Blog do Paullo Di Castro


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Qual o sabor da pizza?


O resultado das apurações da CPMI do Cachoeira no Congresso Nacional, como era de se esperar as mais pessimistas previsões, acabou mais uma vez em pizza. Para alguns uma iguaria italiana, aperfeiçoada e melhorada no Brasil. Para a maioria, uma pizza bem amarga, daquelas que amadores e desastrados fazem, com a massa azeda, recheios vencidos, fungos e o que mais tiver direito. Tudo para dar a pior digestão que o povo brasileiro poderia experimentar.

Cada personagem principal teve seu sabor:

Pizza de Calabresa (Marconi Perillo): É a pizza mãe de todas. Sua tradição é a de se perpetuar no poder e se blindar pra sempre continuar no cardápio;

Pizza Quatro Queijos (Carlinhos Cachoeira): Essa fornece ingredientes para todas as outras. Sem seus queijos, poucas teriam a fartura que tem;

Pizza Napolitana (Demóstenes Torres): Mesmo se for unanimidade, se passar do ponto pode decepcionar, e ser a primeira a ser queimada;

Pizza de Mussarela (Fernando Cavendish): Essa é usada para dar fartura na refeição do freguês. Tem a relação mais estreita com a Quatro Queijos;

Pizza Pepperoni (Carlos Leréia): É uma pizza que fica mais no canto do cardápio, mas quando pedida tem muita coisa pra oferecer;

Pizza Marguerita (Wladmir Garcêz): É uma pizza secundária, mas importante para unir o tempero especial de outras. Está sempre ao lado das principais;

Pizza Frango com Catupiry: (Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral): Juntos são imbatíveis, tem várias caras, e ficam ao lado de quem manda;

Pizza Moda da casa: Essa representa todos os parlamentares que compactuam com os escândalos apresentados, e com conchavos polítivos e receios da bomba estourar em seus próprios quintais, preferem assar tudo no forno a lenha e deixar o cheiro do orégano (dinheiro) atiçar seus paladares para mais. Dando nome aos bois, ou às pizzas: 

SENADORES: Álvaro Dias (PSDB-PR), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Jayme Campos (DEM-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC), Sérgio Souza (PMDB-PR), Ciro Nogueira (PP-PI), Ivo Cassol (PP-RO), Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP) e Marco Antonio Costa (PSD-TO). 

DEPUTADOS: Carlos Sampaio (PSDB-SP), Domingos Sávio (PSDB-MG), Luiz Pitiman (PMDB-DF), Gladson Cameli (PP-AC), Maurício Quintela Lessa (PR-AL), Sílvio Costa (PTB-PE), Filipe Pereira (PSC-RJ), Armando Virgílio (PSD-GO) e César Halum (PSD-TO).

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Dois pesos e duas medidas

O filme nós já vimos mais que "Lagoa Azul" na Sessão da Tarde: As eleições terminam e os governantes, especialmente reeleitos, preparam surpresinhas não muito agradáveis para os eleitores. O aumento de salário de prefeitos e vereadores são os mais corriqueiros, e também algumas medidas drásticas que apontam um claro compromisso financeiro além do orçamento anual.

Em Aparecida de Goiânia o natal teve presente de grego antecipado para os moradores da cidade. Na velha prática de legislação em causa própria, foi aprovado na Câmara e sancionado pelo prefeito Maguito Vilela (PMDB), um aumento de 65% dos salários do prefeito, além do vice-prefeito, vereadores e secretários.

Maguito vai passar a ganhar R$ 19.800, antes o salário era de R$ 12.000. O vice-prefeito deixará de ter R$8.000 e terá R$ 13.280 mensais em sua conta. Os secretários da prefeitura sairão de R$ 6.200 para R$ 10.540. Os vereadores catapultaram o próprio salário de R$ 7.400 para R$ 12.060.

Enquanto o bolso dos comandantes engordam, a cidade segue com seus profundos problemas de infra-estrutura, segurança, saúde e educação. Isso não é privilégio de Aparecida, claro, inúmeras outras cidades vivenciam a infeliz prática.

Como não bastasse a vizinha sofrer com a caneta das autoridades, Goiânia também passa seus pormenores com a administração pública. Um mico considerável foi a notícia do jornal  O Popular dessa terça, 27, do cancelamento da ornamentação de luzes natalinas pela prefeitura esse ano. 

