Blog do Paullo Di Castro


quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Impedimento é do Brasil



Não é a presidente Dilma que está sofrendo um progressivo e traumático processo de impedimento. É o Brasil. Com isso não atesto que o impeachment é um golpe, que não existe base legal ou qualquer discurso que esbravejam os aliados do governo, mas sim, com o olhar mais profundo, vemos que o projeto de poder dos grupos que nos governam é que historicamente trava o Brasil desde a democracia iniciada nas Diretas Já.

Dilma perdeu a governabilidade logo ao pegar a sucessão de Lula, a bolha da aplicação dos projetos sociais sem planejamento, e em especial os grandes esquemas de corrupção como Mensalão e Petrobrás, culminou em estourar em suas mãos. A habilidade política é inexistente, visto não ter ocupado nenhum cargo eleitoral antes de assumir o mais alto posto do país. A oratória é um desastre, o carisma idem. O que sobra?!

Sobra ser controlada pelos caciques do seu partido e por quem tem maioria no Congresso Nacional. A escolha do seu nome foi uma alternativa depois de muitas caírem por terra. José Dirceu, Palocci e Genuíno eram sucessores em potencial. Todos caíram. Precisavam de um perfil que destoasse do desgaste dos grandes do PT. Sobrou a Dilma. E para ela sobrou a bomba armada.

O principal responsável tem nome: PMDB. Um partido que veio do outrora aguerrido MDB, e com tanta sede de poder que cresceu na ditadura, viu aliados seus fundarem outros projetos políticos, tais como PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o PT de Lula. Mas o PMDB cresceu ainda mais. Não precisou ganhar nenhuma eleição com a cabeça de chapa, mas em todas foi o aliado de primeira obra, com controle das duas casas legislativas federais.

É incalculável o mal que o PMDB faz ao Brasil, juntamente com PT e PSDB, cada um em seu tempo. A estratégia deu muito certo para o continuísmo: Priorizar o legislativo, e negociar posteriormente o apoio com o executivo. Mesmo quando saía em uma eleição na chapa perdedora, ao iniciar o novo governo estavam abraçados.  

Assim como no impeachment de Collor, a maior sigla do país se novamente se vê na possibilidade de assumir a maior cadeira do Brasil. Não precisou de eleições para isso, era só passar para o lado certo na hora certa. O cenário agora é muito diferente de quando Itamar Franco assumiu em 1992. Não tem um novo plano monetário como o Real, nem uma pós-guerra fria para se construir novas relações de mercado. Agora o crédito já não é o mesmo.

Como pensar em mudanças concretas com a saída da presidente? A linha sucessória dos próximos três nomes são todos do PMDB. Um é o mesmo líder que já presidiu a Câmara e tem uma carreira de articulações pela manutenção no poder. O próximo é réu na Operação Lavajato da Polícia Federal, maior mantenedor do cargo de presidente usando todos os recursos do Regimento Interno da casa, o terceiro já renunciou mandato para sobreviver a processo, voltou ao topo naqueles ciclos que só a política partidária é capaz de fazer.

A saída de Dilma pode representar alguma oxigenação em termos de mercado, no ambiente político e social, porém, isso é só a ponta do iceberg. O velho PMDB está aí para tomar as rédeas, e continuar seu projeto de poder em altos escalões. Mesmo com processos enfrentados por Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não se consegue tirar três homens com essa envergadura política. O caminho poderia ser a impugnação da chapa pelo TSE. Pelos ministros indicados por esses governos que sempre foram norteados pelo PMDB. Seria possível? Sim, mas está longe de ser uma realidade.

Se convocada novas eleições, o que acontecerá? Qual nome tem sido levantado para potencializar uma nova perspectiva de comando do executivo? São perguntas que não tem respostas fáceis. O brasileiro tem saído às ruas, vestido de amarelo e exigido mudanças. Mas quando essas mudanças virão no voto? Qual dos mais de 30 partidos pode assumir? O impedimento maior até o momento é de todo o Brasil.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Carta do mandatário de Goyaz para a Presidente


Ilma.  e querida PresidentA!
 

