Blog do Paullo Di Castro


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Rock in Sofá

E foi-se o primeiro fim de semana do Rock in Rio, que pra mim bem que poderia ter sido o único, trocando umas atrações da geração 2000 MTV. Alguns momentos realmente dava vontade de estar lá, naquela multidão imensa sentindo os amplificadores penetrar nos seus ouvidos, com todo aquele cenário megalomaníaco, mas, mesmo longe dos 40, o melhor programa ainda parece acompanhar tudo do sofá.

Nem fiz questão de me programar pra ver os shows que queria. O que foi legal é que nos dois horários que não me impediram de fazer absolutamente nada no meu fim de semana: o fim de tarde e o fim de noite/madrugada, já rolavam os shows que mais queria ver, a única coisa que deixei de fazer pra assistir foi dormir o necessário. Mas o que são umas horinhas de sono pra se ouvir um momento único daquelas bandas que estão no seu playlist desde que você se entende por gente?

Começou a festa na sexta-feira, passei o ouvido por uns encontros no palco Sunset que absolutamente não me agradaram. Mas logo pra compensar vi mais uma vez a união das duas das bandas brasucas que mais devo ter ouvido na vida: Paralamas e Titãs. O show em si não era muita novidade, visto que já fizeram turnês juntos, tanto que já os vi em Goiânia, mas a emoção de dois repertórios que só tem hits juntos, Hebert se revezando com Miklos, Britto e Branco, além das duas bateras quebrarem tudo, acompanhado dos metais, e com uma novidade agora: a Orquestra Sinfônica Brasileira deu um colorido a mais aos repertórios das bandas. Quanto às "estrelas" da noite, Katty Perry, Rihanna e Elton John (respeito mas não gosto)? Próximo dia, por favor!

O segundo dia pra mim só se resumia em em quatro palavras, abreviadas por RHCP, mas ainda tive a surpresa de ver a Nação Zumbi, que estavam meio sumidos, colocar o mangue pesado de Recife em evidência, com Tulipa Ruiz de brinde. Assisti a um pouco do Stone Sour e nem lembrava que Mike Portnoy tava tocando com os caras, depois vi alguma coisa do Snow Patrol. Mas a noite já bastava pra conferir o Red Hot Chili Peppers. Flea pra varia usando camisa da seleção, calça rosa (melhor que só cueca), e claro, tocando o baixo como se fosse a última coisa que faria na vida, Chad Smith com os grooves precisos de sempre, e com uma batera de acrílico lindíssima. Anthony parecia bem centrado, e o guitar novato Josh Klinghoffer não é um Fruciante nem um Navarro, mas tem luz própria, só da banda não tocar tão chapada como foi em 2001 já foi ótimo, que showzaço!

O terceiro dia é aquele que honra o nome do festival, apesar de terem uns arranjos injustos, como bem lembrou Bruno Medina aqui, a noite prometia lavar a alma de quem se indignou com as atrações enlatadas do festival. no fim da tarde acompanhei o Angra chover a muralha de guitarras, e ter a presença quase inusitada de Tarja, ex-Nightwish, quem conhece seu vocal diferenciado, sabia o que esperar, mas não se esperava era a limitação de Edu Falashi, que com quase unanimidade de opiniões nas redes sociais, cantou muito mal, mas até compensou em alguns sucessos clássicos. Queria até ver o Sepultura, mas nem perdi muito, depois deu pra acompanhar um pouco do Motörhead, Lemmy sempre o ogro mais rock'n roll que eu já vi, power trio cruzão, sem frescuras, impossível não lembrar a decepção do show deles cancelado em Goiânia.

Coheed and Cambria e Glória vi pouca coisa, fora a curiosidade de ver Eloy Casagrande nem me interessava, quando começou o Slipknot, fiquei meio paralisado, parei de ficar vendo os outros comentários na net e trocando PC e TV e concentrei no espetáculo trash, brutal e inventivo dos mascarados. Não é som pra se ouvir com crianças, com certeza, mas tentar entender a concepção musical dos caras é no mínimo interessante. Depois de ver a batera rodopiar de todas as formas, fogos e sangue, um intervalo de atraso que só não foi estressante pelo que acabava de ver.

