produto é tática certa do mercado publicitário, e sim, vende! Mas o culto ao corpo não precisava alcançar qualquer instância social e profissional, o que dirá na política!
As musas inspiradoras de poetas, músicos, artistas plásticos sempre existem, mas apenas figuravam como dedicatórias para obras de cunho artístico. Belíssimas canções tiveram suas origens graças a formosura e charme de várias mulheres. Até aí tudo certo, bela contribuição dessas donzelas para seus inspirados artistas. Mas quando se extrapola lugares que exigem seriedade e foco completamente diferentes, a coisa muda de figura.
O termo musa virou uma banalização de promoção de atributos físicos, usando como pano de fundo de um segmento que não tenha nada a ver com a figura de uma mulher. Na campanha ao governo de Goiás em 2010, a coligação vencedora fez uso de sua musa, e viu depois que quase foi um tiro no pé. Garota 45 com certeza foi uma das coisas mais ridículas que já tinha visto na política. Isso antes de saber quem era, e do que é capaz de fazer a senhora Andressa "Cachoeira" Mendonça. Ganhar a alcunha de "musa da CPI", foi só o começo.
É tarefa dispensável julgar a trajetória da moça. O fato de ser ex-mulher do senador Wilder Morais, que assumiu a vaga do deposto Demóstenes Torres, mostra ramificações conturbadas dela com o mundo político. O mundo de glamour e luxo mostrado em gravações da Polícia Federal, e de presença vip na alta sociedade goiana, já falam por sim só sobre a senhora Cachoeira, que nem esposa é, fato atrapalhado pela prisão do bicheiro, mas que não desqualifica a união estável e de negócios que os dois tinham.
A beleza vira justificativa da incansável exposição de Andressa na mídia. Além dos atributos físicos, elegância, ela produz fatos novos, mesmo os banais, entram no lugar do que se espera de concreto nas investigações em torno de Carlinhos Cachoeira. As juras de amor trocada pelos dois tomaram o lugar daquilo que mais interessava: A versão de Carlinhos Cachoeira sobre os fatos. Quanto mais protagonista se torna, mais existe pauta para falar de Andressa.
Uma hora ela será esquecida, mas enquanto isso, o "amor bandido" continua tomando conta do noticiário que poderia aparentemente estar em editorias de entretenimento, mas em vez disso ocupa manchetes principais e toma conta de cadernos de Cidades, Política e Justiça. Como arquivos vivos sobre os maiores rombos ao dinheiro público revelados nos últimos anos, o casal permanecerá por um tempo ainda na grande mídia. Não tem eleições, nem mensalão, nem Olimpíadas que tomem espaço deles. Aguentemos!
Uma hora ela será esquecida, mas enquanto isso, o "amor bandido" continua tomando conta do noticiário que poderia aparentemente estar em editorias de entretenimento, mas em vez disso ocupa manchetes principais e toma conta de cadernos de Cidades, Política e Justiça. Como arquivos vivos sobre os maiores rombos ao dinheiro público revelados nos últimos anos, o casal permanecerá por um tempo ainda na grande mídia. Não tem eleições, nem mensalão, nem Olimpíadas que tomem espaço deles. Aguentemos!
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Triste fim, sombrio recomeço.
Um dia triste, sem precedentes para todo o estado de Goiás, não bastassem os últimos crimes na capital, como o estarrecedor assassinato do radialista Valério Luiz, a segurança pública em caos, greves, e instabilidade em várias áreas, ainda vivenciamos o nosso primeiro senador perder o mandato, o segundo na história do Brasil. Ele, que era o próprio senhor-Justiça.
O que tirou Demóstenes Torres do Congresso não foram os 56 votos pró-cassação, mesmo em votação fechada, seus colegas agiram com a cabeça lá fora, por fora das paredes daquela casa estavam todos os brasileiros perplexos, indignados e pedindo a cabeça do agora ex-senador. O episódio foi instrumento de um jogo político do governo contra a oposição? Sem dúvida sim, mas maior que as canetadas do Executivo é a massificação da rejeição pública.
Como homem com formação brilhante em Ciências Jurídicas e extensa carreira em ascensão, Demóstenes usou dos últimos minutos que contava na tribuna pra discorrer sua inocência baseado em princípios norteadores que não são uma prática plausível para a sua situação. Comparar seu caso com Jesus, Pilatos e Judas foi um desfecho lamentável pra quem um dia já usou seu mandato para o cumprimento da Justiça. Nem com o advogado mais bem sucedido, que livrou a cara de tantos, a sua pele seria salva.
