Blog do Paullo Di Castro


sábado, 28 de maio de 2011

País da impunidade

Cerca de onze anos atrás o Brasil assistia estarrecido um relacionamento profissional, que ultrapassou o campo pessoal, logo após o rompimento, acabar em morte. Tendo como pano de fundo a redação de um dos maiores jornais do país, uma jornalista termina o namoro com seu chefe, que a faz pagar com a vida. Se o crime fosse coberto de mistérios, pareceria fácil um roteiro de novela ou de livro da Agatha Christie.

Mas a coisa foi mais transparente que se imaginava. houve testemunhas e o réu foi confesso. Apenas sete meses foi o tempo em que aguardou na prisão até se seguir a peregrinação que demoraria tanto tempo para o mandar de volta. Seu status profissional e de idade aparentemente não seriam empecilho para um julgamento mais severo, mas de alguma maneira foram, principalmente pelo trabalho que sua defesa travou para poupá-lo ao máximo do que merecia.

A emblemática frase dita pelo condenado fala por si só: "Se você não é minha, não será de ninguém!", mostra a obsessão que o advogado e jornalista, já sexagenário na época, tinha pela ex-namorada. A diferença de idade era um ingrediente mínimo no agravante que levou ao triste fim da vítima. O desequilíbrio do então imponente homem tomou a proporção extrema que tirou uma vida.

O julgamento já demorou quase seis anos para finalmente sair a condenação. 19 anos era a sentença inicial, porém, logo uma liminar o salvou. Depois disso, uma sequência de recursos foi percorrendo todas as instâncias do Poder Judiciário, até enfim dar o último suspiro essa semana, no Supremo Tribunal Federal. Todas as brechas possíveis da nossa lei frouxa e defasada foram usadas, um jogo intenso dos advogados nos Tribunais que permitiram todo esse atraso para uma sentença que esperou mais de uma década para sair.

Episódios como esse mostram a fragilidade da justiça brasileira, que mesmo legitimando coisas assim, não escapa de uma análise revoltante para com sua morosidade. O Código Penal e demais dispositivos da lei que permitem que um assassino fique tanto tempo livre, e relaxe sua prisão a poucos meses, infelizmente se prestam a um papel de tolerância com o intolerável. 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O milagre da multiplicação

Antônio Palocci tem uma formação: médico. Desempenhou um dos papéis mais importantes no governo Lula: Ministro da Fazenda. Tendo o nome envolvido no mensalão, e principalmente após o episódio da quebra do sigilo bancário de seu ex-caseiro Francenildo Costa, o petista de barba e lingua presa, tal qual seu chefe, porém muito mais "culto", saiu do governo e preparou seu retorno intensamente nos bastidores. Sendo um dos coordenadores da campanha da presidenta, foi eleito Deputado Federal, assumindo novamente importante papel no governo Dilma, nada menos que ministro-chefe da Casa Civil.

Ainda buscando louros de sua destacada posição, fez o que vários políticos influentes fazem quando estão sem mandatos: Montou uma consultoria (a princípio seria mais modesta que a do eterno chefe, que ganha mínimo de R$ 200.000 para dar palestras). Mas conforme matéria da Folha, sua empresa faturou cerca de R$ 20 milhões em 2010, em pleno ano de eleições, totalizando um aumento de 20 vezes em seu patrimônio em 4 anos. Não foi por acaso que adquiriu um apartamento de luxo por R$ 6,6 milhões e um escritório por R$ 882 mil na capital paulista.

Já está montado esquema de blindagem ao petista na Câmara, o que deve acontecer sem problemas, visto a pacata oposição do governo na casa. Palocci é de longe um dos políticos que mais escapou do julgamento rígido de seus atos: Constam dentre outros, ainda quando prefeito de Ribeirão Preto,  que se favorecia de licitações de serviços como cesta básica, de empreiteiras, depois ligações fraudulentas na CPI dos Bingos, a farra com lobistas e prostituição na mansão alugada em Ribeirão enquanto ministro. Um verdadeiro mar de lama que nunca parece sujar o suficiente.

