Blog do Paullo Di Castro


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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Balanço político

Como um dos últimos posts do ano, nada mais apropriado que refletir sobre as três esferas políticas, que estão encerrando um ciclo e começando outro, sem muita novidade.

BRASIL:

Chegamos ao fim do mandato de oito anos, do presidente mais popular, de maior índice de aprovação, que veio da esquerda, que não tinha estudo, que tantou, tentou, e chegou lá, fazendo um governo um tanto irreverente, que muito seguiu a política econômica dos anos FHC, porém, ao invés de privatizações, produziu um crescimento nunca visto. Se o Fome Zero que era o programa carro-chefe do primeiro mandato não vingou, o Minha Casa Minha Vida, do ano passado pra cá, surtiu mais efeito. Já o PAC ficou devendo.
Um dos trunfos do governo que se encerra é a política internacional, que colocou o Brasil em patamares "nunca antes na história desse país" alcançados. Um diálogo aberto com países de A a Z, desde os EUA até os controversos Irã e Coréia do Norte. A crise econômica que tomou a maioria das nações não chegou com força em solo brasileiro.
O fato é que Lula fez um governo diferenciado, mesmo com a crise do mensalão, que derrubou tanta gente do alto clero governamental, o presidente conseguiu com sua habilidade política e populista escapar da participação. O Congresso Nacional fez as piores lambanças de todos os tempos, até o apagar das luzes, mas o presidente, com sua marca fortalecida, ficou inabalável, e com o nome marcado no hall dos mais importantes homens do Brasil. É incontestável a força popular de Lula.
O que esperar do governo Dilma? Os potenciais sucessores saíram manchados pós mensalão, restou acreditar na mulher que esteva ao lado do presidente em todo o governo, mesmo sem a devida experiência em cargos eletivos, pode fazer um continuísmo interessante do atual governo, isso se percebe fácil pela montagem de seu ministério, com o devido dedo de Lula. Se conseguirá a habilidade do chefe para tratar com nobres e plebe, eis a questão.

GOIÁS:

O governador Alcides, longe da popularidade de Lula, deixa o cargo sem apego popular, mas com as contas do estado em melhor posição do que anos atrás. Com a impossibilidade da reeleição, foi um oxigênio para se trabalhar pela re-organização do estado.
Vale destacar o bom trato com a imprensa, a boa articulação com o governo federal. De ruim fica a participação do secretariado, ausência de reuniões e funcionalismo sofrendo com os cortes. Publicidade foi fraca, o que pode não ser ruim, muitas obras paradas, e a explicação era uma só: pagar as contas herdadas.
A fraqueza do governo era sentida especialmente na Assembléia legislativa, mesmo com poucos opositores de destaque, era difícil o bom diálogo entra a casa e o Palácio. No final o golpe duro do empréstimo da CELG barrado em votação enfraqueceu mais o governo, que não estava ao lado das duas maiores forças do estado, e conseqüentemente não conseguiu usar a influência para continuarem com seu grupo político, em maioria rachado.
O que esperar do próximo governador? Ele já é muito conhecido, impõe modernidade, mesmo depois de 12 anos em cargos majoritários. Tinha mais 4 anos no senado, a vice-presidência da casa, mas as portas estavam abertas pra voltar ao governo, o que astutamente fez.
A formação do secretariado foi um tanto esperada, muitos nomes que o acompanharam firmemente nos últimos anos. A surpresa maior ficou por conta do deputado federal eleito pelo PMDB, Thiago Peixoto ter sido convidado, e aceitado o cargo de secretário da Educação. Era a bandeira que o deputado mais atuava, porém, vindo do maior inimigo político, o convite surpreende, e abre margem para se perceber a boa jogada de Marconi ao trazer para o seu lado o talvez maior potencial adversário político em um futuro próximo.