O motivo seria a contenção de despesas para pagar as contas. Que contas seriam essas? O que poderia ter fugido do orçamento do ano?  E isso logo após uma milionária campanha que reconduziu Paulo Garcia para o comando da prefeitura. 

O prefeito pode até voltar atrás, mas o estrago já tava feito. O período era inoportuno para uma decisão dessa. As luzes são um marco para a cidade. Mesmo com opiniões contrárias, mexer no que é tradicional é muito delicado, principalmente em tempos de tanto descrédito do eleitor com a imagem dos agentes públicos.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

De volta pra casa


Dois anos de intervalo, um hiato doloroso para uma torcida que sofria por desastrosas administrações, jogadores que só comiam e dormiam, imprensa desconfiadíssima... Todo um cenário que só poderia ser revertido com uma nova concepção de administração, um planejamento bem executado e uma gestão harmônica. Aconteceu!

Em 10/11/12, o Serra Dourada recebeu um público histórico. Eram mais de 40.000 vozes gritando para um só time. Todo em verde e branco, a festa da torcida esmeraldina era de dar gosto. Tudo para ver o Goiás, após dois anos voltar à elite do futebol brasileiro. Um time com a torcida, estrutura e história que tem, não podia demorar mais pra competir com os grandes.

A formação do elenco foi cautelosa, a velha tática de pegar bons nomes que não estão tendo oportunidades nos grandes foi mesclada com novos valores de potencial. Tudo isso por um comandante novato, mas vivido no ambiente, discípulo de bons mestres. Era uma aposta, mas contra muitas desconfianças, minha inclusive, se revelou uma boa surpresa em época de técnicos arrogantes e ultrapassados.

A diretoria finalmente falou a mesma língua, com um presidente afiado com o manda-chuva Hailé Pinheiro e conhecedor profundo dos bastidores do futebol. Com essa afinidade, que não aconteceu nos mandatos anteriores, os bichos estimulantes pagos, o trabalho de injeção de ânimo na torcida, a chance de subir era muito maior.

Uma salvação para o ano do futebol goiano, que assiste tragicamente o Vila Nova patinar e se afundar mais na Série C, e o Atlético após uma brilhante temporada ano passado amargar a lanterna na maior parte da competição. Terão muito o que repensar, principalmente articular para ter uma direção coesa, comprometida com o profissionalismo e inovação na gestão, como aconteceu com o Goiás.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Violência



Vivemos dias estarrecedores, em diferentes cidades, estados e países, o que se assemelha aos seus habitantes é uma só sensação: Insegurança. O direito de ir e vir, e de estar em paz em sua residência, trabalho e no seu lazer é substituído pela tensão de se sentir desprotegido, vulnerável e incapaz de ter momentos de absoluta tranquilidade. 

A sensação de ser a próxima vítima de um arrastão, assalto, roubo e diversas formas é uma privação angustiante. Não poder contar com a sua polícia pra te proteger, nem pra fazer um boletim de ocorrência porque a mesma está em greve, que não é a primeira do ano, é a pior sensação que um cidadão em seus direitos cíveis pode passar.

Sair de casa sempre é um risco, os mais improváveis incidentes podem acontecer. Mas você sair e temer automaticamente ser violentado por bandidos que estão agindo e não são coibido pelas autoridades competentes deixa de ser um risco e vira uma real possibilidade, da pior maneira possível. 

Você pensa em você e em quem você ama, como proteger ao outro sem conseguir proteger você mesmo? Tudo isso porque ninguém, ninguém possui proteção devida. Os milhões gastos em publicidade e grandes obras (muitas vezes não concluídas) do governo passam longe de virarem investimento em aparelhamento e valorização dos profissionais da segurança pública.

O que fazer? Esquecer o que a Constituição Brasileira garante e se trancafiar em casa, sair com nenhuma moeda no bolso, nenhuma roupa de marca, e de preferência sem o celular?  Gastar o que não se tem pra deixar a residência uma fortaleza, a empresa um quartel e renegar toda saída de lazer em vias públicas? É muito difícil viver assim! Prisioneiros de nós mesmos.