Leon Trótski, ulcraniano ultra-socialista, de quem ele já foi fiel seguidor, deve se revirar no túmulo a cada aparição do nome de Palocci na mídia. É incrível como histórias de lutas, movimento estudantil, resistência ao regime da Ditadura e acima de tudo, o idealismo de alguns fundadores do Partido Trabalhista são jogados no ralo após a ascensão dos mesmos no poder. Resta ver até onde vai seu poder de escape, já testado diversas vezes, e que nunca o tiram dos altos cargos. O Brasil também tem o seu Silvio Berlusconi!

terça-feira, 10 de maio de 2011

10 motivos para não ir ao Rock in Rio


A gente se enche de expectativas, vai fazendo as contas pensando no saldo bancário, vê as promoções de vôos, de caravanas, de hospedagem, e acima de tudo, fica de olho nas atrações anunciadas pela organização do evento. E depois de muitas decepções, eis que cito 10 bons motivos de não ir ao Rock in Rio de 2011:

1 - Os anúncios espaçados das atrações, não contribui com uma real motivação para você se organizar, pensar em um dia que realmente vale a pena ir, porque quer que o conjunto de atrações do dia façam valer o investimento;

2 - A organização das vendas on line, começou no fim do ano passado, com reservas para depois confirmar o dia. Quando liberou a venda pelo site oficial, o mesmo já estava sem carregar antes da meia noite, hora marcada, e deixou vários varando a madrugada pra conseguir sua confirmação. Cadê a venda física em várias capitais?;

3 - O rodízio europeu que o festival fez na década passada, mostra o tamanho do caça-níqueis que é esse negócio (isso já era óbvio), mas acima de tudo, que a grife montada em torno desse nome é muito maior que uma identidade brasileira que o festival construiu nos anos 80;

4 - Falemos sério: Um festival que já teve AC/DC, Iron Maiden, Black Sabbath, agora insere Cláudia Leitte?! Ivete Sangalo?! Pode vir com papinho de diversidade musical, que os públicos delas tem grande aceitação pelos demais gêneros, mas nada justifica o a falta de bom senso de um festival que leva a palavra ROCK no nome, chamar artistas de AXÉ! Seja com o formato pop que for!

5 - O palco Sunset teve uma proposta boa, porém, o que mais se vê é um emaranhado de encontros de artistas brazucas que não foram valorizados no palco principal, como acontecia nas primeiras edições, e o pior, aí você tem que optar por ver os gringos que fariam shows carissimos se fossem exclusivos, ou ver o experimentalismo dos nossos;

6 - Os headlines do festival, ou bandas principais de cada noite, não ficaram aquém. Porém, a própria divisão não favoreceu tanto, porque o System of a Down não está junto com Metallica e Slipknot? Jay-Z antes de Colplay, tendo o Skank antes!? Se não dava pra encaixar as bandas de maior afinidade musical na mesma noite, ao menos no mesmo fim de semana, o que também não aconteceu;

7 - Já que se usa dois finais de semana, poderia ser nomeado outro festival, com um codinome para atender a tantas atrações de formato mais pop, e deixar o outro pra ser o verdadeiro Rock'n Rio, com bandas que façam jus a esse nome;

8 -  Não dá pra deixar e lado uma nostalgia pelas edições 1 e 2 do festival que foram tão importantes para bandas como Paralamas, Barão Vermelho, Kid Abelha. Quem o festival está revelando, ou expondo agora? Nenhum dos convidados brasileiros no palco principal estão nascendo agora, até o Glória já tem um bom público, e o restante seriam facilmente convidados do mesmo jeito a 5, 10, 15, 20 anos atrás. Cadê as novidades?;

9 - Como entender a insistência por artistas do mainstream, na decadência das grandes gravadores como está, e cadê a valorização para bandas independentes? Tirando o palco Sunset, que faz misturar tudo em horários incompatíveis, onde estão aquelas bandas que percorrem o Brasil fazendo shows lotados por públicos fiéis, apenas se divulgando na internet e fazendo apresentações memoráveis?

10 - Calcula-se que a movimentação do festival deve girar em torno de US$ 376 milhões. Vale a pena nosso investimento por tantas trapalhadas em se fazer um autêntico festival de rock de proporções mundiais? O Roberto Medina definitivamente não está precisando do meu dinheiro! Seja aqui, em Lisboa ou em Madrid, enquanto não se resgatar a essência do que já foi o Rock in Rio, não compensa sair de casa.

