Blog do Paullo Di Castro


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Farda de luto



Tragédia, perplexidade, tristeza, perdas e várias perguntas. Esse é o momento que vive a Polícia Civil do estado de Goiás, e consequentemente todos os goianos. A situação chegou a esse triste quandro após a queda do helicóptero Coala nessa terça-feira, 8 de maio, após a 2ª reconstituição feita pela polícia no caso que já havia chocado todo o Brasil, que resultou em um assassinato brutal de sete pessoas no município de Doverlândia.

Cinco delegados que estavam no vôo, alguns jovens, porém experientes, e outros com uma folha extensa de serviços prestados na corporação. Dentre eles Antônio Gonçalves, na Polícia desde 1969, responsável por casos como o sequestro de Pedrinho pela empresária Vilma Martins, e Jorge Moreira, que comandou operações da morte de Polyanna, o assassino Corumbá, dentre muitos outros.

Profissionais sérios, de competência comprovada, sempre atendiam bem a imprensa. Lembro-me com certa emoção de uma entrevista com o delegado Jorge Moreira sobre o caso Polyanna, infelizmente não tenho mais o áudio dela, mas lembro-me que ele disse algo com o “As dores de perder um filho eu não conheço, mas as dores de buscar justiça estou acostumado, e nada faz me acomodar com elas.”

Um ofício tão difícil, que confronta com a miséria humana, os extremos da maldade de seres que passam por cima de quaisquer conceitos e valores. Lidar com isso no dia a dia, ter a energia de lidar com mentes desqualificadas e inoperantes, tantos os espinhos nesse caminho. Terminar a vida em um acidente aéreo não é uma forma plausível de pessoas com dessa envergadura.

Goiás passando por momentos tão instáveis, de crise política profunda, que reflete diretamente no serviço da Polícia Civil, que tinha um início de greve de servidores marcada para hoje. O secretário de Segurança Pública João Furtado faz uma gestão conturbada, transmitindo uma seriedade que não se estende às ações e percalços que atingem a segurança do estado.

É fácil cogitar várias implicações sobre esse acidente, principalmente da parte do assassino Aparecido Sousa Alves, que aos 22 anos foi o pivô de um crime bárbaro e depois a razão de um acidente trágico com alguns dos melhores profissionais de combate ao crime. As investigações continuarão, mas sofrem desfalques importantes em seu processo, assim como diversas delegacias e departamentos da Polícia Civil. Perdem-se grandes profissionais e consequentemente agilidade no caso, já a perda de valor humano é inestimável e insubstituível.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

#FORAMARCONI

Em 1984 tinha apenas um ano de idade, só anos depois vendo imagens na televisão que me lembro de assistir as passeatas pelas Diretas em várias partes do Brasil, eram anos em que a falida Ditadura Militar dava seus últimos suspiros e o país caminhava para profundas transformações sociais. Mais tarde, em 1992, vi a população brasileira pintar a cara e exigir a saída do primeiro presidente eleito democraticamente. Não vi mais minha geração tomar atitudes parecidas, nem em nível nacional, muito menos regionalmente. 




De lá pra cá, poucas foram as manifestações populares significativas que mostraram a insatisfação do povo com o seu governante. Em Goiás, a coisa andava mais devagar ainda, o histórico de coronelismo, familiocracia e os modos arcaicos de governar não tinham ainda provocado alguma mobilização que chamasse a atenção, isso durou até o quarto mês do segundo ano do terceiro mandato do governador Marconi Perillo. 


No dia 14 de abril, pela primeira vez diversos grupos se organizaram via Facebook em especial, com muitos comentários também no Twitter, vídeos no Youtube, com fins de irem às ruas em protesto contra os últimos acontecimentos envolvendo políticos goianos, em especial Marconi, muito citado em várias gravações, além do já "morto politicamente" e "ex-paladino da moralidade" Demóstenes Torres, flagrado em diversas escutas telefônicas reveladas na Operação Monte Carlo que investiga as relações ilícitas do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos de diversos partidos.