O Metallica finalmente entrou no palco e cumpriu a risca todas as expectativas. Uma carreira como a deles permite um repertório que parece até rápido tal a vibração que impõe aos amantes do metal, e olha que foi o show mais longo. Não são mais os mesmo mocinhos dos anos 80 e 90, mas a energia continua lá em cima. A banda se destaca pelo coletivo, o líder imponente e os outros "disciplinados", o batera Lars Urich, muito bom de papo, faz o arroz com feijão, e deixa uma sensação que a banda poderia ser melhor servida, mas quem ousa contestar o seu papel na história do Metallica? Deixa o enjoado lá.

Valeu a audiência, aguentar os repórteres da Globo batendo cabeça por falta de informação, o som sofrido que retransmitiam os shows, mas tudo isso de graça no seu sofá, não dá muito pra reclamar. O próximo fim de semana não merece a mesma atenção que esse, mesmo com Steve Wonder, Jamiroquai, System of a Down e até o Coldplay destoando dos demais, é muita porcaria junta pra gente considerar um Rock in Rio de verdade. Melhor esperar o SWU!

sábado, 10 de setembro de 2011

Brasil do 7, do 11, do 21, de todos setembros


Parece que sempre temos pautas inevitáveis em certos períodos do ano, seja por fenômenos da natureza, por datas de acontecimentos marcantes, por feriados ou ocasiões meramente comemorativas que são o filão para o comércio vender uma imagem em cima de um sentimento específico. Tudo como uma grande roda-viva que se diferencia pelas peculiaridades que um dia após o outro pode trazer.

Não quero falar de 11 de setembro, chega! Cansei, passou, lições foram aprendidas, egos foram feridos e vidas sacrificadas. Também prefiro não citar enchentes no sul, tantas cidades alagadas, casas com tudo dentro perdido, famílias se amontoando em ginásios. A necessidade de mobilização, solidariedade, chega tímida, não mais que as providências das autoridades. Igualmente não falarei sobre seca, meio ambiente castigado, os problemas respiratórios, dificuldades com a escassez do elemento água, a chuva que um dia finalmente virá.

Falar de Brasília? Pior ainda! Lembrar que o projetista daquela perfeição arquitetônica com mais de um centenário de vida concluiu que deveria ter feito um camburão em vez de um avião no traçado, para assim abrigar a espécie de representantes do povo naquele lugar, que usam como pinico um vaso de flores. Precisa falar mais sobre peculato, propina, uso inadequado do dinheiro público? A informação já chegou! A mudança, não.

E o futebol? Não era nossa menina dos olhos, uma seleção imbatível, com craques disputados nas mais altas cifras dos mercados da bola? Onde está a soberania? Ficou em algum gramado europeu, na crava da chuteira de jogadores que sequer pisam no Brasil. Foi usada como concreto para reformar algum estádio para a Copa de 2014? Onde está a transparência, as prestações de contas das licitações ? E as contas do presidente vitalício da CBF, quem tem cacife para derrubá-lo?

Olha que ficamos só nos nossos problemas, e se formos servir de colo para o Egito e a Líbia? Que palavra de esperança temos pra eles, vindos de um país emergente em pós regime ditatorial que custa tanto a aprender andar nos passos democracia? Viramos um modelo de como não fazer? Ou recomendamos que entrem no falido método socialista do vizinho Hugo Chavez e da ilha de Fidel?

No meio disso tempos que dar espaço para diversidade sexual, para a religiosidade partidária, para direito disso, daquilo, do segmento x, da representatividade y. Onde estão nossas prioridades? Morrendo nas filas de pacientes vítimas da negligência do atendimento de saúde público? Ou esquecidas e sem o aparato para se receber educação digna?
É fato que datas como a Independência do Brasil, tenha o valor titular que tiver, ou o atentado às torres gêmeas de Nova York, mexem com o brio de todos. Paramos para pensar na vulnerabilidade do ser humano, e a dificuldade de se impor diante dos desafios inesperados, ou aqueles ao qual nunca estamos prontos. Como brasileiro, resta não virar as costas para as duras realidades que nos rodeiam, e deixar de ser apenas indignado, perplexo para ser agente de mudanças sociais profundas, sempre mais fáceis no discurso que na ação.

domingo, 4 de setembro de 2011

Parei de contar

Parei de contar um ponto
para quem sabe fazer amar
e terminar em um breve conto
o que não queria acabar.

Queria ter um incentivo 
de fazer de novo, e procurar unir,
mas não se passa no crivo
quando muito se quer insistir.