Em primeiro lugar, quero dizer que muito além da questão partidária, tenho profundo respeito e admiração por Vossa Excelência! Nosso relacionamento político tem sido bom nesses últimos anos, mesmo porque o Brazil está sob o comando do seu partido desde o começo da década passada e Goyaz está sob o meu ainda antes da virada do milênio.

Reconheço que já peguei pesado com o seu líder máximo, falei para os quatro cantos que havia denunciado o mensalão para ele, como era vice-presidente do Senado na época, aproveitei da minha posição para tentar uma projeção nacional, coisa que nunca consegui. Mas apesar disso, deve reconhecer o benefício que fiz para a União ao entregar de mão beijada a nossa empresa de energia, maior patrimônio dos goianos.

Sou grato pelas verbas destinadas a Goyaz que nos repassou, e me permitiram tocar obras no estado todo, e fazer das propagandas elas ficarem muito maiores. Quase todas não consigo terminar, tem algumas que faço desde o primeiro mandato. O segredo é fazer o lançamento e injetar publicidade em toda a imprensa, aí faz tudo ficar mais bonito.

Contratei várias duplas sertanejas, cantores bregas e que o povão gosta, e com nossa projeção em Goyaz movimentam a economia do Brazil todo. Viu o desfile na Sapucaí que beleza? Pra conquistar aquela homenagem não medimos esforços.

Diante isso, venho pedir encarecidamente que me ajude na Segurança de Goyaz. A verdade é que não dou conta de melhorar nada nessa área aqui. São tantos comissionados e empresários que tenho que atender, aí eu tento fazer programas mirabolantes sem obedecer a lei e insisto até que me proíbam. Já até coloquei o meu vice que vai ficar com o abacaxi pra descascar.

Aqui em Goyaz tenho partidos da sua base que fazem parte da minha. Essa é a maravilha da política: Podemos defender bandeiras diferentes e de unir por conveniência em qualquer tempo! Tenho um monte de gente chata aí no Congresso, dois delegados que fazem barulho contra seu governo, mas para compensar isso tirei deles a chance de serem candidatos a prefeito da nossa capital.

Confiando na empatia com Vossa Excelência, peço que me mande recursos, Exército, Marinha (temos muitos rios aqui que podem servir pra eles), Aeronáutica, BOPE, qualquer coisa para nos ajudar!

Atenciosamente

Coronel de Goyaz

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Problemas e mais problemas


Estamos cercados de problemas. De todas as ordens e sentidos, nos deparamos com situações difíceis de resolver. Porém, mais que nossos próprios problemas, estamos cercados de pessoas com problemas. Cada vida é um poço fundo onde cabem muitos problemas. E o que isso nos diz respeito?

Parece que cuidar dos nossos próprios problemas já é mais que suficiente, compartilhar o dos outros pode ir além de nossas forças. Mas será que de fato somos impossibilitados de ajudar a vários outros e tentar lidar com tantos problemas?

Para tudo temos profissionais indicados. Em nossa saúde temos médicos de todas as especialidades, que podem encaminhar para outros profissionais resolverem problemas específicos: psicólogos, terapeutas, fisioterapeutas, técnicos em diversas coisas, e por aí vai. Para problemas com a justiça temos advogados... Prestadores de serviços de várias modalidades, todos prontos para vender sua força de trabalho e resolver problemas.

Ao trabalharmos temos que enfrentar problemas, como nos deslocar para o local de serviço, enfrentando trânsito, pagando combustível caro, ou passagem em transporte coletivo lotado. Depois lidarmos com colegas indesejáveis, chefes muito rigorosos, sermos cobrados por resultados e se virar com o salário que recebemos para pagar todas as contas. São muitos problemas!

As pessoas parecem imãs para problemas. Quando paramos poucos minutos para ouvir alguém facilmente deparamos com uma cachoeira de problemas. Às vezes a pessoa não se abre, aí por terceiros ficamos sabendo que a vida dela está muito pior do que aparenta. Problemas que não estão no nosso cotidiano, mas que vemos estourar a corda de outro.