Na segunda semana, dia 21, aliado ao movimento nacional contra a corrupção, o Fora Marconi ganhou mais peso, saiu da Assembléia Legislativa, foi até a Praça Tamandaré, e voltou pra Praça Cívica, terminando em frente ao prédio do TRE, local em que dois incidentes aconteceram, mas que foram atos isolados de pessoas que não entenderam (ou fingiram que não), o propósito da organização. Aglomerados urbanos, de tantas pessoas diferentes infelizmente estão sujeitos a isso, mas o foco do protesto foi mantido.


A presença foi significativa, principalmente pelo fato inédito que representava. A cobertura da imprensa deu um bom espaço, tirando um ou outro veículo que não disfarçam as relações com o governo, os quais tentaram diminuir como puderam os efeitos do que o povo queria. A assessoria do governador insistiu em argumentar que era a favor da expressão livre e democrática, porém não achava que a manifestação expressava a opinião dos goianos, além de atacar veículos de comunicação que mostram podres da administração pública. Sim, o governo foi eleito no voto democrático, mas atitudes assim em uma época de mídias instantâneas e informação acessível, é um tiro no pé.




O que está acontecendo não é uma tentativa de terceiro turno, mas sim pessoas levantando da frente do computador e agindo como podem, mesmo com a maioria elegendo, ninguém é obrigado a esperar 4 anos para se indignar e mostrar isso de forma ordeira e expressiva. Termos uma queda do governador é a coisa mais difícil de acontecer, mas quem disse que as Diretas, o Fora Collor foram fáceis? Se esse não for o caminho, mas sim uma varredura na equipe do governo, como aos poucos está acontecendo, e parlamentares de calças curtas explicando o inexplicável, já é um ganho considerável.


Recentes notícias como a conturbada venda da casa de Marconi que virou de Cachoeira, em um condomínio de luxo de Goiânia, que o Estadão trouxe detalhes, dão mais ingredientes para o III Fora Marconi, que foi marcado para esse sábado, dia 05 de maio, 10h com saída no Lago das Rosas, do Setor Oeste. É prudente ao governo mudar a postura e não desqualificar um movimento que ganha proporções maiores, assim como as denúncias e provas que vem surgindo. Muitas mudanças vem acontecendo, e que os trabalhos de CPIs e do Poder Judiciário não ignorem a voz das ruas em suas investigações e julgamentos. 


Fotos de Victor Mileo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Quem investiga quem?


A Operação Monte Carlo se desdobra em proporções a perder de vista, todo dia são fatos novos, provas novas, nomes novos envolvidos com o que aparentemente seria só a exploração ilegal do jogo do bicho em Goiás, agora virou o maior esquema de corrupção da política nacional. Sem esquecer o mensalão, cujas investigações reaparecem, com muita propulsão de guerra partidária, mas são ofuscadas por tantos envolvimentos de agentes públicos em torno de um empresário, de uma construtora e uma CPMI surgindo com a árdua missão de julgar os envolvidos, mas aí vem mais problemas: Quem vai julgar?

Alguns pontos da legislação brasileira não favorecem o trato isento de quem investiga e decide o destino dos agentes políticos apanhados em manobras ilícitas. As cotas de nomeações do judiciário são a maior prova disso; os chefes do executivo escolherem boa parcela da instância que julgam eles próprios, não é o que se pode chamar de colegiado isento.

No legislativo as escolhas de relatores e presidentes das Comissões Parlamentares Mistas de Inquéritos fazem parte, como em toda a maneira de fazer política, de conchavos e acordos partidários. Buscando um ilusório equilíbrio da mesa que irá julgar os colegas, e chamar para depor aqueles que normalmente estão envolvidos com vários da casa. Credibilidade é uma palavra que não passa muito aí.

Historicamente o povo sempre tem ao que recorrer por meio do Ministério Público, o único órgão de representatividade que não passa pelos mesmos crivos de nomeações das outras instâncias do Poder Judiciário, diferente dos Tribunais de Contas, que não dificilmente deixam passar aprovações de contas dos governantes que os colocaram lá. Mas o que acontece quando até membros do outrora ilibado MP entra na roda das investigações?

