Blog do Paullo Di Castro


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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um ano para aprender


2015 não tivemos muito que comemorar, seja como cidadãos goianienses, goianos ou brasileiros. Vivemos dias nebulosos, imprecisos e de difícil diagnóstico. A resposta que virou um lugar comum é que tudo é culpa da crise. Tem muito fundamento essa afirmação. Mas a crise maior que vivemos não é a econômica. É a crise moral, acompanhadas pela crise da falta de bom senso, a crise sem desconfiômetro, a crise que trás a desonestidade, a corrupção, a apatia. Todas imorais.

As eleições de 2014 tiveram uma conta alta demais. Ainda estamos pagando. Tanto o Brasil quanto Goiás fizeram das tripas o corpo inteiro para garantirem a reeleição de seus governos. Muitas baixarias, caixas 2, 3, 4 a perder de vista, financiamento de campanha de empresas que serão devidamente recompensadas com perdão, isenção fiscal e negociatas de licitações fraudulentas e muita mão lavando a outra. A imoralidade encontra muitas brechas na lei, e todas que são encontradas são preenchidas.

O governo Dilma vive a pior crise desde a era Lula, que começou (por ironia) 13 anos atrás. A bomba estourou nas primeiras investigações de corrupção na Petrobrás e os presos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal tiveram estilhaços que pegou todos os escalões do governo. Para a presidente sobrou uma conturbada abertura de processo de Impeachment, que por enquanto foi salvo pelo gongo do recesso de final de ano. A relação com o vice Michel Temer abalou, como sintoma do fiel da balança PMDB decidir sua vida no Congresso. 2016 ainda promete fortes capítulos nessa novela em que existe um “mar vermelho” para se atravessar.

Em Goiás a coisa não anda melhor. O “pacote de maldades” do governo veio maior que qualquer saco de papai Noel nesse fim de ano. Os servidores tem diversos benefícios cortados. Os Hospitais gerenciados por Organizações Sociais recebem alto investimento e realizam poucos atendimentos para o tamanho da demanda. CREDEQs e várias obras prometidas caminham a passos de lesma. O pagamento de IPVA é antecipado. A segurança que sempre é instrumento eleitoreiro assiste uma categoria desgastada e fazendo paralizações. A educação vê a implantação de três projetos levarem mais de 20 escolas a serem ocupadas por estudantes e apoiadores. Pra terminar, mais de 1 milhão é gasto para promover shows dos sertanejos Leonardo e Eduardo Costa, intitulado “Cabaré”, e da funkeira Anitta, que foi rebolar em evento para crianças da OVG.
 
Goiânia vê dias complicados na receita, crise política no rompimento do vice Agenor Mariano com o prefeito Paulo Garcia, obras inacabadas e em ritmo de tartaruga. Mesmo com um fôlego para pagar a folha e anunciar concursos, a insatisfação e conturbados momentos políticos afetam e muito o dia dia da população. Criminalidade e assassinatos aumentando nas ruas diariamente. Da promessa faraônica de 81 CMEIs em 2012 o prefeito entra no último ano muito longe dessa meta. Talvez ela estava em aberto e a intenção é dobrar...
 
O ano que passou deixou muitas lições. Como cidadãos, nossa responsabilidade aumenta diante de tantos fatos determinantes para passar tantos pontos a limpo. O combate a corrupção é a maior tarefa que temos para inibir o mau uso do dinheiro público. Com 1,5 milhão de assinaturas, o projeto 10 Medidas Contra a Corrupção pode virar lei. Faltam pouco menos de 300 mil. Acesse o site da campanha do Ministério Público Federal aqui e dê sua contribuição, assim como fiscalizar diariamente a vida de quem deve nos prestar contas.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pescadores de Ilusões?

O estado de Goiás passa por coisas que só se acredita vivendo. Ou será normal uma decisão judicial invalidar um concurso público após ter sido nomeado, empossados e começado o trabalho de diversos profissionais? Se houve erro no edital, qual é a culpa das pessoas que estudaram, se dedicaram, planejaram, e o pior: viram esse sonho se tornar realidade ao assumirem suas funções?

As áreas da Saúde, Cidadania e Trabalho, Polícia Tecnico-Científica e Corpo de Bombeiros fizeram o processo seletivo em 2010, tudo correu normalmente durante os prazos estipulados, exceto que o edital não previa a quantidade de vagas disponíveis, colocando como cadastro reserva. Mas mesmo assim realizou-se o certame, divulgaram os aprovados, e foram chamados, e submetidos a todos os processos de contratação, inclusive tendo começado a trabalhar. Depois, a decisão de se suspender o certame.

Um ítem em comum nessas seleções, é dizer que a aprovação gera a expectativa da nomeação, isso é uma cláusula medíocre, que apenas mobiliza uma força que não pode contar com a sua convocação, e fica-se a insegurança de investir em um concurso para não se ter nem expectativa real de que será empregado.

Tratam-se quase 4.000 profissionais, todos com a vida encaminhada e dedicada para o emprego que conquistaram por direito. Isso faz vários empossados assumirem compromissos financeiros, contando com a estabilidade que o cargo público supostamente oferece a eles.

O trâmite na justiça será longo. A interpretação do delicado assunto pode gerar distorções e embasamentos que não atenderão necessariamente aos trabalhadores, gerando no mínimo o clima de instabilidade para todos. Ninguém provavelmente será destituído do cargo enquanto o processo corre em vários âmbitos, mas o transtorno poderia ser evitado.

Parece ser tempestade em copo d’água, mas não é. A estrutura do estado é muito falha, e precisa de mudanças profundas. O funcionalismo muitas vezes é inoperante, defasado, e desqualificado, justamente por não se priorizar a qualificação encaminhada através de um concurso público. Não é a solução para todos os problemas, mas com certeza uma reforma que melhoraria muito a funcionalidade dos órgãos estaduais.