A vida política de Demóstenes foi para o ralo, mas as implicações desse caso são extensas e preocupantes. Ele vai lutar por sua inocência até o Supremo Tribunal Federal. Colocar-se como bode expiatório do caso Cachoeira era natural, mas lutar por seu mandato com o sério risco de perdê-lo, junto aos direitos políticos por 15 anos, foi uma ousadia e tanto. Muito diferente de outros como Renan Calheiros que já renunciaram pra escapar da cassação, e no mandato seguinte se elegeu como se nada tivesse acontecido.
Aquele antigo procurador do estado, conhecido pelo empenho de estourar o cativeiro de Wellington Camargo, que era o Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, relator da CPI dos Bingos, e agora, que ironia, aparece em escutas da Polícia Federal acertando com Carlinhos Cachoeira favores pra unir debaixo dos panos a máquina pública e privada. É uma mudança e tanto de comportamento, perspectivas, prioridades e duelo verdade x mentira.
A vaga deixada é outra polêmica, o suplente imediato Wilder Morais tem muita coisa pra explicar. É no mínimo curioso traçar o perfil dele como um dos homens mais ricos do estado, com patrimônio e declarações de imposto colocadas em dúvida. Não o bastante, é ex-marido da companheira de Cachoeira, Andressa, e secretário de Infraestrutura do governo Marconi. O currículo e consequentemente ligações com outros investigados não ajuda, assumir sem ser eleito precisa urgentemente ser repensado, do contrário teremos financiadores como ele e Cyro Miranda, herdeiro de Marconi, assumindo as vagas a quem o povo não os destinou.
O que tirou Demóstenes Torres do Congresso não foram os 56 votos pró-cassação, mesmo em votação fechada, seus colegas agiram com a cabeça lá fora, por fora das paredes daquela casa estavam todos os brasileiros perplexos, indignados e pedindo a cabeça do agora ex-senador. O episódio foi instrumento de um jogo político do governo contra a oposição? Sem dúvida sim, mas maior que as canetadas do Executivo é a massificação da rejeição pública.
Como homem com formação brilhante em Ciências Jurídicas e extensa carreira em ascensão, Demóstenes usou dos últimos minutos que contava na tribuna pra discorrer sua inocência baseado em princípios norteadores que não são uma prática plausível para a sua situação. Comparar seu caso com Jesus, Pilatos e Judas foi um desfecho lamentável pra quem um dia já usou seu mandato para o cumprimento da Justiça. Nem com o advogado mais bem sucedido, que livrou a cara de tantos, a sua pele seria salva.
A vida política de Demóstenes foi para o ralo, mas as implicações desse caso são extensas e preocupantes. Ele vai lutar por sua inocência até o Supremo Tribunal Federal. Colocar-se como bode expiatório do caso Cachoeira era natural, mas lutar por seu mandato com o sério risco de perdê-lo, junto aos direitos políticos por 15 anos, foi uma ousadia e tanto. Muito diferente de outros como Renan Calheiros que já renunciaram pra escapar da cassação, e no mandato seguinte se elegeu como se nada tivesse acontecido.
Aquele antigo procurador do estado, conhecido pelo empenho de estourar o cativeiro de Wellington Camargo, que era o Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, relator da CPI dos Bingos, e agora, que ironia, aparece em escutas da Polícia Federal acertando com Carlinhos Cachoeira favores pra unir debaixo dos panos a máquina pública e privada. É uma mudança e tanto de comportamento, perspectivas, prioridades e duelo verdade x mentira.
A vaga deixada é outra polêmica, o suplente imediato Wilder Morais tem muita coisa pra explicar. É no mínimo curioso traçar o perfil dele como um dos homens mais ricos do estado, com patrimônio e declarações de imposto colocadas em dúvida. Não o bastante, é ex-marido da companheira de Cachoeira, Andressa, e secretário de Infraestrutura do governo Marconi. O currículo e consequentemente ligações com outros investigados não ajuda, assumir sem ser eleito precisa urgentemente ser repensado, do contrário teremos financiadores como ele e Cyro Miranda, herdeiro de Marconi, assumindo as vagas a quem o povo não os destinou.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Efervescência Cultural em Goiás
O fim de semana passado foi muito peculiar em vários aspectos para a cultura, artes, comunicação e empreendedorismo em Goiás. Vários eventos em diversos locais aconteceram pra encerrar o semestre com chave de ouro. São tantos que até dá pesar de não participar de alguns, mas isso é ótimo pro nosso estado. Foi-se o tempo em que as boas opções eram espaças no calendário. Hoje a agenda é extensa, recheada de oportunidades para todos os gostos.
Pra começar a destacar algum, nada melhor que falar do FICA, a edição desse ano foi bastante movimentada, um belo trabalho da SeCult. Trazer um ícone como Caetano Veloso, que pouco pisa em solo goiano é um ápice, mas deve-se valorizar mais ainda iniciativas de participação de alunos de escolas públicas, o número de oficinas e seminários temáticos que engrandecem muito o evento. Estima-se que 140 mil pessoas compareceram nessa edição, o que mostra o prestígio e crescimento do Festival. Destaco também a presença da Orquestra Imperial, foi outra grande sacada. É um coletivo de músicos excepcionais, a maioria do Rio, caberia um post só pra falar deles. A Mostra da ABD deu o lugar merecido às produções goianas, que não precisam de cota na mostra competitiva pra mostrar seu valor.