No executivo vemos os governadores de Goiás e do DF, talvez até o do Rio de Janeiro, preocupados com o que mais respingará em seus nomes nas escutas telefônicas da Polícia Federal. Qualquer envolvimento com a mega operação é perigoso, mas o excesso de publicidade do caso não ajuda em sua solução, a mídia em parte se cala por ter a quem responder nos envolvidos, em parte denuncia com teor de maior agravante que as provas aparecem, deixando o povo perplexo e sem esperança alguma na famigerada classe política.

Desanima pensar em onde, tanto a CPMI quanto as investigações da Polícia Federal, vão chegar. Parece não haver um horizonte que permita um desfecho que mostre pra sociedade o tanto de bandido e os poucos mocinhos. A sujeira da lama condena todo mundo, mas a influência do poder maquia a cara da maioria.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Tá liberado! Para nossa alegria, só que não!

Enquanto o Brasil se vê às voltas com a Operação Monte Carlo, os trabalhos no Congresso Nacional seguem. Na noite dessa quarta-feira, no Plenário da Câmara dos Deputados, nossos representantes votaram uma Lei seríssima, cujas consequências poderão ser bem graves. A Lei Geral da Copa, propõe questões vitais para o andamento do Mundial de Futebol de 2014. Uma das pauta sempre recai no futebol brasileiro: A venda de cervejas. 


Primeiramente é bom deixar claro: Não bebo, não gosto de cervejas, com raríssimas exceções, o que mais raramente ainda me leva a saborear alguma. Independente disso, meu posicionamento nessa questão não se limita a gosto pessoal, mas sim a preocupação das eminências proporções que a liberação pode causar. Isso pra mim é uma carta branca para o torcedor ficar livre pra agir como bem o álcool o quiser controlar, em uma competição como a Copa do Mundo, trazendo visitantes de todas as partes do mundo, os riscos só aumentam.


Claro que fazer "esquenta" em bares de arredores é normal, na porta do estádio é inevitável, muitos entram já "calibrados", agora isso não se compara à venda dentro do local, onde o torcedor ficará por mais de duas horas, com as emoções a flor da pele. O consumo desenfreado, aliado ao contágio que o jogo proporciona não transmitem a menor segurança. Parece tempestade em copo d'água, mas confusões podem ser armadas a qualquer momento.


É claro que o interesse da FIFA é pela liberação, o dinheiro que entra e interesse popular são maiores, passando por cima de todos os riscos que se fica sujeito. O que o Estatuto do Torcedor (na proibição da venda), delibera não é nada nessa hora, dinheiro é tudo. E com certeza alguns parlamentares estão muito bem recompensados por essa medida, como lhes é peculiar em todas as votações. Veja aqui a lista com os votos dos deputados.


A UEFA, entidade que rege o futebol da Europa, foi exatamente na contramão, proibindo a comercialização de bebida alcóolica em seus estádios. A diferença da cultura de estádios lá com o Brasil é gritante, e essa disparidade só faz ressaltar isso. Com o empurrãozinho das autoridades pouca coisa vai mudar, e com toda corrupção que assola a organização da Copa, mesmo com a presidente tomando medidas rígidas, mais um ingrediente põe o Brasil em situação delicada ao sediar o Mundial.


Parabéns aos deputados Ronaldo Caiado (DEM) e Armando Virgílio (PSD) que se posicionaram no plenário e defenderam no twitter a favor da proibição. Lamento pelos deputados goianos que votaram o não contra as bebidas: Flávia Moraes (PDT), Jovair Arantes (PTB), Leandro Vilela (PMDB), Magna Mofatto (PTB), Marina Santanna (PT), Pedro Chaves (PMDB), Rubens Otoni (PT), Sandes Junior (PP) e Valdivino de Oliveira (PSDB). Fizeram um desserviço à população, e as consequências virão.


Em tempo: A lei ainda dá a autonomia aos estados-sedes para decidir, a matéria ainda será votada no senado, mas não é difícil imaginar o lobby e o esforço para que tudo saia como convém a quem é de interesse.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Até tu, Demóstenes?




