Blog do Paullo Di Castro


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Que cidade construiremos em 4 anos?


Foto: Hélio de Oliveira

Findou-se mais um processo eleitoral. Com ele um dos mais disputados pleitos que Goiânia já viu. Depois de 2012 ter sido um processo esvaziado (nem Íris nem Vanderlan podiam concorrer, pois estavam vindo de dois mandatos consecutivos), e sem nenhum figurão pra acalorar a disputa. O caminho ficou livre pro sucessor de Íris, Paulo Garcia, ter a vitória. Agora o cenário é outro. Dois velhos adversários mediram forças. Venceu o de mais história.

Não querendo entrar no mérito do atual nem do próximo prefeito, coisa melhor pra ser feita ao final de dezembro, depois de um processo tão acirrado, com concorrentes carimbados tentando convencer um eleitor desacreditado, com altíssimas abstenções e votos brancos e nulos, agora fica a pergunta: O que pode ser feito no mandato que vem aí? Pelo próximo prefeito?! Não! Por nós!

O cidadão que não chama a responsabilidade para si pelo zelo, fiscalização, promoção da cidadania e educação em sua cidade, não pode esperar nada de um governante eleito. Enquanto dependermos de assistir parados e reclamar das gestões que deixam a desejar, pouco poderá ser feito de prático para nos beneficiar. A força que transforma uma cidade não pode vir de cima pra baixo, mas na contramão disso.

São tantas iniciativas populares, coletivas ou individuais que podem ajudar a melhorar a cara da nossa cidade. Coisas simples, como apoiar o uso da bicicleta como alternativa para nosso caótico trânsito, já que o transporte coletivo não atende bem. Muitos dos quilômetros de ciclovia que surgem acompanham a demanda de mais pessoas pedalando.

Tantas escolas, igrejas, associações e outros agrupamentos podem juntar forças para mudar a cara do seu bairro. Iniciativas culturais são uma ótima forma de unir o útil ao agradável, e reforçar os talentos desenvolvidos à serviço de todos. Para mais apoio na área da cultura, precisamos de mostrar a cara e atrair investimentos do governo e da iniciativa privada.

Esportes ocupando lugares que nem precisam ser os mais apropriados, mas podem despertar o apoio de quem se interessa em ter a imagem ligada ao setor, Pra isso, ver um monte de menino jogando bola, mesmo que em uma praça improvisada, pode ter um efeito melhor que o esperado.

E no social? É inegável como podemos mover alvos que parecem impossíveis, mas com a aglutinação de mais e mais pessoas, temos o privilégio de ajudar a outras pessoas, amenizar e até mudar realidades difíceis. Idealismo demais? Não quando a gente vê um sorriso em quem antes não tinha motivo para fazer isso.

É digno trabalhar, usufruir de lazer e gastar tempo consigo mesmo e com a família. Mas avançaríamos muito mais como sociedade se esse tempo fosse dedicado um pouco mais pelo próximo. Não precisamos esperar o prefeito fazer isso. Com a autoridade que lhe é confiada ele pode fazer muito, é claro, mas também pode ser pautado pela mobilização de seus munícipes em prol de algo que vale a pena.

4 anos é tempo suficiente  pra fazer muita coisa por Goiânia! Vamos nessa?!


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Pedaços de Vida


Um texto publicado aqui no blog em homenagem ao meu pai, professor Cloves Trindade Lopes, virou o texto para o prefácio que orgulhosamente contribuí no seu livro "Pedaços de Vida". Era uma tentativa singela de fazer uma homenagem ao homem que mais inspirou minha vida. E pra nossa alegria, chegou a realização desse produto literário que reuniu uma série de seus escritos, em poemas, versos e prosas, acrósticos e sonetos, e diversas crônicas de muitos pedaços de existência catalogados em seus 79 anos de vida.


