Blog do Paullo Di Castro


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

E agora, carnaval?



              E agora, carnaval?
              A festa acabou,
              a luz desligou,
              o povo sumiu,
              a noite esfriou,
              e agora, carnaval?
              e agora, folião?
              você que é sem nome,
              que veste abadá,
              você que faz enredo,
              que pula, extravasa?
              e agora, carnaval?
              Está sem mulata,
              está sem bateria,
              está sem alegoria,
              já não pode beber,
              já não pode agarrar,
              dinheiro já não há,
              a noite esfriou,
              a quarta de cinzas chegou,
              o ritmo se perdeu,
              o riso acabou
              não veio a utopia
              e tudo se findou
              e tudo fugiu
              e tudo se guardou,
              e agora, carnaval?
              E agora, carnaval?
              Sua falsa alegria,
              seu instante de delírio,
              sua gula e bebedice,
              sua mídia,
              sua estampa de ouro,
              seu terno de purpurina,
              sua incoerência,
              sua tristeza - e agora?
              Com a bandeira no chão
              quer abrir a porta,
              não existe abre-alas;
              quer morrer na avenida,
              mas a avenida abriu;
              quer ir para a Sapucaí,
              Sapucaí não há mais.
              carnaval, e agora?
              Se você gritasse,
              se você caísse,
              se você tocasse
              o samba portelense,
              se você desmaiasse,
              se você cansasse,
              se você morresse...
              Mas você não morre,
              você é duro, carnaval!
              Sozinho sem apitos
              qual bicho-do-mato,
              sem desfiles,
              seu carro desmontado
              para se encostar,
              sem Globeleza
              que sambe a galope,
              você marcha, carnaval!
              carnaval, para onde?*
       
Após um período de férias, o Feira de Assuntos volta para ser espaço de opinião, reflexão, edificação e troca de idéias. Novidades no lay-out, ferramentas e conteúdos estão por vir. O blog, assim como muita coisa nesse país, volta agora, mas 2012 já começou com tudo, desde o primeiro dia de janeiro para os em sã consciência e de atitude, e espero que cada vez menos essa dita festa popular seja o divisor do calendário para dar início de fato a um novo ano. Enquanto essa mentalidade estiver na cabeça do brasileiro, as consequências dessa prevaricação irão ser cada vez mais prejudiciais. 


* Paráfrase do poema "E agora, José?" de Carlos Drummond de Andrade.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

2011



É comum em textos de final de ano as famosas listas de melhores ou piores, as retrospectivas pautadas por assuntos, os planos para o futuro traçados. As vezes privilegiamos acontecimento em detrimento à pessoas.

Decidi fazer algo diferente, tal como 2011 foi um ano intenso, de muitos desafios, alegrias e tristezas, e principalmente de pessoas sendo decisivas para mim, não pensei em nada melhor senão agradecer em poucas palavras cada personagem que me foi importante esse ano, infelizmente alguns ficarei em falta, mas o registro no meu coração está garantido.

Deus: Palavras são poucas pra expressar o amor supremo demonstrado por mim, mesmo vendo tanta apostasia, indiferença ao meu redor, fostes presente no meu viver, porque não há nada melhor que viver pra Ti!

Pai: Tantas lutas contra o parkinson e outros males, em meio a dores vejo a mesma alegria de viver, a escrita afiada e a luta pelo melhor futuro da família. Mesmo eu fazendo pouco, te amo muito!;

Mãe: Encerrastes o ciclo de dedicação total pra vovó, o maior amor de filha que poderia presenciar, segue na luta para cuidar do nosso lar, despejando amor e dedicação que só uma mãe sabe dar;

Vovó: A despedida foi um misto de sensações, da saudade, do dever cumprido, e da gratidão a Deus por todo o tempo que deixaste essa maravilhosa criatura ao nosso lado. Amor para sempre;

Polliana: Feliz de te ver na luta no quadrado federal, trabalhando em um órgão tão importante, me passando tanto conteúdo bom. Agradeço, me desculpe qualquer coisa, te amo muito!;

Priscilla: Foi bom ver dedicação à vovó e nossos pais, a reforma da sua casa e a vinda do mais novo membro da família. Creio que a realização de muitos sonhos seus estão por vir. Te amo demais!;