Essa é a pergunta que o Brasil mais tem feito nas últimas horas. O senador que por anos construíu uma  imagem de caráter ilibado, luta pela ética e honra, formação juridica brilhante, que despontou em Goiás como um grande secretário de Segurança Pública e Justiça, que o levou ao Congresso para se tornar referência na área. Agora tudo entra em xeque, ao cair uma bomba sobre as fortes ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.


De algumas semanas pra cá, o envolvimento já era desenhado, porém, sem nada que atingisse em cheio o senador, até a revista Carta Capital soltar a matéria: "Os 30% de Demóstenes". A participação do parlamentar seria bem maior que a imaginada pela maioria. Escutas da Polícia Federal dariam conta que o montante de R$ 170,00 seria repassados em 1/3 para Demóstenes, que por indicações controlaria a legalidade das máquinas caça-níqueis em Goiás.


Em seu twitter, Demóstenes se defendeu com o juridiquês cabível, negando veementemente qualquer veracidade dessas informações. Sim, ele tem todo o direito a defesa, o que todo jurista nos faz questão de lembrar. As influências que o senador tem no Poder Judiciário, são percebidas no fato que que a  Procuradoria Geral da República teria recebido as denúncias da Polícia Federal em 2009, e não teria levado o caso adiante, como levantou o jornalista Josias de Souza em seu blog.


As denúncias não estão aliviando o lado partidário, visto que são citados também os deputados Rubens Otoni (PT), Carlos Alberto Leréia (PSDB), Sandes Júnior (PP) e Jovair Arantes (PTB), e até o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), esse porém de forma mais superficial, apenas com o negócio de uma casa em um condomínio de luxo, que pertencia a Marconi e foi vendida para Cachoeira, segundo esse um "presente" para seu filho que estava casando.


Com tamanho trânsito que o senador tem nesses meios, e sua formação, fica mais difícil acreditar em sua na inocência. Seu partido, o Democratas, já está em enorme descrédito desde a queda de José Roberto Arruda no DF, e a debandanda de vários filiados para o ressurreto PSD. No mesmo dia em que o deputado Ronaldo Caiado, tal como Demóstenes respeitado pela sua seriedade, alegou também no twitter não assinar a CPI que investigaria Cachoeira, a bomba explode pro lado de Demóstenes. Coincidência?


Não votei em Demóstenes em sua última disputa eleitoral, o motivo foi um fato isolado, do mesmo ter sido contrário à obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Fora críticas pontuais, nunca duvidei do homem Demóstenes Torres. Agora resta acompanhar o prosseguimento do caso, e ver se essa reserva moral cairá por terra, e decepcionará mais ainda os brasileiros com a descreditada classe política.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Religião x Estado




Três personalidades, três extremos, três influências, três líderes cristãos que viraram notícia em três dias. As comparações entre eles param por aí. O motivo das manchetes diferem bastante, e infelizmente, para muitos são farinhas do mesmo saco. É preciso um exercício de despir-se de generalizações para poder de forma clara se entender quem de fato são e qual a realidade de cada um.


Nessa quarta-feira o que pipocou nos jornais e mais ainda nas redes sociais foi o anúncio da presidenta Dilma do novo Ministro da Pesca, trata-se de Marcelo Crivella (PRB), senador que tem um longo histórico ligado como bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. O que muitos não sabem é que o mesmo não faz mais parte dessa denominação, e a ligação com práticas polêmicas dessa e de seu líder Edir Macedo não fundamentam o trabalho parlamentar de Crivella. Pode-se argumentar que o mesmo não é qualificado para tal ministério. Mas quem o é? Já se foi uma polêmica a criação dessa pasta, desmembrada do Ministério da Agricultura.