Depois de contribuição em diversas obras, seja biografando, organizando, revisando e prefaciando livros de diversas pessoas, (inclusive o de minha avó materna), agora chegou a vez de sua obra pessoal. Foi um trabalho concentrado de 4 anos, de minuciosa coletânea, e muitas sessões de conversa com minha mãe e a organizadora do livro, musicoterapeuta Lara Karst. A verdadeira dificuldade era compilar tantos textos bons, de tantos anos de construção da sensibilidade literária do professor.

Foi bem um livro em família. Os três filhos participando diretamente, cada um em uma área. Além do núcleo familiar narrado em crônicas de diversas fases da vida, os amigos queridos em vários foram contemplados por poesias dedicadas pelo professor. Seja na alegria de um aniversário, ou na saudade de uma partida, muitos receberam homenagens. Todos não caberiam no livro, mas as lembranças estão eternizadas.

Resumir uma vida em páginas de um livro não é uma tarefa nada fácil. Mas é preciso dar um passo para uma tentativa de expor momentos, quando se sabe tão brilhantemente externá-los nas letras. Nenhuma palavra originou em um teclado de computador, mas em máquina de datilografia, e papéis diversos, seja em manhãs, tardes, noites, e madrugadas, muitas madrugadas.


Pedaços de vidas se desenham como um mosaico em palavras, todas com intenção de sair de um coração e entrar em outro. É assim que sinto que meu pai escreve. E sei que muitos que fazem parte de sua vida também sentem. Só tenho a agradecer a Deus pelo privilégio de todos esses registros em uma beleza textual estarem ao nosso dispor nesse sonho concretizado.

Para adquirir o livro, mande um email para: paullodicastro@gmail.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Vida que Transborda Vida  




“Homens dos quais o mundo não era digno”. Essas palavras me associam a uma lista seletíssima de homens que conheci, com muito ou pouco contato, e acompanhei o que faziam, e que Deus usou para me edificar por muitos anos. Dentre essas pessoas tem velhinho que em poucos dias de encontros meteóricos que me marcou.


Era semana de carnaval de 2012, eu e minha hoje esposa e então namorada, fomos para a agradabilíssima cidade de Viçosa, no sudeste de Minas Gerais. Ali haveria um treinamento para profissionais em missões, em um lugar que abrigava duas instituições que há muito tempo queria conhecer: O Centro Evangélico de Missões (CEM) e a Editora Ultimato.


Naquele ambiente acolhedor, ficamos nos alojamentos do CEM, tendo aulas manhã, tarde e noite, e todos os dias começavam com uma devocional maravilhosa feita pelo homem que confundia sua história com esses lugares. Carinhosamente chamado de “Reve” por todos, Elben Lenz César se mostrou ainda mais profundo e simples pessoalmente que em seus vários escritos que já havia lido.


O evangelho brotava como o alimento diário essencial na vida do Reve, e nos transmitia isso com muita propriedade. Outro momento marcante foi tomar um café no “quintal” da Ultimato, e o ouvir contar estórias de seu pioneirismo na imprensa de confissão cristã no Brasil.


A visão de mundo sempre estava à frente do seu tempo. Instalou-se em uma cidade historicamente católica e a fez ser referência protestante. Isso sem ecumenismo, mas com diplomacia, e acima de tudo, amor. Levar o evangelho por meio das edições da revista Ultimato para a população carcerária, quase invisível em nossa sociedade, foi outra porta maravilhosa que ele muito se empenhou.


Como pastor em formação e jornalista, tenho na figura do Reve, que tão bem desempenhou os dois ofícios, um dos mais belos testemunhos e dedicação para as letras, em especial à Sagrada Letra. Abrir caminhos de expressão da fé, viver o evangelho de modo digno e divulgar isso para quantos forem alcançáveis, são alvos que tenho no meu coração e vi em Élben César essa missão cumprida com abundante graça de Cristo.


Louvado seja o Senhor, por fazer um seguidor fiel seu marcar tantas vidas, e deixar para nós muito mais que livros, artigos e mensagens. Deixa o testemunho vivo do amor de Deus por nós!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Bela Primavera



Do solstício de inverno até tua chegada... 
ah, que espera demorada!

