Blog do Paullo Di Castro


terça-feira, 3 de julho de 2012

Efervescência Cultural em Goiás


O fim de semana passado foi muito peculiar em vários aspectos para a cultura, artes, comunicação e empreendedorismo em Goiás. Vários eventos em diversos locais aconteceram pra encerrar o semestre com chave de ouro. São tantos que até dá pesar de não participar de alguns, mas isso é ótimo pro nosso estado. Foi-se o tempo em que as boas opções eram espaças no calendário. Hoje a agenda é extensa, recheada de oportunidades para todos os gostos. 


Pra começar a destacar algum, nada melhor que falar do FICA, a edição desse ano foi bastante movimentada, um belo trabalho da SeCult. Trazer um ícone como Caetano Veloso, que pouco pisa em solo goiano é um ápice, mas deve-se valorizar mais ainda iniciativas de participação de alunos de escolas públicas, o número de oficinas e seminários temáticos que engrandecem muito o evento. Estima-se que 140 mil pessoas compareceram nessa edição, o que mostra o prestígio e crescimento do Festival. Destaco também a presença da Orquestra Imperial, foi outra grande sacada. É um coletivo de músicos excepcionais, a maioria do Rio, caberia um post só pra falar deles. A Mostra da ABD deu o lugar merecido às produções goianas, que não precisam de cota na mostra competitiva pra mostrar seu valor. 


Outro evento bem bacana, voltado para a área de comunicação, foi o II Intermídias, excelente iniciativa da Contato Comunicação. O investimento nessa edição foi grande, trazendo personalidades de muita influência fora, e o mais importante; valorizando diversos profissionais e atuantes nas mídias sociais de Goiás. Os debates e temas foram enriquecedores, o mercado de mídias digitais que tanto cresce e tanto precisa de esclarecimentos, pede por eventos assim. O Intermídias poderia ser prorrogar mais, dois dias e dois períodos já ficou pequeno pra abrangência dos assuntos tratados.


A Feira do Empreendedor já é uma tradição de Goiás. O Sebrae faz um excelente trabalho, em especial para os micro e pequenos empresários, que recebem cursos, consultorias e um bom suporte pra começar e engrenar o seu próprio negócio. A feira trás novidades dos mercados, idéias inovadoras e vira também uma ótima opção para o público em geral, além de incentivar nossos empreendedores a colocarem sua força de trabalho priorizando o benefício próprio e consequentemente da comunidade. 


Pra encerrar, nada melhor que falar do evento que faço parte, um festival cultural que anda na contramão da grande mídia, que valoriza artistas que não precisam pagar jabá, ter mega produções por trás para ter o espaço. O Prosa & Canto Festival fez a sua quinta edição, mantendo essa proposta ousada. Não é um festival gospel, justamente por fugir dessa lógica de mercado, e abrir espaço para a música brasileira, de conteúdo em letras, que preza os ritmos regionais e a atitude dos tradicionais. O ponto de encontro que atende tão bem o eixo Goiânia-Anápolis-Brasilia, assim como vários outros, vira uma grande confraternização, regada pela boa música, boa comida típica, um frio que pede por mais aconchego ainda. A cada ano se cresce mais, a luta por realizar e ver o resultado disso continua sendo um incentivo para a Lam-C e Áudio House System fazerem um festival maior, acreditando ser possível trabalhar uma cosmovisão cristã em harmonia com a música de qualidade independente de rótulos.


Goiás luta ainda com indiferença do centro econômico de Rio e São Paulo, mas cada vez mais usa de sua posição geográfica privilegiada para fomentar diversos eventos que promovam as artes, trabalhos e ofertas de ótimos momentos para diferentes públicos. Existem a pulverização da massa que realizam coisas como o Villa Mix, que aproveitam a explosão do sertanejo pra fazer uma festa com o que de pior o cidadão pode ir pra fazer. Deixando de legado um lixo imenso, muitos bêbados saindo pra dirigir e a certeza que Goiás não se resume a isso, é muito mais. Basta prestigiar os eventos primeiros aqui descritos, e saber que quem quer curtir e se entreter de maneira mais edificante, tem sempre bons e agradáveis lugares para ir.  


