Blog do Paullo Di Castro


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Luto



Existem situações difíceis, ou mesmo impossíveis de se explicar. Um avião levando uma tripulação de pessoas que acumulavam tantas conquistas profissionais, tanto os atletas, como jornalistas, funcionários, pilotos e comissários, mas com certeza todos almejavam muito mais. 

O Brasil todo é Chapecó. A cidade do oeste catarinense agora ganhou quase 200 milhões de cidadãos, sem contar estrangeiros em todo mundo. Doeu muito ver 21 colegas jornalistas e profissionais de imprensa tendo a vida encerrada. Os atletas idem, assim como os funcionários da companhia aérea. 76 pessoas que não estão mais entre nós.
Era uma final de competição de times da América Latina, em que um clube que ascendeu em um tempo rapidíssimo, mostrando a seriedade do trabalho de seus dirigentes, apoio da torcida e comprometimento dos atletas, e agora tinha o ponto máximo de todo esse trabalho sendo concretizado, chegando mais longe do que muitos poderiam imaginar. 


A efemeridade dos nossos dias não deixam de ocupar as reflexões em um momento como esse.

O Brasil nesses momentos esquece seus problemas sociais, econômicos sua conjuntura política, culturais, estruturais e de tantas ordens, para chorar junto com os familiares que sofrem tanto essa ausência repentina.

A solidariedade entra em campo nesse momento. É louvável a atitude do Atlético da Colômbia ter solicitado à entidade organizadora do campeonato para que declarem a Chapecoense. Também muito digno os clubes grandes que se propuseram a ceder 3 jogadores cada, pagando o salário, para o time voltar ano que vem. Torcedores se mobilizando para serem sócios da Chapecoense, somente para ajudar o time a se reerguer. O brasileiro em casos extremos se mobiliza e faz muita diferença!


Fica a dor, a comoção, as homenagens. A humanidade!. O livro de Salmos nos lança uma luz sobre esse fenômeno: "Os homens de origem humilde não passam de um sopro, os de origem importante não passam de mentira; pesados na balança, juntos não chegam ao peso de um sopro."
Salmos 62:9"

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Ah, o saber!



É tão bom desbravar conhecimentos, aprofundar nas ciências que notórios estudaram por afinco para nos deixar um legado intelectual, muitas vezes de fácil acesso hoje. É ótimo tirar tempo para produzir uma ciência em forma de letras, dando corpo a um escopo que pode ser imaginário, mas se concretiza em uma obra produzida no aprendizado.

Mas existe uma frustração quando se está absorvido na academia: O mundo passando lá fora. O nosso tempo não é o mesmo para fazer o que gostaríamos. É claro que, com as ferramentas que estamos adquirindo, retornamos mais preparados para fazer acontecer. Hoje em dia o dinamismo das coisas dificilmente nos deixa privados de conciliar, mas dependendo da disciplina imposta, podemos abdicar de quase tudo. 

Aí entra um elemento complicado: Estamos dispensando oportunidades para ganhar outras. Cada vez mais me convenço que tempo fundamental é o de dedicação máxima aos estudos. Se quando mais jovem parasse para pensar em poucos anos que poderia investir e colher logo depois, minha vida acadêmica teria sido muito diferente, mas nunca é tarde para "arrepender-se", ou ir atrás de chances que foram mais difíceis anteriormente.

Complicado ter a paciência de perseverar e lembrar que a colheita vem adiante, não que seja sempre boa, mas dará algum resultado. Quanto mais coisas deixamos engavetadas, mais podemos fazer depois de estar melhor preparados. Basta não desistir. Atender uma demanda de competitividade, agressividade e imediatismo do que nos cerca não é nada fácil, mas é preciso encarar. 

Sou grato por quem investiu em mim, me fez ver que dar um passo de cada vez é preciso, sem andar mais que a perna permite, mas nunca ficando parado. Melhor é estar levemente apressado do que predominantemente ocioso. Poderia encontrar melhor equilíbrio, mas enquanto estou agindo, melhoro a perspectiva de ser relevante por onde ando. 

O saber é sagrado, a ignorância, em amplo sentido, uma desgraça! Posso me equivocar, mas sabendo que tenho algo em que me escorar, e não viver de ideias jogadas ao vento. Não apenas ser relevante para mim mesmo para depois ser para outro, mas buscar a sensatez e aplicar o conhecimento a medida que caminhamos. Influenciar pessoas é maravilhoso! A responsabilidade é grande, para isso é preciso se preparar, mesmo que dure um tempo que custe a passar, mas trará resultados que não tem preço a se pagar. 