A água para todos abastecer, 
Espera regar-te com prazer.

No cerrado de mais árido e seco solo,
Faz necessário sua presença sem dolo.

O sol que brilha incessantemente, 
Agora resplandece suas cores alegremente.

Se não mudas por dentro alguém,
Ao menos revelas outro cenário que vai além.

De suas árvores respiramos melhor, acreditamos mais,
Vivemos em meio a dificuldade, dias de paz.

Constróis, mesmo em meio ao nada,
A mais bela paisagem, do interior à enseada.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Impedimento é do Brasil



Não é a presidente Dilma que está sofrendo um progressivo e traumático processo de impedimento. É o Brasil. Com isso não atesto que o impeachment é um golpe, que não existe base legal ou qualquer discurso que esbravejam os aliados do governo, mas sim, com o olhar mais profundo, vemos que o projeto de poder dos grupos que nos governam é que historicamente trava o Brasil desde a democracia iniciada nas Diretas Já.

Dilma perdeu a governabilidade logo ao pegar a sucessão de Lula, a bolha da aplicação dos projetos sociais sem planejamento, e em especial os grandes esquemas de corrupção como Mensalão e Petrobrás, culminou em estourar em suas mãos. A habilidade política é inexistente, visto não ter ocupado nenhum cargo eleitoral antes de assumir o mais alto posto do país. A oratória é um desastre, o carisma idem. O que sobra?!

Sobra ser controlada pelos caciques do seu partido e por quem tem maioria no Congresso Nacional. A escolha do seu nome foi uma alternativa depois de muitas caírem por terra. José Dirceu, Palocci e Genuíno eram sucessores em potencial. Todos caíram. Precisavam de um perfil que destoasse do desgaste dos grandes do PT. Sobrou a Dilma. E para ela sobrou a bomba armada.

O principal responsável tem nome: PMDB. Um partido que veio do outrora aguerrido MDB, e com tanta sede de poder que cresceu na ditadura, viu aliados seus fundarem outros projetos políticos, tais como PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o PT de Lula. Mas o PMDB cresceu ainda mais. Não precisou ganhar nenhuma eleição com a cabeça de chapa, mas em todas foi o aliado de primeira obra, com controle das duas casas legislativas federais.

É incalculável o mal que o PMDB faz ao Brasil, juntamente com PT e PSDB, cada um em seu tempo. A estratégia deu muito certo para o continuísmo: Priorizar o legislativo, e negociar posteriormente o apoio com o executivo. Mesmo quando saía em uma eleição na chapa perdedora, ao iniciar o novo governo estavam abraçados.  

Assim como no impeachment de Collor, a maior sigla do país se novamente se vê na possibilidade de assumir a maior cadeira do Brasil. Não precisou de eleições para isso, era só passar para o lado certo na hora certa. O cenário agora é muito diferente de quando Itamar Franco assumiu em 1992. Não tem um novo plano monetário como o Real, nem uma pós-guerra fria para se construir novas relações de mercado. Agora o crédito já não é o mesmo.

Como pensar em mudanças concretas com a saída da presidente? A linha sucessória dos próximos três nomes são todos do PMDB. Um é o mesmo líder que já presidiu a Câmara e tem uma carreira de articulações pela manutenção no poder. O próximo é réu na Operação Lavajato da Polícia Federal, maior mantenedor do cargo de presidente usando todos os recursos do Regimento Interno da casa, o terceiro já renunciou mandato para sobreviver a processo, voltou ao topo naqueles ciclos que só a política partidária é capaz de fazer.

A saída de Dilma pode representar alguma oxigenação em termos de mercado, no ambiente político e social, porém, isso é só a ponta do iceberg. O velho PMDB está aí para tomar as rédeas, e continuar seu projeto de poder em altos escalões. Mesmo com processos enfrentados por Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não se consegue tirar três homens com essa envergadura política. O caminho poderia ser a impugnação da chapa pelo TSE. Pelos ministros indicados por esses governos que sempre foram norteados pelo PMDB. Seria possível? Sim, mas está longe de ser uma realidade.