Uma brasa fora da chama
logo vai  apagar
o desejo de quem se ama.

Voltar a sonhar
as vezes parece um erro maior,
de quem só queria amar.



sábado, 27 de agosto de 2011

Infidelidade Conjugal Profissional

Não deixo de me surpreender com certas iniciativas que chegam em nossa sociedade, no pior sentido possível, por mais que seja inovador para alguns, para quem tem convicções que se afrontam com essas "novidades", é um choque assimilar que vivemos dias em que movimentos assim sejam difundidos. Uma das invenções que cresce no Brasil, são sites especializados em infidelidade conjugal.

Quando estava no Rio com minha banda, em uma noite fomos jantar na casa do nosso pastor anfitrião, e a TV foi ligada no Programa do Ratinho, embora meus protestos para se trocar de canal, outros certamente para zoar, insistiram para deixar naquele produto cultural popular. Não é que para minha surpresa, entre as baixarias peculiares com exames de DNA e afins, realiza-se um debate para mim impensado até o momento: Os serviços de um site que promove encontros extra-conjugais.

Já famosos em outros países, agora chegaram com tudo por aqui. A mulher proprietária de um site falava com segurança, se baseava em pesquisas de comportamento matrimonial no Brasil, algo como mais de 15 milhões de brasileiros não tem vida sexual ativa no casamento, e para ela isso é prerrogativa suficiente para "pular a cerca." Ainda veio com lero-lero de ser um incentivo à própria melhora na vida sexual dentro do casamento, como um aperitivo que vai despertar mais o desejo pelo companheiro oficial.

A gente espera ver e ouvir muita coisa nessa vida, mas tem algumas que chegam realmente para desestabilizar qualquer expectativa sua. Qual é minha propriedade para falar de casamento, sendo solteiro, ainda longe de um enlace? Pessoalmente muito pouca, com certeza, porém, parto de princípios bem maiores que qualquer experiência que um casal possa viver.

Ontem foi veiculada no Jornal da Globo outra matéria sobre o assunto. Uma mulher de 15 anos disse que buscava "um tempero, para preparar melhor a salada!", outro homem com 8 anos de união, buscou outra parceira, também casada, por curiosidade: "não tive a sensação de arrependimento, não!" - afirmou. O negócio cresce no Brasil, em pouco tempo já somos o país campeão em adesões nesses sites especializados. O cadastro é feito e o processo sem rastros, no mais alto sigilo.

A fala de outra gerente de site: "Nós não evitamos a infidelidade, nós a aperfeiçoamos. Se for fazer, faça certo." Parece assim ser a prestação de serviço que vai atender uma prática inevitável, sim, de fato é isso que acontece, mas existe um padrão de formação da família tradicional que não comporta essa prática. Qual é o sentido de estar em união estável com uma pessoa e não ter a simples confiança de que ela é fiel a você? Relacionamento aberto definitivamente não é normal para quem acredita em uma família estável, de companheirismo mútuo e verdadeiro.

Pode-se pregar a mudança de formas de relacionamento, em tempos de levantar-se bandeiras homo-afetivas e atiçar o consumo peculiar da sociedade, com perfis bem definidos de público, um novo nincho de mercado é explorado. Mas tantos confrontos a base de uma instituição como a família não pode ser vista como mera mudança de mercado. Por mais frequência que aconteça, não é explorando e organizando serviços para se trair que teremos a liberdade de agir e ferir valores tão importantes. 

Temo pelo futuro das famílias, outrora tão sabiamente formadas, hoje com adaptações lamentáveis para quem busca por um amor verdadeiro, a formação de um lar estável e que transmita o que temos de mais sagrado para novas gerações. Cuide da sua, enquanto não lhe é ortogada o direito de se esfacelar por tendências ultra-modernas.
 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dias sabáticos

Poucas vezes narro um texto aqui em primeira pessoa, sempre quero me dirigir aos terceiros que estão lendo, mesmo sabendo a importância de absorver bem o que escrevo, para primeiramente buscar reflexão, começando por mim. A fuga da impessoalidade é ilusória, porém necessária para um pouco de privacidade em minha vida. Em alguns momentos, sinto a vontade de gritar e botar pra fora várias percepções do que vivo. E, depois de vários dias sem capacidade para escrever uma linha, uso esse espaço para um desabafo pessoal.