É preciso sabedoria para não ir com muita sede ao pote. Antes de querermos mudar o mundo, mudemos a nós mesmos! Reinventando e nos transformando em alguém que tenha mais com o que contribuir. Em poucos anos faremos muito mais que em vários errando mais que acertando. Sempre compartilhando, o que retemos para nós pode nos ser útil, mas será mais valioso se for repassado e ser relevante na vida de outros.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Muita temperança nessa hora





A eleição do bilionário Donald Trump nos Estados Unidos causou alvoroço em todo o mundo. O perfil de anti-político, inclusive de politicamente incorreto, e principalmente as declarações polêmicas do mega empresário causaram grande desconforto a vários setores da sociedade. A grande questão levantada entre tantos pitacos e análises mais profundas é: O que nos espera nos anos que virão, tendo esse homem no poder da nação mais influente no mundo?

Em meio a uma chuva de críticas aos eleitores de Trump, uma coisa para se ressaltar dos Estados Unidos é o sistema partidário bilateral, sempre tendo nas cabeças dos processos eleitorais dois postulantes. Dando uma distinção superficial, temos um de frente mais conservador e ostensivo (Partido Republicano), e outro mais liberal e articulado (Partido Democratas).

O sistema de colegiado representativo é controverso? Sim! Mas o ponto que realmente é digno de reflexão é a alternância de poder dos últimos anos. Nenhum ficou mais de 8 anos consecutivos em mandatos. Isso é saudável para a democracia. O Brasil, ainda precoce no processo democrático sabe o porquê, da pior forma.

Hillary Clinton e Donald Trump protagonizaram a eleição mais acirrada, ácida, turbulenta talvez de todos os tempos. A mídia em grande maioria, institutos de pesquisas e classe artística, deu como vitoriosa a eleição da democrata. Muitos subestimaram a força de Tramp, pelo fato de sua imagem ser um produto midiático ascendente com chance de alta rejeição, sem nenhuma candidatura anterior no currículo.

As declarações claramente xenófobas contra os imigrantes, em tempo de acolhimento de refugiados que não tem opção para sobreviver, a não ser abandonar suas pátrias em guerras, é realmente preocupante. Mas até que ponto ele sustentará e colocará na prática esse discurso? Mesmo tendo maioria no Congresso, lutar contra uma parcela significante até o fim é um caminho improvável na democracia.

A questão climática é outro espinho. Ignorar o aquecimento global é preocupante. O extremo oposto de um militante oportunista como Al Gore, não consegue agregar o apoio de nenhum país se passar por cima dessa questão. Mas ele teria esse poder? O ex-presidente George W. Bush mostrou que sim, ao não assinar o Protocolo de Kyoto, compromisso entre países pela redução de gases poluentes.

Construir um muro na fronteira com o México e falar que os vizinhos é que vão pagar é outra falácia inconcebível. Ambas tem em comum um posicionamento firme, truculento, mas de clara inclinação repugnante para o separatismo. Isso contemplou uma maioria que prefere essa postura do que a continuidade do governo de Barack Obama, e do marido da candidata derrotada, Bill Clinton.

O próprio Trump baixou o tom que tomou conta da campanha em suas primeiras declarações após a confirmação da vitória, se comportando como legítimo republicano pela primeira vez. O momento nosso é de temperança. Não adianta gastarmos energia e pensarmos nas piores consequências. Trump pode ser a ponta do iceberg, e hoje é o problema que enxergamos. Se não olharmos nossas bases econômicas, sociais e culturais criticamente e com desejo concreto de promover mudanças, não teremos boas conquistas, independente de quem está ocupando o cargo mais cobiçado do planeta.

Prever os dias que virão nós não conseguimos, mas isso não significa destoar da construção de uma retomada em crescimento do nosso país. As relações Brasil e Estados Unidos historicamente são boas, mas não nos coloca em posição privilegiada com a mudança estadunidense agora.  O sonho americano vai virar pesadelo para muitos que ainda querem trocar a pátria? Só o tempo dirá, mas acabar essa ilusão pode ser benéfico para a gente se concentrar mais em nossos problemas e deixar de sonhar os sonhos de outros. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Que cidade construiremos em 4 anos?