As piadas e trocadilhos com passagens bíblicas são inevitáveis, dado o nome da pasta, daí se vê o rótulo impregnado na sociedade, que não vê naturalmente a inserção de líderes ligados a igrejas no poder. O senador já foi um defensor eficiente de Direitos Humanos e lavanta bandeiras sociais importantes no Congresso, as pessoas precisam separar a atuação política de qualquer ofício e ligações indiretas com pessoas de caráter duvidosos. Muitas análises entendem que a indicação ao cargo foi uma trégua do Planalto com a bancada evangélica, mas isso é negado pela mesma.


A afirmação é do deputado federal goiano João Campos (PSDB). Líder da Frente Parlamentar Evangélica e delegado de Polícia, daí se julga um perfil conservador, o que de fato é. Também criou bafafá na imprensa ao propor um Projeto de Decreto Legislativo para tornar sem efeito a resolução que estabelece normas de atuação dos psicólogos em relação à orientação sexual dos pacientes. Com isso declarou não querer estabelecer o comportamento sexual como doença, mas dar autonomia para uma orientação. 

Isso significaria o direito de se tratar para uma mudança de opção sexual, aí o embate está formado tanto com a comunidade GLBT (não sei qual a última sigla usada), como para quem simplesmente não vê razões para se encaixar o comportamento em qualquer aspecto de saúde pública. Eu penso assim, com ressalvas. Dar orientação pode ser válido, enquanto for um conflito mental para a pessoa, caso contrário, o Estado não deve interferir. Isso dá muito pano pra manga, eis um bom estudo sobre o assunto aqui.


Muito diferente dos dois políticos, está o Bispo da Igreja Anglicana Robinson Cavalcanti, a trágica morte dele e de sua esposa sensibilizou o país, porém muito mais aqueles que acompanharam a obra literária, pregações e posicionamentos de muita relevância de quem tinha muita propriedade para falar. Pra mim não cabe discutir sobre adoção e o comportamento desequilibrado de um filho acolhido por ele e mergulhado nas drogas.

A muito admiro a sensatez e clareza desse ministro do evangelho. Não se resguardava de assuntos polêmicos e aplicava os ensinos bíblicos a uma perspectiva moderna diante das realidades seculares. Seu livro Cristianismo e Política - Teoria Bíblica e Prática Histórica, rompeu as barreiras que insistem em taxar a mistura de igreja e Estado com a atuação de quem professa uma fé cristã na política militante, indo muito além disso. Nada mais apropriado para se analisar o momento de Marcelo Crivella e João Campos. 
Para conhecer mais a história desse servo de Deus, leia aqui. 


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

E agora, carnaval?



              E agora, carnaval?
              A festa acabou,
              a luz desligou,
              o povo sumiu,
              a noite esfriou,
              e agora, carnaval?
              e agora, folião?
              você que é sem nome,
              que veste abadá,
              você que faz enredo,
              que pula, extravasa?
              e agora, carnaval?
              Está sem mulata,
              está sem bateria,
              está sem alegoria,
              já não pode beber,
              já não pode agarrar,
              dinheiro já não há,
              a noite esfriou,
              a quarta de cinzas chegou,
              o ritmo se perdeu,
              o riso acabou
              não veio a utopia
              e tudo se findou
              e tudo fugiu
              e tudo se guardou,
              e agora, carnaval?
              E agora, carnaval?
              Sua falsa alegria,
              seu instante de delírio,
              sua gula e bebedice,
              sua mídia,
              sua estampa de ouro,
              seu terno de purpurina,
              sua incoerência,
              sua tristeza - e agora?
              Com a bandeira no chão
              quer abrir a porta,
              não existe abre-alas;
              quer morrer na avenida,
              mas a avenida abriu;
              quer ir para a Sapucaí,
              Sapucaí não há mais.
              carnaval, e agora?
              Se você gritasse,
              se você caísse,
              se você tocasse
              o samba portelense,
              se você desmaiasse,
              se você cansasse,
              se você morresse...
              Mas você não morre,
              você é duro, carnaval!
              Sozinho sem apitos
              qual bicho-do-mato,
              sem desfiles,
              seu carro desmontado
              para se encostar,
              sem Globeleza
              que sambe a galope,
              você marcha, carnaval!
              carnaval, para onde?*
       
Após um período de férias, o Feira de Assuntos volta para ser espaço de opinião, reflexão, edificação e troca de idéias. Novidades no lay-out, ferramentas e conteúdos estão por vir. O blog, assim como muita coisa nesse país, volta agora, mas 2012 já começou com tudo, desde o primeiro dia de janeiro para os em sã consciência e de atitude, e espero que cada vez menos essa dita festa popular seja o divisor do calendário para dar início de fato a um novo ano. Enquanto essa mentalidade estiver na cabeça do brasileiro, as consequências dessa prevaricação irão ser cada vez mais prejudiciais. 