Foto de Simone Lago: www.simonelago.com

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O ex-amigo



O depoimento mais aguardado pela CPMI que investiga os negócios de Carlinhos Cachoeira, surpreendentemente não era de nenhum político, até porque a maioria optou pelo mesquinho direito de ficar calado. Foi nas palavras do jornalista Luiz Carlos Bordoni que brotaram as melhores explicações e materiais  para investigação. Com a oratória serena, confiante e confrontando partidários de Marconi Perillo, Bordoni não se intimidou e fez declarações interessantes.


A maior acusação foi afirmar que o governador Marconi Perillo mentiu em seu depoimento, nessa mesma CPMI dias atrás. O jornalista bateu de frente em relação aos pagamentos de seus serviços de rádio na campanha de 2010. Os valores e formas de pagamento entram em conflito, também no envolvimento de sua filha, Bruna, além das nomeações dela para o gabinete do senador Demóstenes Torres. Esse são ingredientes que apimentam o embate das duas partes.


Alguns acertos financeiros na campanha sem nota deixam de atestar com mais precisão as afirmações de Bordoni. Negociar diretamente com o governador, pegar dinheiro vivo são outros meios que levam desconfiança. Mas isso não descredita o que foi falado pelo jornalista na CPMI, pelo contrário, só aumentam as fontes de investigação, que competem aos parlamentares dessa Comissão buscarem e usarem suas prerrogativas para trazer a tona, informar a população e aplicar as medidas cabíveis.


O palco de guerra com ânimos exaltados de parlamentares continuam a acontecer e envergonhar todos os brasileiros. Nomes chulos sendo brandado aos gritos mesmo com microfones desligados. A acusação de caixa 2, só reflete a formação do mesmo, e execução feita pelo comando de campanha do então candidato Marconi Perillo, a apuração de provas documentais, novos adentos que prorrogam mais os trabalhos da Casa, e aumentam a resposabilidade da CPMI ter sua eficácia investigação.


O mais interessante tirando a gravidade das denúncias, é o histórico de relações de Bordoni com Marconi, tendo o conhecido ainda menino e trabalhando com o pai, passando pelo PMDB jovem nos anos 80, e fortalecendo a amizade trabalhando nas campanhas políticas desde a histórica primeira vitória sobre Íris Rezende em 1998. De lá pra cá, nas 3 campanhas vitoriosas para o governo e uma para o senado. Em todas o programa de rádio da campanha era comandado por Bordoni. Após ver o nome da sua filha citado por Demóstenes em depoimento na mesma Comissão, e ser investigado para tal, a caixa de marimbondos estava provocada, e a picada é certa. Resta se ver os feridos em breve. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Partida do Partido

A sensação de "já vi esse filme", "eu falei que ia dar errado" "desse mato não sai coelho", foram alguns sentimentos de políticos, eleitores e a imprensa com a notícia que movimentou a cena política goiana nessa quarta-feira, dia 20. Vanderlan Cardoso declarou que estava saindo do PMDB, poucos dias depois de completar 1 ano na sigla.


A notícia não era de se espantar, mas deu muito pano pra manga. Depois da grande festa pra receber o novo afiliado no ano passado, no Centro de Convenções, se transformou em uma caminhada pelo estado que não teve o apoio da cúpula peemedebista. Por cúpula leia-se Íris Rezende Machado. O veterano líder, mesmo com derrotas significativas, não consegue renovar o quadro e permitir a ascensão de novas lideranças significativas.


Desde Maguito Vilela, que nos últimos 4 anos passou por um ostracismo pegando a batata quente da prefeitura de Aparecida de Goiânia, não existe mais nenhum nome que ocupe a cabeça de chapa do PMDB em Goiânia e no estado. Íris disputou todas as últimas 3 eleições para os cargos, alguns potenciais candidatos abandonaram a legenda, agora foi a vez de Vanderlan.


O precedente dessa filiação é de um passado muito recente. Henrique Meirelles era um nome forte, uma novidade que representaria a quebra do político de carreira pra alguém que tem no currículo a presidência mundial de um banco e do Banco Central do Brasil. Isso não foi o suficiente para a abertura de espaço. Íris atropelou esse projeto que estava bem encaminhado, para mais uma vez ir às urnas. Meirelles, como era de se esperar, não permaneceu.


