Blog do Paullo Di Castro


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quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Impedimento é do Brasil



Não é a presidente Dilma que está sofrendo um progressivo e traumático processo de impedimento. É o Brasil. Com isso não atesto que o impeachment é um golpe, que não existe base legal ou qualquer discurso que esbravejam os aliados do governo, mas sim, com o olhar mais profundo, vemos que o projeto de poder dos grupos que nos governam é que historicamente trava o Brasil desde a democracia iniciada nas Diretas Já.

Dilma perdeu a governabilidade logo ao pegar a sucessão de Lula, a bolha da aplicação dos projetos sociais sem planejamento, e em especial os grandes esquemas de corrupção como Mensalão e Petrobrás, culminou em estourar em suas mãos. A habilidade política é inexistente, visto não ter ocupado nenhum cargo eleitoral antes de assumir o mais alto posto do país. A oratória é um desastre, o carisma idem. O que sobra?!

Sobra ser controlada pelos caciques do seu partido e por quem tem maioria no Congresso Nacional. A escolha do seu nome foi uma alternativa depois de muitas caírem por terra. José Dirceu, Palocci e Genuíno eram sucessores em potencial. Todos caíram. Precisavam de um perfil que destoasse do desgaste dos grandes do PT. Sobrou a Dilma. E para ela sobrou a bomba armada.

O principal responsável tem nome: PMDB. Um partido que veio do outrora aguerrido MDB, e com tanta sede de poder que cresceu na ditadura, viu aliados seus fundarem outros projetos políticos, tais como PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o PT de Lula. Mas o PMDB cresceu ainda mais. Não precisou ganhar nenhuma eleição com a cabeça de chapa, mas em todas foi o aliado de primeira obra, com controle das duas casas legislativas federais.

É incalculável o mal que o PMDB faz ao Brasil, juntamente com PT e PSDB, cada um em seu tempo. A estratégia deu muito certo para o continuísmo: Priorizar o legislativo, e negociar posteriormente o apoio com o executivo. Mesmo quando saía em uma eleição na chapa perdedora, ao iniciar o novo governo estavam abraçados.  

Assim como no impeachment de Collor, a maior sigla do país se novamente se vê na possibilidade de assumir a maior cadeira do Brasil. Não precisou de eleições para isso, era só passar para o lado certo na hora certa. O cenário agora é muito diferente de quando Itamar Franco assumiu em 1992. Não tem um novo plano monetário como o Real, nem uma pós-guerra fria para se construir novas relações de mercado. Agora o crédito já não é o mesmo.

Como pensar em mudanças concretas com a saída da presidente? A linha sucessória dos próximos três nomes são todos do PMDB. Um é o mesmo líder que já presidiu a Câmara e tem uma carreira de articulações pela manutenção no poder. O próximo é réu na Operação Lavajato da Polícia Federal, maior mantenedor do cargo de presidente usando todos os recursos do Regimento Interno da casa, o terceiro já renunciou mandato para sobreviver a processo, voltou ao topo naqueles ciclos que só a política partidária é capaz de fazer.

A saída de Dilma pode representar alguma oxigenação em termos de mercado, no ambiente político e social, porém, isso é só a ponta do iceberg. O velho PMDB está aí para tomar as rédeas, e continuar seu projeto de poder em altos escalões. Mesmo com processos enfrentados por Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não se consegue tirar três homens com essa envergadura política. O caminho poderia ser a impugnação da chapa pelo TSE. Pelos ministros indicados por esses governos que sempre foram norteados pelo PMDB. Seria possível? Sim, mas está longe de ser uma realidade.

Se convocada novas eleições, o que acontecerá? Qual nome tem sido levantado para potencializar uma nova perspectiva de comando do executivo? São perguntas que não tem respostas fáceis. O brasileiro tem saído às ruas, vestido de amarelo e exigido mudanças. Mas quando essas mudanças virão no voto? Qual dos mais de 30 partidos pode assumir? O impedimento maior até o momento é de todo o Brasil.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O acordão pra amarrar o Brasil


Dois poderes, duas frentes, dois lados da mesma moeda, e como é impossível a moeda cair em pé no jogo da justiça, nada melhor que sair do jogo, fica bom pra você e não deixa tão mal pra mim. É esse o sentimento que antecipa o fatídico encerramento das investigações tanto da CPMI do  Congresso Nacional, como da CPI da Assembléia Legislativa de Goiás.

Ambas tinham como alvo todo o esquema de desvio de dinheiro encabeçado por Carlinhos Cachoeira. Mas o alvo acertaria bem mais que o contraventor, envolveria personagens dos dois lados mais representativos da política nacional. Tanto situação como oposição do governo federal teriam a carne cortada, e pra evitar "constrangimentos", nada melhor que um acordo bom pros interessados.