Não é nada fácil lidar com tantos problemas. Ninguém consegue resolver todos os problemas do mundo. Mas, pensemos em Jesus. Não foi exatamente o que ele fez? Que problema maior a humanidade teve que o pecado original? E Cristo veio como homem exatamente por isso: “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.” Isaías 53:5.

Uma vez pago o preço por nossos pecados, Jesus resolveu o maior de nossos problemas. Estamos como peregrinos em uma sociedade corrompida por esse pecado e não por não ter ouvido, crido e confessado Cristo como nosso Senhor e Salvador. Porém, em Deus temos nossa esperança: “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade.” Salmos 46:1.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Tudo o que é muito bom



Quando acordamos pela manhã, o dia sempre nos reserva boas surpresas. Mas não as surpresas do que faremos, de que pessoas que encontraremos ou as conversas que teremos. Todos os dias nós recebemos presentes especiais, e muitas vezes não os notamos.

Cada manhã inicia de um jeito, no contemplar do céu da alvorada, um desenho novo se forma do sol chegando, mesmo quando escondido por névoa, nuvens ou chuva. É totalmente imprevisível o que podemos ver se apenas pararmos um tempo para observar.

Igualmente é fantástico o fim de tarde. Cada paisagem que vemos em desenho dos raios solares se despedindo seja em meio a nuvens com céu límpido ou carregadas de chuva. Dá a sensação, ao ficarmos um tempo observando, que vemos um grande artista pintar um quadro inesquecível, com a diferença que nem vemos suas mãos.

 
Em um dia dessa semana, o presente foi muito especial. Com uma vista privilegiada logo ao sair da casa que estamos hospedados, eu e minha esposa deparamos com um belo arco-íris em seu arco completo, e commmais um menos nítido por cima. Cena de tirar o fôlego, não tão bem retratada na foto de celular.

Outro dia foi a mesma coisa, mas na viração do dia. Ao longe via um espetáculo de um feixe de sol entre nuvens, com chuva misturada. Do outro lado estava a lua, cheia, nem parecendo um satélite sem luz própria, porque absorve reflete muito bem a luz que recebe.

Mais privilegiados que o sol, as nuvens, a lua ou qualquer corpo espacial, somos nós, que em vida podemos desfrutar de tudo isso. Será que temos aproveitado? Relacionarmos com essa criação é uma experiência ímpar. E com o Criador? Como temos aproveitado? Um artista que pode sempre estar presente na apreciação da sua obra, e que a fez para estarmos juntos diante dessa grandeza.

Não importa o quanto respiremos um ar puro, nos retiremos da cidade grande para procurar paz e tranquilidade em ambientes naturais, de que vale ter tudo isso sem de fato amar e buscar quem nos deu nossa própria vida para ter a alegria de fazer parte desse plano perfeito? De onde tudo veio, encontramos muito mais!

“E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom.
Gênesis 1:31a

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um ano para aprender


2015 não tivemos muito que comemorar, seja como cidadãos goianienses, goianos ou brasileiros. Vivemos dias nebulosos, imprecisos e de difícil diagnóstico. A resposta que virou um lugar comum é que tudo é culpa da crise. Tem muito fundamento essa afirmação. Mas a crise maior que vivemos não é a econômica. É a crise moral, acompanhadas pela crise da falta de bom senso, a crise sem desconfiômetro, a crise que trás a desonestidade, a corrupção, a apatia. Todas imorais.

As eleições de 2014 tiveram uma conta alta demais. Ainda estamos pagando. Tanto o Brasil quanto Goiás fizeram das tripas o corpo inteiro para garantirem a reeleição de seus governos. Muitas baixarias, caixas 2, 3, 4 a perder de vista, financiamento de campanha de empresas que serão devidamente recompensadas com perdão, isenção fiscal e negociatas de licitações fraudulentas e muita mão lavando a outra. A imoralidade encontra muitas brechas na lei, e todas que são encontradas são preenchidas.