Enquanto a Polícia não ajuda, o governo cruza os braços, as manchetes de violência não param, podem ser as únicas opções. Teremos que ter toque de recolher? Os estabelecimentos de diversão noturna terão hora pra fechar, prejuízos incalculáveis? E quando a coisa é feira à luz do dia? Quem marca hora pra violência nos encontrar? São muitas perguntas, e as respostas um mistério.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O acordão pra amarrar o Brasil


Dois poderes, duas frentes, dois lados da mesma moeda, e como é impossível a moeda cair em pé no jogo da justiça, nada melhor que sair do jogo, fica bom pra você e não deixa tão mal pra mim. É esse o sentimento que antecipa o fatídico encerramento das investigações tanto da CPMI do  Congresso Nacional, como da CPI da Assembléia Legislativa de Goiás.

Ambas tinham como alvo todo o esquema de desvio de dinheiro encabeçado por Carlinhos Cachoeira. Mas o alvo acertaria bem mais que o contraventor, envolveria personagens dos dois lados mais representativos da política nacional. Tanto situação como oposição do governo federal teriam a carne cortada, e pra evitar "constrangimentos", nada melhor que um acordo bom pros interessados.

O fatídico fim era anunciado: Quando se levantou a investigação dos nome dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o de Brasília Agnelo Queiroz (PT) e do Rio Sérgio Cabral (PMDB), sabia-se que algo não fecharia, tanto que Cabral foi dispensado do depoimento. A primeira saída que encontraram era deixar a batata assar só na mão do senador Demóstenes, cujo partido Democratas não hesitaria de cortar fora.

Carlinhos era um hábil articulador, e naturalmente não iria fazer acordos só com um lado político. A base do governo estremeceu diante da possibilidade de caírem alguns de seus figurões. A única forma de salvar seus vários nomes envolvidos seria propor encerrarem os trabalhos de investigação, mesmo que isso custe perder a melhor oportunidade de enfraquecer a oposição. Na ALEGO, o caso era mais evidente, com o governador nadando de braçada em maioria na casa, facilmente seria neutralizado por sua base.

Por hora Cachoeira vai continuar sendo o único preso (mesmo que o juiz Tourinho Neto tente o contrário), e os parlamentares serão poupados. A vasta documentação que falta para analisar será ignorada. O julgamento do mensalão já será muito desgastante, pra quê insistir em cavar mais podridão nesse buraco? Que o STF e sua bancada lulista resolva lá na frente, se preciso.

Uma política retrógrada, de legislação em causa própria e alimentada pelas verdinhas do cachoeirolduto. Esse é o sentimento que nos deixam as casas legislativas federal e estadual. Perdemos uma grande oportunidade de exposição de saber quem é quem dos amigos de Cachoeira. O impacto nas eleições desse ano já foi pequeno, e o cuidado pra 2014 é estratégico para a sobrevivência política da maioria.




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O que esperar?


O que você espera da próxima administração pública de da sua cidade?  Tá desiludido com tantos escândalos de corrupção, e fica tentado a generalizar toda a classe política de fazer parte desse lamaçal? Infelizmente esse quadro é o que mais tenho visto hoje. Mesmo tendo meu voto definido e com absoluta tranquilidade para tentar eleger o que considero melhor pra Goiânia, eu entendo pessoas que pensam assim.

Eu entendo partindo da premissa que a pessoa conhece cada candidato ao executivo, pesquisou sua vida, seu grupo político e tem convição do voto para um deles ou nenhum, crendo que fez parte de verdade nesse processo. No voto parlamentar, uma representatividade de classe, região ou outros segmentos é importante, e mais ainda a renovação de homens comprometidos com a Casa de Leis que regem nossas vidas.

O voto nulo e o branco são opções legítimas, porém, é uma lavagem de mãos perigosa, que vai dar condições a alguém governar sem a participação de quem optar por esse caminho. Não vejo como uma escolha que ajudará a sociedade, ao menos enquanto vemos os mesmo políticos continuando no poder, caciques centralizadores e herdeiros sempre recebendo a bênção de quem já está no lá há muito tempo.

O voto ainda é o instrumento pra começar a mudar esse quadro, se não está satisfeito com o que está lá, nem com quem não te representa, simplesmente mude! Não vote em quem te decepcionou, nem em quem está ligado a pessoas que não corresponderam a sua expectativa. Uma gestão pública precisa estar livre de apadrinhamentos políticos, compromissos com grandes grupos financeiros, só assim ela poderá operar em favor do cidadão.