GOIÂNIA:

Na prefeitura, mesmo sem sucessão eleitoral, também muitas mudanças. Desde abril o vice petista Paulo Garcia já assumia o cargo para suprir Iris que teimou em disputar o governo, o partido saiu fortalecido, e o prefeito foi impondo sua gestão para tocar obras como o antecessor, e abrir diálogo com a população. Destaque para o uso do twitter, onde em várias noites o prefeito respondia e dava satisfação aos internautas sobre as questões do município.
Em uma discreta mudança no secretariado, Paulo conseguiu reunir adversários visando 2012. Várias articulações, tanto no âmbito municipal como no estadual, já preparam o caminho para as próximas eleições. Política é isso. Cabe à população participar cobrando, para que não tenhamos tantos desgostos como nos últimos anos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Censura

Me contive por vários dias para não escrever sobre isso, mas com um repercussão deste tamanho, e com fatos novos motivados por esse cenário, não dá pra deixar de refletir aqui sobre as colocações usadas sobre o tema censura na reta final do processo eleitoral de Goiás. E nada pior que explodir a bomba no ninho da imprensa, o melhor jeito de confundir o eleitor.
Como o Brasil e vários lugares do mundo viram Paulo Beringhs, folclórico jornalista goiano, que eu cresci vendo na telinha, e pensando que um dia poderia trabalhar com ele, ou apresentar um jornal como ele. Muitos anos depois, mudo o pensamento, após o que vi uma semana atrás, na quarta-feira, 20 de outubro de 2010, quando peguei o final do jornal Brasil Central para assistir e me deparei com a parte do vídeo que milhares de pessoas viram no youtube, a ficha demorou a cair. Estava presenciando uma auto-demissão ao vivo, mas não em nome da dignidade, mas do partidarismo e calor eleitoral que muda a cabeça de muitas pessoas, jogam ética e profissionalismo no ralo, mesmo quando tentam maquiar de várias formas.
Mas não quero me prender nesse assunto, o que foi feito está feito, e ainda vai passar muita água em baixo dessa ponte. Mas o fato desmembrou duas questões peculiares, uma positiva: a discussão sobre a TV pública no Brasil, e a outra totalmente antiquada e prepotente: a ação pela censura ao twitter promovida pelo PSDB goiano.
Quanto a primeira, realmente o controle do Estado em um veículo de televisão deve estar acima de qualquer espaço privilegiado para determinado grupo político ou social. A educação deve ser prioridade, tanto em programas infantis, como nos outros segmentos informativos. A TV Cultura luta por esse modelo, mas escorrega em alguns pontos em que a TV Brasil, a Sesc TV e o Futura acertam mais. É uma pauta importante, defendida pelo professor Luiz Signates (UFG/PUC-GO), que promoverá esse debate começando no sábado, 30, às 9h00 na Rádio Universitária.
A outra repercussão maior, foi motivada pela ação encabeçada pelo deputado tucano Daniel Goulart, que encaminhou à Polícia Federal representação contra supostos panfletos apócrifos ao candidato Marconi Perillo, e de perfis no twitter atacando o mesmo. Fiquei impressionado com essa atitude, vinda de um grupo com o passado e o presente de tantas repressões contra a liberdade de imprensa, de uso indiscriminado de materiais ofensivos aos outros candidatos, além de ataques virtuais, principalmente via twitter nessas mesmas eleições, formaram um exército digital, de inúmeros perfis fakes e reais remunerados, que anunciavam a renúncia de candidaturas que se mantinham firmes, além de criarem factóides diários contra os adversários, que por vezes vendiam a imagem ao eleitor de inimigos.
Nessa verdadeira guerra eleitoral, Vanderlan Cardoso (Alcides Rodrigues e Jorcelino Braga) e Marta Jane foram os mais atingidos, a arma mais usada foi o Diário da Manhã, em intervenção pelo PSDB, e manchando a história de luta na imprensa de Batista Custódio. A artilharia contra Iris sobrou só para o segundo turno. Se plantar que o PMDB tem tradição de censurar a imprensa goiana, sendo Marconi o político que mais processou jornalistas em Goiás, é uma contradição imensa.
Essa foi a realidade que vi nesses meses de pré-campanha e campanha oficial. Outros grupos também usaram de armas imorais, mas não dessa proporção, com essa estrutura de campanha. O twitter foi o espaço mais democrático que se abriu nesse processo eleitoral. Essa voz não pode ser calada, o que fez ela ser usada para mais ataques. Agora a tentativa de se abortar o uso desse espaço é uma atitude irracional e de graves conseqüências. Com a chegada ao poder de gente com essa mentalidade, a instabilidade do campo de idéias digital pode ter proporções perigosas.
Por esses e outras, Paulo Beringhs não é um cara peitando um sistema em nome de um afronta à liberdade, ele é um partidário, filiado, amigo pessoal e media training de Perillo nessas eleições. O candidato dele teve espaço como nunca em seu programa, e isso não era motivo para se chutar o balde daquele jeito. Se esse senhor entrar efetivamente no governo caso Marconi ganhe, veremos o tamanho da sua dignidade. Assim como de vários jornalistas e outros profissionais que desceram ao mais baixo nível nessas eleições para conseqüentemente afrontar quem estivesse do outro lado.
As eleições finalmente estão chegando, e a contabilidade de feridos nesse processo não será conhecida por um bom tempo. Os dois maiores figurões da política regional em um confronto de revanchismo, não deixa pedra sobre pedra ao fim do processo. A decisão do dia 31 vai esclarecer aos poucos muito do que falei, outras coisas ficarão para sempre ocultas, no estilo DOPS de ser.
O maior perseguido em terras goianas, Jorge Kajuru, diz que no Brasil não existe liberdade de imprensa, mas sim liberdade de empresa. O problema maior é quando a imprensa está controlada pelas empresas ligadas ao poderio político.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