O governo Dilma vive a pior crise desde a era Lula, que começou (por ironia) 13 anos atrás. A bomba estourou nas primeiras investigações de corrupção na Petrobrás e os presos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal tiveram estilhaços que pegou todos os escalões do governo. Para a presidente sobrou uma conturbada abertura de processo de Impeachment, que por enquanto foi salvo pelo gongo do recesso de final de ano. A relação com o vice Michel Temer abalou, como sintoma do fiel da balança PMDB decidir sua vida no Congresso. 2016 ainda promete fortes capítulos nessa novela em que existe um “mar vermelho” para se atravessar.

Em Goiás a coisa não anda melhor. O “pacote de maldades” do governo veio maior que qualquer saco de papai Noel nesse fim de ano. Os servidores tem diversos benefícios cortados. Os Hospitais gerenciados por Organizações Sociais recebem alto investimento e realizam poucos atendimentos para o tamanho da demanda. CREDEQs e várias obras prometidas caminham a passos de lesma. O pagamento de IPVA é antecipado. A segurança que sempre é instrumento eleitoreiro assiste uma categoria desgastada e fazendo paralizações. A educação vê a implantação de três projetos levarem mais de 20 escolas a serem ocupadas por estudantes e apoiadores. Pra terminar, mais de 1 milhão é gasto para promover shows dos sertanejos Leonardo e Eduardo Costa, intitulado “Cabaré”, e da funkeira Anitta, que foi rebolar em evento para crianças da OVG.
 
Goiânia vê dias complicados na receita, crise política no rompimento do vice Agenor Mariano com o prefeito Paulo Garcia, obras inacabadas e em ritmo de tartaruga. Mesmo com um fôlego para pagar a folha e anunciar concursos, a insatisfação e conturbados momentos políticos afetam e muito o dia dia da população. Criminalidade e assassinatos aumentando nas ruas diariamente. Da promessa faraônica de 81 CMEIs em 2012 o prefeito entra no último ano muito longe dessa meta. Talvez ela estava em aberto e a intenção é dobrar...
 
O ano que passou deixou muitas lições. Como cidadãos, nossa responsabilidade aumenta diante de tantos fatos determinantes para passar tantos pontos a limpo. O combate a corrupção é a maior tarefa que temos para inibir o mau uso do dinheiro público. Com 1,5 milhão de assinaturas, o projeto 10 Medidas Contra a Corrupção pode virar lei. Faltam pouco menos de 300 mil. Acesse o site da campanha do Ministério Público Federal aqui e dê sua contribuição, assim como fiscalizar diariamente a vida de quem deve nos prestar contas.

sábado, 24 de outubro de 2015

De volta para o presente


Chegou o dia 21 de outubro de 2015, data prevista para a viagem no futuro lá nos anos 80, vivida pelos personagens Marty McFly e Dr. Emmett Brown na série de filmes “De volta para o Futuro” representado atores Michael J. Fox e Christopher Lloyd respectivamente. Diversas homenagens e comparações foram feitas para aquilo que o cinema idealizou e o que temos hoje. Eles acertaram muita coisa, e em outras estamos perto ou longe de ter, assim como surgiram outras que nem chegam perto do que foi sonhado lá atrás.

Em meio e a tudo isso tive um sonho bem interessante. Sonhei com esses caras vindo parar em Goiânia! Sim, minha querida terra que completa 82 anos nesse 24 de outubro. Como sou vizinho da Praça Cívica, ao centro da cidade, caminhava despreocupadamente quando avistei o DeLorean ao lado do Monumento das 3 Raças. Segue o diálogo após me apresentar para aqueles dois figuras.

- Como é que é? Viemos para no Brasil? Terra de Pelé! Vocês continuam jogando aquele bolão, como Seleção de 82? – perguntou Dr. Brown.

- Éeee...Não exatamente! Fomos pentacampeões, mas nosso time não anda lá essas coisas. A Alemanha ganhou de 7x1 na última Copa, que por acaso foi aqui....