Um mês se passou do falecimento de minha vó, uma nova página na família se desenhando, uma transição muito difícil de se concluir, sendo que a corda não estoura na minha mão, só se desenrrola bem perto, e o que mais quero é ficar longe. De lá pra cá, foram muitos tombos, decepções e amarguras. Mas algumas lições preciosas nos são ensinadas nesse período, e algumas certezas se confirmam. Não quero expor detalhes de mais nada, mas pensar mais sobre nossas dificuldades pode me ajudar a superá-las.

Paralelo a isso, preciso tocar a minha vida, e quanto mais dificuldades vão sendo somadas, mais vejo que posso esmurecer, e me sentir impotente diante de vários desafios. Fases como essa me colocam em cheque quanto a tudo o que vivo e acredito, e o quanto preciso de um tempo sabático para pensar em meus problemas e lutar para superá-los.

Nesso processo, além de estar mais próximo de Deus, vejo como é importante ter e andar mais junto com os amigos! Quem está disposto a chorar comigo, se preocupar todos os dias, ligando, visitando, por um sms ou recado em redes sociais, em tempos de tanto estrangulamento de nosso tempo, dar um valor merecido a já tão importante nomenclatura de amizade é um presente inigualável.

Nessa reclusão, por mais natural que seja ficar mais em casa, buscar força entre minhas próprias coisas, em algum momento sair, ver novos ares é muito importante, em certos dias não tenho força alguma pra isso, mas quando surge uma boa oportunidade, nada como desfrutar de momentos diferenciados, de preferência com seus bons e velhos amigos ao lado.

Deus é tão bom e misericordioso, que me providenciou alguns momentos pra serem hiatos de refrigério em meio a tanta tribulação. Algumas pessoas de longe chegaram a pensar que estava em uma vida mansa, tudo na mais absoluta tranquilidade, por mais que a verdade fosse o oposto disso, passar essa imagem acaba sendo um alento de que nem tudo estava tão ruim assim. 

São tantas passagens bíblicas que me ajudam em momentos assim, tantas canções. Algumas simplesmente servem pra me fazer chorar e botar pra fora tudo o que aquele momento de maior angústia me reserva, outras são o consolo necessário para eu ter a esperança que isso vai passar, que dificuldades diferentes virão, mas que vou sair desssa outra pessoa, mais forte e experiente que quando entrei em tudo isso.

A medicina ajuda como pode as pessoas a superar problemas assim, administrando química no cérebro e longos tratamentos, infelizmente para muitos é a única solução, visto um diagnóstico de uma doença real, mas quando você sabe que não precisa disso, e o que te resta é se voltar mais pra Deus, gritar por misericórdia como o cego de Jericó, a saída para uma cura pode ser mais rápida e confortante. Nada como contar com um Deus que não é limitado como o homem, e está sempre com a mão estendida para te socorrer.

Releio coisas que já escrevi aqui em fases que lembram essa, e vejo como foi importante passar por isso. Nada se resolveu do dia pra noite, tudo se arrastou por dias difíceis, alguns que pareciam intermináveis, mas a cada dia que começava, é mais uma oportunidade de vencê-lo e superar o seu próprio mal. Pode não ser logo, mas uma hora a gente percebe que o pior já passou, e os novos desafios precisam da sua força, dedicação, vontade de viver e conquistar muitas coisas que foram interrompidas por um breve momento.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Circuito Tribal - Rio de Janeiro

É difícil fazer em um único post um diário de bordo da viagem da minha banda, S142 pelo Rio de Janeiro, pra isso preciso explicar aos que não sabem os motivos que nos levaram lá, um pouco do processo de um ano atrás, que precisou virar o calendário pra finalmente pousarmos em solo carioca. Foi um concurso promovido pela web rádio Tribal, com mais de 70 bandas indicadas pelos ouvintes. A idéia era a rádio levar essa banda para divulgar seu trabalho e apoiar  igrejas de outra região, no caso desse Circuito, o local escolhido foi o Rio de Janeiro.