Se convocada novas eleições, o que acontecerá? Qual nome tem sido levantado para potencializar uma nova perspectiva de comando do executivo? São perguntas que não tem respostas fáceis. O brasileiro tem saído às ruas, vestido de amarelo e exigido mudanças. Mas quando essas mudanças virão no voto? Qual dos mais de 30 partidos pode assumir? O impedimento maior até o momento é de todo o Brasil.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Carta do mandatário de Goyaz para a Presidente


Ilma.  e querida PresidentA!
 

Em primeiro lugar, quero dizer que muito além da questão partidária, tenho profundo respeito e admiração por Vossa Excelência! Nosso relacionamento político tem sido bom nesses últimos anos, mesmo porque o Brazil está sob o comando do seu partido desde o começo da década passada e Goyaz está sob o meu ainda antes da virada do milênio.

Reconheço que já peguei pesado com o seu líder máximo, falei para os quatro cantos que havia denunciado o mensalão para ele, como era vice-presidente do Senado na época, aproveitei da minha posição para tentar uma projeção nacional, coisa que nunca consegui. Mas apesar disso, deve reconhecer o benefício que fiz para a União ao entregar de mão beijada a nossa empresa de energia, maior patrimônio dos goianos.

Sou grato pelas verbas destinadas a Goyaz que nos repassou, e me permitiram tocar obras no estado todo, e fazer das propagandas elas ficarem muito maiores. Quase todas não consigo terminar, tem algumas que faço desde o primeiro mandato. O segredo é fazer o lançamento e injetar publicidade em toda a imprensa, aí faz tudo ficar mais bonito.

Contratei várias duplas sertanejas, cantores bregas e que o povão gosta, e com nossa projeção em Goyaz movimentam a economia do Brazil todo. Viu o desfile na Sapucaí que beleza? Pra conquistar aquela homenagem não medimos esforços.

Diante isso, venho pedir encarecidamente que me ajude na Segurança de Goyaz. A verdade é que não dou conta de melhorar nada nessa área aqui. São tantos comissionados e empresários que tenho que atender, aí eu tento fazer programas mirabolantes sem obedecer a lei e insisto até que me proíbam. Já até coloquei o meu vice que vai ficar com o abacaxi pra descascar.

Aqui em Goyaz tenho partidos da sua base que fazem parte da minha. Essa é a maravilha da política: Podemos defender bandeiras diferentes e de unir por conveniência em qualquer tempo! Tenho um monte de gente chata aí no Congresso, dois delegados que fazem barulho contra seu governo, mas para compensar isso tirei deles a chance de serem candidatos a prefeito da nossa capital.

Confiando na empatia com Vossa Excelência, peço que me mande recursos, Exército, Marinha (temos muitos rios aqui que podem servir pra eles), Aeronáutica, BOPE, qualquer coisa para nos ajudar!

Atenciosamente

Coronel de Goyaz

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Problemas e mais problemas


Estamos cercados de problemas. De todas as ordens e sentidos, nos deparamos com situações difíceis de resolver. Porém, mais que nossos próprios problemas, estamos cercados de pessoas com problemas. Cada vida é um poço fundo onde cabem muitos problemas. E o que isso nos diz respeito?

Parece que cuidar dos nossos próprios problemas já é mais que suficiente, compartilhar o dos outros pode ir além de nossas forças. Mas será que de fato somos impossibilitados de ajudar a vários outros e tentar lidar com tantos problemas?

Para tudo temos profissionais indicados. Em nossa saúde temos médicos de todas as especialidades, que podem encaminhar para outros profissionais resolverem problemas específicos: psicólogos, terapeutas, fisioterapeutas, técnicos em diversas coisas, e por aí vai. Para problemas com a justiça temos advogados... Prestadores de serviços de várias modalidades, todos prontos para vender sua força de trabalho e resolver problemas.