João Marcos: Você me surpreende com inteligência, com as descobertas e todas as melhores coisas de ser criança, e crescer em estatura e graça perante Deus. Te amo, pequeno grandão;

Dori: Cuidar tão bem da minha irmã e meu(s) sobrinhos me faz ter gratidão e apreço por sua vida. Deus te fortaça pra continuar chefeando sua casa com maestria. Valeu!;

Neura: Ter alguém como você preenche grandemente em nossa família, tanta presteza para acompanhar meus avós em tantos anos, e continuar te tendo ao nosso lado é muito especial;

Mayara: Você chegou de mansinho, ou eu me aproximei devagarinho, o fato é que sua presença me faz muitíssimo bem, sonhar ao seu lado faz tudo se realizar de maneira mais especial. Amo você!;

Flecha: Mesmo correndo igual uma Flecha (rs), ter sua amizade é sempre fundamental, mais que música, pit-dog, ou jogar conversa fora, contar contigo faz a vida ser melhor, te amo, cara!;

Vinícius (serve pra Jú também! rs), andar com você(s) é sempre um privilégio, gente que quero levar pra sempre no coração, e ao lado, representam inspiração e alegria. Amo vocês!;

Família S142: João Pedro, André Demori, Arthur Moisés, Rodrigo Soucedo (Daniela): Muito mais que fazer som, obrigado pela amizade, as estradas, as trelas e tudo mais, vocês são rock'n roll!;

Pastores: Eurípedes, Beny, DJ, Antônio Paulo, Renato, Erickson, Burjack, Artur, Ricardo Salém;

Tchurma da MPC: Susi, Fabrício, Moraes, Karine, Raul, Rafaela, Welson, Gabriela, Sarah, Nathália, Eugênio, Dilma, Issac, Alex, Fabrício, galerinha das escolas e demais voluntários, conselho;

Igrejas: Maranatha, Central, Bethânia (Jataí);

IPVida: Elisandra, Edvani, Anselmo, Thays, Vilma, Viviane, Róbson, Helen, Marco, Cristiane, Alexandre, Rafaely, Isac;

Touch: Marcos Vinícius, André Luiz, Joana;

Prosa e Canto: Betão, Márcia, Rubão, Simone, Lu e Dread Zion, Rogério, Léo Barbosa. PróHumanos, Carlinhos Veiga, Josimar Bianchi;

Amigos de madrugadas, viagens, varejos e furadas: Caio Guimarães, Thiago Bittencourt, Felipe Roxo, Emilio Mota (Samira), Vittor Brunno (Susie), Wendel, Moacir;

Bandas: Restaura, Black Drummer Band, Expresso Luz, TES, Thape, Ministério Aliança;

Amigos saudosos da FARA: Sarah, Hidley, Laryssa, Patrícia P, Patrícia R, Adolair, Laura, Johnthan, Danilla, Pedro, Diêgo, Luciléia, Priscylla, Jaine, Cláudia, Brunna e os mestres queridos;

Amigos em distâncias físicas: Júlio César (Andréia), Priscila V, Tâmara, Roberta, Rodrigo Franklin, Gabriel (Gláucia), Talita, Joshua (Brooke), Leozinho, Júnior, Saulo (Daniela);

Colegas de ofício: Elizeth Araújo, Thiago Marques, Vassil Oliveira, Altair Tavares, Eduardo Sartorato, Rafhael Borges, Luís Gustavo, Tetê Ribeiro, Soila Steter, Honória Dietz;

Amigos das redes sociais, especialmente twitter, facebook e os sobreviventes do orkut! rs.

Sim, deixei de citar um monte de gente, alguns me inspiram de longe, celebridades e anônimos, políticos, pastores, atletas, músicos, jornalistas, escritores, pensadores, alienadores, outros me afetam mais de perto; todos me completam, me fazem um ser humano mais relacional, menos superficial e mais emotivo, ou racional. Que em 2012 mantenha todos esses contatos e agregue mais outros.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Um menino

Era uma vez um menino chamado Emanuel. Ele era um menino comum, brincava como todos os outros, obedecia seus pais, os ajudava em tudo que podia, já que eram de família muito humilde, quando nasceu, mesmo tendo ganhado alguns presentes, não tinha nenhuma estrutura no local improvisado, mas veio ao mundo em meio a adversidades, para ser instrumento de amor.