Foto: Hélio de Oliveira

Findou-se mais um processo eleitoral. Com ele um dos mais disputados pleitos que Goiânia já viu. Depois de 2012 ter sido um processo esvaziado (nem Íris nem Vanderlan podiam concorrer, pois estavam vindo de dois mandatos consecutivos), e sem nenhum figurão pra acalorar a disputa. O caminho ficou livre pro sucessor de Íris, Paulo Garcia, ter a vitória. Agora o cenário é outro. Dois velhos adversários mediram forças. Venceu o de mais história.

Não querendo entrar no mérito do atual nem do próximo prefeito, coisa melhor pra ser feita ao final de dezembro, depois de um processo tão acirrado, com concorrentes carimbados tentando convencer um eleitor desacreditado, com altíssimas abstenções e votos brancos e nulos, agora fica a pergunta: O que pode ser feito no mandato que vem aí? Pelo próximo prefeito?! Não! Por nós!

O cidadão que não chama a responsabilidade para si pelo zelo, fiscalização, promoção da cidadania e educação em sua cidade, não pode esperar nada de um governante eleito. Enquanto dependermos de assistir parados e reclamar das gestões que deixam a desejar, pouco poderá ser feito de prático para nos beneficiar. A força que transforma uma cidade não pode vir de cima pra baixo, mas na contramão disso.

São tantas iniciativas populares, coletivas ou individuais que podem ajudar a melhorar a cara da nossa cidade. Coisas simples, como apoiar o uso da bicicleta como alternativa para nosso caótico trânsito, já que o transporte coletivo não atende bem. Muitos dos quilômetros de ciclovia que surgem acompanham a demanda de mais pessoas pedalando.

Tantas escolas, igrejas, associações e outros agrupamentos podem juntar forças para mudar a cara do seu bairro. Iniciativas culturais são uma ótima forma de unir o útil ao agradável, e reforçar os talentos desenvolvidos à serviço de todos. Para mais apoio na área da cultura, precisamos de mostrar a cara e atrair investimentos do governo e da iniciativa privada.

Esportes ocupando lugares que nem precisam ser os mais apropriados, mas podem despertar o apoio de quem se interessa em ter a imagem ligada ao setor, Pra isso, ver um monte de menino jogando bola, mesmo que em uma praça improvisada, pode ter um efeito melhor que o esperado.

E no social? É inegável como podemos mover alvos que parecem impossíveis, mas com a aglutinação de mais e mais pessoas, temos o privilégio de ajudar a outras pessoas, amenizar e até mudar realidades difíceis. Idealismo demais? Não quando a gente vê um sorriso em quem antes não tinha motivo para fazer isso.

É digno trabalhar, usufruir de lazer e gastar tempo consigo mesmo e com a família. Mas avançaríamos muito mais como sociedade se esse tempo fosse dedicado um pouco mais pelo próximo. Não precisamos esperar o prefeito fazer isso. Com a autoridade que lhe é confiada ele pode fazer muito, é claro, mas também pode ser pautado pela mobilização de seus munícipes em prol de algo que vale a pena.

4 anos é tempo suficiente  pra fazer muita coisa por Goiânia! Vamos nessa?!


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Pedaços de Vida


Um texto publicado aqui no blog em homenagem ao meu pai, professor Cloves Trindade Lopes, virou o texto para o prefácio que orgulhosamente contribuí no seu livro "Pedaços de Vida". Era uma tentativa singela de fazer uma homenagem ao homem que mais inspirou minha vida. E pra nossa alegria, chegou a realização desse produto literário que reuniu uma série de seus escritos, em poemas, versos e prosas, acrósticos e sonetos, e diversas crônicas de muitos pedaços de existência catalogados em seus 79 anos de vida.


Depois de contribuição em diversas obras, seja biografando, organizando, revisando e prefaciando livros de diversas pessoas, (inclusive o de minha avó materna), agora chegou a vez de sua obra pessoal. Foi um trabalho concentrado de 4 anos, de minuciosa coletânea, e muitas sessões de conversa com minha mãe e a organizadora do livro, musicoterapeuta Lara Karst. A verdadeira dificuldade era compilar tantos textos bons, de tantos anos de construção da sensibilidade literária do professor.