Outro evento bem bacana, voltado para a área de comunicação, foi o II Intermídias, excelente iniciativa da Contato Comunicação. O investimento nessa edição foi grande, trazendo personalidades de muita influência fora, e o mais importante; valorizando diversos profissionais e atuantes nas mídias sociais de Goiás. Os debates e temas foram enriquecedores, o mercado de mídias digitais que tanto cresce e tanto precisa de esclarecimentos, pede por eventos assim. O Intermídias poderia ser prorrogar mais, dois dias e dois períodos já ficou pequeno pra abrangência dos assuntos tratados.
A Feira do Empreendedor já é uma tradição de Goiás. O Sebrae faz um excelente trabalho, em especial para os micro e pequenos empresários, que recebem cursos, consultorias e um bom suporte pra começar e engrenar o seu próprio negócio. A feira trás novidades dos mercados, idéias inovadoras e vira também uma ótima opção para o público em geral, além de incentivar nossos empreendedores a colocarem sua força de trabalho priorizando o benefício próprio e consequentemente da comunidade.
Pra encerrar, nada melhor que falar do evento que faço parte, um festival cultural que anda na contramão da grande mídia, que valoriza artistas que não precisam pagar jabá, ter mega produções por trás para ter o espaço. O Prosa & Canto Festival fez a sua quinta edição, mantendo essa proposta ousada. Não é um festival gospel, justamente por fugir dessa lógica de mercado, e abrir espaço para a música brasileira, de conteúdo em letras, que preza os ritmos regionais e a atitude dos tradicionais. O ponto de encontro que atende tão bem o eixo Goiânia-Anápolis-Brasilia, assim como vários outros, vira uma grande confraternização, regada pela boa música, boa comida típica, um frio que pede por mais aconchego ainda. A cada ano se cresce mais, a luta por realizar e ver o resultado disso continua sendo um incentivo para a Lam-C e Áudio House System fazerem um festival maior, acreditando ser possível trabalhar uma cosmovisão cristã em harmonia com a música de qualidade independente de rótulos.
Goiás luta ainda com indiferença do centro econômico de Rio e São Paulo, mas cada vez mais usa de sua posição geográfica privilegiada para fomentar diversos eventos que promovam as artes, trabalhos e ofertas de ótimos momentos para diferentes públicos. Existem a pulverização da massa que realizam coisas como o Villa Mix, que aproveitam a explosão do sertanejo pra fazer uma festa com o que de pior o cidadão pode ir pra fazer. Deixando de legado um lixo imenso, muitos bêbados saindo pra dirigir e a certeza que Goiás não se resume a isso, é muito mais. Basta prestigiar os eventos primeiros aqui descritos, e saber que quem quer curtir e se entreter de maneira mais edificante, tem sempre bons e agradáveis lugares para ir.
Foto de Simone Lago: www.simonelago.com
quarta-feira, 27 de junho de 2012
O ex-amigo
O depoimento mais aguardado pela CPMI que investiga os negócios de Carlinhos Cachoeira, surpreendentemente não era de nenhum político, até porque a maioria optou pelo mesquinho direito de ficar calado. Foi nas palavras do jornalista Luiz Carlos Bordoni que brotaram as melhores explicações e materiais para investigação. Com a oratória serena, confiante e confrontando partidários de Marconi Perillo, Bordoni não se intimidou e fez declarações interessantes.
A maior acusação foi afirmar que o governador Marconi Perillo mentiu em seu depoimento, nessa mesma CPMI dias atrás. O jornalista bateu de frente em relação aos pagamentos de seus serviços de rádio na campanha de 2010. Os valores e formas de pagamento entram em conflito, também no envolvimento de sua filha, Bruna, além das nomeações dela para o gabinete do senador Demóstenes Torres. Esse são ingredientes que apimentam o embate das duas partes.
Alguns acertos financeiros na campanha sem nota deixam de atestar com mais precisão as afirmações de Bordoni. Negociar diretamente com o governador, pegar dinheiro vivo são outros meios que levam desconfiança. Mas isso não descredita o que foi falado pelo jornalista na CPMI, pelo contrário, só aumentam as fontes de investigação, que competem aos parlamentares dessa Comissão buscarem e usarem suas prerrogativas para trazer a tona, informar a população e aplicar as medidas cabíveis.
