Blog do Paullo Di Castro


sábado, 23 de julho de 2011

Reabilitação?! Ela disse: Não, não, não!


Sim, o assunto é intensamente explorado pela mídia, em proporções provavelmente parecidas com a morte de Michael Jackson (guardando as devidas proporções de ambas as carreiras - musicais, é bom que se diga!), o velório é que com certeza será bem diferente do mito da música pop, aqui as histórias pra se contar serão bem menores, mas as análises da importância artística da passagem de Amy Winehouse por esse mundo já são suficientes pra muito pano pra manga.

É claro que lugares comuns são inevitáveis essa hora, visto a intensidade absurda que viveu essa jovem, com certeza no pior sentido pessoal. Seu casamento com Blake Fielder-Civil foi na literalidade do sexo, drogas e rock' n roll, necessariamente o segundo termo bem mais frequente que os outros dois. Isso foi o pano de fundo para se esconder a relevância do que fazia de melhor: cantar com o potencial de uma negra autêntica na escola americana dos subgêneros criados por essa cultura.

Mas a figura apática, magra e de total descuido da imagem contrastavam com o poder que teria sóbria em um palco. Mas vê-la de cara limpa era a mais difícil das coisas, acompanhada por uma super banda, com figurinos, maquilagem e todo um clima retrô, o que precisava era soltar o vozeirão do início ao fim de um show, e isso raramente acontecia. Perdia-se a chance de não só abrir caminhos para se consolidar uma concepção musical diferenciada, mas sim para mais páginas policiais e perplexidades com os excessos alucinógenos.

Resgata-se o que seria a “idade maldita do rock” ou de ídolos musicais que marcaram épocas, cada um deixou esse mundo aos 27 anos (pasmem, eu tenho essa idade!): Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain. Todos mudaram padrões e foram figuras épicas, cada um ao seu tempo e estilo. Mais que um numeral de anuidade, o que fica é a vulnerabilidade que todos se deixaram expor ainda tão jovens.

Não adianta muito fazer juízo de valor sobre como e porque mais uma celebridade da música faleceu, os fatos (a se confirmarem, e a maioria são muito claros), falam por si só. O legado foi pequeno, poderia ser muito maior, ao mesmo tempo em que se poderia cair no ostracismo, e a pessoa em vida deixar os holofotes e se trancafiar em casas de recuperação e em lugares inóspitos. Qual é a diferença? A vida, tão somente a vida!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Geraldina Celestina Guimarães


Foram 95 anos, 8 meses e 12 dias. Desde a Fazenda Sapé, às margens do rio Verdinho, no sudoeste de Goiás, passando por cidades goianas e também em Minas, até Jataí, lugar que consolidou como seu lar, ao lado de seu esposo Osório José Guimarães, bravo servo de Deus, marido, pai, avó e profissional, que foi chamado por Deus em 25 de março de 1997. 


De lá pra cá, Geraldina prosseguia, bravamente, mesmo com as limitações físicas que agravavam, coordenava o seu recanto, situado na Rua Riachuelo, nº 1381, no meio da cidade do mel, em frente ao Instituto Presbiteriano Samuel Graham, fundado pelos americanos que semearam o evangelho na cidade.


Por muitos anos, seu ministério foi o da evangelização, através da distribuição de panfletos, e da revista  devocional No Cenáculo, a qual sempre usou para o culto doméstico na família. Dona Geraldina também serviu por mais de 50 anos na Sociedade Auxiliadora Feminina, da Igreja Presbiteriana do Brasil.


Habilidades manuais  não lhe faltavam, desde o tear, até a confecção de doces caseiros, tudo passava pelo seu crivo, e contemplava com qualidade a vários outros. O movimento frenético em sua residência era sempre correspondido com uma mão estendida, seja para doar roupas, alimentar ou um breve cumprimento, completado por seu sorriso doce e angelical.


O prazer de receber e fazer visitas era imensurável, uma simples troca de olhares, já virava um animado diálogo, muitas vezes acompanhado de um convite para uma leitura edificante da palavra de Deus. Seu carisma quebrava o mais duro dos corações, qua viam que o amor ali compartilhado era maior que a frieza de qualquer indiferença humana.


Geraldina foi um presente de Deus a todos que tiveram o privilégio dessa convivência, de uma pequenina guerreira, de alma gigante. Deus pai, que a manteve entre nós, agora a levou, ao gozo de seu paraíso celeste. Após a vitória das Boda de Diamante com Osório, agora às margens do centenário, completa a sua carreira terrena, para brilhar mais ainda na eternidade.


Gratos a todos os amigos, e seus familiares que aqui ficam: 
Filhos: Jair, Wandir, Terezinha e Neura;
Netos: Alexandra, Carlos Alberto, Lurana, Larissa, Telma, Gláucia, Júlio César, Priscilla, Polliana e Paullo;
Bisnetos: Lorena, Aline, Tiago, Letícia, Carla, Andreas, Daniel, Hugo e João Marcos;
Genros e nora: Cloves, Júlio (in memorian) e Vitória.
"Herança do Senhor são os seus filhos e o fruto do ventre do Seu galardão." (Salmo 137:3)


Ps: Texto lido no culto de despedida de Geraldina. Vale ressaltar, a melhor homenagem é a que é feita em vida, e isso aconteceu em forma de livro, sete anos atrás, contando a trajetória dessa brava guerreira.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ridículos 2011

Terminou mais uma temporada da versão brasileira de um dos realitys shows de maior sucesso no mundo. O Ídolos 2011 chegou ao fim apregoando mais uma vez que o Brasil elegeu o seu novo ídolo, legado que tem deixado nos últimos anos, e fica a pegunta: Qual é a relevância desse legado para nossa música e cultura?

Aproveitando o ensejo de uma bela crítica feita pela minha amiga Janaína Rocha em seu twitter, penso no quão superficial é toda essa fórmula televisiva que arrebanha milhares de pessoas desejosos de ter o seu lugar ao sol em nossa música. Mas o sol que eles pegam é aquele escaldante enquanto aguardam nas imensas filas durante as audições. 

O recurso mais atrativo para o grande público é justamente a antítese do sucesso: O ridículo. Como bem brinca a sátira do programa feita pelo brilhante Tom Cavalcante, os candidatos toscos, que vão para se expor de maneira tragi-cômica, fazem mais sucesso que as brilhantes vozes que ainda passam por lá. no youtube bombam os vídeos dos candidatos mais cafonas e trashs quanto possível.

As figuras que compõe a bancada são distintos e bem sucedidas personalidades da música. Marco Camargo é o que permanece desde a primeira temporada, e com um grande rei na barriga, despeja antipatia e falta de tato em várias ocasiões. Luiza Possi, nascida em berço de ouro, mas com luz própria, faz a voz da sensibilidade do juri, com papel que pouco acrescenta para o resultado final, e por fim, a figura antológica de Rick Bonadio, desgasta o seu nome já ligado a lançamentos extremamente forçados no mercado. Cada um no seu quadrado, e sendo enquadrados em um formato ultrapassado e de mal gosto.

Pegando carona em sucessos do momento como o sertanejo universitário, o programa bate na mesma tecla incansavelmente, sulgando e exigindo perfis de execução quantitativa no mainstream. O final apresentado nessa última quinta-feira foi um show... de horror! Alongando o máximo possível para dar o resultado, dramatizando o tanto que a chatice de Rodrigo Faro era capaz. 

Nos convidados do encerramento, para reforçar o estilo favorito, nada melhor que o quase sem voz (como disse sabiamente a colega Sara Borges em seu facebook) Zezé di Camargo e a marionete Luciano, além de da graciosa mas de roupa duvidosa Cláudia Leitte, tiveram a capacidade de colocar o outro produto da emissora (mais um enlatado) que consegue ser pior em todos os sentidos que o Ídolos: Os atores bonitinhos, dublê de cantores da versão brasileira do Rebeldes. Pra amenizar tanta calhordice, Lulu Santos mostrou que alguém ali tem uma carreira sólida, de seriedade, e contado com uma super banda, com o sempre fantástico goiano/tocantinense Xocolate na bateria.

Onde estão os outros grandes ídolos revelados no programa? O primeiro conseguiu alguma notoridade virando vocalista de uma banda de... pagode!? Os outros absolutamente não tenho notícias, e provavelmente não terei mais em pouco tempo do menino de 16 anos que ganhou essa edição. E com essa idade ele está pronto pra alguma coisa?

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Crescer é sensualizar?

Depois de um longo hiato de um mês (intervalo inédito desde a estréia do blog, em 1º de janeiro de 2009), volto a esse espaço desejoso de não ter outro mês como junho, em que tanto o tempo, como as idéias e o pique de postar aqui foram escassos. Mas vamos ao que interessa, dessa vez para refletir sobre um fenômeno interessante que por vezes passa despercebido para muitos.

Um comportamento está virando rotina em garotas que precocemente curtiram a fama, sempre foram as “bonequinhas” da TV, eram mascotes de programas diversos: desde novelas até humorísticos e forçados programas infantis, e, anos depois, estampam sites e revistas de entretenimento com fotos sensuais e discurso pronto: “Eu cresci!”.

Diversos astros mirins sofreram sequelas emocionais profundas ao envelhecerem. São muitas as malevolências de uma fama precoce, e a fixação de uma imagem de criança, com sua pureza peculiar, não agrada principalmente aos recém-chegados à juventude adulta. Na necessidade de recolocação na mídia, para fugir de um estereótipo e atender aos anseios da nova fase da vida, diversos apelam para um “choque” que seja a antítese daquilo que foi construído no passado.

Sim, o caminho de mudança é irreversível, assim como foi mudada a idade, muda-se o foco profissional. Porém, a abordagem voltar-se para explicitar a evolução corpórea, e impressionar o mesmo público que tinha outra lembrança completamente diferente da personalidade em questão. E uma recolocação no mercado, se tratando de Brasil, nada como exibir os dotes físicos. 

Alguns podem alegar ser uma decisão de ter atitude, um grito de independência propício para essa fase da vida, mas em contraponto a isso, penso que isso vira uma escapatória ou um atalho para o difícil regresso aos holofotes. Paga-se um preço em optar por um novo discurso, que acaba virando senso comum entre uma geração que busca um elo perdido entre os dias longínquos e a prosperidade para o futuro.

Não é uma questão pontual de vulgarização, de “baixar o nível”, mas uma cultura apodrecida que clama por radicalismos para se reciclar a exposição.  Falo de perca de essência, de linearidade. A regra geral de impressionar custe o que custar provoca essa debandada que pode ferir princípios e valores em busca de se voltar ao topo, uma luta pela sobrevivência a partir daí, pode levar a destinos sombrios e tortuosos.

sábado, 28 de maio de 2011

País da impunidade

Cerca de onze anos atrás o Brasil assistia estarrecido um relacionamento profissional, que ultrapassou o campo pessoal, logo após o rompimento, acabar em morte. Tendo como pano de fundo a redação de um dos maiores jornais do país, uma jornalista termina o namoro com seu chefe, que a faz pagar com a vida. Se o crime fosse coberto de mistérios, pareceria fácil um roteiro de novela ou de livro da Agatha Christie.

Mas a coisa foi mais transparente que se imaginava. houve testemunhas e o réu foi confesso. Apenas sete meses foi o tempo em que aguardou na prisão até se seguir a peregrinação que demoraria tanto tempo para o mandar de volta. Seu status profissional e de idade aparentemente não seriam empecilho para um julgamento mais severo, mas de alguma maneira foram, principalmente pelo trabalho que sua defesa travou para poupá-lo ao máximo do que merecia.

A emblemática frase dita pelo condenado fala por si só: "Se você não é minha, não será de ninguém!", mostra a obsessão que o advogado e jornalista, já sexagenário na época, tinha pela ex-namorada. A diferença de idade era um ingrediente mínimo no agravante que levou ao triste fim da vítima. O desequilíbrio do então imponente homem tomou a proporção extrema que tirou uma vida.

O julgamento já demorou quase seis anos para finalmente sair a condenação. 19 anos era a sentença inicial, porém, logo uma liminar o salvou. Depois disso, uma sequência de recursos foi percorrendo todas as instâncias do Poder Judiciário, até enfim dar o último suspiro essa semana, no Supremo Tribunal Federal. Todas as brechas possíveis da nossa lei frouxa e defasada foram usadas, um jogo intenso dos advogados nos Tribunais que permitiram todo esse atraso para uma sentença que esperou mais de uma década para sair.

Episódios como esse mostram a fragilidade da justiça brasileira, que mesmo legitimando coisas assim, não escapa de uma análise revoltante para com sua morosidade. O Código Penal e demais dispositivos da lei que permitem que um assassino fique tanto tempo livre, e relaxe sua prisão a poucos meses, infelizmente se prestam a um papel de tolerância com o intolerável. 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O milagre da multiplicação

Antônio Palocci tem uma formação: médico. Desempenhou um dos papéis mais importantes no governo Lula: Ministro da Fazenda. Tendo o nome envolvido no mensalão, e principalmente após o episódio da quebra do sigilo bancário de seu ex-caseiro Francenildo Costa, o petista de barba e lingua presa, tal qual seu chefe, porém muito mais "culto", saiu do governo e preparou seu retorno intensamente nos bastidores. Sendo um dos coordenadores da campanha da presidenta, foi eleito Deputado Federal, assumindo novamente importante papel no governo Dilma, nada menos que ministro-chefe da Casa Civil.

Ainda buscando louros de sua destacada posição, fez o que vários políticos influentes fazem quando estão sem mandatos: Montou uma consultoria (a princípio seria mais modesta que a do eterno chefe, que ganha mínimo de R$ 200.000 para dar palestras). Mas conforme matéria da Folha, sua empresa faturou cerca de R$ 20 milhões em 2010, em pleno ano de eleições, totalizando um aumento de 20 vezes em seu patrimônio em 4 anos. Não foi por acaso que adquiriu um apartamento de luxo por R$ 6,6 milhões e um escritório por R$ 882 mil na capital paulista.

Já está montado esquema de blindagem ao petista na Câmara, o que deve acontecer sem problemas, visto a pacata oposição do governo na casa. Palocci é de longe um dos políticos que mais escapou do julgamento rígido de seus atos: Constam dentre outros, ainda quando prefeito de Ribeirão Preto,  que se favorecia de licitações de serviços como cesta básica, de empreiteiras, depois ligações fraudulentas na CPI dos Bingos, a farra com lobistas e prostituição na mansão alugada em Ribeirão enquanto ministro. Um verdadeiro mar de lama que nunca parece sujar o suficiente.

Leon Trótski, ulcraniano ultra-socialista, de quem ele já foi fiel seguidor, deve se revirar no túmulo a cada aparição do nome de Palocci na mídia. É incrível como histórias de lutas, movimento estudantil, resistência ao regime da Ditadura e acima de tudo, o idealismo de alguns fundadores do Partido Trabalhista são jogados no ralo após a ascensão dos mesmos no poder. Resta ver até onde vai seu poder de escape, já testado diversas vezes, e que nunca o tiram dos altos cargos. O Brasil também tem o seu Silvio Berlusconi!

terça-feira, 10 de maio de 2011

10 motivos para não ir ao Rock in Rio


A gente se enche de expectativas, vai fazendo as contas pensando no saldo bancário, vê as promoções de vôos, de caravanas, de hospedagem, e acima de tudo, fica de olho nas atrações anunciadas pela organização do evento. E depois de muitas decepções, eis que cito 10 bons motivos de não ir ao Rock in Rio de 2011:

1 - Os anúncios espaçados das atrações, não contribui com uma real motivação para você se organizar, pensar em um dia que realmente vale a pena ir, porque quer que o conjunto de atrações do dia façam valer o investimento;

2 - A organização das vendas on line, começou no fim do ano passado, com reservas para depois confirmar o dia. Quando liberou a venda pelo site oficial, o mesmo já estava sem carregar antes da meia noite, hora marcada, e deixou vários varando a madrugada pra conseguir sua confirmação. Cadê a venda física em várias capitais?;

3 - O rodízio europeu que o festival fez na década passada, mostra o tamanho do caça-níqueis que é esse negócio (isso já era óbvio), mas acima de tudo, que a grife montada em torno desse nome é muito maior que uma identidade brasileira que o festival construiu nos anos 80;

4 - Falemos sério: Um festival que já teve AC/DC, Iron Maiden, Black Sabbath, agora insere Cláudia Leitte?! Ivete Sangalo?! Pode vir com papinho de diversidade musical, que os públicos delas tem grande aceitação pelos demais gêneros, mas nada justifica o a falta de bom senso de um festival que leva a palavra ROCK no nome, chamar artistas de AXÉ! Seja com o formato pop que for!

5 - O palco Sunset teve uma proposta boa, porém, o que mais se vê é um emaranhado de encontros de artistas brazucas que não foram valorizados no palco principal, como acontecia nas primeiras edições, e o pior, aí você tem que optar por ver os gringos que fariam shows carissimos se fossem exclusivos, ou ver o experimentalismo dos nossos;

6 - Os headlines do festival, ou bandas principais de cada noite, não ficaram aquém. Porém, a própria divisão não favoreceu tanto, porque o System of a Down não está junto com Metallica e Slipknot? Jay-Z antes de Colplay, tendo o Skank antes!? Se não dava pra encaixar as bandas de maior afinidade musical na mesma noite, ao menos no mesmo fim de semana, o que também não aconteceu;

7 - Já que se usa dois finais de semana, poderia ser nomeado outro festival, com um codinome para atender a tantas atrações de formato mais pop, e deixar o outro pra ser o verdadeiro Rock'n Rio, com bandas que façam jus a esse nome;

8 -  Não dá pra deixar e lado uma nostalgia pelas edições 1 e 2 do festival que foram tão importantes para bandas como Paralamas, Barão Vermelho, Kid Abelha. Quem o festival está revelando, ou expondo agora? Nenhum dos convidados brasileiros no palco principal estão nascendo agora, até o Glória já tem um bom público, e o restante seriam facilmente convidados do mesmo jeito a 5, 10, 15, 20 anos atrás. Cadê as novidades?;

9 - Como entender a insistência por artistas do mainstream, na decadência das grandes gravadores como está, e cadê a valorização para bandas independentes? Tirando o palco Sunset, que faz misturar tudo em horários incompatíveis, onde estão aquelas bandas que percorrem o Brasil fazendo shows lotados por públicos fiéis, apenas se divulgando na internet e fazendo apresentações memoráveis?

10 - Calcula-se que a movimentação do festival deve girar em torno de US$ 376 milhões. Vale a pena nosso investimento por tantas trapalhadas em se fazer um autêntico festival de rock de proporções mundiais? O Roberto Medina definitivamente não está precisando do meu dinheiro! Seja aqui, em Lisboa ou em Madrid, enquanto não se resgatar a essência do que já foi o Rock in Rio, não compensa sair de casa.

Eis aí meus motivos, que não são mera dor-de-cotovelo de alguém que não vai, mas desabafo de quem esperava muito mais de um festival com essa história, e a "responsa" de trazer grandes atrações como de fato irá trazer, porém, mal distribuídas e somadas a outras irrelevantes para quem quer ver um verdadeiro festival de rock'n roll! Pra quem não teve sucesso em comprar na internet, boa sorte na fila quilométrica do Engenhão!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Não é o fim!


Foram quase 10 anos atrás, me lembro que estava no 2º ano do Ensino Médio, assistindo a aula normalmente naquela terça, 11 de setembro, e nada me chegou aos ouvidos naquela manhã. Nenhum dos educadores nem alunos do meu colégio aparentemente tiveram acesso ao evento que o mundo mais comentava naquele momento, e que comentaria por muitos e muitos anos. Eram outros tempos, sem a tecnologia móvel tão aguçada como hoje. Só chegando em casa na hora do almoço e ligando casualmente a TV, é qua fui saber sobre o atentado às torres gêmeas, e quem era Osama Bin Laden.

Aquele mítico líder da Al Qaeda, com seu turbante, jaqueta militar, barba grossa, ficando grisalha; aparentava até uma fragilidade, porém totalmente contrária ao poder que exercia no Oriente Médio, e que o Ocidente conheceu naquele dia. George Bush Júnior estava no momento lendo para crianças do primário, bem longe de Nova York, quando recebeu a notícia. Ali começava o que se vendeu como "Guerra ao Terror."

O nacionalismo estado-unidense tinha duas faces: O pesar pelas vítimas do World Trade Center, e por outro lado a sede de soberania que resultou em ocupação no Afeganistão, então morada do saudita Osama, que se extendeu pra ocupação, morte e derrubada de Saddam Hussain no Iraque, tomado por tropas militares que nunca recebiam ordens de regressar, ficando lá para representar o poderio do império outrora abalado.

O que mais acontecia com os EUA, se não colher o que plantou? Visto o histórico de apoio em treinamento e tática militar que haviam proporcionado a Bin Laden anos atrás. Tudo o que aconteceu no pós-Guerra Fria, no ataque ao Kuwait em 91, no cobiçado petróleo que sempre estava nas intenções dos conflitos culminavam na retaliação. Quando a criatura se voltou contra o criador, o estrago foi sem precedentes, e por muitos anos se seguiriam sem um desfecho satisfatório. Não que agora isso tenha ocorrido de fato.

No início da madrugada desse domingo, chega a notícia da morte do homem, que conseguiu driblar toda a inteligência e poderio da nação mais poderosa do mundo, nos últimos 10 anos. Barack Obama anunciou em um discurso de 10 minutos, a uma hora da manhã no Brasil, que Osama estava morto, destacou o incansável trabalho das tropas e inteligência dos EUA (incansável por 10 anos?), disse que o trabalho não havia acabado. E centralizou sua fala em "a justiça foi feita."

Desde 2001, a imigração e política alfandegária tomaram outro padrão nos principais países do mundo. E o mundo islâmico passou a ser mais segregado e associado com o terrorismo. A tal ponto que se vê hoje uma comemoração por vários setores da sociedade, parecendo ser o fim de todos os problemas socio-econômicos, e de relações internacionais de seu país. E as consequências futuras dessa sequência de fatos ficam encobertas pelo momento triunfante da captura (leia-se morte) do homem mais procurado do mundo.


Mais de três mil vidas podem ter sido tiradas pelos atentados promovidos pela Al Kaeda, mas quantas vidas inocentes foram mortas nesses 10 anos de ocupação no Paquistão, Afeganistão, Iraque, Jordânia, etc? A intenção de proteção ao povo estado-unidense não justifica a brutal ação de anos a fio no governo Bush, que não foram tão abrandadas na gestão atual. E por muita coincidência, o anúncio é feito logo um dia depois da reafirmação da candidatura para a reeleição de Obama, em que alfinetou o virtual candidato oposisionista, o milionário Donald Trump. Difícil não ligar os fatos enxergar uma intenção eleitoreira do anúncio.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Imprensa Esportiva de mal a pior

"Meus amigos, minha gente!" "Um abraço do tamanho do Brasil" "É isso aí, muito obrigado, e até lá!" Eram com essas e outras frases, replicadas e originais, que Jorge Kajuru entrava no rádio para o seu comentário que "parava a cidade." De segunda a sexta, ao meio dia, na outrora folclórica rádio K do Brasil, hoje 730 AM. Não tinha como não lembrar desse ícone do jornalismo esportivo com um fio de saudade, após episódios protagonizados por gente da crônica esportiva goiana nessa última terça.

No programa Debates Esportivos, dessa emissora, na hora do almoço, houve troca de acusações e exaltações de dois profissionais, o comentarista e ex-atacante esmeraldino Cláudio Rabello de Castro (Cacau) e o jovem comentarista Bruno Brasil, recém chegado à emissora. Bruno acusou o então colega de "mamar nas tetas" do Goiás, e de seu presidente, Hailé Pinheiro, no que foi retrucado asperamente. O programa foi interrompido, indo para os comerciais e voltando depois com Amauri Grarcia no comando, literalmente cobrindo buraco.

O diretor geral da emissora, Carlos Bueno, anunciou oficialmente nessa quarta-feira que os comentaristas Cacau e Bruno Brasil não fazem mais parte da rádio: "A emissora tomou a decisão pela demissão dos dois profissionais"  e pra completar, pediu desculpas, e justificou a atitude "para que seja mantida a ordem dentro da casa, em respeito ao nosso ouvinte, e o mesmo não fique constrangido". O âncora Ronair Mendes negou em seguida que não chegaram às vias de fato, ninguém atingiu ninguém e todos mantém o respeito e a amizade com os ex-colegas.

Aprovo a atitude da rádio, foi de coerência com sua história e com o ouvinte. Tolerância com atitudes assim só podem prejudicar o papel social e informativo desse veículo, que tanto já fez pela comunicação em nosso estado. Difícil para o torcedor, ávido por conhecer da realidade de seu time, e espera dos comunicadores que transmitam isso com o compromisso da verdade e o foco na relevância do produto que trabalham. Desavenças pessoais devem ser resolvidas fora dos microfones, e poupar o ouvinte de baixarias.

Outro episódo no mesmo dia foi protagonizado por Lucilene Caetano, que teve seus 15 minutos de fama nacionais ao ser musa do Goiás no Caldeirão do Hulk, depois disso foi tentar a vida artística no Rio de Janeiro, voltando sempre pra Goiânia pra desfrutar da visibilidade que tem aqui. Começou a pouco a participar da Equipe do Mané, na TBC, e estava fazendo reportagem no Vila Nova, quando escreveu no Twitter: "Eles acham q vencem o GOIAS no proximo domingo. Classico em q "vilanaovence" a mto tempo. #oqacham?" É desnecessário comentar o tamanho da falta de ética, de profissionalismo e demais consequências desse infeliz comentário. Foi expulsa merecidamente do clube.

Saudosismo não leva a muita coisa, mas dá saudades de outros tempo no rádio em que as pessoas se respeitavam mais e agiam com menos impulso, paixão e desequilíbrio. Reconheço que existem bons valores na nova geração da imprensa que cobre esportes em Goiás, mas sempre tem os indivíduos e fatos que desanimam profundamente, como ásperas discussões entre colegas no ar, seja no rádio ou na TV, lendas de agressões físicas, de negociatas com os clubes, de apadrinhamento de famílias e influentes, que tomam conta de um espaço carente de isenção, competência e seriedade. Já não basta aguentar o desprezo, prepotência e mesquinharia da imprensa do Rio e de São Paulo, ao menos em Goiás precisamos de gente comprometida com o nosso esporte.

domingo, 24 de abril de 2011

Pelo que procuras?


Ovos de chocolate, coelhinhos? É por tão pouco que paramos 4 dias por ano? Mas poxa vida: Não faz sentido! Como diria dois vlogueiros bem famosos no Brasil. Fora o apelo comercial, o período de engorda, tradições culturais e de brincadeiras podem até ter seu valor, mas com certeza não o valor do real significado desse período, ensinado na Bíblia Sagrada.

Em um domingo de Páscoa, fico imaginando como devia ser viver os dias da morte e ressurreição de Jesus. Provavelmente eu seria mais um fraco de abandoná-lo na hora do aperto, e mais um surpreso por vê-lo novamente após todos o darem como morto. Mas naquele domingo em especial, não consigo nem cogitar o sentimento que seus discípulos e amigos tiveram ao ver Jesus novamente, vivo, em carne e osso, e fazendo sentido a tudo o que havia ensinado.

Imagina ir visitar o túmulo de Jesus, encontrar a pedra que o fecha fora do lugar, e ainda ouvir algo como "Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? ” Não podia ter surpresa maior e melhor! Tudo aquilo que foi frustrado, toda a falta de referencial, todo o norte que foi perdido, agora já não existe mais, porque Cristo está vivo! Todo o sacrifício, a humilhação, a dor de três dias atrás, agora estavam mais que recompensados.

Em um domingo como esse, mais de 2000 anos atrás, uma nova perspectiva nascia para a humanidade, se completava todo o sentido de Deus ter vindo como homem, habitado entre nós, sofrido nossas limitações, e ter deixado um modelo de vida puro, doce, de aceitação total ao próximo. São tantas lições, desafios para seguir esse padrão tão alto, mas acessível, mesmo com nossa natureza depravada, falível e tão limitada.

Não sei o que mais impressiona: Jesus se entregar e sofrer por nossos pecados, pagando esse altíssimo preço em nosso lugar, ou o fato dele ter vencido a morte, voltado para nos dar a vida, e deixar o Espírito Santo como Consolador. Ambos são provas de amor que não mediremos o tamanho jamais, nunca teremos como agradecer, a não ser adorá-lo e compartilhar essa maravilha com os demais.