- Eita! Mas vamos mudar o papo. Tou vendo umas arquiteturas que não parecem coisa de século XXI, estamos mesmo em 2015? - perguntou McFly.

- Sim, estamos. Nós temos orgulho em Goiânia de ter essa arquitetura de Arte Déco, como esse Palácio verde, que é sede do governo. Esse monumento ao lado simboliza o homem branco, o indígena e o negro, que já moravam aqui e ajudaram na construção da cidade.

- Uau, e os indígenas, como vivem hoje? Tenho muita curiosidade para saber sobre eles -  disse Dr. Brown.

- Não muito bem, muitos não possuem demarcação de suas terras e vivem com muita influência de nós da cidade, pegam nossas doenças que antes não pegavam, tem acesso difícil à educação e saúde e muitos são mortos, infelizmente. Os negros estão mais inseridos na identidade do brasileiro, mas ainda tem os que ficam em suas comunidades, chamadas de quilombolas, e os que tentam preservar sua cultura em várias cidades.

- Que triste! Eles mereciam tratamento melhor. Mas você nos leva pra dar uma volta na cidade? Quero muito saber as novidades que temos por aqui.

Então os conduzo pela Av. Goiás abaixo, eles ficam admirados com a beleza das ilhas e com o tanto de carro que passa. Passamos pela estátua da Praça do Bandeirante, e fico com medo de responder de quem se trata, ainda mais depois do que ouviram sobre os negros e os índios. Sorte que não perguntaram. Viram de longe o Estádio Olímpico e Centro de Excelência e pediram pra ir lá. Com vergonha respondo que não está pronto, mesmo sendo derrubado pra reforma desde o ano 2000. Chegamos na Praça do Trabalhador, eles pedem pra ver a Maria Fumaça de perto.

- Podemos dar um passeio nela? Seria fantástico! – pergunta McFly.

-Infelizmente não. Está desativada. Hoje o país muitos poucos trens em funcionamento.

- Mas como vocês transportam carga por esse país tão grande? Já inventaram transporte aéreo mais funcional? Até agora estive olhando para o céu e não vi nenhum! – disse o doutor.

- O transporte aéreo ainda é muito caro. Para passageiros ficou popular, mas os aeroportos com frequência ficam lotados e nos faz ter longas esperas, fazendo conexões pra todo lado.

- Que desperdício de tempo! Mas tem um transporte mais rápido por terra? – pergunta McFly.

- Pra cidade estão construindo na Avenida que passa aqui, tá vendo aquele monte de terra adiante? Pena que pra isso derrubaram muitas árvores.

- Por que não fizeram subterrâneo para poupar as pobres árvores e dar mais qualidade de vida pra vocês? – questiona Dr. Brown.

- Os custos são muito altos, mas teríamos condições sim, porém o que mais impede é a corrupção em todas as esferas da sociedade.

Depois disso continuamos o passeio. Sigo na Av. Independência até o Lago das Rosas. Eles se admiram com a beleza de lá, e perguntam o que mais tem pra ficar tudo cercado.

- Aqui também é o zoológico da cidade, várias espécies de animais estão aí, presas.

- Ainda com essa ideia de deixar os bichos presos no meio da cidade? Que sociedade burra a nossa! Por que não soltam eles no habitat natural, longe de nós? Eu desenvolveria uma realidade virtual que seria bem mais emocionante que ver eles desse jeito! – diz o doutor.

Percebo que McFly está chorando em silêncio. Ele viu uma mãe com bebê no colo sentada na calçada enquanto o marido com o filho pequeno ao lado pede dinheiro no sinal na Avenida Anhanguera.

Continuamos até o Setor Bueno, vão comentando várias coisas no caminho. Chegamos no Parque Vaca Brava. Eles ficam perguntando se não é perigoso alguns que andam de bicicleta em meio aos carros.

-É sim, estão fazendo ciclovias para se andar só de bicicleta. Mas ainda tem poucas e algumas em más condições.