Após as indicações, começou a disputa na Fase 2 para 16 bandas, os ouvintes votavam apenas 1 vez por PC. Na terceira fase foram apenas 6 bandas, aí a votação estava liberada quantas vezes fosse. Na final, ficaram a nossa banda, mais a Restaura, de Jataí (nossos grandes amigos) e a Messias Jam de Anápolis, após disputa acirrada com os jataienses, ganhamos a o concurso. Inicialmente iríamos em novembro, por providência de Deus, foi suspenso antes de se acontecer a invasão ao Complexo do Alemão, na mesma data! Iríamos em três cidades diferentes, mas depois tudo caminhou para que um só lugar nos recebesse.


A viagem foi então adiada para julho desse ano, e finalmente chegou o dia! Acordamos por volta das 3 da manhã, para estar no aeroporto 4h30 e decolar às 5h30. Claro que a maioria dormiu muito pouco, somado à empolgação da viagem não era fácil. A tralha de instrumentos preocupava, para não se pagar excesso de bagagem, graças a Deus não foi preciso. O vôo foi bem tranquilo, sem escalas, conversávamos animados que nem vimos o tempo passar, e 7 horas já estávamos desembarcando. Os instrumentos demoraram a chegar, aquele receio deles não serem tratados como carga bruta, mas deu tudo certo.

Fomos recebidos por um pastor e um seminarista da Primeira Igreja Batista de Magé, que fica a 70km da capital, entramos na Kombi e partimos pra um tour na cidade. Fiquei impressionado com as vias expressas que, mesmo com muitos veículos, o trânsito fluia rápido. O trecho mais perto do Aeroporto do Galeão (que lugar imenso!), era de um aspecto bem feio, grosseiro. Chegamos estava tudo nublado, neblina básica, e interessantemente a medida que chegávamos para a região mais central e bela da cidade, o tempo se abria, como preparando para receber aqueles goianos, que em sua maioria ainda não conheciam aquela maravilha da criação de Deus.


Já caímos direto para um passeio, o que era oportuno, já que iríamos para outra cidade em seguida. Subir no Morro da Urca, andando pelos bondinhos do Pão de Açúcar é uma experiência que todos devem passar, deslumbrar com uma vista daquela, que alcança os principais pontos do Rio de Janeiro, realmente é uma experiância única. Passamos pela ponte Rio-Niterói, vimos vários navios e barcos cargueiros e obras pra todos os lados. A desigualdade infelizmente também marca, mesmo com as barreiras nas vias expressas que tentam encobrir algumas favelas.

Após um almoço no meio do caminho, fomos para nosso destino principal: A cidade de Guapimirim, mais precisamente no Distrito de Parada Modelo, local pequeno e bastante acolhedor, ladeado por serras e montanhas de perder de vista. A Primeira Igreja Batista de Parada Modelo nos acolheu, em plenas atividades, ao qual tivemos o simples trabalho de participar, e sermos muito bem tratados, bem mais que a encomenda! Um apartamento muito bem equipando nos esperava, no terceiro andar da igreja, e além da estrutura grande de lá, ainda tinha uma praçinha que nos deixou encantados na frente, com direito a um campinho socity pra ninguém botar defeito.


Na primeira noite fomos tocar em uma Congregação da igreja, em um lugar conhecido como KM 11. Lá os cerca de 20 membros compareceram no culto de quinta, no qual fizemos o louvor e ouvimos a palavra do pastor Artur Moraes, diretor da Rádio Tribal e nosso comandante na viagem. O apoio dele e da Marília, fazendo a produção e a técnica foram fundamentais em tudo. Esse culto foi bastante aconchegante, ver o carinho daqueles irmãos humildes, mas que nos abençoaram bem mais que fomos dispostos a oferecer a eles.

No segundo dia, acordamos tarde para recompor o sono atrasado, e desfrutamos mais das belas dependências da igreja (além da saborosa comida oferecida pelas irmãs, que não bastasse os fartos almoços, nos levavam lanches como bolos de laranja, cachorros quentes, pão com mortadela, e o inesquecível guaraná Paquera, novidade para nós. Ajudamos na Escola Bíblica de Férias que acontecia com mais de 200 crianças, e a noite participamos na abertura de um festival de música, que reuniu mais de 10 bandas e cantores. Vale ressaltar o nível dos músicos da região, com excelentes cantores, como Bruna Santos e instrumentistas, como o batera Matheus, de uns 13 anos, que foi finalista do Programa "Qual é o seu talento?", do SBT. 