Ele cresceu mostrando grande sabedoria, sentava em rodas com doutores e lhes ensinava muitas coisas, questionava outras também, deixando todos muito impressionados. Os pais também ficavam as vezes sem entender o prodígio que era aquela criança. Logo foi aprender a profissão do pai, o que também desempenhava com grande talento.

Imagina ter um amigo de infância assim? Em nenhum momento ia te colocar pra baixo, e nem dar mostras de orgulho ou soberba, de esnobe ele não tinha nada, ia ser pura diversão brincar, aprender e se divertir ao lado dessa pessoa especial. Cada aniversário dele com certeza a festa é grande, e hoje, mais de dois mil anos depois, continua sendo.

Esse menino ao ficar adulto faria coisas em três anos que mudaria a história da humanidade pra sempre. Simplesmente porque foi a prova viva do maior amor do mundo, mandado por seu Pai, não aquele carpinteiro que o criou aqui, mas o que o mandou do céu, o fez ser homem, esvaziar de toda a sua glória, pra descer e passar pelas mesmas limitações de todo o homem.

Sim, esse menino é Jesus Cristo, o filho de Deus, Emanuel é só um de seus nomes, que representa Deus conosco, buscando intimidade e uma caminhada sadia e amável ao nosso lado. Em todo o fim de ano paramos pra lembrar um pouco desse nascimento, que dividiu o calendário e marcou a Nova Aliança de Deus com seu povo. Um resgate eterno!

Essa data não é definitiva e concreta sobre o nascimento de Jesus, mas simboliza esse momento ímpar, em que Deus se fez homem e habitou entre nós, vindo a pagar o preço por nossos pecados, derramando seu sangue em uma cruz. Mais que qualquer tradição de festas, reuniões de família, presentes, felicitações, tudo isso pode ser bom, mas o que importa é centrar na figura de Cristo, a razão da nossa existência, o autor e consumador da nossa fé.

A Ele toda honra e glória!


Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.“
Isaías 9:6

domingo, 18 de dezembro de 2011

Promessas e realidades


No último domingo, o Brasil parou para um evento com cheiro de novidade, nas proporções que foi e na vitrine que se apresentou. Ver a Rede Globo começar a programação da tarde transmitindo um festival com vários cantores cristãos trouxe um fator inédito que acarretou diversas discussões entre os evangélicos e demais. 18 pontos no IBOPE e muito falatório nas redes sociais.

Em duas pontas se via claramente posicionamentos de vibração pelo feito, e de condenação. Prefiro o caminho de ponderação, não ficar em cima do muro, mas enaltecer os prós e contras que observei acompanhando a transmissão e os comentários em blogs, twitter e facebook. 

Confesso que estava com os dois pés atrás antes de começar, imaginando que seria um típico "showzão gospel", cheio de pirotecnias pra animar auditório (no caso, um público muito maior). Tive boas surpresas, assim como incômodos pela exposição por vezes equivocada da palavra de Deus. Não entro no mérito de nenhum dos artistas convidados, todos podem ser instrumentos precisos de propagação do evangelho, mesmo com teologias equivocadas

Interesse comercial da Globo? Não existe nada mais óbvio, não poderia ser diferente. Isso já começou a um tempo investindo no famigerado mercado de vendas de CD's através da Som Livre, um simples pesquisa mostra o potencial consumidor do público em questão. Um evento assim não é nada mais que um passo estratégico para pegar mais fatias do bolo. Os anúncios da Igreja Fonte da Vida e de Silas Malafaia no intervalo mostram a grandeza dessa roda econômica.

E onde está o evangelho, muitas vezes cobrados por alguns como o puro e simples? Ele existe. E pra mim apareceu com clareza no fechamento do festival, quando todos os participantes se reuniram pra cantar a belíssima canção "Alto Preço", de Asaph Borba. A letra fala por si, leia cada verso e reflita bem essa mensagem: 

Eu sei que foi pago um alto preço
Para que contigo eu fosse um meu irmão
Quando Jesus derramou sua vida
Ele pensava em ti, Ele pensava em mim,
Pensava em nós 
 
E nos via redimidos por seu sangue
Lutando o bom combate do Senhor
Lado a lado trabalhando, sua Igreja edificando
E rompendo as barreiras pelo amor.
 