Pesquisas eleitorais mostram comportamentos, tendências e são o retrato de um momento do cenário político. Mas não são elas que devem pautar o seu voto! Você deve pautar baseado nos seus conceitos e valores, e em escolher quem você vê competência, currículo, companhias e passado ilibado para assumir tamanha responsabilidade.

Decepções nós temos sim, afinal nossos representantes são homens falhos como nós. Mas o aprofundamento no campo eleitoral para discernir nossa escolha pra mim sempre vai ser um dever do cidadão. Não tenha medo, não pense em votar no “menos pior”, vote em quem você visualiza daqueles que entraram na disputa, governando o lugar que você mora. 

A participação no mandato deve continuar, cobrando através de e-mails, pelas redes sociais, e manifestações que legitimem a indignação do povo, como foi a Lei da Ficha Limpa. Vote em alguém ficha limpa, e que de preferência não tenha nenhuma outra suja por perto. Isso não é impossível, acredite!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pouca renovação.

Estou envolvido nas eleições municipais de Goiânia, e não acho ético comentar nada sobre as mesmas. Mas para não ficar com os dedos coçando, tenho observado de longe algumas capitais do Brasil que tem campanhas bem interessantes. Algumas com uma movimentação que sinto faltar aqui, mas sem mais por aqui, vamos falar das de lá.

O Rio de Janeiro é o que mais tem me chamado a atenção. O caminho tá livre pro prefeito Eduardo Paes faturar a reeleição, mas existe um fator surpresa interessante. Subindo impressionantemente está o candidato do PSOL Marcelo Aleixo, com o vice Marcelo Yuka, ex-O Rappa. A chapa pura dos socialistas nunca incomodou tanto. Os xarás representam um discurso social contundente, que vai de encontro à realidade dos cariocas. Mesmo que não tenham fôlego pra alcançar o prefeito, a ousadia e frutos dela poderão abrir bons caminhos para eles e a legenda. A dupla inusitada Rodrigo Maia (DEM) e Clarissa Garotinho não alcançarão agora o posto já conquistado e desgastado de seus pais.

São Paulo também tem novidades interessantes. Quando a polarização entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) parecia certa, surge Celso Russomano (PRB) e desponta pra liderança. Pólvora pura nos ninhos tucanos e petistas. O desespero bate, para o antipático Serra, com a imagem arranhada de tantos pleitos eleitorais pro executivo disputados (e maioria perdidos), e também com Haddad, nova aposta que Lula tenta carregar nas costas, mesmo com um programa eleitoral com recursos de primeiro mundo dificilmente mudará isso. Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS) tinham potencial, mas sem alianças fortes, são cartas foras, vão negociar como é tradicional com os cabeças.

Em Porto Alegre a simpática e aguerrida Manuela D'Ávila (PCdoB) sofre pra quebrar a tradição eleitoral gaúcha, sempre polarizada, mesmo ela entrando nessa polarização, tirar a reeleição de José Fortunati (PDT), carregado pelo espólio de Leonel Brizola, é um grande desafio. Manuela tem bom diálogo com segmentos da juventude, esportes e cultura. Mas isso pra competir com a máquina do governo torna a tarefa ingrata, mas acredito que ela tem potencial pra virar o jogo. Aliar-se com o PSD demonstra a determinação dessa campanha.

Outras capitais não me chamaram tanto a atenção, em Belo Horizonte os petistas deixaram a estranha aliança com os tucanos, e não devem tirar a reeleição de Márcio Lacerda (PSB), continuando a hegemonia tucana mineira. Em Salvador o Neto de um dos maiores coronéis do Brasil tem tudo pra continuar a dinastia levar as três siglas que mandaram tantos anos por lá. Desejo ao menos que São Luís do Maranhão e Maceió-AL respirem longe disso. Mas não é fácil não. Ao menos, é bom ver quadros buscando renovação nas cidades, mesmo que o eleitor não se conscientize e prefira dar seu voto ao continuísmo, ou mesmo se excluir do processo anulando o voto, mas esse assunto fica pra outro post.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cotas e chacotas


A polêmica continua. O sistema de cotas ganha novas proporções e consequentemente, aumenta os pontos divergentes. O novo projeto aprovado pelo Congresso Nacional distribui em 50% as vagas do ensino público superior para alunos de baixa renda, oriundos de escolas públicas, assim como para negros, indígenas e pardos.

