Blog do Paullo Di Castro


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Giz e o Choro

 


Deveriam estar sorrindo

Precisariam estar aprendendo

Poderiam estar brincando

Mas não é isso que hoje estão vivendo

 

Olhares, gracinhas e gracejos

Jovens sendo jovens na escola

A curtição fazia parte dos festejos

Os limites iam até na prova ter cola

 

Nem todos fazem parte da festa

Sem expectativa de ser da turma

Se acaba a alegria que resta

 

No lugar do saber, a dor

No sofrimento que assola a todos

Fica a imagem do oposto do amor

domingo, 24 de setembro de 2017

Estar a Ação



Da estiagem ao desabrochar das flores
Da poeira vermelha ao perfume silvestre
Da garganta inflamada até sarar as dores
Da doença que agora se vai em tese



Da queimada acidental para a chama incessante
Emergência se faz para conter o estrago
Fogo que consome o pasto outrora verdejante
Mas a terra se renova na esperança de mudar algo



Presenciamos o milagre da regeneração
Um ecossistema que parecia morto
Vive em poucos dias surpreendente evolução



Bem vinda, digníssima primavera querida! 
Nos encante novamente com seu brilho
Não deixe de aparecer e melhorar nossa vida!


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Da Mala para as Malas

Foto: Polícia Federal 

Até poucos dias atrás a maior peça de flagrante da investigação da Força Tarefa da Operação Lavajato era da mala com R$ 50.000 transportada pelo deputado Rodrigo Rocha Loures, braço direito do presidente Michel Temer. O que ninguém de bem na República podia imaginar na proporção é que aquela era só a ponta do iceberg. A apreensão de uma série de malas em casa atribuída ao ex-ministro Geddel Rocha Lima, em que foram necessárias várias horas para serem contabilizadas as cédulas encontradas e chegar no exorbitante valor de R$ 51.000.000 (cinquenta e um milhões)! E não era tudo: em dólares foram encontrados mais de 2 milhões e meio.
Como não bastasse de notícia alarmante no dia, tal apreensão ocorreu na mesma terça em que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, foi conduzido pela Polícia Federal para dar depoimento sobre compra de votos na candidatura do Rio de Janeiro como sede dos jogos em 2016, na operação Fair Play, desdobramento da Lavajato. Um negócio bastante lucrativo para seus operadores visto toda infraestrutura montada com altas cifras de investimento, hoje tendo várias praças esportivas abandonadas.
O eleitor assiste a um governo, que acaba de completar um ano após o conturbado impedimento do mandato da presidente Dilma, viver a revelação de episódios escusos da relação do poder estatal e privado sem precedentes na história. Não houve escândalo algum para aproximar do que estamos vendo hoje. O que se propaga como urgência de aprovar reformas, especialmente a política e previdenciária, termina em papel de coadjuvante frente às mazelas cometidas pelas pessoas públicas que as coordenam.
Isso tudo também a pouco menos de um ano para elegermos deputados, senadores, governadores e presidente. O prognóstico não é nada animador. A mudança de financiamento público de campanha não tira das mãos de quem obtém o capital financeiro formar os potenciais eleitos. Fazer campanha para não reeleger ninguém é uma voz que se sufoca diante da máquina de fazer política trabalhando para reeleger quem lhe é conveniente, seja com os mesmos atores ou seus herdeiros.
No momento em que como população mais temos acesso à informação, menos coisas ficam escondidas e mais preocupação para quem vive à margem da lei, do outro lado da moeda continuamos refém de um ciclo vicioso que se regenera em cada revés, e com poucas perdas obtém ganhos sem fim. A mesma mão que deixa escorrer um pouco do tufo de poder, logo já está abocanhando mais.
Onde está o fio da miada dessa história? Não dá para ignorar a relação de cumplicidade e subserviência entre os três poderes. Enquanto tivermos um judiciário à serviço do executivo, o executivo á serviço do legislativo, o legislativo à serviço do judiciário, com recíprocas verdadeiras, não temos muita chance de ver mudanças profundas na raiz da questão. Entre mala e malas descobertas, vemos que a mudança precisará de porções muito maiores para acontecer.




segunda-feira, 31 de julho de 2017

Contemplatio



A contemplação exige desligarmos do externo, focar somente em um cenário eterno.