No sábado conseguimos mais uma chance de ir passear na capital, uma confortável van nos foi providenciada, e partimos para um roteiro cheio das maravilhas cariocas. paramos na Barra da Tijuca para um mergulho, em um local tranquilo, e mesmo com o gelo da água, foi ótimo. De lá, partimos para conhecer as carimbadas praias do Leblon, Copacabana, Ipanema, Leme, dentre outras. Paramos nas obras do Maracanã, cruzamos todos o centro, com um lugar marcante atrás do outro, que já nos eram familiares pela exposição constante na mídia em geral, e agora tão perto de nós. Passamos no local em que estavam sendo escolhido os jogos das eliminatórias do Mundial 2014, tudo cercado por forte esquema de segurança. Ao voltar, passamos o som para o dia seguinte e curtimos a pracinha charmosa que fica na frente da igreja.

No domingo, último dia inteiro, participamos da Escola Bílblica Dominical, fazendo o louvor e acompanhando o encerramento da EBF, uma grande movimentação da criançada. Almoçamos mais uma vez o cardápio generoso dos irmãos, e só restou descansar e nos preparar para a noite. A banda reuniu pra orar em uma salinha especial, muito confortável, que nos fez ter um tempinho muito bom entre nós e com Deus. Esse escriba passou mal, indisposição estomacal e dor em todo o corpo; na base de remédio, e principalmente da graça de Deus, consegui tocar, e participar de tudo. Só não descia aquela comida maravilhosa do mesmo jeito, mas tudo bem!



A volta foi cansativa, acordar 5 da manhã, pra sair 5h30, e ainda com um atraso, corremos o risco de perder o vôo devido ao trânsito engarrafado, o que era previsível na volta às aulas em 1º de agosto. Mas deu tudo certo, embarcamos no Galeão e fizemos escala em Brasília, ouve um atraso e chegamos depois das 14h00. Cansados, mas imensamente gratos a Deus por tudo o que fez por nós; a rádio Tribal, que idealizou e viabilizou tudo isso; a todos os nossos amigos e parceiros que votaram incansavelmente em nós; todos que oraram por esse projeto e os que contribuíram; nossas famílias que tanto nos apoiaram, ao pastor Adílson Porto e todos da Primeira Igreja Batista de Parada Modelo. Valeu demais!

sábado, 23 de julho de 2011

Reabilitação?! Ela disse: Não, não, não!


Sim, o assunto é intensamente explorado pela mídia, em proporções provavelmente parecidas com a morte de Michael Jackson (guardando as devidas proporções de ambas as carreiras - musicais, é bom que se diga!), o velório é que com certeza será bem diferente do mito da música pop, aqui as histórias pra se contar serão bem menores, mas as análises da importância artística da passagem de Amy Winehouse por esse mundo já são suficientes pra muito pano pra manga.

É claro que lugares comuns são inevitáveis essa hora, visto a intensidade absurda que viveu essa jovem, com certeza no pior sentido pessoal. Seu casamento com Blake Fielder-Civil foi na literalidade do sexo, drogas e rock' n roll, necessariamente o segundo termo bem mais frequente que os outros dois. Isso foi o pano de fundo para se esconder a relevância do que fazia de melhor: cantar com o potencial de uma negra autêntica na escola americana dos subgêneros criados por essa cultura.

Mas a figura apática, magra e de total descuido da imagem contrastavam com o poder que teria sóbria em um palco. Mas vê-la de cara limpa era a mais difícil das coisas, acompanhada por uma super banda, com figurinos, maquilagem e todo um clima retrô, o que precisava era soltar o vozeirão do início ao fim de um show, e isso raramente acontecia. Perdia-se a chance de não só abrir caminhos para se consolidar uma concepção musical diferenciada, mas sim para mais páginas policiais e perplexidades com os excessos alucinógenos.

Resgata-se o que seria a “idade maldita do rock” ou de ídolos musicais que marcaram épocas, cada um deixou esse mundo aos 27 anos (pasmem, eu tenho essa idade!): Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain. Todos mudaram padrões e foram figuras épicas, cada um ao seu tempo e estilo. Mais que um numeral de anuidade, o que fica é a vulnerabilidade que todos se deixaram expor ainda tão jovens.