De dentro do processo

Vivi uma experiência diferenciada e empolgante trabalhando dentro de uma campanha para o governo do estado. Parecia tudo muito grande para lidar, muitos desafios para vencer, tudo em larga dimensão, e sempre necessitando de um trabalho coletivo que estava muito além de nossas forças individuais, as decisões vinham de cima, e o nosso trabalho se limitava a um tanto, mas sempre fundamental para se fazer a coisa andar. Lidando com a imprensa no dia-a-dia então, sendo que representávamos uma força que era solicitada diariamente, precisava ser ouvida e pautar a imprensa, a séria e a que distorcia em favor de uma outra força.
Muitas coisas acontecem simultaneamente, e as informações chegavam e tinham que ser produzidas para fornecer um bom material e divulgar nosso candidato. A internet era uma força que agregava, e mesmo com um público em maioria de posição definida, através das redes sociais levava ao conhecimento do eleitor as ações e o perfil de quem representávamos. e com certeza fez o diferencial para se levantar novas opções em nossa política. O exemplo de Marina Silva, em um partido pequeno, e foi o fator do segundo turno, e na internet levantou uma legião que foi às urnas e incomodou a polarização que bancava a disputa sozinha até então.
Os limites entre ser um profissional e vestir a camisa com paixão são um grande desafio a ser controlado. Em um ambiente de tamanha disputa, a emoção sempre puxa mais que a razão, mas a busca pelo equilíbrio nos faz ter pés no chão, e colher os resultados que vêm, mesmo não sendo os mais esperados. Quando você representa um candidato que transmite seriedade, humildade e confiança de ser um político diferenciado, que não está ali simplesmente para agregar poder e ter viés econômico, mas para contribuir com a lisura e o êxito de sua vida fora da política, e na experiência de sucesso que já construíu nela, tudo isso torna a missão muito mais prazerosa, e com a convicção de que valeu a pena.
É difícil aguentar ataques contra o seu grupo de trabalho, ver vários factóides sendo plantados sem nenhum nexo, um exército digital batendo de todas as formas, mascarados em formas de falsas personalidades virtuais, plantando na cabeça de quem é menos informado mentiras e colocando uma imagem imaculada de outro candidato, ora vítima, ora pacificador, o que entra em contradição com esse vale tudo doentio pelo poder.
Fica o lado negro de se ver tanto vai e vem de apoios, gente que fez juras de amor eterno e terminou abraçado ao lado de outros. O lado bom foram que mostraram o caráter, ou a falta dele, e varrerem muitos do cenário eletivo, pois negociaram suas candidaturas em trocas de favorecimentos alternativos (cargos no governo, compensação financeira). Isso desanima, mas faz parte do processo de sedução que a política brasileira contrói. Bom é saber, e trabalhar para gente que destoa desse perfil.
A maior vitória é ter chegado até o final tendo enfrentado tantas incertezas, tantas especulações atormentadas, cada dia que seguia em frente era uma conquista, pois para muitos no dia anterior teria ido por água abaixo todo esse projeto. Não cabe aqui citar nomes, mas deixar registrado essa lição de vida, que vivi ao lado de colegas em maioria jovens como eu, recém saídos da universidade, de profissionais que já admirava, o que aumentou na convivência, entrando todos em uma luta de peixes grandes. Tendo chefes otimistas, que não deixavam a peteca cair, e nos motivava a cada dia dar o melhor de nós para o êxito político que seria dividido por todos.
Eu, e penso que muitos, fariam tudo de novo, pois foi um aprendizado e tanto, e uma proposta de mudança ousada, que levou ao conhecimento da maioria da população de Goiás uma nova alternativa de fazer política. É bom colocar a cabeça no travesseiro, e ver que seu trabalho foi em algo que acredita, e que trará dimensões que você nunca vai saber. E que venham as novas experiências!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vamos rir do quê?