Com o tempo em ação, para uma profunda dedicação;

Alimentar a alma, priorizar um ambiente com calma;

Exportar os pensamentos, para uma redoma de novos momentos;

Aparar toda aresta, na ótica  diferente que nos resta;

Exprimir o contundente desafio, para ser apenas uma linha passando por um fio;

Empregar uma força interna, capaz de suprir necessidade externa;

Olhar para cima e sorrir, sabendo que devia mesmo estar ali;

Saber que o dói e o que alivia, curado apenas quanto se servia;

Querer preencher o vazio do peito, mas não consigo do meu jeito;

Preciso de um alento maior, de Quem me fez no mundo como criação melhor.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Eles são nós


 
Te convido a adentrar um pouco mais o Brasil, não, não estou falando de distância, de lugares inóspitos, nem aventuras selvagens que a gente vê em documentários e reportagens especiais na televisão. O convite é para conhecer um pouco mais de uma etnia ao nosso lado, que chegou aqui antes da gente. Dia 19 de abril foi comemorado o Dia do Índio, esse pioneiro brasileiro que pouco conhecemos além de noticiário de ocupações e demarcações de terra, conflitos, e por vezes, em caráter de exceção, alguns que concluem cursos superiores em meio ao mundo branco que os rodeia.
 
 
Mais precisamente, falemos de uma terra ao sudoeste do Mato Grosso do Sul, próximo da fronteira com o Paraguai. Ali vivem índios caiuás, ao longo da rodovia a aldeia vai se alargando com suas casas e um povo simples e muito cordial, mantendo sua cultura, enfrentando seus problemas e vivendo e nos ensinando preciosas lições.
 
Misturando o caiuá, o guarani, o português e até o espanhol, vemos os poliglotas expressarem com vasto vocabulário suas raízes em uma pluralidade de sons nas conversas, musicas, gritos e risadas das crianças, olhares atentos dos jovens, sorrisos tímidos das mulheres, seriedade dos homens e serenidade dos idosos. Gente como a gente!
 
 
 
Em meio a aldeia, temos uma encantadora terra de verde em abundância, com seus pés recheados de diversas frutas, um portal ali avisa que está a Missão Caiuá, com pedras estrategicamente colocadas abaixo de majestosas árvores, trilhando um caminho convidativo. Nomeada de Aldeia Taquapery, entre os municípios de Amambai e Coronel Sapucaia, esse recanto se mostra bem melhor que a encomenda.
 
Jorge, Bia e Ângelo são uma família amorosa, liderando aquele pessoal com esse trabalho de mais de 80 anos, iniciado por americanos. Levando mais do que esperança, amparo ou presentes; eles levam o amor de Deus, de onde que não existe barreiras culturais, mas é unificada por quem nos une primeiro.
 
Ore pelos povos indígenas! Especialmente pela Missão Caiuá, para que esse povo continue conhecendo o dono da terra, Autor da vida, que nos ama independente da etnia, língua, se na cidade ou na aldeia.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Aprendendo com Jó


Uma das histórias mais intensas e fantásticas que vão fundo no coração de um homem na Bíblia é a de Jó. O livro já começa com esse testemunho no cap. 1, versículo 1: “Na terra de Uz vivia um homem chamado Jó. Era homem íntegro e justo; temia a Deus e evitava o mal.” E logo no versículo 8, vemos Deus diretamente falando sobre Jó para o diabo: “Disse então o Senhor a Satanás: Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal". 

Com tudo o que acontece com Jó, versículo 8b do capítulo 42, no final do livro vemos Deus confirmando esse diagnóstico: “Meu servo Jó orará por vocês; eu aceitarei a oração dele e não farei com vocês o que vocês merecem pela loucura que cometeram. Vocês não falaram o que é certo a meu respeito, como fez meu servo Jó”. 