Eis aí meus motivos, que não são mera dor-de-cotovelo de alguém que não vai, mas desabafo de quem esperava muito mais de um festival com essa história, e a "responsa" de trazer grandes atrações como de fato irá trazer, porém, mal distribuídas e somadas a outras irrelevantes para quem quer ver um verdadeiro festival de rock'n roll! Pra quem não teve sucesso em comprar na internet, boa sorte na fila quilométrica do Engenhão!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Não é o fim!


Foram quase 10 anos atrás, me lembro que estava no 2º ano do Ensino Médio, assistindo a aula normalmente naquela terça, 11 de setembro, e nada me chegou aos ouvidos naquela manhã. Nenhum dos educadores nem alunos do meu colégio aparentemente tiveram acesso ao evento que o mundo mais comentava naquele momento, e que comentaria por muitos e muitos anos. Eram outros tempos, sem a tecnologia móvel tão aguçada como hoje. Só chegando em casa na hora do almoço e ligando casualmente a TV, é qua fui saber sobre o atentado às torres gêmeas, e quem era Osama Bin Laden.

Aquele mítico líder da Al Qaeda, com seu turbante, jaqueta militar, barba grossa, ficando grisalha; aparentava até uma fragilidade, porém totalmente contrária ao poder que exercia no Oriente Médio, e que o Ocidente conheceu naquele dia. George Bush Júnior estava no momento lendo para crianças do primário, bem longe de Nova York, quando recebeu a notícia. Ali começava o que se vendeu como "Guerra ao Terror."

O nacionalismo estado-unidense tinha duas faces: O pesar pelas vítimas do World Trade Center, e por outro lado a sede de soberania que resultou em ocupação no Afeganistão, então morada do saudita Osama, que se extendeu pra ocupação, morte e derrubada de Saddam Hussain no Iraque, tomado por tropas militares que nunca recebiam ordens de regressar, ficando lá para representar o poderio do império outrora abalado.

O que mais acontecia com os EUA, se não colher o que plantou? Visto o histórico de apoio em treinamento e tática militar que haviam proporcionado a Bin Laden anos atrás. Tudo o que aconteceu no pós-Guerra Fria, no ataque ao Kuwait em 91, no cobiçado petróleo que sempre estava nas intenções dos conflitos culminavam na retaliação. Quando a criatura se voltou contra o criador, o estrago foi sem precedentes, e por muitos anos se seguiriam sem um desfecho satisfatório. Não que agora isso tenha ocorrido de fato.

No início da madrugada desse domingo, chega a notícia da morte do homem, que conseguiu driblar toda a inteligência e poderio da nação mais poderosa do mundo, nos últimos 10 anos. Barack Obama anunciou em um discurso de 10 minutos, a uma hora da manhã no Brasil, que Osama estava morto, destacou o incansável trabalho das tropas e inteligência dos EUA (incansável por 10 anos?), disse que o trabalho não havia acabado. E centralizou sua fala em "a justiça foi feita."

Desde 2001, a imigração e política alfandegária tomaram outro padrão nos principais países do mundo. E o mundo islâmico passou a ser mais segregado e associado com o terrorismo. A tal ponto que se vê hoje uma comemoração por vários setores da sociedade, parecendo ser o fim de todos os problemas socio-econômicos, e de relações internacionais de seu país. E as consequências futuras dessa sequência de fatos ficam encobertas pelo momento triunfante da captura (leia-se morte) do homem mais procurado do mundo.


Mais de três mil vidas podem ter sido tiradas pelos atentados promovidos pela Al Kaeda, mas quantas vidas inocentes foram mortas nesses 10 anos de ocupação no Paquistão, Afeganistão, Iraque, Jordânia, etc? A intenção de proteção ao povo estado-unidense não justifica a brutal ação de anos a fio no governo Bush, que não foram tão abrandadas na gestão atual. E por muita coincidência, o anúncio é feito logo um dia depois da reafirmação da candidatura para a reeleição de Obama, em que alfinetou o virtual candidato oposisionista, o milionário Donald Trump. Difícil não ligar os fatos enxergar uma intenção eleitoreira do anúncio.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Imprensa Esportiva de mal a pior

"Meus amigos, minha gente!" "Um abraço do tamanho do Brasil" "É isso aí, muito obrigado, e até lá!" Eram com essas e outras frases, replicadas e originais, que Jorge Kajuru entrava no rádio para o seu comentário que "parava a cidade." De segunda a sexta, ao meio dia, na outrora folclórica rádio K do Brasil, hoje 730 AM. Não tinha como não lembrar desse ícone do jornalismo esportivo com um fio de saudade, após episódios protagonizados por gente da crônica esportiva goiana nessa última terça.