Dois artigos publicados nessa terça no jornal O Popular trás duas opiniões contrárias de ótimas abordagens, do jornalista Rodrigo Alves e do empresário Melchior Luiz Duarte. Esse é o ponto mais interessante, de se ouvir as diferentes percepções de um debate tão importante, que dita os rumos da nossa sociedade, como formação da cidadania. O assunto é quase infinito, mas sua urgência é imprescindível.

No Brasil com suas peculiaridades e históricos sociais conturbados, a preocupação com a equiparação do ensino provoca medidas ousadas, injustificáveis em um país sem tamanha desigualdade social. O atraso no tratamento para com as classes sociais e de grupos minoritários leva a opções de remediar, longe de conseguir prevenir. Se um dia se conseguirá chegar a um patamar que não precise de tais medidas, é uma grande interrogação.

Analisando friamente, penso que não. Temos apenas um remédio que arrolará as oportunidades para um maior alcance dos segmentos sociais, porém, não dará as condições que o alicerce da educação não sustenta. O câncer do ensino básico provoca o efeito cascata da falta de estrutura, que resulta na falta de retorno do aluno, sem esperança para crianças trilharem seu caminho.

Acompanhando ocasionalmente algumas escolas públicas de Goiânia, vejo uma grande massa do corpo discente desinteressada e imersa em seus problemas familiares e sociais, arrastando-se nos estudos acompanhada por professores desmotivados, com alto nível de stress. Medidas de acompanhamento dessas mentes fecundas são tímidas, transferindo para quem mais precisa de orientação resolver a maioria de suas próprias dificuldades.

O programa CQC na última segunda mostrou a situação de algumas escolas no estado do Piauí. Colégios de uma única sala, em triste abandono, usado para várias faixas etárias, com uma professora que também atua como diretora, coordenadora, faxineira, e usa do seu salário pra tentar amenizar a precariedade do lugar. Refeições de água de balde colhida em poço, sem luz e seneamento, uniformes pagos pelos pais. Essa é uma mostra grátis do que tem sido oferecido, e empurrar alunos assim para uma faculdade não lhes dá a mínima condição de uma educação sólida.

Dinheiro para isso não falta. Quanto a ele chegar a esse destino, não é o que temos visto. A negligência com o ensino só aumenta o preço que todos pagam por não se estruturar a formação do cidadão. A dignidade na formação acadêmica depende muito do esforço do estudante, porém, as condições a ele oferecidas, não ajudam em nada no respaldo que ele trará. Exemplos de superação são vistos constantemente em nossa volta, mas para arrancar a esperança de um ser humano em formação, basta tirar o que lhe é mais fundamental.  

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Balanço Olímpico




Não foram os Jogos Olímpicos que os brasileiros esperavam muito menos os atletas, patrocinadores e boa parte da crítica especializada. Um saldo de medalhas muito aquém da grandeza de nosso país, da nossa economia e recursos humanos. Algumas lições marcaram essa competição:

1)   Nunca superestime alguns atletas, e nem subestime outros. Todos chegaram lá por méritos e supostamente tem chances de conquistar lugares altos. As duas medalhas de ouro individuais vieram de atletas “desconhecidos”, que eram sombra de nomes fortes que estão acostumados a bajulações. É obrigação da imprensa que cobre os jogos saber do histórico de todos os atletas, e não ter o carão de confessar que não conhece esse ilustre novo campeão que surpreendeu a todos com o ouro.

2)   A briga de Globo x Record empobreceu o espetáculo no Brasil, pela primeira vez não sendo a emissora oficial, o plim-plim tratou com desdém a competição, chegando ao ponto de no início não pegar imagens da concorrente, preferindo pagar mais caro pelas de fora. Por sua vez a Record apanhou no ineditismo da transmissão, com âncoras mal preparados como até a experiente Ana Paula Padrão, e destinando pouquíssimas análises pós-jogos, deixando a noite carente de informações, mesmo com o horário britânico não batendo, era importante destinar mais o horário nobre e fim de noite para a atualização do dia dos jogos.