O ex-prefeito de Senador Canedo chegou com afagos e muitas promessas, fala vibrante de Iris na filiação, juras de amor eterno. O discurso no desfecho foi de que Vanderlan precisava conquistar seu espaço. Por quanto tempo? Se ele seria o candidato de 2014, porque não já investiram na pré-campanha, fato que fez muita falta pra ambos em 2010? As perguntas ficam no ar, as consequências saberemos daqui dois anos.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Casa




Era uma casa de uma venda engraçada

Não tinha nome no cheque, não tinha nada

Ninguém podia entender ela não

Porque não se sabe os donos quem são

Ninguém entendia os contatos da rede

Porque a sujeira tava debaixo do tapete

Ninguém sabia o que sai daí

Porque o Cachoeira foi preso alí

Mas era feita com laranjas espertos

No condomínio de poucos, contas com zeros.





*Paráfrase de "A casa", de Toquinho e Vinícios de Moraes. 

sábado, 26 de maio de 2012

As grandes coisas pequenas





Sinto falta viver de coisas pequenas,
aquilo que podemos não levar tanto a sério,
mas cura alguns problemas.
E desvenda um incômodo mistério.

Sinto falta de mergulhar em um olhar,
ouvir meu nome ser pronunciado calmamente.
De ser compreendido no momento de pensar,
de ter mais esperança de olhar pra frente.

Sinto falta de ter continuidade,
daquilo que construímos e sonhamos,
de experimentar a genuína cumplicidade.

Sinto falta de trilhar um caminho ousado,
de experimentar mais, de fazer melhor, 
e sentir mais alegria de ser amado.





quarta-feira, 9 de maio de 2012

Farda de luto



Tragédia, perplexidade, tristeza, perdas e várias perguntas. Esse é o momento que vive a Polícia Civil do estado de Goiás, e consequentemente todos os goianos. A situação chegou a esse triste quandro após a queda do helicóptero Coala nessa terça-feira, 8 de maio, após a 2ª reconstituição feita pela polícia no caso que já havia chocado todo o Brasil, que resultou em um assassinato brutal de sete pessoas no município de Doverlândia.

Cinco delegados que estavam no vôo, alguns jovens, porém experientes, e outros com uma folha extensa de serviços prestados na corporação. Dentre eles Antônio Gonçalves, na Polícia desde 1969, responsável por casos como o sequestro de Pedrinho pela empresária Vilma Martins, e Jorge Moreira, que comandou operações da morte de Polyanna, o assassino Corumbá, dentre muitos outros.

Profissionais sérios, de competência comprovada, sempre atendiam bem a imprensa. Lembro-me com certa emoção de uma entrevista com o delegado Jorge Moreira sobre o caso Polyanna, infelizmente não tenho mais o áudio dela, mas lembro-me que ele disse algo com o “As dores de perder um filho eu não conheço, mas as dores de buscar justiça estou acostumado, e nada faz me acomodar com elas.”

Um ofício tão difícil, que confronta com a miséria humana, os extremos da maldade de seres que passam por cima de quaisquer conceitos e valores. Lidar com isso no dia a dia, ter a energia de lidar com mentes desqualificadas e inoperantes, tantos os espinhos nesse caminho. Terminar a vida em um acidente aéreo não é uma forma plausível de pessoas com dessa envergadura.

Goiás passando por momentos tão instáveis, de crise política profunda, que reflete diretamente no serviço da Polícia Civil, que tinha um início de greve de servidores marcada para hoje. O secretário de Segurança Pública João Furtado faz uma gestão conturbada, transmitindo uma seriedade que não se estende às ações e percalços que atingem a segurança do estado.