* Paráfrase do poema "E agora, José?" de Carlos Drummond de Andrade.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

2011



É comum em textos de final de ano as famosas listas de melhores ou piores, as retrospectivas pautadas por assuntos, os planos para o futuro traçados. As vezes privilegiamos acontecimento em detrimento à pessoas.

Decidi fazer algo diferente, tal como 2011 foi um ano intenso, de muitos desafios, alegrias e tristezas, e principalmente de pessoas sendo decisivas para mim, não pensei em nada melhor senão agradecer em poucas palavras cada personagem que me foi importante esse ano, infelizmente alguns ficarei em falta, mas o registro no meu coração está garantido.

Deus: Palavras são poucas pra expressar o amor supremo demonstrado por mim, mesmo vendo tanta apostasia, indiferença ao meu redor, fostes presente no meu viver, porque não há nada melhor que viver pra Ti!

Pai: Tantas lutas contra o parkinson e outros males, em meio a dores vejo a mesma alegria de viver, a escrita afiada e a luta pelo melhor futuro da família. Mesmo eu fazendo pouco, te amo muito!;

Mãe: Encerrastes o ciclo de dedicação total pra vovó, o maior amor de filha que poderia presenciar, segue na luta para cuidar do nosso lar, despejando amor e dedicação que só uma mãe sabe dar;

Vovó: A despedida foi um misto de sensações, da saudade, do dever cumprido, e da gratidão a Deus por todo o tempo que deixaste essa maravilhosa criatura ao nosso lado. Amor para sempre;

Polliana: Feliz de te ver na luta no quadrado federal, trabalhando em um órgão tão importante, me passando tanto conteúdo bom. Agradeço, me desculpe qualquer coisa, te amo muito!;

Priscilla: Foi bom ver dedicação à vovó e nossos pais, a reforma da sua casa e a vinda do mais novo membro da família. Creio que a realização de muitos sonhos seus estão por vir. Te amo demais!;

João Marcos: Você me surpreende com inteligência, com as descobertas e todas as melhores coisas de ser criança, e crescer em estatura e graça perante Deus. Te amo, pequeno grandão;

Dori: Cuidar tão bem da minha irmã e meu(s) sobrinhos me faz ter gratidão e apreço por sua vida. Deus te fortaça pra continuar chefeando sua casa com maestria. Valeu!;

Neura: Ter alguém como você preenche grandemente em nossa família, tanta presteza para acompanhar meus avós em tantos anos, e continuar te tendo ao nosso lado é muito especial;

Mayara: Você chegou de mansinho, ou eu me aproximei devagarinho, o fato é que sua presença me faz muitíssimo bem, sonhar ao seu lado faz tudo se realizar de maneira mais especial. Amo você!;

Flecha: Mesmo correndo igual uma Flecha (rs), ter sua amizade é sempre fundamental, mais que música, pit-dog, ou jogar conversa fora, contar contigo faz a vida ser melhor, te amo, cara!;

Vinícius (serve pra Jú também! rs), andar com você(s) é sempre um privilégio, gente que quero levar pra sempre no coração, e ao lado, representam inspiração e alegria. Amo vocês!;

Família S142: João Pedro, André Demori, Arthur Moisés, Rodrigo Soucedo (Daniela): Muito mais que fazer som, obrigado pela amizade, as estradas, as trelas e tudo mais, vocês são rock'n roll!;

Pastores: Eurípedes, Beny, DJ, Antônio Paulo, Renato, Erickson, Burjack, Artur, Ricardo Salém;

Tchurma da MPC: Susi, Fabrício, Moraes, Karine, Raul, Rafaela, Welson, Gabriela, Sarah, Nathália, Eugênio, Dilma, Issac, Alex, Fabrício, galerinha das escolas e demais voluntários, conselho;

Igrejas: Maranatha, Central, Bethânia (Jataí);

IPVida: Elisandra, Edvani, Anselmo, Thays, Vilma, Viviane, Róbson, Helen, Marco, Cristiane, Alexandre, Rafaely, Isac;

Touch: Marcos Vinícius, André Luiz, Joana;

Prosa e Canto: Betão, Márcia, Rubão, Simone, Lu e Dread Zion, Rogério, Léo Barbosa. PróHumanos, Carlinhos Veiga, Josimar Bianchi;

Amigos de madrugadas, viagens, varejos e furadas: Caio Guimarães, Thiago Bittencourt, Felipe Roxo, Emilio Mota (Samira), Vittor Brunno (Susie), Wendel, Moacir;

Bandas: Restaura, Black Drummer Band, Expresso Luz, TES, Thape, Ministério Aliança;

Amigos saudosos da FARA: Sarah, Hidley, Laryssa, Patrícia P, Patrícia R, Adolair, Laura, Johnthan, Danilla, Pedro, Diêgo, Luciléia, Priscylla, Jaine, Cláudia, Brunna e os mestres queridos;

Amigos em distâncias físicas: Júlio César (Andréia), Priscila V, Tâmara, Roberta, Rodrigo Franklin, Gabriel (Gláucia), Talita, Joshua (Brooke), Leozinho, Júnior, Saulo (Daniela);

Colegas de ofício: Elizeth Araújo, Thiago Marques, Vassil Oliveira, Altair Tavares, Eduardo Sartorato, Rafhael Borges, Luís Gustavo, Tetê Ribeiro, Soila Steter, Honória Dietz;

Amigos das redes sociais, especialmente twitter, facebook e os sobreviventes do orkut! rs.

Sim, deixei de citar um monte de gente, alguns me inspiram de longe, celebridades e anônimos, políticos, pastores, atletas, músicos, jornalistas, escritores, pensadores, alienadores, outros me afetam mais de perto; todos me completam, me fazem um ser humano mais relacional, menos superficial e mais emotivo, ou racional. Que em 2012 mantenha todos esses contatos e agregue mais outros.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Um menino

Era uma vez um menino chamado Emanuel. Ele era um menino comum, brincava como todos os outros, obedecia seus pais, os ajudava em tudo que podia, já que eram de família muito humilde, quando nasceu, mesmo tendo ganhado alguns presentes, não tinha nenhuma estrutura no local improvisado, mas veio ao mundo em meio a adversidades, para ser instrumento de amor.

Ele cresceu mostrando grande sabedoria, sentava em rodas com doutores e lhes ensinava muitas coisas, questionava outras também, deixando todos muito impressionados. Os pais também ficavam as vezes sem entender o prodígio que era aquela criança. Logo foi aprender a profissão do pai, o que também desempenhava com grande talento.

Imagina ter um amigo de infância assim? Em nenhum momento ia te colocar pra baixo, e nem dar mostras de orgulho ou soberba, de esnobe ele não tinha nada, ia ser pura diversão brincar, aprender e se divertir ao lado dessa pessoa especial. Cada aniversário dele com certeza a festa é grande, e hoje, mais de dois mil anos depois, continua sendo.

Esse menino ao ficar adulto faria coisas em três anos que mudaria a história da humanidade pra sempre. Simplesmente porque foi a prova viva do maior amor do mundo, mandado por seu Pai, não aquele carpinteiro que o criou aqui, mas o que o mandou do céu, o fez ser homem, esvaziar de toda a sua glória, pra descer e passar pelas mesmas limitações de todo o homem.

Sim, esse menino é Jesus Cristo, o filho de Deus, Emanuel é só um de seus nomes, que representa Deus conosco, buscando intimidade e uma caminhada sadia e amável ao nosso lado. Em todo o fim de ano paramos pra lembrar um pouco desse nascimento, que dividiu o calendário e marcou a Nova Aliança de Deus com seu povo. Um resgate eterno!

Essa data não é definitiva e concreta sobre o nascimento de Jesus, mas simboliza esse momento ímpar, em que Deus se fez homem e habitou entre nós, vindo a pagar o preço por nossos pecados, derramando seu sangue em uma cruz. Mais que qualquer tradição de festas, reuniões de família, presentes, felicitações, tudo isso pode ser bom, mas o que importa é centrar na figura de Cristo, a razão da nossa existência, o autor e consumador da nossa fé.

A Ele toda honra e glória!


“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.“
Isaías 9:6

domingo, 18 de dezembro de 2011

Promessas e realidades


No último domingo, o Brasil parou para um evento com cheiro de novidade, nas proporções que foi e na vitrine que se apresentou. Ver a Rede Globo começar a programação da tarde transmitindo um festival com vários cantores cristãos trouxe um fator inédito que acarretou diversas discussões entre os evangélicos e demais. 18 pontos no IBOPE e muito falatório nas redes sociais.

Em duas pontas se via claramente posicionamentos de vibração pelo feito, e de condenação. Prefiro o caminho de ponderação, não ficar em cima do muro, mas enaltecer os prós e contras que observei acompanhando a transmissão e os comentários em blogs, twitter e facebook. 

Confesso que estava com os dois pés atrás antes de começar, imaginando que seria um típico "showzão gospel", cheio de pirotecnias pra animar auditório (no caso, um público muito maior). Tive boas surpresas, assim como incômodos pela exposição por vezes equivocada da palavra de Deus. Não entro no mérito de nenhum dos artistas convidados, todos podem ser instrumentos precisos de propagação do evangelho, mesmo com teologias equivocadas

Interesse comercial da Globo? Não existe nada mais óbvio, não poderia ser diferente. Isso já começou a um tempo investindo no famigerado mercado de vendas de CD's através da Som Livre, um simples pesquisa mostra o potencial consumidor do público em questão. Um evento assim não é nada mais que um passo estratégico para pegar mais fatias do bolo. Os anúncios da Igreja Fonte da Vida e de Silas Malafaia no intervalo mostram a grandeza dessa roda econômica.

E onde está o evangelho, muitas vezes cobrados por alguns como o puro e simples? Ele existe. E pra mim apareceu com clareza no fechamento do festival, quando todos os participantes se reuniram pra cantar a belíssima canção "Alto Preço", de Asaph Borba. A letra fala por si, leia cada verso e reflita bem essa mensagem: 

Eu sei que foi pago um alto preço
Para que contigo eu fosse um meu irmão
Quando Jesus derramou sua vida
Ele pensava em ti, Ele pensava em mim,
Pensava em nós 
 
E nos via redimidos por seu sangue
Lutando o bom combate do Senhor
Lado a lado trabalhando, sua Igreja edificando
E rompendo as barreiras pelo amor.
 

E na força do Espírito Santo nós proclamamos aqui
Que pagaremos o preço de sermos um só coração no Senhor
E por mais que as trevas militem e nos tentem separar
Com nosso olhos em Cristo, unidos iremos andar. 

Isso é um compromisso de vida, de caminhar com Cristo e uns com os outros, ambos extremamente desafiadores, o que reflete inteiramente na mensagem da cruz. Quem está disposto a pagar esse preço? O de Jesus foi infinitamente maior. Pode ser utópico pensar que isso penetrou no coração da maioria que assistiu, mas se uma só alma foi salva, já valeu a pena, se alguns cegaram com distorções da palavra de Deus, lamentável, e que cada um firme na essência do amor de Deus, seja ele pregado para multidões, ou nos simples gestos dos "pequenos cristos." Retendo o que é bom, fiquemos com o evangelho.
Ele respondeu: " ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’".
Lucas 10:27

"Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’".
Lucas 10:27
Ele respondeu: " ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’".
Lucas 10:27