E na força do Espírito Santo nós proclamamos aqui
Que pagaremos o preço de sermos um só coração no Senhor
E por mais que as trevas militem e nos tentem separar
Com nosso olhos em Cristo, unidos iremos andar. 

Isso é um compromisso de vida, de caminhar com Cristo e uns com os outros, ambos extremamente desafiadores, o que reflete inteiramente na mensagem da cruz. Quem está disposto a pagar esse preço? O de Jesus foi infinitamente maior. Pode ser utópico pensar que isso penetrou no coração da maioria que assistiu, mas se uma só alma foi salva, já valeu a pena, se alguns cegaram com distorções da palavra de Deus, lamentável, e que cada um firme na essência do amor de Deus, seja ele pregado para multidões, ou nos simples gestos dos "pequenos cristos." Retendo o que é bom, fiquemos com o evangelho.
Ele respondeu: " ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’".
Lucas 10:27

"Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’".
Lucas 10:27
Ele respondeu: " ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’".
Lucas 10:27

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Feitos um para o outro, e ambos para o poder!


Na história vemos algumas duplas que causam ojeriza no cidadão de bem, mais recentemente temos George Bush e Colin Powell, que comandaram a maior potência do mundo em anos de ofensiva a países do Oriente Médio, derrubando ditadores, mas passando por cima do que quer que fosse obstáculo, inclusive civis. Agora, em gravidade menor, vemos outra tabelinha perigosa se concretizar no futebol brasileiro, o rei absoluto Ricardo Teixeira acaba de nomear como príncipe herdeiro o presidente do Corinthians, Andrés Sanches. Sujo com o mal lavado.

A união que começou oculta, transpareceu ano passado, com o cargo dado ao corinthiano de chefe da delegação brasileira na Copa, o que antes era comum a presidente de Federações, não de clubes. Tiveram inúmeros conchavos ao longo do ano, agora chegou ao ponto real de escancarar-se uma das mais instigantes parcerias na entidade máxima do futebol. Em 25 anos no poder, Teixeira nunca havia aproximado tanto outro mandatário para o seu lado.

Agora com 20 dias pra deixar o comando do Corinthias, após 4 anos de muitas polêmicas, principalmente no caso Itaquerão, Sanches ganha o cargo inventado de Diretor de Seleções, tendo o controle absoluto desde o sub-15 até a principal, inclusive dando a palavra sobre os treinadores. Um cartola fazer isso no clube é normal, agora na seleção? Isso competia até então a ex-jogadores e treinadores com vivência em campo, o corinthiano tem perfil pra isso?

Não é uma questão de perfil, claramente a aliança política leva inúmero benefícios pra ambos, como já foi com a construção do novo estádio, na manobra gigante pra tirar a sede da Copa do Morumbi. E olha que Sanches já é treinado para ser postulante, afinal, entrou no lugar de Alberto Dualibi, outro mandatário que criou raízes no comando do alvinegro paulista. Agora na CBF, tudo indica prepara-se para assumir o cargo de Teixeira após a Copa de 2014, quando conseguirão grandes objetivos pessoais. A falta de caráter de Teixeira o Brasil já conhece, como se observa na brilhate reportagem da revista Piauí, e agora, alguém duvida que Andrés Sanches é farinha do mesmo saco?

Não importa o clube que ele dirige hoje, a facilitação conseguida nas negociatas mostram as intenções dos caciques do futebol brasileiro. Vale lembrar que Andrés também articulou com vigor retirar o controle do Clube dos 13 e negociar com a Globo livremente os pacotes de transmissão. O campeonato brasileiro está nas mãos do Corinthians, porém o título é um mero detalhe para o final do mandato de seu presidente, ele já conseguiu muito mais que um grande ambicioso pode almejar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada!"

Ocupou lugar de destaque nos noticiários nos últimos dias, capítulos tristes de conflitos entre alunos da maior Universidade pública do Brasil, a USP, contra a reitoria, a polícia, o governo, uma mistura de segmentos organizados e de aproveitadores em todas as esferas. Violência se confundia nos propósitos e abordagens. A ocupação da reitoria que terminou na prisão de 70 alunos nessa terça-feira deixou uma pergunta, por que causa realmente eles lutavam?