O tema central do livro de Jó, muitos dizem ser o sofrimento, mas concordo com o Rev. Daniel Santos Jr, (que acaba de lançar um livro excelente sobre Jó, link aqui), que a palavra que melhor resume é integridade, (apesar de tudo - título do livro). Quando perdeu tudo, restando somente a esposa e amigos que nem sempre o ajudavam, Jó questionou a Deus, e Deus mostrou a quem ele devia tudo o que já havia possuído, assim como toda sua própria existência, e cada milímetro do espaço e milésimo de segundo do tempo. 

Somente tendo nosso Deus como a motivação maior para tudo o que fazemos e somos mordomos, é que alcançaremos um coração íntegro, mesmo com nossa natureza pecaminosa e quando enfrentamos dificuldades, seja ela qual for. Que a vida de Jó nos inspire a vivermos em integridade, firmados no Senhor. Que Deus nos ajude a esse desafio enorme, mas cuja recompensa vai muito além do que podemos imaginar.  

Para aprofundar os estudos sobre Jó:
Blog Rev. Daniel Santos Jr: http://danielsantosjunior.com.br
Blog Rev. Jhonny Clayton: https://doctorchurch.blogspot.com.br/

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Oração

Senhor, Tua grandeza é tão marcante!
Tua onipresença, onisciência e onipotência são maravilhosas demais!
Como ainda amas um pecador tão fraco como eu?
Por diversas vezes o meu agir ignora a Tua presença,
Quando me volto aos Teus braços, os vejo estendidos para me acolher,
Me tratar como filho, me corrigir em amor.
Perdoe-me Senhor, por não Te honrar como deveria,
A frieza da minha natureza é tão indigna do teu amor!
As cicatrizes que levo me lembram como caí e como sou tratado por Ti.
Tua majestade sobrepõe toda iniquidade que me rodeia.
Tua palavra está sempre ali para me ensinar, e ainda erro tanto!
Em toda experiência que vivo, sei que estás ali.
Sempre pronto a me amparar, cuidar de mim.
Obrigado por seu amor incondicional, por tua graça imerecida.
Sem ti eu nada sou, e nada serei.
Em Cristo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Travessias da Vida




Estar com a família e entre amigos é estar completo, na presença de Deus. Como é bom desfrutar da simplicidade do compartilhar, das risadas soltas, e, mesmo em momentos de dores, saber que existem pessoas para chorar. Não precisamos de muita coisa, e as que precisamos não merecemos, mas Deus em sua infinita graça nos dá.



O sopro da existência pode valer muito mais que uma imprecisão passageira. Aproveitar a liberdade em Cristo contra a escravidão do pecado é a melhor forma de passar nesse sopro. Com minha vida só tenho a agradecer a Deus, por cada instante concedido a mim, e por colocar ao meu lado pessoas que demonstram o seu amor por mim, me ensinando a amá-las porque o Senhor nos amou primeiro.



Precisamos fazer a leitura correta do momento em que nós estamos. Isso só é possível se fizermos um resgate de nossa história, firmando nas bases que ajudaram a construir o que somos hoje. Por outro lado, precisamos olhar para o futuro, e usar as ferramentas que dispomos para atingir nossos objetivos. Não podemos negligenciar nem um nem outro.



Somos a ponte dos momentos que vivemos no passado, para aqueles que virão. Se resgatarmos nossa história e deixarmos as bases que construímos, estaremos vulneráveis, sem a quem recorrer. Se não pensarmos no que virá, somos imprudentes em não asfaltar o caminho onde passaremos.



Temos dois olhos, com eles podemos nos atentar a dois momentos, e assim, estar com os dois pés no chão, não esquecendo por onde já passamos, e indo adiante, decidindo para onde seguir. Caminhar é preciso. 

sábado, 24 de dezembro de 2016

O Maior Presente de Todos



Qual é o seu conceito de presente? O que te faz querer dar presentes? E receber, quem não gosta? Quando pensamos em nossa concepção de presentes e vivência prática, não podemos deixar de pensar em diversas opções, em geral, de ordem material, que satisfaz um gosto pessoal ou mesmo uma necessidade pontual.
Lembro que, quando criança, meus pais tinham a vontade de me agradar, e arrancar de mim um sorriso e empolgação ao ganhar algo novo proporcionado por eles. Porém, deixavam clara a impossibilidade de me presentear frequentemente com um brinquedo, passeio, ou outra coisa, mas me davam coisas muito melhores, mesmo que eu ainda não percebesse isso.
Os presentes fazem parte da vida da gente, seja com a intenção que for ou uso que for dado, mas eles estão por aí, rodando, aquecendo a economia, movimentando o comércio, deixando eventos mais abrilhantados pelos agradinhos compartilhados. Não são todos que tem, muitos possuem pouco, poucos já tem muito. Mas são presentes. E qual foi o presente mais especial que você já passou pela sua vida?
A Bíblia nos conta no segundo capítulo do evangelho de Mateus a história de magos que vieram do oriente, atraídos por uma estrela (eram estudiosos disso), que os guiou depois de uma longa jornada para onde estava o menino que era chamado de Rei dos judeus. Eles levaram presentes à criança: ouro, incenso e mirra. Jesus também foi presenteado!
Olhando para esse cenário, vemos que na manifestação da graça de Deus através do envio do seu filho para estar entre nós e carregar o peso dos pecados que sentenciavam nossa condenação à morte eterna, esse sim, foi o presente mais relevante da história da humanidade! Ao invés nos dar o que merecíamos, ganhamos o presente que nos dá livre acesso a Deus!
No final de dezembro vivemos a dicotomia de celebrarmos com festas e centralidade na figura de Papai Noel, baseado em se dar presentes de toda a sorte, e termos a contramão na figura de Cristo, o Messias prometido e anunciado pelos profetas, que veio e cumpriu sua missão de dar a sua vida em favor daqueles que o amam e o servem. Sim, é extremamente reducionista nos contentar com esses presentes superficiais e esquecermos aquele que nos dá vida!
Você já tem esse presente? É um presente que não se acaba, pelo contrário, nos renova a cada dia. E toda a sua esperança estará nEle, que nunca vai te decepcionar. Bom presente!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Luto



Existem situações difíceis, ou mesmo impossíveis de se explicar. Um avião levando uma tripulação de pessoas que acumulavam tantas conquistas profissionais, tanto os atletas, como jornalistas, funcionários, pilotos e comissários, mas com certeza todos almejavam muito mais. 

O Brasil todo é Chapecó. A cidade do oeste catarinense agora ganhou quase 200 milhões de cidadãos, sem contar estrangeiros em todo mundo. Doeu muito ver 21 colegas jornalistas e profissionais de imprensa tendo a vida encerrada. Os atletas idem, assim como os funcionários da companhia aérea. 76 pessoas que não estão mais entre nós.
Era uma final de competição de times da América Latina, em que um clube que ascendeu em um tempo rapidíssimo, mostrando a seriedade do trabalho de seus dirigentes, apoio da torcida e comprometimento dos atletas, e agora tinha o ponto máximo de todo esse trabalho sendo concretizado, chegando mais longe do que muitos poderiam imaginar. 


A efemeridade dos nossos dias não deixam de ocupar as reflexões em um momento como esse.

O Brasil nesses momentos esquece seus problemas sociais, econômicos sua conjuntura política, culturais, estruturais e de tantas ordens, para chorar junto com os familiares que sofrem tanto essa ausência repentina.

A solidariedade entra em campo nesse momento. É louvável a atitude do Atlético da Colômbia ter solicitado à entidade organizadora do campeonato para que declarem a Chapecoense. Também muito digno os clubes grandes que se propuseram a ceder 3 jogadores cada, pagando o salário, para o time voltar ano que vem. Torcedores se mobilizando para serem sócios da Chapecoense, somente para ajudar o time a se reerguer. O brasileiro em casos extremos se mobiliza e faz muita diferença!


Fica a dor, a comoção, as homenagens. A humanidade!. O livro de Salmos nos lança uma luz sobre esse fenômeno: "Os homens de origem humilde não passam de um sopro, os de origem importante não passam de mentira; pesados na balança, juntos não chegam ao peso de um sopro."
Salmos 62:9"