No programa Debates Esportivos, dessa emissora, na hora do almoço, houve troca de acusações e exaltações de dois profissionais, o comentarista e ex-atacante esmeraldino Cláudio Rabello de Castro (Cacau) e o jovem comentarista Bruno Brasil, recém chegado à emissora. Bruno acusou o então colega de "mamar nas tetas" do Goiás, e de seu presidente, Hailé Pinheiro, no que foi retrucado asperamente. O programa foi interrompido, indo para os comerciais e voltando depois com Amauri Grarcia no comando, literalmente cobrindo buraco.

O diretor geral da emissora, Carlos Bueno, anunciou oficialmente nessa quarta-feira que os comentaristas Cacau e Bruno Brasil não fazem mais parte da rádio: "A emissora tomou a decisão pela demissão dos dois profissionais"  e pra completar, pediu desculpas, e justificou a atitude "para que seja mantida a ordem dentro da casa, em respeito ao nosso ouvinte, e o mesmo não fique constrangido". O âncora Ronair Mendes negou em seguida que não chegaram às vias de fato, ninguém atingiu ninguém e todos mantém o respeito e a amizade com os ex-colegas.

Aprovo a atitude da rádio, foi de coerência com sua história e com o ouvinte. Tolerância com atitudes assim só podem prejudicar o papel social e informativo desse veículo, que tanto já fez pela comunicação em nosso estado. Difícil para o torcedor, ávido por conhecer da realidade de seu time, e espera dos comunicadores que transmitam isso com o compromisso da verdade e o foco na relevância do produto que trabalham. Desavenças pessoais devem ser resolvidas fora dos microfones, e poupar o ouvinte de baixarias.

Outro episódo no mesmo dia foi protagonizado por Lucilene Caetano, que teve seus 15 minutos de fama nacionais ao ser musa do Goiás no Caldeirão do Hulk, depois disso foi tentar a vida artística no Rio de Janeiro, voltando sempre pra Goiânia pra desfrutar da visibilidade que tem aqui. Começou a pouco a participar da Equipe do Mané, na TBC, e estava fazendo reportagem no Vila Nova, quando escreveu no Twitter: "Eles acham q vencem o GOIAS no proximo domingo. Classico em q "vilanaovence" a mto tempo. #oqacham?" É desnecessário comentar o tamanho da falta de ética, de profissionalismo e demais consequências desse infeliz comentário. Foi expulsa merecidamente do clube.

Saudosismo não leva a muita coisa, mas dá saudades de outros tempo no rádio em que as pessoas se respeitavam mais e agiam com menos impulso, paixão e desequilíbrio. Reconheço que existem bons valores na nova geração da imprensa que cobre esportes em Goiás, mas sempre tem os indivíduos e fatos que desanimam profundamente, como ásperas discussões entre colegas no ar, seja no rádio ou na TV, lendas de agressões físicas, de negociatas com os clubes, de apadrinhamento de famílias e influentes, que tomam conta de um espaço carente de isenção, competência e seriedade. Já não basta aguentar o desprezo, prepotência e mesquinharia da imprensa do Rio e de São Paulo, ao menos em Goiás precisamos de gente comprometida com o nosso esporte.

domingo, 24 de abril de 2011

Pelo que procuras?


Ovos de chocolate, coelhinhos? É por tão pouco que paramos 4 dias por ano? Mas poxa vida: Não faz sentido! Como diria dois vlogueiros bem famosos no Brasil. Fora o apelo comercial, o período de engorda, tradições culturais e de brincadeiras podem até ter seu valor, mas com certeza não o valor do real significado desse período, ensinado na Bíblia Sagrada.

Em um domingo de Páscoa, fico imaginando como devia ser viver os dias da morte e ressurreição de Jesus. Provavelmente eu seria mais um fraco de abandoná-lo na hora do aperto, e mais um surpreso por vê-lo novamente após todos o darem como morto. Mas naquele domingo em especial, não consigo nem cogitar o sentimento que seus discípulos e amigos tiveram ao ver Jesus novamente, vivo, em carne e osso, e fazendo sentido a tudo o que havia ensinado.