O palco de guerra com ânimos exaltados de parlamentares continuam a acontecer e envergonhar todos os brasileiros. Nomes chulos sendo brandado aos gritos mesmo com microfones desligados. A acusação de caixa 2, só reflete a formação do mesmo, e execução feita pelo comando de campanha do então candidato Marconi Perillo, a apuração de provas documentais, novos adentos que prorrogam mais os trabalhos da Casa, e aumentam a resposabilidade da CPMI ter sua eficácia investigação.
O mais interessante tirando a gravidade das denúncias, é o histórico de relações de Bordoni com Marconi, tendo o conhecido ainda menino e trabalhando com o pai, passando pelo PMDB jovem nos anos 80, e fortalecendo a amizade trabalhando nas campanhas políticas desde a histórica primeira vitória sobre Íris Rezende em 1998. De lá pra cá, nas 3 campanhas vitoriosas para o governo e uma para o senado. Em todas o programa de rádio da campanha era comandado por Bordoni. Após ver o nome da sua filha citado por Demóstenes em depoimento na mesma Comissão, e ser investigado para tal, a caixa de marimbondos estava provocada, e a picada é certa. Resta se ver os feridos em breve.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
A Partida do Partido
A sensação de "já vi esse filme", "eu falei que ia dar errado" "desse mato não sai coelho", foram alguns sentimentos de políticos, eleitores e a imprensa com a notícia que movimentou a cena política goiana nessa quarta-feira, dia 20. Vanderlan Cardoso declarou que estava saindo do PMDB, poucos dias depois de completar 1 ano na sigla.
A notícia não era de se espantar, mas deu muito pano pra manga. Depois da grande festa pra receber o novo afiliado no ano passado, no Centro de Convenções, se transformou em uma caminhada pelo estado que não teve o apoio da cúpula peemedebista. Por cúpula leia-se Íris Rezende Machado. O veterano líder, mesmo com derrotas significativas, não consegue renovar o quadro e permitir a ascensão de novas lideranças significativas.
Desde Maguito Vilela, que nos últimos 4 anos passou por um ostracismo pegando a batata quente da prefeitura de Aparecida de Goiânia, não existe mais nenhum nome que ocupe a cabeça de chapa do PMDB em Goiânia e no estado. Íris disputou todas as últimas 3 eleições para os cargos, alguns potenciais candidatos abandonaram a legenda, agora foi a vez de Vanderlan.
O precedente dessa filiação é de um passado muito recente. Henrique Meirelles era um nome forte, uma novidade que representaria a quebra do político de carreira pra alguém que tem no currículo a presidência mundial de um banco e do Banco Central do Brasil. Isso não foi o suficiente para a abertura de espaço. Íris atropelou esse projeto que estava bem encaminhado, para mais uma vez ir às urnas. Meirelles, como era de se esperar, não permaneceu.
O ex-prefeito de Senador Canedo chegou com afagos e muitas promessas, fala vibrante de Iris na filiação, juras de amor eterno. O discurso no desfecho foi de que Vanderlan precisava conquistar seu espaço. Por quanto tempo? Se ele seria o candidato de 2014, porque não já investiram na pré-campanha, fato que fez muita falta pra ambos em 2010? As perguntas ficam no ar, as consequências saberemos daqui dois anos.
A notícia não era de se espantar, mas deu muito pano pra manga. Depois da grande festa pra receber o novo afiliado no ano passado, no Centro de Convenções, se transformou em uma caminhada pelo estado que não teve o apoio da cúpula peemedebista. Por cúpula leia-se Íris Rezende Machado. O veterano líder, mesmo com derrotas significativas, não consegue renovar o quadro e permitir a ascensão de novas lideranças significativas.
Desde Maguito Vilela, que nos últimos 4 anos passou por um ostracismo pegando a batata quente da prefeitura de Aparecida de Goiânia, não existe mais nenhum nome que ocupe a cabeça de chapa do PMDB em Goiânia e no estado. Íris disputou todas as últimas 3 eleições para os cargos, alguns potenciais candidatos abandonaram a legenda, agora foi a vez de Vanderlan.
O precedente dessa filiação é de um passado muito recente. Henrique Meirelles era um nome forte, uma novidade que representaria a quebra do político de carreira pra alguém que tem no currículo a presidência mundial de um banco e do Banco Central do Brasil. Isso não foi o suficiente para a abertura de espaço. Íris atropelou esse projeto que estava bem encaminhado, para mais uma vez ir às urnas. Meirelles, como era de se esperar, não permaneceu.
O ex-prefeito de Senador Canedo chegou com afagos e muitas promessas, fala vibrante de Iris na filiação, juras de amor eterno. O discurso no desfecho foi de que Vanderlan precisava conquistar seu espaço. Por quanto tempo? Se ele seria o candidato de 2014, porque não já investiram na pré-campanha, fato que fez muita falta pra ambos em 2010? As perguntas ficam no ar, as consequências saberemos daqui dois anos.
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