Foi bem um livro em família. Os três filhos participando diretamente, cada um em uma área. Além do núcleo familiar narrado em crônicas de diversas fases da vida, os amigos queridos em vários foram contemplados por poesias dedicadas pelo professor. Seja na alegria de um aniversário, ou na saudade de uma partida, muitos receberam homenagens. Todos não caberiam no livro, mas as lembranças estão eternizadas.

Resumir uma vida em páginas de um livro não é uma tarefa nada fácil. Mas é preciso dar um passo para uma tentativa de expor momentos, quando se sabe tão brilhantemente externá-los nas letras. Nenhuma palavra originou em um teclado de computador, mas em máquina de datilografia, e papéis diversos, seja em manhãs, tardes, noites, e madrugadas, muitas madrugadas.


Pedaços de vidas se desenham como um mosaico em palavras, todas com intenção de sair de um coração e entrar em outro. É assim que sinto que meu pai escreve. E sei que muitos que fazem parte de sua vida também sentem. Só tenho a agradecer a Deus pelo privilégio de todos esses registros em uma beleza textual estarem ao nosso dispor nesse sonho concretizado.

Para adquirir o livro, mande um email para: paullodicastro@gmail.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Vida que Transborda Vida  




“Homens dos quais o mundo não era digno”. Essas palavras me associam a uma lista seletíssima de homens que conheci, com muito ou pouco contato, e acompanhei o que faziam, e que Deus usou para me edificar por muitos anos. Dentre essas pessoas tem velhinho que em poucos dias de encontros meteóricos que me marcou.


Era semana de carnaval de 2012, eu e minha hoje esposa e então namorada, fomos para a agradabilíssima cidade de Viçosa, no sudeste de Minas Gerais. Ali haveria um treinamento para profissionais em missões, em um lugar que abrigava duas instituições que há muito tempo queria conhecer: O Centro Evangélico de Missões (CEM) e a Editora Ultimato.


Naquele ambiente acolhedor, ficamos nos alojamentos do CEM, tendo aulas manhã, tarde e noite, e todos os dias começavam com uma devocional maravilhosa feita pelo homem que confundia sua história com esses lugares. Carinhosamente chamado de “Reve” por todos, Elben Lenz César se mostrou ainda mais profundo e simples pessoalmente que em seus vários escritos que já havia lido.


O evangelho brotava como o alimento diário essencial na vida do Reve, e nos transmitia isso com muita propriedade. Outro momento marcante foi tomar um café no “quintal” da Ultimato, e o ouvir contar estórias de seu pioneirismo na imprensa de confissão cristã no Brasil.


A visão de mundo sempre estava à frente do seu tempo. Instalou-se em uma cidade historicamente católica e a fez ser referência protestante. Isso sem ecumenismo, mas com diplomacia, e acima de tudo, amor. Levar o evangelho por meio das edições da revista Ultimato para a população carcerária, quase invisível em nossa sociedade, foi outra porta maravilhosa que ele muito se empenhou.


Como pastor em formação e jornalista, tenho na figura do Reve, que tão bem desempenhou os dois ofícios, um dos mais belos testemunhos e dedicação para as letras, em especial à Sagrada Letra. Abrir caminhos de expressão da fé, viver o evangelho de modo digno e divulgar isso para quantos forem alcançáveis, são alvos que tenho no meu coração e vi em Élben César essa missão cumprida com abundante graça de Cristo.


Louvado seja o Senhor, por fazer um seguidor fiel seu marcar tantas vidas, e deixar para nós muito mais que livros, artigos e mensagens. Deixa o testemunho vivo do amor de Deus por nós!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Bela Primavera



Do solstício de inverno até tua chegada... 
ah, que espera demorada!

A água para todos abastecer, 
Espera regar-te com prazer.

No cerrado de mais árido e seco solo,
Faz necessário sua presença sem dolo.

O sol que brilha incessantemente, 
Agora resplandece suas cores alegremente.

Se não mudas por dentro alguém,
Ao menos revelas outro cenário que vai além.

De suas árvores respiramos melhor, acreditamos mais,
Vivemos em meio a dificuldade, dias de paz.