Imagina ir visitar o túmulo de Jesus, encontrar a pedra que o fecha fora do lugar, e ainda ouvir algo como "Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? ” Não podia ter surpresa maior e melhor! Tudo aquilo que foi frustrado, toda a falta de referencial, todo o norte que foi perdido, agora já não existe mais, porque Cristo está vivo! Todo o sacrifício, a humilhação, a dor de três dias atrás, agora estavam mais que recompensados.

Em um domingo como esse, mais de 2000 anos atrás, uma nova perspectiva nascia para a humanidade, se completava todo o sentido de Deus ter vindo como homem, habitado entre nós, sofrido nossas limitações, e ter deixado um modelo de vida puro, doce, de aceitação total ao próximo. São tantas lições, desafios para seguir esse padrão tão alto, mas acessível, mesmo com nossa natureza depravada, falível e tão limitada.

Não sei o que mais impressiona: Jesus se entregar e sofrer por nossos pecados, pagando esse altíssimo preço em nosso lugar, ou o fato dele ter vencido a morte, voltado para nos dar a vida, e deixar o Espírito Santo como Consolador. Ambos são provas de amor que não mediremos o tamanho jamais, nunca teremos como agradecer, a não ser adorá-lo e compartilhar essa maravilha com os demais.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Até quando?


O aumento do preço nas bombas dos combustíveis nas últimas semanas é o motivo maior de dor de cabeça dos goianos, em pleno período de declaração de Imposto de Renda, de promessas não cumpridas de campanha (quem falou que iria reduzir o ICMS nas eleições e fez exatamente o contrário quando sentou na cadeira maior do Palácio das Esmeraldas?), estradas esburacadas, impostos superfaturados, transporte coletivo defasado (motivo que não o faz querer largar a condução própria), o maior ônus para a preocupação do consumidor é a viabilidade de abastecer seu veículo.
 
E a culpa é de quem? Motivos são apontados aleatoriamente, falam do o costumeiro período entressafra, pós-chuvas, falta de um componente de etanol anitro, a crise sem a mesma produção da matéria-prima, aí o efeito cascata fica montado: dos usineiros para as distribuidoras, das distribuidoras para os postos de combustível, e da bomba para o bolso do contribuinte, como sempre a maior vítima.

E como o maior atingido pode se manifestar? Em Natal, arrumaram um interessante jeito: Abastecer por 10, 50 centavos, ou outro valor baixo assim, e ainda pedir o cupom fiscal, para que a emissão do mesmo traga prejuízo aos postos. Nas redes sociais, a mobilização é de menor efeito, mas já traz informação e conscientização para o crime que estão cometendo para com o cidadão.

Como a Petrobrás, empresa que por tantos anos foi a menina dos olhos do Brasil, sempre em destaque nos investimentos da Bolsa de Valores, pode repassar em tão pouco tempo um aumento tão abusivo para o seu consumidor que lhe dá a maior parte de sua renda? Se pegarmos o faturamento da mesma em 2010, não cabe a idéia de que uma suposta crise na produção a tenha forçado a reajustes dessa natureza.

Não ser bem atendido dignamente no transporte público, não ter espaço apropriado para o uso de bicicletas, não ter incentivo algum para o não-uso do transporte individual, e o pior: em plena véspera de feriado, ver nos postos de gasolina um aumento no meio do dia, sem aviso prévio, outro aumento abusivo. 

Todo esse cenário não tem explicação plausível, quem está faturando com isso, seja governante, cartel de cadeia produtiva, ou quem quer que seja, oxalá que um dia pague caro pelo que agora todos pagam caro.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Eu acredito no amor!

Eu acredito no amor!
Aquele que vence barreiras
mesmo em meio à dor.
Acredito no que se entrega
sem cobrar nada em troca;
não corrompe, nem se cega
mas consegue abrir portas.

Tenho nesse sentimento
de convivências equilibradas,
vivendo intensamente o momento,
mas perpetuando as relações;
aceitando as diferenças
e aliando os corações.

Aumenta a esperança
de novos horizontes.
Descortinando a lembrança
do mais puro dos desejos;
seja em palavras, abraços, olhares
ou esperados beijos.

Quero boas expectativas
para frutificar a paz;
pra celebrar as conquistas
no ágape, fileo e eros;
firmados na , na esperança, e principalmente:
No AMOR!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Comemorar o quê?