É fácil cogitar várias implicações sobre esse acidente, principalmente da parte do assassino Aparecido Sousa Alves, que aos 22 anos foi o pivô de um crime bárbaro e depois a razão de um acidente trágico com alguns dos melhores profissionais de combate ao crime. As investigações continuarão, mas sofrem desfalques importantes em seu processo, assim como diversas delegacias e departamentos da Polícia Civil. Perdem-se grandes profissionais e consequentemente agilidade no caso, já a perda de valor humano é inestimável e insubstituível.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

#FORAMARCONI

Em 1984 tinha apenas um ano de idade, só anos depois vendo imagens na televisão que me lembro de assistir as passeatas pelas Diretas em várias partes do Brasil, eram anos em que a falida Ditadura Militar dava seus últimos suspiros e o país caminhava para profundas transformações sociais. Mais tarde, em 1992, vi a população brasileira pintar a cara e exigir a saída do primeiro presidente eleito democraticamente. Não vi mais minha geração tomar atitudes parecidas, nem em nível nacional, muito menos regionalmente. 




De lá pra cá, poucas foram as manifestações populares significativas que mostraram a insatisfação do povo com o seu governante. Em Goiás, a coisa andava mais devagar ainda, o histórico de coronelismo, familiocracia e os modos arcaicos de governar não tinham ainda provocado alguma mobilização que chamasse a atenção, isso durou até o quarto mês do segundo ano do terceiro mandato do governador Marconi Perillo. 


No dia 14 de abril, pela primeira vez diversos grupos se organizaram via Facebook em especial, com muitos comentários também no Twitter, vídeos no Youtube, com fins de irem às ruas em protesto contra os últimos acontecimentos envolvendo políticos goianos, em especial Marconi, muito citado em várias gravações, além do já "morto politicamente" e "ex-paladino da moralidade" Demóstenes Torres, flagrado em diversas escutas telefônicas reveladas na Operação Monte Carlo que investiga as relações ilícitas do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos de diversos partidos.




Na segunda semana, dia 21, aliado ao movimento nacional contra a corrupção, o Fora Marconi ganhou mais peso, saiu da Assembléia Legislativa, foi até a Praça Tamandaré, e voltou pra Praça Cívica, terminando em frente ao prédio do TRE, local em que dois incidentes aconteceram, mas que foram atos isolados de pessoas que não entenderam (ou fingiram que não), o propósito da organização. Aglomerados urbanos, de tantas pessoas diferentes infelizmente estão sujeitos a isso, mas o foco do protesto foi mantido.


A presença foi significativa, principalmente pelo fato inédito que representava. A cobertura da imprensa deu um bom espaço, tirando um ou outro veículo que não disfarçam as relações com o governo, os quais tentaram diminuir como puderam os efeitos do que o povo queria. A assessoria do governador insistiu em argumentar que era a favor da expressão livre e democrática, porém não achava que a manifestação expressava a opinião dos goianos, além de atacar veículos de comunicação que mostram podres da administração pública. Sim, o governo foi eleito no voto democrático, mas atitudes assim em uma época de mídias instantâneas e informação acessível, é um tiro no pé.




O que está acontecendo não é uma tentativa de terceiro turno, mas sim pessoas levantando da frente do computador e agindo como podem, mesmo com a maioria elegendo, ninguém é obrigado a esperar 4 anos para se indignar e mostrar isso de forma ordeira e expressiva. Termos uma queda do governador é a coisa mais difícil de acontecer, mas quem disse que as Diretas, o Fora Collor foram fáceis? Se esse não for o caminho, mas sim uma varredura na equipe do governo, como aos poucos está acontecendo, e parlamentares de calças curtas explicando o inexplicável, já é um ganho considerável.


Recentes notícias como a conturbada venda da casa de Marconi que virou de Cachoeira, em um condomínio de luxo de Goiânia, que o Estadão trouxe detalhes, dão mais ingredientes para o III Fora Marconi, que foi marcado para esse sábado, dia 05 de maio, 10h com saída no Lago das Rosas, do Setor Oeste. É prudente ao governo mudar a postura e não desqualificar um movimento que ganha proporções maiores, assim como as denúncias e provas que vem surgindo. Muitas mudanças vem acontecendo, e que os trabalhos de CPIs e do Poder Judiciário não ignorem a voz das ruas em suas investigações e julgamentos. 


Fotos de Victor Mileo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Quem investiga quem?