Ao trabalharmos temos que enfrentar problemas, como nos deslocar para o local de serviço, enfrentando trânsito, pagando combustível caro, ou passagem em transporte coletivo lotado. Depois lidarmos com colegas indesejáveis, chefes muito rigorosos, sermos cobrados por resultados e se virar com o salário que recebemos para pagar todas as contas. São muitos problemas!

As pessoas parecem imãs para problemas. Quando paramos poucos minutos para ouvir alguém facilmente deparamos com uma cachoeira de problemas. Às vezes a pessoa não se abre, aí por terceiros ficamos sabendo que a vida dela está muito pior do que aparenta. Problemas que não estão no nosso cotidiano, mas que vemos estourar a corda de outro.

Não é nada fácil lidar com tantos problemas. Ninguém consegue resolver todos os problemas do mundo. Mas, pensemos em Jesus. Não foi exatamente o que ele fez? Que problema maior a humanidade teve que o pecado original? E Cristo veio como homem exatamente por isso: “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.” Isaías 53:5.

Uma vez pago o preço por nossos pecados, Jesus resolveu o maior de nossos problemas. Estamos como peregrinos em uma sociedade corrompida por esse pecado e não por não ter ouvido, crido e confessado Cristo como nosso Senhor e Salvador. Porém, em Deus temos nossa esperança: “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade.” Salmos 46:1.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Tudo o que é muito bom



Quando acordamos pela manhã, o dia sempre nos reserva boas surpresas. Mas não as surpresas do que faremos, de que pessoas que encontraremos ou as conversas que teremos. Todos os dias nós recebemos presentes especiais, e muitas vezes não os notamos.

Cada manhã inicia de um jeito, no contemplar do céu da alvorada, um desenho novo se forma do sol chegando, mesmo quando escondido por névoa, nuvens ou chuva. É totalmente imprevisível o que podemos ver se apenas pararmos um tempo para observar.

Igualmente é fantástico o fim de tarde. Cada paisagem que vemos em desenho dos raios solares se despedindo seja em meio a nuvens com céu límpido ou carregadas de chuva. Dá a sensação, ao ficarmos um tempo observando, que vemos um grande artista pintar um quadro inesquecível, com a diferença que nem vemos suas mãos.

 
Em um dia dessa semana, o presente foi muito especial. Com uma vista privilegiada logo ao sair da casa que estamos hospedados, eu e minha esposa deparamos com um belo arco-íris em seu arco completo, e commmais um menos nítido por cima. Cena de tirar o fôlego, não tão bem retratada na foto de celular.

Outro dia foi a mesma coisa, mas na viração do dia. Ao longe via um espetáculo de um feixe de sol entre nuvens, com chuva misturada. Do outro lado estava a lua, cheia, nem parecendo um satélite sem luz própria, porque absorve reflete muito bem a luz que recebe.

Mais privilegiados que o sol, as nuvens, a lua ou qualquer corpo espacial, somos nós, que em vida podemos desfrutar de tudo isso. Será que temos aproveitado? Relacionarmos com essa criação é uma experiência ímpar. E com o Criador? Como temos aproveitado? Um artista que pode sempre estar presente na apreciação da sua obra, e que a fez para estarmos juntos diante dessa grandeza.

Não importa o quanto respiremos um ar puro, nos retiremos da cidade grande para procurar paz e tranquilidade em ambientes naturais, de que vale ter tudo isso sem de fato amar e buscar quem nos deu nossa própria vida para ter a alegria de fazer parte desse plano perfeito? De onde tudo veio, encontramos muito mais!

“E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom.
Gênesis 1:31a

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um ano para aprender


2015 não tivemos muito que comemorar, seja como cidadãos goianienses, goianos ou brasileiros. Vivemos dias nebulosos, imprecisos e de difícil diagnóstico. A resposta que virou um lugar comum é que tudo é culpa da crise. Tem muito fundamento essa afirmação. Mas a crise maior que vivemos não é a econômica. É a crise moral, acompanhadas pela crise da falta de bom senso, a crise sem desconfiômetro, a crise que trás a desonestidade, a corrupção, a apatia. Todas imorais.