- Pelo tanto de carro que temos visto aqui, acho que eles que tem prioridade. – acerta na mosca o Dr. Brown.

Tomamos uma água de côco por lá, depois fomos ao Shopping para tentar mostrar algo “moderno” para eles. Só chama atenção deles o celular touch screen e o tablet (vi um sorriso de satisfação no Dr. Brown de já ter inventado aquilo). No cinema 3D acharam legal, mas saíram com a sensação de que esperavam mais.

Seguimos o city tour pela T-63. Perguntam do monumento de lá e eu desconverso. Acho melhor levar eles pro Areião. Ficam encantados com os bambus e os macacos de lá, até que um deles rouba a pipoca de McFly.

Então fomos para o Parque Flamboyant, acho que enjoaram de parques, apesar de terem gostado, admiraram o tanto de prédio na região e ficaram incomodados com alguns sons alternativos e shows de duplas que haviam ouvido por lá e antes no Marista.

Resolvi levar eles pro Centro Cultural Oscar Niemayer. Muita gente andando de skate e patins. McFly ficou doido pra saber se já tinham inventado o skate que flutua. Ficou decepcionado que ainda não existem no mercado.

- O que funciona em cada prédio desse? - pergunta o doutor.

- Ali tem o Palácio da Música, tem shows muito bons, desde rock a música clássica.

- E aquele ali? – aponta para onde eu menos queria.

- Beeem, era pra ser uma Biblioteca, só que não foi liberada para uso, não suportaria o peso dos livros.

-Uai, mas aqui não leva o nome daquele famoso arquiteto, não foi o que projetou a capital? – diz, coçando a cabeleira.

- Sim, mas o projeto não é exatamente dele.

- Aaah...

Desconverso de novo e eles fazem menção de querer ir embora, não sem antes comer uma típica comida goiana, da qual apaixonaram, após serem orientados a não mascar o caroço do pequi.

Volto para deixá-los na máquina, e bem receoso pergunto o que acharam da cidade como um todo.

- Sabe, eu sempre dei valor a construção de grandes edifícios, de máquinas ultramodernas e invenções que ajudam o povo a viver melhor. Mas hoje estou mudando meu conceito. Acho que prefiro a simplicidade de um povo acolhedor, as belezas naturais iguais a que vocês tem sobrando aqui. Notei muita coisa ruim, fruto de irresponsabilidade principalmente das autoridades de vocês, mas o que tem de mais valor aqui é a identidade de vocês. Não percam esse jeito acolhedor e simples! Diz o doutor aplaudindo.

Já constrangido, olho para McFly e vejo novamente ele chorando.

- Cara, nunca imaginei que depois de tantos anos vocês iam conservar coisas tão bonitas mesmo com tanta maldade no mundo. O doutor tem razão, continuem assim! O maior tesouro de vocês está naquilo que receberam na natureza e no que são.

Me despedi dos novos amigos e caminho para casa com um turbilhão de coisas no pensamento. Mas as últimas palavras deles reverberaram muitas vezes. Que bom viver em 2015 e não perder valores que valem muito mais que qualquer coisa que o homem possa fazer!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Memórias de um ex-torcedor


O futebol brasileiro surpreendeu o planeta em 58 com um jovem de 17 anos que virou o melhor do mundo, logo depois em 62 um "anjo de pernas tortas" deixava os adversários com torcicolo, a constelação de 70 sacramentou uma hegemonia e um grito além da ditadura militar, a experiência de craques em 94 como um baixinho que fazia gol de cabeça entre dois zagueiros gigantes ou um fenômeno que teve uma recuperação pós-cirúrgica extraordinária e decidiu o penta em 2002.

Memórias de um passado que vai se tornando cada vez mais distante e não conquista uma nova geração de torcedores apaixonados, que durmam abraçados com uma bola e vão ao estádio em família acompanhar a seleção brasileira ou o time de coração. A Copa do Mundo que idealizada conquistas mágicas agora faz parte de um pesadelo que a maioria dos brasileiros depois de 2014 quer esquecer.