A Operação Monte Carlo se desdobra em proporções a perder de vista, todo dia são fatos novos, provas novas, nomes novos envolvidos com o que aparentemente seria só a exploração ilegal do jogo do bicho em Goiás, agora virou o maior esquema de corrupção da política nacional. Sem esquecer o mensalão, cujas investigações reaparecem, com muita propulsão de guerra partidária, mas são ofuscadas por tantos envolvimentos de agentes públicos em torno de um empresário, de uma construtora e uma CPMI surgindo com a árdua missão de julgar os envolvidos, mas aí vem mais problemas: Quem vai julgar?

Alguns pontos da legislação brasileira não favorecem o trato isento de quem investiga e decide o destino dos agentes políticos apanhados em manobras ilícitas. As cotas de nomeações do judiciário são a maior prova disso; os chefes do executivo escolherem boa parcela da instância que julgam eles próprios, não é o que se pode chamar de colegiado isento.

No legislativo as escolhas de relatores e presidentes das Comissões Parlamentares Mistas de Inquéritos fazem parte, como em toda a maneira de fazer política, de conchavos e acordos partidários. Buscando um ilusório equilíbrio da mesa que irá julgar os colegas, e chamar para depor aqueles que normalmente estão envolvidos com vários da casa. Credibilidade é uma palavra que não passa muito aí.

Historicamente o povo sempre tem ao que recorrer por meio do Ministério Público, o único órgão de representatividade que não passa pelos mesmos crivos de nomeações das outras instâncias do Poder Judiciário, diferente dos Tribunais de Contas, que não dificilmente deixam passar aprovações de contas dos governantes que os colocaram lá. Mas o que acontece quando até membros do outrora ilibado MP entra na roda das investigações?

No executivo vemos os governadores de Goiás e do DF, talvez até o do Rio de Janeiro, preocupados com o que mais respingará em seus nomes nas escutas telefônicas da Polícia Federal. Qualquer envolvimento com a mega operação é perigoso, mas o excesso de publicidade do caso não ajuda em sua solução, a mídia em parte se cala por ter a quem responder nos envolvidos, em parte denuncia com teor de maior agravante que as provas aparecem, deixando o povo perplexo e sem esperança alguma na famigerada classe política.

Desanima pensar em onde, tanto a CPMI quanto as investigações da Polícia Federal, vão chegar. Parece não haver um horizonte que permita um desfecho que mostre pra sociedade o tanto de bandido e os poucos mocinhos. A sujeira da lama condena todo mundo, mas a influência do poder maquia a cara da maioria.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Tá liberado! Para nossa alegria, só que não!

Enquanto o Brasil se vê às voltas com a Operação Monte Carlo, os trabalhos no Congresso Nacional seguem. Na noite dessa quarta-feira, no Plenário da Câmara dos Deputados, nossos representantes votaram uma Lei seríssima, cujas consequências poderão ser bem graves. A Lei Geral da Copa, propõe questões vitais para o andamento do Mundial de Futebol de 2014. Uma das pauta sempre recai no futebol brasileiro: A venda de cervejas. 


Primeiramente é bom deixar claro: Não bebo, não gosto de cervejas, com raríssimas exceções, o que mais raramente ainda me leva a saborear alguma. Independente disso, meu posicionamento nessa questão não se limita a gosto pessoal, mas sim a preocupação das eminências proporções que a liberação pode causar. Isso pra mim é uma carta branca para o torcedor ficar livre pra agir como bem o álcool o quiser controlar, em uma competição como a Copa do Mundo, trazendo visitantes de todas as partes do mundo, os riscos só aumentam.


Claro que fazer "esquenta" em bares de arredores é normal, na porta do estádio é inevitável, muitos entram já "calibrados", agora isso não se compara à venda dentro do local, onde o torcedor ficará por mais de duas horas, com as emoções a flor da pele. O consumo desenfreado, aliado ao contágio que o jogo proporciona não transmitem a menor segurança. Parece tempestade em copo d'água, mas confusões podem ser armadas a qualquer momento.


É claro que o interesse da FIFA é pela liberação, o dinheiro que entra e interesse popular são maiores, passando por cima de todos os riscos que se fica sujeito. O que o Estatuto do Torcedor (na proibição da venda), delibera não é nada nessa hora, dinheiro é tudo. E com certeza alguns parlamentares estão muito bem recompensados por essa medida, como lhes é peculiar em todas as votações. Veja aqui a lista com os votos dos deputados.