3)   A Seleção Brasileira de futebol masculino NÃO É IMBATÍVEL. A ausência da Argentina não ia mudar isso. Mano Menezes está capengando a um bom tempo, após essa primeira prioridade fracassada, deve sobreviver até a Copa das Confederações, última tentativa de consertar algo pro Mundial no Brasil. A figura de Neymar nunca brilhará nos momentos decisivos se o moleque não tomar um chá de realidade e os flashs sobre ele não diminuírem. Na feminina, infelizmente não vivemos só de Martas, o esporte não crescerá; a vitrine midiática, e a própria cultura do país é totalmente tomada pelos homens. 

4)   Que nosso vôlei é um dos melhores do mundo é notório. Foram os que mais brilharam mesmo o ouro só vindo com as meninas da quadra. As duplas da areia brigaram de igual pra igual, e merecem terem suporte maior. A renovação das seleções está sendo sofrida, e só teremos outras gerações vitoriosas se as autoridades acordarem e der o apoio que o esporte tanto precisa, investindo na formação de atletas. Se dependermos de lugares como Goiânia, que tem um buracão de terra no lugar do que seria um Centro de Excelência, a tendência é só cair.

5)   Nosso atletismo sofre com a pouca exposição e investimento. Os fracassos dos maiores nomes mostram a carência de revelações, de quem chegue com a mesma qualidade para disputar medalhas. Alguns tipos que poucos conhecem podem trazer bons frutos, bastam incentivos, políticas públicas pra dar acesso a uma preparação para crianças de baixa renda. É tão pouco perto da mudança de vida que famílias podem passar com isso.

6)   Os esportes aquáticos tem um leque maravilhoso de modalidades, sujeitos a grandes conquistas. Mas a realidade é dura, atletas que querem melhor preparo vão treinar fora, muitas vezes com recursos próprios, e perdem a própria identidade com o país, falando besteira de vez em quando. Quem muito ganha no Pan, não reflete o mesmo sucesso nas Olimpíadas, ali o nível é completamente diferente. E não é com a fraca estrutura que o país fornece que isso irá mudar.

7)   As lutas são outras meninas dos olhos, mesmo sem tantas conquistas, sempre se espera uma surpresa dos lutadores, tem gente que ligou a ascensão do MMA pra se ter maiores vitórias agora. Não tem nada a ver, a prática de cada um demanda tempo, muita dedicação, e uma exposição maior, o que vemos nos duelos do UFC é uma jogada midiática de quem conseguiu vender bem esse peixe. Já o das competições segmentadas, o adversário da falta de apoio é o maior de todos.

8)   O basquete olha com saudade para tempos distantes, em que outras gerações brilhavam e a um bom tempo não se repetem. As brigas internas de dirigentes, e os novos quadros de organização ainda estão longe de produzir um bom resultado. Achar que os poucos que jogam na NBA salvam o time, tendo um abismo na preparação de lá com a realidade daqui, é acreditar em conto de fadas.

9)   Esportes pouquíssimos conhecidos podem ser celeiros de grandes conquistas, basta pra isso sair do amadorismo. Não é pouca coisa, mas perfeitamente possível. Ficar dependendo de classes A e B, consequentemente de “paitrocinadores” não formará mais campeões.

10)   O Brasil será sede dos dois próximos eventos esportivos de maiores expressões. Megas estruturas estão sendo construídas. O uso posterior delas é imprescindível para a formação de novos atletas, fomentação das competições regionais e nacionais. Cada país sede dos últimos torneios conseguiu façanhas em seu planejamento e execução, aqui em muito já passamos a conta de gastos, licitações e financiamentos. Arenas multi-uso poderiam agregar muito para a economia além do esporte. Os resultados disso, bons ou não, marcarão o futuro do país.

A verdade é que pra 2016 o cenário está perturbador. Não bastassem os problemas da organização, superfaturamentos e riscos estruturais do Rio de Janeiro, que acumula a responsabilidade imensa do Mundial de Futebol daqui dois anos, nossos competidores estarão lutando contra adversários maiores que seus concorrentes. O principal é a inércia de quem mais pode incentivá-los a seguir com segurança essa carreira.

Não só o governo, mas a imprensa, os dirigentes e a iniciativa privada, assim como a sociedade em geral pode dar o prestígio que esses guerreiros precisam, e que levam o nome do Brasil pra fora, nos dando poucos momentos de alegria. Lembrar-se de nossos atletas dos esportes especializados apenas de 4 em 4 anos não mudará o quadro que vemos hoje.