Três estudantes de Geografia pegos fumando maconha no estacionamento, realmente não aparenta ser o agravante de toda essa balbúrdia, mas levantou alguns pontos relevantes. A presença da Polícia Militar no Campus se faz necessária. Imagine uma cidade universitária do porte da USP, com seus milhares de alunos circulando o dia todo, gente de várias índoles. Mesmo sendo uma elite acadêmica, a aglomeração dessa proporção sem um controle razoável de segurança é mais que imprudente.

O fator de droga ilícita é um buraco mais fundo. Todos sabem da presença dela nos corredores, bares, bosques, e vários ambientes dentro e nos arredores de uma Universidade. O ato de uma autoridade flagrar o consumo, nada mais é que o cumprir a lei do nosso país, que não dá direito a um chilique, muito menos a uma manifestação que ocupe a reitoria e paralise várias atividades. Abuso da polícia ao meu ver não existiu, mas continua sendo um ponto delicado a abordagem e repreensão dentro de um ambiente de ensino. Exige-se investimento e muito preparo das autoridades.

A representatividade de movimentos estudantis hoje é uma piada. Não entrando no mérito da UNE, acomodadíssima nos anos que o PT ocupa a presidência, me lembra de um exemplo prático relatado em uma reportagem da revista Piauí de outubro. O ministro da Educação, Fernando Haddad, estava em Curitiba, saindo de uma reunião a caminho de pegar um avião para Porto Alegre. Vários estudantes o abordaram, agrediram o veículo. Questionado sobre as reivindicações, e quem era a liderança do "protesto", não houve resposta concreta, tudo era vazio e sem propósito. Isso é militância pela educação?

Triste ver a que ponto chega um movimento tão vazio ideologicamente e sem fundamentos conscistentes. Os desafios enormes que já passam a educação no país em seus níveis básicos, ainda precisa voltar os olhos para um monte de mentes que já deveriam ter criado juízo a muito tempo, e aparecem em mídia nacional da forma mais exdrúxula, lutando pelo nada, que em nada irá beneficiar a eles mesmos. Depredando patrimônio público, feito para eles usufruírem, com certeza não se produzirá ações que atendam a um pseudo interesse de uma minoria.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Amor por Goiânia


Quem me conhece sabe do meu amor sincero, declarado, orgulhoso e de apego a cidade princesa do Planalto Central. Goiânia para mim não é só o lugar onde nasci, onde vivi toda minha vida, mas sempre será minha referência e meu lar do coração. Já falei das potencialidades dessa metrópole interiorana aqui, hoje queria dedicar a puxar um pouco de algumas minhas melhores memórias sobre quase três décadas nesse recanto moderno sem par.

Morava atrás do Correio Central, de fundo à Praça Cívica, ia lá brincar nas estátuas das 3 raças, assistir inúmeros desfiles cívicos que subiam a Avenida Tocantins, as posses de governo, cantatas de natal, shows gratuitos, a brinquedoteca da Biblioteca Municipal, tudo era festa pra um menino que se sentia o mais privilegiado geograficamente do mundo. Um dia, bem pequeno ainda disse a meus pais - Eu moro no centro do universo, (visão terrocentrista, rs), no centro da América do Sul, no centro do Brasil, no centro de Goiás, no centro de Goiânia, e meu quarto ainda é no centro do apartamento! kkkkkkk

Quando criança a Feira Hyppie se montava nas ilhas centrais da Avenida Goiás, era um carnaval de barracas azuis,  nunca gostei de feiras, a melhor lembrança não era delas, mas de coisas simples como as badaladas do relógio da Catedral, a arte déco, que mesmo antes de restaurações já embelezavam o centro, do comércio arrochado que parecia servir com exclusividades integralmente aos "poucos" afortunados" que moravam em um lugar tão privilegiado. Os peregrinos que iam lá só pra resolver a vida não aproveitavam como nós, moradores.

O Bosque dos Buritis, o chamava de meu quintal, lá estudei no Centro Livre de Artes, ia alimentar os peixes, andar por cada estradinha e trilheiro daquele recanto, nos dois lagos principais, andei de skate no estacionamento do Museu de Artes, acompanhava meus avós em caminhadas lá. Quem disse que criança de cidade grande não tem infância, é porque não sabe o que um paraíso verde em meio aos emaranhados urbanos pode fazer a um menino.