O 7 de abril foi a data escolhida para a comemoração do Dia do Jornalista no Brasil, em homenagem ao ítalo-brasileiro João Batista Líbero Badaró, morto por perseguição política durante uma marcha estudantil em São Paulo, nessa mesma data em 1830. Pra quem buscava inspiração na Revolução Francesa, a dura realidade brasileira da época o fez pagar com a vida o que defendia de corpo e alma.

De lá pra cá, passando pela Ditadura Militar, período em que centenas de jornalistas foram mortos e torturados, não houve mudanças significativas com o tratamento, vide o conceito e a prática de democracia em nosso país, ainda vemos atitudes de coronelismo, especuladores e o poderio econômico confrontando a liberdade do jornalista, privando-o muitas vezes de fazer seu trabalho da maneira qualificada como se preparou.

O maior tiro na espinha foi dado dois anos atrás pelo então presidente do STF, Gilmar Mendes, que sentenciou, com a cumplicidade de seus colegas, a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Depois disso, realmente é difícil comemorar alguma coisa. O uso de registro precário para os antigos profissionais não impedia a valorização da formação, da ética de quem estuda quatro anos na academia, assunto que já chovi no molhado nesse espaço.

A desilusão do ofício pode ser explicada no confronto com a realidade dura do mercado, com baixo piso salarial, as jornadas estressantes, o ingrato deadline, o mal trato de algumas fontes, da hierarquia superior, muitas vezes composta por gente que não sabe nada de comunicação. Fatores esses que desanimam o profissional que idealizou um mar aberto de oportunidades, um certo glamour, e viu a duras penas que essa faixada era muito superficial.

O que ainda motiva os corajosos dessa categoria a prosseguir? Nada, se não a paixão, a vontade de mudar as coisas, mesmo em meio a muitos desabafos (as redes sociais que o digam, além de serem ferramentas poderosas para o trabalho), podem reclamar, e reclamar, e reclamar, mas ali dentro ainda existe uma chama pronta a fazer a diferença, trabalhar a informação de modo que chegue ao público como um produto de alta função social.

Apesar dos pesares, feliz Dia do Jornalista!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Feliciano, Bulsonaro e a intolerância

Março termina de um jeito triste, em ambiente de intolerância e declarações extremamente infelizes. Dois políticos: um deputado com ligação direta com o período da ditadura, uma verdadeira "viúva" do período que a história tanto encobriu nos regimes militares. O outro, além de deputado, pastor evangélico, bastante influente em uma grande rede de igrejas pentencostais, e que usou o twitter pra despejar um contexto histórico e bíblico equivocado, com irresponsabilidade e falta de tato.

Nessa reflexão não quero destacar temas polêmicos e extensos como racismo, preconceito, formação dos povos, nem peculiaridades dos históricos dos dois personagens em questão. Isso já são coisas formadas na mente da maioria, mas sempre tem quem sofra lavagem cerebral, e influentes que usam os meios de comunicação das piores formas. Quero falar de um sentimento que combate tudo isso: amor.

Para mim, é muito intrínseca em nossa sociedade que todos os males sociais estão ligados à falta de amor das pessoas. O que se não ira, ódio, indiferença, inveja, dentre outros antagonistas do amor levam as pessoas a ter atitudes tão baixas, com o objetivo de diminuir os outros? E a formação de conceitos que denigrem ao nosso próximo também tem por base essas atitudes lamentáveis do ser humano.

Pra quem cresceu aprendendo sobre o cristianismo, rodeado por gente digna, guerreira, e de várias lições de humildade, se deixa levar por ganância, prepotência e orgulho que passam por cima de toda relação de respeito, de cuidado e boa convivência que podemos ter uns com os outros, sejam quem for.

Tanto o deputado Jair Bulsonaro (PP-RJ), como o deputado Pr. Marco Feliciano (PSC-SP), precisam resgatar princípios e valores que com certeza já lhes foram passados, medir mais suas palavras e usarem o mandato ao qual lhes foi confiado para servir a população, e não tratar qualquer grupo étnico, social ou outros minoritários com intolerância, ataques baratos e de predicados indesejados para qualquer indivíduo. Se não se redimirem verdadeiramente, que o eleitor os tire do Congresso Nacional e afaste de vez quem tanto nos envergonhou.