Que a Confederação Brasileira de Futebol é a entidade privada que mais lucra no país todos sabem, que fizeram lobby pra abafar a CPI da Nike em 2001 também, que sempre foi comandada pelo quarteto João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marín e Marco Polo Del Nero idem. 

Além da noticia de uma terceirização do futebol da Seleção Brasileira para outra empresa privada explorar de todas as formas possíveis e inimagináveis, da bilheteria à escalação do time em amistosos, tudo passar por eles, e assim engordam o bolso de todos, às custas claro, do torcedor. Agora sete poderosos da cartolagem brasileira, incluindo Marin, foram presos na Suíça pelo FBI. As acusações são de uma interminável lista.

Os que muitos desconfiavam mas poucos viam vai sendo aberto, o cerne da podridão das negociatas por trás da amarelinha entrar em campo. Não bastam negociar partidas ou campeonatos, como o muito mal explicado Mundial de 98, é preciso também operar para usufruir de todas as possibilidades de lucro para a cartolagem se deliciar com o dinheiro, poder e o que mais o circo armado permitir.

Torcer para a seleção brasileira hoje é alimentar espetáculos caça-níqueis, de jogadores que ignoram as raízes e se dedicam a uma bem sucedida carreira européia. Mais nem tão cumplices quanto os dirigentes e empresários que se esbaldam em cima de nós e contam com conivência da maior emissora de TV do país monopolizando a transmissão e repassando migalhas para concorrência. 

Torcer para o clube do coração ainda gera uma identificação, a proximidade que nunca uma seleção comandada por poucos vai trazer. Meninos hoje em dia preferem ganhar muitas coisas a ter um uniforme oficial ou uma bola para sonharem ser um novo Pelé. 

O processo de esfriamento da relação entre seleção e torcedor alcançou patamares nunca vistos. As consequências serão visíveis em poucos anos. Aos mais velhos, restará a nostalgia, a flâmula na parede, o pôster do Penta, o suspiro... Lembranças de quando tinham para quem torcer representando o Brasil.

domingo, 26 de abril de 2015

Reduzir a maioridade é reduzir oportunidades

 
O tema da vez é o projeto de redução da maioridade penal, conhecido como PL 171. Existem muitos argumentos prós e contras, enaltecer os principais é chover no molhado. Penso que o debate é mais profundo.

Fico pensando na mente de um garoto de 16 anos. Ele já pertence a uma sociedade de grande imoralidade, que falta com a ética, é corrupta e criminosa. Escola do crime ele pode ter em casa, na sua rua, na escola ou em qualquer grupo social que freqüente. O que ele tem a perder pagando por um crime nessa fase da vida? Muito!
 
Com esses parâmetros aqui fora, o que sobra para aprender em cárcere privado? Sobra fazer uma pós-graduação do crime, uma anulação de anos cruciais para o desenvolvimento de sua maturidade e formação como cidadão sendo jogada fora e antecipando o aprendizado das maiores formas de continuar a fazer o que não presta. 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tem um texto belíssimo e assegura direitos invioláveis para nossa juventude. Ele precisa ser defendido, e claro, aplicado. A aprovação desse PL é um retrocesso e um lavar de mãos perigoso  para como esses jovens.
 
Longe de querer ser Rousseau, creio que a repreensão de delitos para essa faixa etária também se faz necessária, porém, o tempo é de fazer medidas socioeducativas e incentivar sua formação continuar, e não ser interrompida. 
 
Passar a mão na cabeça  não pode ajudar de fato o cidadão a melhorar. Mas punir uma pessoa em um momento que sua educação é crucial pode ser jogá-lo em um caminho sem volta. Educação precisa ser prioridade, muito além de discursos políticos. 
 
Sou contra a redução para não só remediar, mas para se atuar com contundência na prevenção. Temos a oportunidade de formar uma nova geração que tenha base acadêmica e neutralize o avanço criminal. Não obstante o Código Penal brasileiro ser da década de 40, a verdadeira justiça é dar a cada um o que é seu. Aos jovens, seja dada a formação do saber.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Arte


 

A arte ultrapassa os limites da percepção, ela vai além de um simples conceito;

Ela une um criador com uma criação, trás o novo, mas com velhos elementos;

Tudo o que se está em volta vira arte, depende de o autor dar um jeito;

Compreende o que vê, examina o que sente, e materializa os sentimentos.