O Multirama era o point certo para brincar até falar chega, quando menor os cavalinhos de carrossel,  o trenzinho já faziam toda a alegria, a medida que crescia, ia preferindo me sentir o motorista mais poderoso em um carrinho de bate-bate, descer no tobogã, morrer de medo no trem fantasma, radicalizar na montanha russa simplíssima, que pra mim já era grande. o Zoológico, bem cuidado e sem mortalidade de animais, também era um programa que toda criança amava.

Idas ao Serra Dourada com meu pai eram experiências que só quem passou sabe a emoção de ver seu time entrar em campo, empurrado por aquela torcida de massa, em uma época que não existia pay-per-view, nem a procrastinação da cartolagem com o nosso futebol, e famílias iam ao campo sem medo, certo que era um ótimo programa, principalmente quando saia de lá vendo uma vitória fantástica.

Passear no Flamboyant era luxo, sair de lá com presentes momento raro, lanchar no McDonalds era ápice do consumo, ir ao cinema um feito extravagante. A vida podia ser apertada, mas felicidades como frequentar um clube no lugar mais longe possível, o Itanhangá, precisava pegar o ônibus, parar no ponto final e caminhar muitos metros pra chegar lá. Mas correr e nadar livre, brincar com minhas irmãs e fazer aquele programa de pai e filho era inesquecível.

Rotina de ir pra escola, pra igreja, tudo perto, acessível, compunham o cenário pra se gostar tanto daquele lugar e dessa cidade. Hoje muita coisa mudou, a cidade inchou demais, ganhou belezas maiores, habitantes de todas as partes do Brasil e várias do mundo. Mas nunca perdeu esse charme e jeito de ser fantástica, acolhedora, arborizada, tão próxima da capital federal, de águas quentes, de santuários ecológicos, confecções e tantos recursos naturais, humanos e estruturais, e com muito a crescer, a atender a demanda, diminuir as desigualdades, dentre muitos outros. Com garra, vontade política e popular, muito se pode ainda melhorar. Posso não morar aqui a vida toda, mas Goiânia não deixa meu coração jamais.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Fui mordido pela maça


Eu não tenho nenhum produto da Apple, mas isso não me faz imune a influência que trouxe essa marca para todo o mundo, pelo contrário, os que tenho, com certeza chegaram ao mercado impulsionados pelo caminho que esse gênio da tecnologia abriu. A marca que virou sua empresa, uma grife cobiçadíssima, não só por afccionados por novidades digitais, mas por qualquer mortal que saiba ter qualquer curiosidade e bom gosto sobre o facinante mundo tecnológico.

A Pixar, parceria de Steve Jobs com Steven Spilberg, também levou às salas de cinemas um novo conceito de animações, abrindo o leque do público infantil para todas as idades, quem não queria apenas ver os desenhos serem animados e contar uma historinha, se prendia na estética e nos efeitos impensáveis em um passado recente, tudo mudado agora por um empurrão dessa mente brilhante.

Mas o fato é que o mundo da maçanzinha mordida fez história e continuará fortíssima por muitos anos. Com várias idas e vindas no posicionamento de marcado da empresa, a grande guinada foi na virada do século, enfrentando um império conquistado pela Microsoft nos anos 90, onde Bill Gates reinava absoluto, e viu seu ex-sócio trazer novidades que seus produtos deixavam a desejar, sem dúvidas a maior inovação deles foi a portabilidade.

Quem já não viu um amigo ou colega chegar eufórico exibindo seu novo iPhone, que faz de tudo até ligar! Ou veio com aquele foninho cantarolando alguma das milhares de músicas que ele tem em seu iPod. Ou não viu aquele iPad fazer o seu livro parecer a coisa mais obsoleta do mundo? Você só se perguntando - Quando eu vou ter um desses? As vezes você não possui realmente acesso a essas maravilhas, mas a guerra que faz a concorrência oferecer produtos similares mais acessíveis te fazem não ficar tão por fora, mas de qualquer jeito, Apple é Apple, como já refleti aqui.

Com tantas realizações, inovações, designs maravilhosos e desafios à modernidade, Steve Jobs em 56 anos deixou um grande legado para a humanidade, não vale a pena falar de sua debilidade física dos últimos anos, justo em momentos de maior acirramento no mercado, o comandante dessa grande revolução descansou, deixando pra trás sonhos e desafios cada vez maiores para todos. Com tudo isso, independente de ter um aparelho que tenha aquela fruta, fui mordido por essa maça.

" Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa, ir para cama toda noite dizendo que fizemos algo maravilhoso, isso é o que importa para mim."
Steve Jobs

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Rock in Sofá

E foi-se o primeiro fim de semana do Rock in Rio, que pra mim bem que poderia ter sido o único, trocando umas atrações da geração 2000 MTV. Alguns momentos realmente dava vontade de estar lá, naquela multidão imensa sentindo os amplificadores penetrar nos seus ouvidos, com todo aquele cenário megalomaníaco, mas, mesmo longe dos 40, o melhor programa ainda parece acompanhar tudo do sofá.

Nem fiz questão de me programar pra ver os shows que queria. O que foi legal é que nos dois horários que não me impediram de fazer absolutamente nada no meu fim de semana: o fim de tarde e o fim de noite/madrugada, já rolavam os shows que mais queria ver, a única coisa que deixei de fazer pra assistir foi dormir o necessário. Mas o que são umas horinhas de sono pra se ouvir um momento único daquelas bandas que estão no seu playlist desde que você se entende por gente?

Começou a festa na sexta-feira, passei o ouvido por uns encontros no palco Sunset que absolutamente não me agradaram. Mas logo pra compensar vi mais uma vez a união das duas das bandas brasucas que mais devo ter ouvido na vida: Paralamas e Titãs. O show em si não era muita novidade, visto que já fizeram turnês juntos, tanto que já os vi em Goiânia, mas a emoção de dois repertórios que só tem hits juntos, Hebert se revezando com Miklos, Britto e Branco, além das duas bateras quebrarem tudo, acompanhado dos metais, e com uma novidade agora: a Orquestra Sinfônica Brasileira deu um colorido a mais aos repertórios das bandas. Quanto às "estrelas" da noite, Katty Perry, Rihanna e Elton John (respeito mas não gosto)? Próximo dia, por favor!

O segundo dia pra mim só se resumia em em quatro palavras, abreviadas por RHCP, mas ainda tive a surpresa de ver a Nação Zumbi, que estavam meio sumidos, colocar o mangue pesado de Recife em evidência, com Tulipa Ruiz de brinde. Assisti a um pouco do Stone Sour e nem lembrava que Mike Portnoy tava tocando com os caras, depois vi alguma coisa do Snow Patrol. Mas a noite já bastava pra conferir o Red Hot Chili Peppers. Flea pra varia usando camisa da seleção, calça rosa (melhor que só cueca), e claro, tocando o baixo como se fosse a última coisa que faria na vida, Chad Smith com os grooves precisos de sempre, e com uma batera de acrílico lindíssima. Anthony parecia bem centrado, e o guitar novato Josh Klinghoffer não é um Fruciante nem um Navarro, mas tem luz própria, só da banda não tocar tão chapada como foi em 2001 já foi ótimo, que showzaço!

O terceiro dia é aquele que honra o nome do festival, apesar de terem uns arranjos injustos, como bem lembrou Bruno Medina aqui, a noite prometia lavar a alma de quem se indignou com as atrações enlatadas do festival. no fim da tarde acompanhei o Angra chover a muralha de guitarras, e ter a presença quase inusitada de Tarja, ex-Nightwish, quem conhece seu vocal diferenciado, sabia o que esperar, mas não se esperava era a limitação de Edu Falashi, que com quase unanimidade de opiniões nas redes sociais, cantou muito mal, mas até compensou em alguns sucessos clássicos. Queria até ver o Sepultura, mas nem perdi muito, depois deu pra acompanhar um pouco do Motörhead, Lemmy sempre o ogro mais rock'n roll que eu já vi, power trio cruzão, sem frescuras, impossível não lembrar a decepção do show deles cancelado em Goiânia.

Coheed and Cambria e Glória vi pouca coisa, fora a curiosidade de ver Eloy Casagrande nem me interessava, quando começou o Slipknot, fiquei meio paralisado, parei de ficar vendo os outros comentários na net e trocando PC e TV e concentrei no espetáculo trash, brutal e inventivo dos mascarados. Não é som pra se ouvir com crianças, com certeza, mas tentar entender a concepção musical dos caras é no mínimo interessante. Depois de ver a batera rodopiar de todas as formas, fogos e sangue, um intervalo de atraso que só não foi estressante pelo que acabava de ver.