As eleições de 2014 tiveram uma conta alta demais. Ainda estamos pagando. Tanto o Brasil quanto Goiás fizeram das tripas o corpo inteiro para garantirem a reeleição de seus governos. Muitas baixarias, caixas 2, 3, 4 a perder de vista, financiamento de campanha de empresas que serão devidamente recompensadas com perdão, isenção fiscal e negociatas de licitações fraudulentas e muita mão lavando a outra. A imoralidade encontra muitas brechas na lei, e todas que são encontradas são preenchidas.

O governo Dilma vive a pior crise desde a era Lula, que começou (por ironia) 13 anos atrás. A bomba estourou nas primeiras investigações de corrupção na Petrobrás e os presos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal tiveram estilhaços que pegou todos os escalões do governo. Para a presidente sobrou uma conturbada abertura de processo de Impeachment, que por enquanto foi salvo pelo gongo do recesso de final de ano. A relação com o vice Michel Temer abalou, como sintoma do fiel da balança PMDB decidir sua vida no Congresso. 2016 ainda promete fortes capítulos nessa novela em que existe um “mar vermelho” para se atravessar.

Em Goiás a coisa não anda melhor. O “pacote de maldades” do governo veio maior que qualquer saco de papai Noel nesse fim de ano. Os servidores tem diversos benefícios cortados. Os Hospitais gerenciados por Organizações Sociais recebem alto investimento e realizam poucos atendimentos para o tamanho da demanda. CREDEQs e várias obras prometidas caminham a passos de lesma. O pagamento de IPVA é antecipado. A segurança que sempre é instrumento eleitoreiro assiste uma categoria desgastada e fazendo paralizações. A educação vê a implantação de três projetos levarem mais de 20 escolas a serem ocupadas por estudantes e apoiadores. Pra terminar, mais de 1 milhão é gasto para promover shows dos sertanejos Leonardo e Eduardo Costa, intitulado “Cabaré”, e da funkeira Anitta, que foi rebolar em evento para crianças da OVG.
 
Goiânia vê dias complicados na receita, crise política no rompimento do vice Agenor Mariano com o prefeito Paulo Garcia, obras inacabadas e em ritmo de tartaruga. Mesmo com um fôlego para pagar a folha e anunciar concursos, a insatisfação e conturbados momentos políticos afetam e muito o dia dia da população. Criminalidade e assassinatos aumentando nas ruas diariamente. Da promessa faraônica de 81 CMEIs em 2012 o prefeito entra no último ano muito longe dessa meta. Talvez ela estava em aberto e a intenção é dobrar...
 
O ano que passou deixou muitas lições. Como cidadãos, nossa responsabilidade aumenta diante de tantos fatos determinantes para passar tantos pontos a limpo. O combate a corrupção é a maior tarefa que temos para inibir o mau uso do dinheiro público. Com 1,5 milhão de assinaturas, o projeto 10 Medidas Contra a Corrupção pode virar lei. Faltam pouco menos de 300 mil. Acesse o site da campanha do Ministério Público Federal aqui e dê sua contribuição, assim como fiscalizar diariamente a vida de quem deve nos prestar contas.

sábado, 24 de outubro de 2015

De volta para o presente


Chegou o dia 21 de outubro de 2015, data prevista para a viagem no futuro lá nos anos 80, vivida pelos personagens Marty McFly e Dr. Emmett Brown na série de filmes “De volta para o Futuro” representado atores Michael J. Fox e Christopher Lloyd respectivamente. Diversas homenagens e comparações foram feitas para aquilo que o cinema idealizou e o que temos hoje. Eles acertaram muita coisa, e em outras estamos perto ou longe de ter, assim como surgiram outras que nem chegam perto do que foi sonhado lá atrás.