A UEFA, entidade que rege o futebol da Europa, foi exatamente na contramão, proibindo a comercialização de bebida alcóolica em seus estádios. A diferença da cultura de estádios lá com o Brasil é gritante, e essa disparidade só faz ressaltar isso. Com o empurrãozinho das autoridades pouca coisa vai mudar, e com toda corrupção que assola a organização da Copa, mesmo com a presidente tomando medidas rígidas, mais um ingrediente põe o Brasil em situação delicada ao sediar o Mundial.


Parabéns aos deputados Ronaldo Caiado (DEM) e Armando Virgílio (PSD) que se posicionaram no plenário e defenderam no twitter a favor da proibição. Lamento pelos deputados goianos que votaram o não contra as bebidas: Flávia Moraes (PDT), Jovair Arantes (PTB), Leandro Vilela (PMDB), Magna Mofatto (PTB), Marina Santanna (PT), Pedro Chaves (PMDB), Rubens Otoni (PT), Sandes Junior (PP) e Valdivino de Oliveira (PSDB). Fizeram um desserviço à população, e as consequências virão.


Em tempo: A lei ainda dá a autonomia aos estados-sedes para decidir, a matéria ainda será votada no senado, mas não é difícil imaginar o lobby e o esforço para que tudo saia como convém a quem é de interesse.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Até tu, Demóstenes?




Essa é a pergunta que o Brasil mais tem feito nas últimas horas. O senador que por anos construíu uma  imagem de caráter ilibado, luta pela ética e honra, formação juridica brilhante, que despontou em Goiás como um grande secretário de Segurança Pública e Justiça, que o levou ao Congresso para se tornar referência na área. Agora tudo entra em xeque, ao cair uma bomba sobre as fortes ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.


De algumas semanas pra cá, o envolvimento já era desenhado, porém, sem nada que atingisse em cheio o senador, até a revista Carta Capital soltar a matéria: "Os 30% de Demóstenes". A participação do parlamentar seria bem maior que a imaginada pela maioria. Escutas da Polícia Federal dariam conta que o montante de R$ 170,00 seria repassados em 1/3 para Demóstenes, que por indicações controlaria a legalidade das máquinas caça-níqueis em Goiás.


Em seu twitter, Demóstenes se defendeu com o juridiquês cabível, negando veementemente qualquer veracidade dessas informações. Sim, ele tem todo o direito a defesa, o que todo jurista nos faz questão de lembrar. As influências que o senador tem no Poder Judiciário, são percebidas no fato que que a  Procuradoria Geral da República teria recebido as denúncias da Polícia Federal em 2009, e não teria levado o caso adiante, como levantou o jornalista Josias de Souza em seu blog.


As denúncias não estão aliviando o lado partidário, visto que são citados também os deputados Rubens Otoni (PT), Carlos Alberto Leréia (PSDB), Sandes Júnior (PP) e Jovair Arantes (PTB), e até o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), esse porém de forma mais superficial, apenas com o negócio de uma casa em um condomínio de luxo, que pertencia a Marconi e foi vendida para Cachoeira, segundo esse um "presente" para seu filho que estava casando.


Com tamanho trânsito que o senador tem nesses meios, e sua formação, fica mais difícil acreditar em sua na inocência. Seu partido, o Democratas, já está em enorme descrédito desde a queda de José Roberto Arruda no DF, e a debandanda de vários filiados para o ressurreto PSD. No mesmo dia em que o deputado Ronaldo Caiado, tal como Demóstenes respeitado pela sua seriedade, alegou também no twitter não assinar a CPI que investigaria Cachoeira, a bomba explode pro lado de Demóstenes. Coincidência?


Não votei em Demóstenes em sua última disputa eleitoral, o motivo foi um fato isolado, do mesmo ter sido contrário à obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Fora críticas pontuais, nunca duvidei do homem Demóstenes Torres. Agora resta acompanhar o prosseguimento do caso, e ver se essa reserva moral cairá por terra, e decepcionará mais ainda os brasileiros com a descreditada classe política.