O Metallica finalmente entrou no palco e cumpriu a risca todas as expectativas. Uma carreira como a deles permite um repertório que parece até rápido tal a vibração que impõe aos amantes do metal, e olha que foi o show mais longo. Não são mais os mesmo mocinhos dos anos 80 e 90, mas a energia continua lá em cima. A banda se destaca pelo coletivo, o líder imponente e os outros "disciplinados", o batera Lars Urich, muito bom de papo, faz o arroz com feijão, e deixa uma sensação que a banda poderia ser melhor servida, mas quem ousa contestar o seu papel na história do Metallica? Deixa o enjoado lá.

Valeu a audiência, aguentar os repórteres da Globo batendo cabeça por falta de informação, o som sofrido que retransmitiam os shows, mas tudo isso de graça no seu sofá, não dá muito pra reclamar. O próximo fim de semana não merece a mesma atenção que esse, mesmo com Steve Wonder, Jamiroquai, System of a Down e até o Coldplay destoando dos demais, é muita porcaria junta pra gente considerar um Rock in Rio de verdade. Melhor esperar o SWU!

sábado, 10 de setembro de 2011

Brasil do 7, do 11, do 21, de todos setembros


Parece que sempre temos pautas inevitáveis em certos períodos do ano, seja por fenômenos da natureza, por datas de acontecimentos marcantes, por feriados ou ocasiões meramente comemorativas que são o filão para o comércio vender uma imagem em cima de um sentimento específico. Tudo como uma grande roda-viva que se diferencia pelas peculiaridades que um dia após o outro pode trazer.

Não quero falar de 11 de setembro, chega! Cansei, passou, lições foram aprendidas, egos foram feridos e vidas sacrificadas. Também prefiro não citar enchentes no sul, tantas cidades alagadas, casas com tudo dentro perdido, famílias se amontoando em ginásios. A necessidade de mobilização, solidariedade, chega tímida, não mais que as providências das autoridades. Igualmente não falarei sobre seca, meio ambiente castigado, os problemas respiratórios, dificuldades com a escassez do elemento água, a chuva que um dia finalmente virá.

Falar de Brasília? Pior ainda! Lembrar que o projetista daquela perfeição arquitetônica com mais de um centenário de vida concluiu que deveria ter feito um camburão em vez de um avião no traçado, para assim abrigar a espécie de representantes do povo naquele lugar, que usam como pinico um vaso de flores. Precisa falar mais sobre peculato, propina, uso inadequado do dinheiro público? A informação já chegou! A mudança, não.

E o futebol? Não era nossa menina dos olhos, uma seleção imbatível, com craques disputados nas mais altas cifras dos mercados da bola? Onde está a soberania? Ficou em algum gramado europeu, na crava da chuteira de jogadores que sequer pisam no Brasil. Foi usada como concreto para reformar algum estádio para a Copa de 2014? Onde está a transparência, as prestações de contas das licitações ? E as contas do presidente vitalício da CBF, quem tem cacife para derrubá-lo?

Olha que ficamos só nos nossos problemas, e se formos servir de colo para o Egito e a Líbia? Que palavra de esperança temos pra eles, vindos de um país emergente em pós regime ditatorial que custa tanto a aprender andar nos passos democracia? Viramos um modelo de como não fazer? Ou recomendamos que entrem no falido método socialista do vizinho Hugo Chavez e da ilha de Fidel?

No meio disso tempos que dar espaço para diversidade sexual, para a religiosidade partidária, para direito disso, daquilo, do segmento x, da representatividade y. Onde estão nossas prioridades? Morrendo nas filas de pacientes vítimas da negligência do atendimento de saúde público? Ou esquecidas e sem o aparato para se receber educação digna?
É fato que datas como a Independência do Brasil, tenha o valor titular que tiver, ou o atentado às torres gêmeas de Nova York, mexem com o brio de todos. Paramos para pensar na vulnerabilidade do ser humano, e a dificuldade de se impor diante dos desafios inesperados, ou aqueles ao qual nunca estamos prontos. Como brasileiro, resta não virar as costas para as duras realidades que nos rodeiam, e deixar de ser apenas indignado, perplexo para ser agente de mudanças sociais profundas, sempre mais fáceis no discurso que na ação.