Em meio e a tudo isso tive um sonho bem interessante. Sonhei com esses caras vindo parar em Goiânia! Sim, minha querida terra que completa 82 anos nesse 24 de outubro. Como sou vizinho da Praça Cívica, ao centro da cidade, caminhava despreocupadamente quando avistei o DeLorean ao lado do Monumento das 3 Raças. Segue o diálogo após me apresentar para aqueles dois figuras.

- Como é que é? Viemos para no Brasil? Terra de Pelé! Vocês continuam jogando aquele bolão, como Seleção de 82? – perguntou Dr. Brown.

- Éeee...Não exatamente! Fomos pentacampeões, mas nosso time não anda lá essas coisas. A Alemanha ganhou de 7x1 na última Copa, que por acaso foi aqui....

- Eita! Mas vamos mudar o papo. Tou vendo umas arquiteturas que não parecem coisa de século XXI, estamos mesmo em 2015? - perguntou McFly.

- Sim, estamos. Nós temos orgulho em Goiânia de ter essa arquitetura de Arte Déco, como esse Palácio verde, que é sede do governo. Esse monumento ao lado simboliza o homem branco, o indígena e o negro, que já moravam aqui e ajudaram na construção da cidade.

- Uau, e os indígenas, como vivem hoje? Tenho muita curiosidade para saber sobre eles -  disse Dr. Brown.

- Não muito bem, muitos não possuem demarcação de suas terras e vivem com muita influência de nós da cidade, pegam nossas doenças que antes não pegavam, tem acesso difícil à educação e saúde e muitos são mortos, infelizmente. Os negros estão mais inseridos na identidade do brasileiro, mas ainda tem os que ficam em suas comunidades, chamadas de quilombolas, e os que tentam preservar sua cultura em várias cidades.

- Que triste! Eles mereciam tratamento melhor. Mas você nos leva pra dar uma volta na cidade? Quero muito saber as novidades que temos por aqui.

Então os conduzo pela Av. Goiás abaixo, eles ficam admirados com a beleza das ilhas e com o tanto de carro que passa. Passamos pela estátua da Praça do Bandeirante, e fico com medo de responder de quem se trata, ainda mais depois do que ouviram sobre os negros e os índios. Sorte que não perguntaram. Viram de longe o Estádio Olímpico e Centro de Excelência e pediram pra ir lá. Com vergonha respondo que não está pronto, mesmo sendo derrubado pra reforma desde o ano 2000. Chegamos na Praça do Trabalhador, eles pedem pra ver a Maria Fumaça de perto.

- Podemos dar um passeio nela? Seria fantástico! – pergunta McFly.

-Infelizmente não. Está desativada. Hoje o país muitos poucos trens em funcionamento.

- Mas como vocês transportam carga por esse país tão grande? Já inventaram transporte aéreo mais funcional? Até agora estive olhando para o céu e não vi nenhum! – disse o doutor.

- O transporte aéreo ainda é muito caro. Para passageiros ficou popular, mas os aeroportos com frequência ficam lotados e nos faz ter longas esperas, fazendo conexões pra todo lado.

- Que desperdício de tempo! Mas tem um transporte mais rápido por terra? – pergunta McFly.

- Pra cidade estão construindo na Avenida que passa aqui, tá vendo aquele monte de terra adiante? Pena que pra isso derrubaram muitas árvores.

- Por que não fizeram subterrâneo para poupar as pobres árvores e dar mais qualidade de vida pra vocês? – questiona Dr. Brown.

- Os custos são muito altos, mas teríamos condições sim, porém o que mais impede é a corrupção em todas as esferas da sociedade.

Depois disso continuamos o passeio. Sigo na Av. Independência até o Lago das Rosas. Eles se admiram com a beleza de lá, e perguntam o que mais tem pra ficar tudo cercado.

- Aqui também é o zoológico da cidade, várias espécies de animais estão aí, presas.