Constróis, mesmo em meio ao nada,
A mais bela paisagem, do interior à enseada.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Impedimento é do Brasil



Não é a presidente Dilma que está sofrendo um progressivo e traumático processo de impedimento. É o Brasil. Com isso não atesto que o impeachment é um golpe, que não existe base legal ou qualquer discurso que esbravejam os aliados do governo, mas sim, com o olhar mais profundo, vemos que o projeto de poder dos grupos que nos governam é que historicamente trava o Brasil desde a democracia iniciada nas Diretas Já.

Dilma perdeu a governabilidade logo ao pegar a sucessão de Lula, a bolha da aplicação dos projetos sociais sem planejamento, e em especial os grandes esquemas de corrupção como Mensalão e Petrobrás, culminou em estourar em suas mãos. A habilidade política é inexistente, visto não ter ocupado nenhum cargo eleitoral antes de assumir o mais alto posto do país. A oratória é um desastre, o carisma idem. O que sobra?!

Sobra ser controlada pelos caciques do seu partido e por quem tem maioria no Congresso Nacional. A escolha do seu nome foi uma alternativa depois de muitas caírem por terra. José Dirceu, Palocci e Genuíno eram sucessores em potencial. Todos caíram. Precisavam de um perfil que destoasse do desgaste dos grandes do PT. Sobrou a Dilma. E para ela sobrou a bomba armada.

O principal responsável tem nome: PMDB. Um partido que veio do outrora aguerrido MDB, e com tanta sede de poder que cresceu na ditadura, viu aliados seus fundarem outros projetos políticos, tais como PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o PT de Lula. Mas o PMDB cresceu ainda mais. Não precisou ganhar nenhuma eleição com a cabeça de chapa, mas em todas foi o aliado de primeira obra, com controle das duas casas legislativas federais.

É incalculável o mal que o PMDB faz ao Brasil, juntamente com PT e PSDB, cada um em seu tempo. A estratégia deu muito certo para o continuísmo: Priorizar o legislativo, e negociar posteriormente o apoio com o executivo. Mesmo quando saía em uma eleição na chapa perdedora, ao iniciar o novo governo estavam abraçados.  

Assim como no impeachment de Collor, a maior sigla do país se novamente se vê na possibilidade de assumir a maior cadeira do Brasil. Não precisou de eleições para isso, era só passar para o lado certo na hora certa. O cenário agora é muito diferente de quando Itamar Franco assumiu em 1992. Não tem um novo plano monetário como o Real, nem uma pós-guerra fria para se construir novas relações de mercado. Agora o crédito já não é o mesmo.

Como pensar em mudanças concretas com a saída da presidente? A linha sucessória dos próximos três nomes são todos do PMDB. Um é o mesmo líder que já presidiu a Câmara e tem uma carreira de articulações pela manutenção no poder. O próximo é réu na Operação Lavajato da Polícia Federal, maior mantenedor do cargo de presidente usando todos os recursos do Regimento Interno da casa, o terceiro já renunciou mandato para sobreviver a processo, voltou ao topo naqueles ciclos que só a política partidária é capaz de fazer.

A saída de Dilma pode representar alguma oxigenação em termos de mercado, no ambiente político e social, porém, isso é só a ponta do iceberg. O velho PMDB está aí para tomar as rédeas, e continuar seu projeto de poder em altos escalões. Mesmo com processos enfrentados por Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não se consegue tirar três homens com essa envergadura política. O caminho poderia ser a impugnação da chapa pelo TSE. Pelos ministros indicados por esses governos que sempre foram norteados pelo PMDB. Seria possível? Sim, mas está longe de ser uma realidade.

Se convocada novas eleições, o que acontecerá? Qual nome tem sido levantado para potencializar uma nova perspectiva de comando do executivo? São perguntas que não tem respostas fáceis. O brasileiro tem saído às ruas, vestido de amarelo e exigido mudanças. Mas quando essas mudanças virão no voto? Qual dos mais de 30 partidos pode assumir? O impedimento maior até o momento é de todo o Brasil.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Carta do mandatário de Goyaz para a Presidente


Ilma.  e querida PresidentA!
 

Em primeiro lugar, quero dizer que muito além da questão partidária, tenho profundo respeito e admiração por Vossa Excelência! Nosso relacionamento político tem sido bom nesses últimos anos, mesmo porque o Brazil está sob o comando do seu partido desde o começo da década passada e Goyaz está sob o meu ainda antes da virada do milênio.