Não adianta muito fazer juízo de valor sobre como e porque mais uma celebridade da música faleceu, os fatos (a se confirmarem, e a maioria são muito claros), falam por si só. O legado foi pequeno, poderia ser muito maior, ao mesmo tempo em que se poderia cair no ostracismo, e a pessoa em vida deixar os holofotes e se trancafiar em casas de recuperação e em lugares inóspitos. Qual é a diferença? A vida, tão somente a vida!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Geraldina Celestina Guimarães


Foram 95 anos, 8 meses e 12 dias. Desde a Fazenda Sapé, às margens do rio Verdinho, no sudoeste de Goiás, passando por cidades goianas e também em Minas, até Jataí, lugar que consolidou como seu lar, ao lado de seu esposo Osório José Guimarães, bravo servo de Deus, marido, pai, avó e profissional, que foi chamado por Deus em 25 de março de 1997. 


De lá pra cá, Geraldina prosseguia, bravamente, mesmo com as limitações físicas que agravavam, coordenava o seu recanto, situado na Rua Riachuelo, nº 1381, no meio da cidade do mel, em frente ao Instituto Presbiteriano Samuel Graham, fundado pelos americanos que semearam o evangelho na cidade.


Por muitos anos, seu ministério foi o da evangelização, através da distribuição de panfletos, e da revista  devocional No Cenáculo, a qual sempre usou para o culto doméstico na família. Dona Geraldina também serviu por mais de 50 anos na Sociedade Auxiliadora Feminina, da Igreja Presbiteriana do Brasil.


Habilidades manuais  não lhe faltavam, desde o tear, até a confecção de doces caseiros, tudo passava pelo seu crivo, e contemplava com qualidade a vários outros. O movimento frenético em sua residência era sempre correspondido com uma mão estendida, seja para doar roupas, alimentar ou um breve cumprimento, completado por seu sorriso doce e angelical.


O prazer de receber e fazer visitas era imensurável, uma simples troca de olhares, já virava um animado diálogo, muitas vezes acompanhado de um convite para uma leitura edificante da palavra de Deus. Seu carisma quebrava o mais duro dos corações, qua viam que o amor ali compartilhado era maior que a frieza de qualquer indiferença humana.


Geraldina foi um presente de Deus a todos que tiveram o privilégio dessa convivência, de uma pequenina guerreira, de alma gigante. Deus pai, que a manteve entre nós, agora a levou, ao gozo de seu paraíso celeste. Após a vitória das Boda de Diamante com Osório, agora às margens do centenário, completa a sua carreira terrena, para brilhar mais ainda na eternidade.


Gratos a todos os amigos, e seus familiares que aqui ficam: 
Filhos: Jair, Wandir, Terezinha e Neura;
Netos: Alexandra, Carlos Alberto, Lurana, Larissa, Telma, Gláucia, Júlio César, Priscilla, Polliana e Paullo;
Bisnetos: Lorena, Aline, Tiago, Letícia, Carla, Andreas, Daniel, Hugo e João Marcos;
Genros e nora: Cloves, Júlio (in memorian) e Vitória.
"Herança do Senhor são os seus filhos e o fruto do ventre do Seu galardão." (Salmo 137:3)


Ps: Texto lido no culto de despedida de Geraldina. Vale ressaltar, a melhor homenagem é a que é feita em vida, e isso aconteceu em forma de livro, sete anos atrás, contando a trajetória dessa brava guerreira.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ridículos 2011

Terminou mais uma temporada da versão brasileira de um dos realitys shows de maior sucesso no mundo. O Ídolos 2011 chegou ao fim apregoando mais uma vez que o Brasil elegeu o seu novo ídolo, legado que tem deixado nos últimos anos, e fica a pegunta: Qual é a relevância desse legado para nossa música e cultura?

Aproveitando o ensejo de uma bela crítica feita pela minha amiga Janaína Rocha em seu twitter, penso no quão superficial é toda essa fórmula televisiva que arrebanha milhares de pessoas desejosos de ter o seu lugar ao sol em nossa música. Mas o sol que eles pegam é aquele escaldante enquanto aguardam nas imensas filas durante as audições. 

O recurso mais atrativo para o grande público é justamente a antítese do sucesso: O ridículo. Como bem brinca a sátira do programa feita pelo brilhante Tom Cavalcante, os candidatos toscos, que vão para se expor de maneira tragi-cômica, fazem mais sucesso que as brilhantes vozes que ainda passam por lá. no youtube bombam os vídeos dos candidatos mais cafonas e trashs quanto possível.