- Ainda com essa ideia de deixar os bichos presos no meio da cidade? Que sociedade burra a nossa! Por que não soltam eles no habitat natural, longe de nós? Eu desenvolveria uma realidade virtual que seria bem mais emocionante que ver eles desse jeito! – diz o doutor.

Percebo que McFly está chorando em silêncio. Ele viu uma mãe com bebê no colo sentada na calçada enquanto o marido com o filho pequeno ao lado pede dinheiro no sinal na Avenida Anhanguera.

Continuamos até o Setor Bueno, vão comentando várias coisas no caminho. Chegamos no Parque Vaca Brava. Eles ficam perguntando se não é perigoso alguns que andam de bicicleta em meio aos carros.

-É sim, estão fazendo ciclovias para se andar só de bicicleta. Mas ainda tem poucas e algumas em más condições.

- Pelo tanto de carro que temos visto aqui, acho que eles que tem prioridade. – acerta na mosca o Dr. Brown.

Tomamos uma água de côco por lá, depois fomos ao Shopping para tentar mostrar algo “moderno” para eles. Só chama atenção deles o celular touch screen e o tablet (vi um sorriso de satisfação no Dr. Brown de já ter inventado aquilo). No cinema 3D acharam legal, mas saíram com a sensação de que esperavam mais.

Seguimos o city tour pela T-63. Perguntam do monumento de lá e eu desconverso. Acho melhor levar eles pro Areião. Ficam encantados com os bambus e os macacos de lá, até que um deles rouba a pipoca de McFly.

Então fomos para o Parque Flamboyant, acho que enjoaram de parques, apesar de terem gostado, admiraram o tanto de prédio na região e ficaram incomodados com alguns sons alternativos e shows de duplas que haviam ouvido por lá e antes no Marista.

Resolvi levar eles pro Centro Cultural Oscar Niemayer. Muita gente andando de skate e patins. McFly ficou doido pra saber se já tinham inventado o skate que flutua. Ficou decepcionado que ainda não existem no mercado.

- O que funciona em cada prédio desse? - pergunta o doutor.

- Ali tem o Palácio da Música, tem shows muito bons, desde rock a música clássica.

- E aquele ali? – aponta para onde eu menos queria.

- Beeem, era pra ser uma Biblioteca, só que não foi liberada para uso, não suportaria o peso dos livros.

-Uai, mas aqui não leva o nome daquele famoso arquiteto, não foi o que projetou a capital? – diz, coçando a cabeleira.

- Sim, mas o projeto não é exatamente dele.

- Aaah...

Desconverso de novo e eles fazem menção de querer ir embora, não sem antes comer uma típica comida goiana, da qual apaixonaram, após serem orientados a não mascar o caroço do pequi.

Volto para deixá-los na máquina, e bem receoso pergunto o que acharam da cidade como um todo.

- Sabe, eu sempre dei valor a construção de grandes edifícios, de máquinas ultramodernas e invenções que ajudam o povo a viver melhor. Mas hoje estou mudando meu conceito. Acho que prefiro a simplicidade de um povo acolhedor, as belezas naturais iguais a que vocês tem sobrando aqui. Notei muita coisa ruim, fruto de irresponsabilidade principalmente das autoridades de vocês, mas o que tem de mais valor aqui é a identidade de vocês. Não percam esse jeito acolhedor e simples! Diz o doutor aplaudindo.

Já constrangido, olho para McFly e vejo novamente ele chorando.

- Cara, nunca imaginei que depois de tantos anos vocês iam conservar coisas tão bonitas mesmo com tanta maldade no mundo. O doutor tem razão, continuem assim! O maior tesouro de vocês está naquilo que receberam na natureza e no que são.

Me despedi dos novos amigos e caminho para casa com um turbilhão de coisas no pensamento. Mas as últimas palavras deles reverberaram muitas vezes. Que bom viver em 2015 e não perder valores que valem muito mais que qualquer coisa que o homem possa fazer!