Reconheço que já peguei pesado com o seu líder máximo, falei para os quatro cantos que havia denunciado o mensalão para ele, como era vice-presidente do Senado na época, aproveitei da minha posição para tentar uma projeção nacional, coisa que nunca consegui. Mas apesar disso, deve reconhecer o benefício que fiz para a União ao entregar de mão beijada a nossa empresa de energia, maior patrimônio dos goianos.

Sou grato pelas verbas destinadas a Goyaz que nos repassou, e me permitiram tocar obras no estado todo, e fazer das propagandas elas ficarem muito maiores. Quase todas não consigo terminar, tem algumas que faço desde o primeiro mandato. O segredo é fazer o lançamento e injetar publicidade em toda a imprensa, aí faz tudo ficar mais bonito.

Contratei várias duplas sertanejas, cantores bregas e que o povão gosta, e com nossa projeção em Goyaz movimentam a economia do Brazil todo. Viu o desfile na Sapucaí que beleza? Pra conquistar aquela homenagem não medimos esforços.

Diante isso, venho pedir encarecidamente que me ajude na Segurança de Goyaz. A verdade é que não dou conta de melhorar nada nessa área aqui. São tantos comissionados e empresários que tenho que atender, aí eu tento fazer programas mirabolantes sem obedecer a lei e insisto até que me proíbam. Já até coloquei o meu vice que vai ficar com o abacaxi pra descascar.

Aqui em Goyaz tenho partidos da sua base que fazem parte da minha. Essa é a maravilha da política: Podemos defender bandeiras diferentes e de unir por conveniência em qualquer tempo! Tenho um monte de gente chata aí no Congresso, dois delegados que fazem barulho contra seu governo, mas para compensar isso tirei deles a chance de serem candidatos a prefeito da nossa capital.

Confiando na empatia com Vossa Excelência, peço que me mande recursos, Exército, Marinha (temos muitos rios aqui que podem servir pra eles), Aeronáutica, BOPE, qualquer coisa para nos ajudar!

Atenciosamente

Coronel de Goyaz

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Problemas e mais problemas


Estamos cercados de problemas. De todas as ordens e sentidos, nos deparamos com situações difíceis de resolver. Porém, mais que nossos próprios problemas, estamos cercados de pessoas com problemas. Cada vida é um poço fundo onde cabem muitos problemas. E o que isso nos diz respeito?

Parece que cuidar dos nossos próprios problemas já é mais que suficiente, compartilhar o dos outros pode ir além de nossas forças. Mas será que de fato somos impossibilitados de ajudar a vários outros e tentar lidar com tantos problemas?

Para tudo temos profissionais indicados. Em nossa saúde temos médicos de todas as especialidades, que podem encaminhar para outros profissionais resolverem problemas específicos: psicólogos, terapeutas, fisioterapeutas, técnicos em diversas coisas, e por aí vai. Para problemas com a justiça temos advogados... Prestadores de serviços de várias modalidades, todos prontos para vender sua força de trabalho e resolver problemas.

Ao trabalharmos temos que enfrentar problemas, como nos deslocar para o local de serviço, enfrentando trânsito, pagando combustível caro, ou passagem em transporte coletivo lotado. Depois lidarmos com colegas indesejáveis, chefes muito rigorosos, sermos cobrados por resultados e se virar com o salário que recebemos para pagar todas as contas. São muitos problemas!

As pessoas parecem imãs para problemas. Quando paramos poucos minutos para ouvir alguém facilmente deparamos com uma cachoeira de problemas. Às vezes a pessoa não se abre, aí por terceiros ficamos sabendo que a vida dela está muito pior do que aparenta. Problemas que não estão no nosso cotidiano, mas que vemos estourar a corda de outro.

Não é nada fácil lidar com tantos problemas. Ninguém consegue resolver todos os problemas do mundo. Mas, pensemos em Jesus. Não foi exatamente o que ele fez? Que problema maior a humanidade teve que o pecado original? E Cristo veio como homem exatamente por isso: “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.” Isaías 53:5.

Uma vez pago o preço por nossos pecados, Jesus resolveu o maior de nossos problemas. Estamos como peregrinos em uma sociedade corrompida por esse pecado e não por não ter ouvido, crido e confessado Cristo como nosso Senhor e Salvador. Porém, em Deus temos nossa esperança: “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade.” Salmos 46:1.