As figuras que compõe a bancada são distintos e bem sucedidas personalidades da música. Marco Camargo é o que permanece desde a primeira temporada, e com um grande rei na barriga, despeja antipatia e falta de tato em várias ocasiões. Luiza Possi, nascida em berço de ouro, mas com luz própria, faz a voz da sensibilidade do juri, com papel que pouco acrescenta para o resultado final, e por fim, a figura antológica de Rick Bonadio, desgasta o seu nome já ligado a lançamentos extremamente forçados no mercado. Cada um no seu quadrado, e sendo enquadrados em um formato ultrapassado e de mal gosto.

Pegando carona em sucessos do momento como o sertanejo universitário, o programa bate na mesma tecla incansavelmente, sulgando e exigindo perfis de execução quantitativa no mainstream. O final apresentado nessa última quinta-feira foi um show... de horror! Alongando o máximo possível para dar o resultado, dramatizando o tanto que a chatice de Rodrigo Faro era capaz. 

Nos convidados do encerramento, para reforçar o estilo favorito, nada melhor que o quase sem voz (como disse sabiamente a colega Sara Borges em seu facebook) Zezé di Camargo e a marionete Luciano, além de da graciosa mas de roupa duvidosa Cláudia Leitte, tiveram a capacidade de colocar o outro produto da emissora (mais um enlatado) que consegue ser pior em todos os sentidos que o Ídolos: Os atores bonitinhos, dublê de cantores da versão brasileira do Rebeldes. Pra amenizar tanta calhordice, Lulu Santos mostrou que alguém ali tem uma carreira sólida, de seriedade, e contado com uma super banda, com o sempre fantástico goiano/tocantinense Xocolate na bateria.

Onde estão os outros grandes ídolos revelados no programa? O primeiro conseguiu alguma notoridade virando vocalista de uma banda de... pagode!? Os outros absolutamente não tenho notícias, e provavelmente não terei mais em pouco tempo do menino de 16 anos que ganhou essa edição. E com essa idade ele está pronto pra alguma coisa?

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Crescer é sensualizar?

Depois de um longo hiato de um mês (intervalo inédito desde a estréia do blog, em 1º de janeiro de 2009), volto a esse espaço desejoso de não ter outro mês como junho, em que tanto o tempo, como as idéias e o pique de postar aqui foram escassos. Mas vamos ao que interessa, dessa vez para refletir sobre um fenômeno interessante que por vezes passa despercebido para muitos.

Um comportamento está virando rotina em garotas que precocemente curtiram a fama, sempre foram as “bonequinhas” da TV, eram mascotes de programas diversos: desde novelas até humorísticos e forçados programas infantis, e, anos depois, estampam sites e revistas de entretenimento com fotos sensuais e discurso pronto: “Eu cresci!”.

Diversos astros mirins sofreram sequelas emocionais profundas ao envelhecerem. São muitas as malevolências de uma fama precoce, e a fixação de uma imagem de criança, com sua pureza peculiar, não agrada principalmente aos recém-chegados à juventude adulta. Na necessidade de recolocação na mídia, para fugir de um estereótipo e atender aos anseios da nova fase da vida, diversos apelam para um “choque” que seja a antítese daquilo que foi construído no passado.

Sim, o caminho de mudança é irreversível, assim como foi mudada a idade, muda-se o foco profissional. Porém, a abordagem voltar-se para explicitar a evolução corpórea, e impressionar o mesmo público que tinha outra lembrança completamente diferente da personalidade em questão. E uma recolocação no mercado, se tratando de Brasil, nada como exibir os dotes físicos. 

Alguns podem alegar ser uma decisão de ter atitude, um grito de independência propício para essa fase da vida, mas em contraponto a isso, penso que isso vira uma escapatória ou um atalho para o difícil regresso aos holofotes. Paga-se um preço em optar por um novo discurso, que acaba virando senso comum entre uma geração que busca um elo perdido entre os dias longínquos e a prosperidade para o futuro.

Não é uma questão pontual de vulgarização, de “baixar o nível”, mas uma cultura apodrecida que clama por radicalismos para se reciclar a exposição.  Falo de perca de essência, de linearidade. A regra geral de impressionar custe o que custar provoca essa debandada que pode ferir princípios e valores em busca de se voltar ao topo, uma luta pela sobrevivência a partir daí, pode levar a destinos sombrios e tortuosos.