O fatídico fim era anunciado: Quando se levantou a investigação dos nome dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o de Brasília Agnelo Queiroz (PT) e do Rio Sérgio Cabral (PMDB), sabia-se que algo não fecharia, tanto que Cabral foi dispensado do depoimento. A primeira saída que encontraram era deixar a batata assar só na mão do senador Demóstenes, cujo partido Democratas não hesitaria de cortar fora.

Carlinhos era um hábil articulador, e naturalmente não iria fazer acordos só com um lado político. A base do governo estremeceu diante da possibilidade de caírem alguns de seus figurões. A única forma de salvar seus vários nomes envolvidos seria propor encerrarem os trabalhos de investigação, mesmo que isso custe perder a melhor oportunidade de enfraquecer a oposição. Na ALEGO, o caso era mais evidente, com o governador nadando de braçada em maioria na casa, facilmente seria neutralizado por sua base.

Por hora Cachoeira vai continuar sendo o único preso (mesmo que o juiz Tourinho Neto tente o contrário), e os parlamentares serão poupados. A vasta documentação que falta para analisar será ignorada. O julgamento do mensalão já será muito desgastante, pra quê insistir em cavar mais podridão nesse buraco? Que o STF e sua bancada lulista resolva lá na frente, se preciso.

Uma política retrógrada, de legislação em causa própria e alimentada pelas verdinhas do cachoeirolduto. Esse é o sentimento que nos deixam as casas legislativas federal e estadual. Perdemos uma grande oportunidade de exposição de saber quem é quem dos amigos de Cachoeira. O impacto nas eleições desse ano já foi pequeno, e o cuidado pra 2014 é estratégico para a sobrevivência política da maioria.




sábado, 22 de agosto de 2009

30 anos pra sair, 3 dias pra ficar...


O "Dia do Fico" de Dom Pedro I, no dia 9 de janeiro de 1822, a Corte Portuguesa queria o Imperador de volta à Portugal, mas ele declarou que ficava, e de fato ficou, declarou uma pseudo independência do Brasil e deu início ao nosso governo de monarquia.
Essa semana o Brasil viu um cenário enfadonho, mas uma vez partir do Senado Federal. A semana também acabou com um "Fico". Foi do senador Aloísio Mercadante, do PT, que nessa mesma semana havia declarado que estava deixando a liderança do partido no Congresso de forma "irrevogável", mas, um pedido do presidente, que segundo o senador é irrecusável, o fez voltar atrás em sua palavra, e demonstrar, fazendo um papelão, o péssimo momento vivido pelo outrora partido de esquerda da estrela vermelha.
Cada vez mais vemos o pouco valor que tem a palavra de um político, a qual deveria ter um valor de contrato, com obrigação jurídica, tamanha a relevância social que os atos e o próprio cargo dessa classe tem perante o eleitorado, e toda a sociedade.
Outro fato envolvendo o partido, foi o suposto encontro da primeira-ministra e presidenciável Dilma Rousseff com a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, entre verdades e mentiras, fica a dúvida sobre a integridade das envolvidas, enquanto isso a oposição pode ter feito "acordão" para não incriminar o senador Arthur Virgílio, ajudando assim a arquivar tudo o que se procurava contra o presidente da casa José Sarney.
Agora, não vejo mais limites para se afundar a decepção com o Partido dos Trabalhadores. Nos anos 80 o discurso era um, nos anos 90 outro, um pouco menos radical, e depois do século XXI, só vemos mesmo uma vergonhosa mudança ideológica, e uma repetição das políticas, principalmente econômicas, dos governos anteriores que tanto atacou.
Considero uma significativa melhoria na qualidade de vida da população brasileira em geral, mas isso não apaga a mudança do barbudo enérgico contra as políticas internacionais, com o "Lulinha paz e amor" que viaja mais que seu antecessor, e se mantem inabalável no cargo, quando os principais braços-direitos de sua vitória nas urnas, já caíram, e o presidente permanece inatingível.
A última baixa do PT, foi a de uma das mais importantes militantes, fundadoras, com 30 anos de casa, que serviu o presidente por um mandato e meio em uma das pastas mas renegadas do governo. Marina Silva saiu para brilhar como merece, e não sendo submetida a uma mudança de foco tão agressiva como a de seu ex-partido. Nem com a expulsão dos "rebeldes" em 2003, e a criação do Psol, o PT não vivia um momento tão turbulento como esse. A saída da senadora deve ganhar companhia logo.
Mas para o presidente, e para Marina ainda foi positivo, para 2010, eles terão influência de sobra, espero que se a acreana entrar na disputa, faça uma terceira via forte para quebrar a bipolaridade de PT e PSDB. Já o PMDB, com certeza estará no governo, independente de quem for.
PT Saudações!