 

A arte é um traço, se o pincel continuar, de muitos traços vira uma nova forma;

Ela se esmera para abrir horizontes, espera-se uma novidade incrível;

Para quem de fato a aprecia, se torna seu intérprete que dela se informa;

Encontra-se uma relação efêmera, mas que trará um ensino tangível.

 

As ideias transbordam no chão, basta-se buscar uma direção;

Entre pinturas, músicas, cenas, danças, esculturas e algo mais;

Respeita-se um novo ser nascendo, fruto de uma empenhada ação.

 

De todos os artistas, um fez mais que muito, o autor do estudo;

Entre todas as formas, matérias-primas do que se faz arte;

Ele criou a vida, o universo, a natureza e o que mais existe em tudo.

 

domingo, 5 de abril de 2015

O maravilhoso dia


 

Era o primeiro dia da semana, parece que tudo voltaria ao que era antes, mas sem o conforto, a esperança e a companhia das mais sábias palavras que já ouviram. Será que tudo fora um sonho? As mulheres, cheias de iniciativas, prepararam seus aromas e estavam levando ao túmulo de Jesus. Qual não foi a surpresa de se depararem com dois homens cheios de luz ao lado de um lugar vazio, sem a pedra que o lacrava e o separava de quem até dois dias antes estava entre eles.

“Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressussitou!” Foi o que os homens as disseram, deixando-as com grande medo. Eles relembraram as próprias palavras de Jesus, que até agora pareciam não fazer sentido. Cristo havia dito mais de uma vez que estava lá para ser entregue na mão de pecadores, morto e que ressuscitaria no terceiro dia. Quem tinha a fé para lembrar e crer nisso?

As primeiras missionárias de Jesus correram pra falar aos outros sobre aquilo que viram e ouviram. Os discípulos de Jesus pareciam não acreditar nas mulheres. Pedro, depois de um processo de restauração e que tanto sofreu na morte de Jesus, correu para se certificar do que elas falaram. Ele viu que era verdade.

Dois outros discípulos iam para outra terra, desconsolados por tudo o que viveram nos últimos anos ter terminado de maneira trágica. Subitamente entra na viagem uma pessoa que parecia não compartilhar as dores. Ela seria o mais desinformado de toda a região? Como não saber de tantas coisas que aconteceram? Mas essa companhia foi se revelando um grande sábio, conhecedor de toda a história do povo de Deus e das escrituras.

Às vezes estamos como aqueles discípulos, ao nosso lado temos a companhia do Mestre dos mestres e nossos olhos estão fechados para Ele. Ouvimos as palavras dEle serem ditas em vários lugares e nosso coração arde com esses ensinamentos. Ele prometeu que nunca nos deixaria só. Ele cumpriu.

Após aparecer a todos os discípulos, até mostrar as marcas de suas mãos ao mais incrédulo, Jesus volta para relembrar de tudo que ensinara, e agora com a promessa sendo cumprida. “Paz seja conosco,” é a bênção do mestre entre nós. Novamente compartilhando o pão, relacionando-se, ensinando, trazendo a paz que excede todo entendimento.

Os dias se passam, multidões o veem. Tudo fica mais claro agora. O testemunho vivo de sua vitória na cruz triunfa contra o pecado. Em seu nome ficou a missão de pregarmos o arrependimento e confissão de pecados. Ele subiu aos céus para estar à direita do Pai. Ele deixou o Consolador entre nós.

O terceiro dia foi um dia de alegria, de vitória, de esperança e confirmação da mensagem da cruz. Sua vida, seu sangue, seu espírito, seu poder e sua glória estão sobre nós. Fomos sarados, filhos da nova aliança. Ele está vivo! Vive em nós! Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade!