Blog do Paullo Di Castro


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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Fui mordido pela maça


Eu não tenho nenhum produto da Apple, mas isso não me faz imune a influência que trouxe essa marca para todo o mundo, pelo contrário, os que tenho, com certeza chegaram ao mercado impulsionados pelo caminho que esse gênio da tecnologia abriu. A marca que virou sua empresa, uma grife cobiçadíssima, não só por afccionados por novidades digitais, mas por qualquer mortal que saiba ter qualquer curiosidade e bom gosto sobre o facinante mundo tecnológico.

A Pixar, parceria de Steve Jobs com Steven Spilberg, também levou às salas de cinemas um novo conceito de animações, abrindo o leque do público infantil para todas as idades, quem não queria apenas ver os desenhos serem animados e contar uma historinha, se prendia na estética e nos efeitos impensáveis em um passado recente, tudo mudado agora por um empurrão dessa mente brilhante.

Mas o fato é que o mundo da maçanzinha mordida fez história e continuará fortíssima por muitos anos. Com várias idas e vindas no posicionamento de marcado da empresa, a grande guinada foi na virada do século, enfrentando um império conquistado pela Microsoft nos anos 90, onde Bill Gates reinava absoluto, e viu seu ex-sócio trazer novidades que seus produtos deixavam a desejar, sem dúvidas a maior inovação deles foi a portabilidade.

Quem já não viu um amigo ou colega chegar eufórico exibindo seu novo iPhone, que faz de tudo até ligar! Ou veio com aquele foninho cantarolando alguma das milhares de músicas que ele tem em seu iPod. Ou não viu aquele iPad fazer o seu livro parecer a coisa mais obsoleta do mundo? Você só se perguntando - Quando eu vou ter um desses? As vezes você não possui realmente acesso a essas maravilhas, mas a guerra que faz a concorrência oferecer produtos similares mais acessíveis te fazem não ficar tão por fora, mas de qualquer jeito, Apple é Apple, como já refleti aqui.

Com tantas realizações, inovações, designs maravilhosos e desafios à modernidade, Steve Jobs em 56 anos deixou um grande legado para a humanidade, não vale a pena falar de sua debilidade física dos últimos anos, justo em momentos de maior acirramento no mercado, o comandante dessa grande revolução descansou, deixando pra trás sonhos e desafios cada vez maiores para todos. Com tudo isso, independente de ter um aparelho que tenha aquela fruta, fui mordido por essa maça.

" Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa, ir para cama toda noite dizendo que fizemos algo maravilhoso, isso é o que importa para mim."
Steve Jobs

sábado, 23 de julho de 2011

Reabilitação?! Ela disse: Não, não, não!


Sim, o assunto é intensamente explorado pela mídia, em proporções provavelmente parecidas com a morte de Michael Jackson (guardando as devidas proporções de ambas as carreiras - musicais, é bom que se diga!), o velório é que com certeza será bem diferente do mito da música pop, aqui as histórias pra se contar serão bem menores, mas as análises da importância artística da passagem de Amy Winehouse por esse mundo já são suficientes pra muito pano pra manga.

É claro que lugares comuns são inevitáveis essa hora, visto a intensidade absurda que viveu essa jovem, com certeza no pior sentido pessoal. Seu casamento com Blake Fielder-Civil foi na literalidade do sexo, drogas e rock' n roll, necessariamente o segundo termo bem mais frequente que os outros dois. Isso foi o pano de fundo para se esconder a relevância do que fazia de melhor: cantar com o potencial de uma negra autêntica na escola americana dos subgêneros criados por essa cultura.

Mas a figura apática, magra e de total descuido da imagem contrastavam com o poder que teria sóbria em um palco. Mas vê-la de cara limpa era a mais difícil das coisas, acompanhada por uma super banda, com figurinos, maquilagem e todo um clima retrô, o que precisava era soltar o vozeirão do início ao fim de um show, e isso raramente acontecia. Perdia-se a chance de não só abrir caminhos para se consolidar uma concepção musical diferenciada, mas sim para mais páginas policiais e perplexidades com os excessos alucinógenos.

Resgata-se o que seria a “idade maldita do rock” ou de ídolos musicais que marcaram épocas, cada um deixou esse mundo aos 27 anos (pasmem, eu tenho essa idade!): Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain. Todos mudaram padrões e foram figuras épicas, cada um ao seu tempo e estilo. Mais que um numeral de anuidade, o que fica é a vulnerabilidade que todos se deixaram expor ainda tão jovens.

Não adianta muito fazer juízo de valor sobre como e porque mais uma celebridade da música faleceu, os fatos (a se confirmarem, e a maioria são muito claros), falam por si só. O legado foi pequeno, poderia ser muito maior, ao mesmo tempo em que se poderia cair no ostracismo, e a pessoa em vida deixar os holofotes e se trancafiar em casas de recuperação e em lugares inóspitos. Qual é a diferença? A vida, tão somente a vida!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Suicídio

Goiânia teve a manhã dessa quinta-feira tumultuada com a notícia da morte de um dos mais bem sucedidos empresários de Goiás, que por muitos anos foi o proprietário de uma das maiores indústrias da indústria farmacêutica do mundo. A hipótese mais provável é de suicídio. Não quero nem citar nome (até porque a grande maioria sabe quem é), mas só refletir um pouco.
Parece que muito dinheiro na maioria das vezes não vem acompanhado de felicidade. No começo pode aparentar, mas logo se paga um preço muito alto, quando se prioriza o que era inviável tempos antes. Até porque quanto mais alto se chega, mais trágico pode ser o tombo. Mas não é bem por aí que quero enfatizar, o mais perplexo em tudo isso, e pensar em como se chega a uma situação extrema de tirar a própria vida.
O que se passa na cabeça de uma pessoa que comete suicídio? Ela não tem gente o suficiente para amar e ser amada? Será que passa o famoso "filme na" da pessoa? Mas se passa esse filme, nele não tem cenas boas o suficiente para se repensar a intenção de dar fim à própria vida?
Infelizmente conheci diversas pessoas que chegaram ao fim por vontade própria, a maioria jovens, talentosos, com muitos amigos (ou não), e com muito o que contribuir,
um guitarrista exímio que acabara de se formar em música na UFG e atirou-se de uma ponte no Setor Novo Horizonte em Goiânia, um jovem que tinha ótimo trabalho com os surdos, e com teatro e se jogou de um edifício comercial no centro da cidade, só pra citar dois, e não ficar mais complexo com isso tudo.
Deus nos deu a vida de presente, nela temos esse mundo para habitar, usufruir de tantas coisas boas, mas um coração triste, a falta de esperança, de perspectiva de vida, pode ser o caminho para uma atitude sem volta.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

E se fosse com você?


Já se vão mais de 200 dias da morte trágica da publicitária Polyanna Arruda Borges, até hoje não desvendada, os culpados estão soltos, e a polícia parada.
Em setembro de 2009, Polyanna, como jovem publicitária de sucesso, sócia de uma agência com fantásticas iniciativas sociais e empresariais, entrou em seu carro para ir à Universidade Católica (PUC) de Goiás para dar mais uma palestra aos alunos, como já havia feito com brilhantismo na noite anterior, e foi encontrada várias horas depois em um matagal na região Norte de Goiânia.
O laudo apontava seis tiros no corpo na publicitária, marcas de estupro e possível intenção de furto do veículo. Tudo de uma brutalidade sem tamanho, que não tinha precedente nenhum para acontecer, a não ser marcas da violência urbana que não pára de crescer.
Em setembro do ano anterior, a vítima de outro assassinato em Goiânia foi Pedro Henrique, jovem advogado morto sem motivo maior por um policial militar. Nossos jovens, por mais que tenham uma vida correta, de integridade e bom caráter, como Pedro e Polyanna, não tem mais nenhuma segurança, e podem ter sua vida tirada sem motivo lógico.
É impossível imaginar o que passa na cabeça das famílias em casos assim, da esposa e do esposo das vítimas que perderam para sempre o parceiro que seria da vida toda nos primeiros anos da relação. Jovens de vinte e poucos anos, qualificados e com tanto para viver, acabando a vida assim.
Em dezembro, o caso de Polyanna já havia esfriado, e foi feita uma passeata cobrando das autoridades maiores providências. 5 meses depois nada foi feito, a Polícia Federal, que tem muito mais estrutura e serviço de inteligência qualificado não entra no caso, enquanto a Militar não avança nas investigações.
Não podemos deixar esse caso cair no esquecimento, a justiça não trará Polyanna de volta, ela está ao lado do mesmo Deus em que acreditava, mas quem fica aqui não pode ter sua vida em jogo por causa da impunidade, se isso é o mínimo para coibir seres sem coração a matar, que seja feita com rigor, e acima de tudo com justiça.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Morte prematura


No futebol existem constantemente surpresas, muitas boas, para mexer com a emoção dos apaixonados pela bola, mas algumas tristes, que chegam ao extremo do fim de uma vida. Mesmo não sendo dentro de campo, ter a notícia que um atleta falece após tanto já correr em campo, derramar muito suor por um ideal, vender saúde, desafiar os limites de seu corpo, preparar-se com o que existe de mais avançado na medicina, às vezes não é o suficiente para preservar vidas que não foram programadas para suportarem sempre o ofício pesado de um profissional de futebol.
Nessa terça-feira, o garoto Paulo Ramos, de 24 anos, morreu após passar mal em uma pelada com amigos. Foi divulgado uma parada cardíaca, ele foi levado para um hospital próximo mas não resistiu, o que fora passado pra ele em 2006 se mostrou mais real do que nunca: seu coração não permitia mais o futebol. Não só o profissional, como ele parece ter achado, mas as "peladas" de amigos também eram demais para a bomba que pulsava no peito desse jovem.
Ele apareceu no futebol no Vila Nova, e junto com o bom atacante Pedro Júnior, foi vendido ao Grêmio a peso de ouro para a realidade do time. Chegou lá não teve tantas oportunidades, esteve no Juventude e retornou ao Vila, ajudou decisivamente o time a voltar pra série B do Campeonato Brasileiro. Jogava com inteligência na armação de jogadas no meio campo, e se infiltrava bem no ataque para fazer e servir gols.
Um ano e meio atrás, chegava ao fim a carreira dessa jovem promessa. O diagnóstico o afastou dos gramados prematuramente, e provou estar certo, ele saiu no momento exato, mas não parou com a boa como deveria. O zagueiro Serginho, do São Caetano, teve um triste fim abruptamente, dentro de um jogo oficial, sem explicações do departamento médico do clube. Outros, como Washington do São Paulo superaram isso, com todo acompanhamento especializado, e voltou a brilhar nos gramados, Fabrício Carvalho, veio para o Goiás e aqui se tratou até ser considerado apto para continuar, mas como disse sabiamente Hailé Pinheiro, o Goiás arrumou o coração do rapaz, mas não o pé...
Paulo Ramos era sério, frequentava atividades da Igreja Catedral da Família, casado, com grandes chances de reconstruir sua vida fora dos campos, já que não podia dentro deles. Infelizmente, não houve muito tempo pra isso, e que não tenhamos mais casos como esses, antes ver um talento impedido de exercer sua paixão, do que ver uma tragédia de quem estava no lugar errado, na hora errada.