A lei eleitoral, dos últimos pleitos pra cá evoluiu em vários sentidos, e infelizmente regrediu em outros. Na internet, prudentemente, não tentou impor nenhuma restrição mais séria, o que seria uma guerra inútil, como o mundo virtual já se mostrou incontrolável em seus diversos conteúdos, não dava para agora tentar restringir o uso eleitoral, em especial nas redes sociais.
Mas, para dar uma bola fora, o TSE apela para podar o humor segmentado na política. Depois de programas como o CQC expor a individualidade, e colocar em pauta o comportamento dos políticos, como nunca havia feito antes, levando muito mais consciência para o eleitor, os poderosos, incomodados com as quedas de máscaras, mexeram os pauzinhos e conseguiram um mimo: de ficarem livres de quem nos leva alegria durante as eleições.
A resolução do Tribunal diz: As emissoras estariam proibidas, em sua programação normal, de “usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem, ridicularizem candidato, partido político ou coligação, bem como produzir ou veicular programa com esse efeito”. E sendo o humor um instrumento tão didático, claro aquele que trás diversão, reflexão e nos faz pensar de ângulos diferentes, será que acham que a sátira de um candidato o faz perder votos, e mais, as próprias presepadas deles não podem ser reveladas, e de uma forma divertida e saudável?
No rádio e TV, os veículos atingidos por essa determinação, já é obrigatório o horário eleitoral, lá todos os candidatos tem o seu espaço garantido, com as limitações que a lei rege, se lá eles podem falar tudo o que pensam, as propostas para sua gestão, porque uma contrapartida, feita com humor para aliviar a tensão do momento, não pode ter vez nesse espaço democrático? A propaganda política é enfadonha para uns, e relevante para outros, mas com certeza fica mais interessante quando podemos nos descontrair com os representantes que precisamos escolher para mandar em nossa cidade, estado e país.

sábado, 3 de abril de 2010

Semana nada Santa

Outra semana que foi mais curta que outras, graças ao feriado da Semana Santa, que infelizmente produz tanto fanatismo religioso e acidentes nas estradas. Nem por isso tivemos menos assuntos, vamos a eles:

Armando Nogueira
O Brasil perdeu o maior nome da crônica esportiva, um homem que mudou o jeito de fazer tele-jornal e foi diferenciado em tudo. Armando conseguia colocar a poesia no futebol e valorizar o troncudo jogo como poucos. A descrição dos craques como Garrincha "driblava até no espaço de um guardanapo" eram palavras que ninguém mais conseguiria se expressar. Jorge Kajuru disse que "se ele falasse como escreve, seria o maior gênio da comunicação". Não precisava, ele já o era com a escrita.

Eleições 2010
A disputa para o governo está lançada. Oficialmente teremos Íris Rezende, Marconi Perillo e Vanderlan Cardoso na disputa. Outra candidatura (até agora Washington Fraga), será simbólica, esses três nomes estarão em evidência e colocarão à prova a capacidade eleitoreira, seja no fim da carreira, (Íris), no meio (Marconi), ou no início como (Vanderlan). O DEM pode ser decisivo no lado em que ficar. Sem dúvida nenhuma será o tira-teima de 1998 e a maior guerra eleitoral da história de Goiás.

TV 2010
Os principais canais abertos iniciaram suas programações desse ano, isso no quarto mês, porque antes prioridades como BBB e outros ocupam o verão do brasileiro. A seleção de filmes, especialmente brasileiros chama a atenção. Programas novos como Legendários da Record, que investe também em mini-séries biblicas, e a Globo com várias séries acariocadas e repaginadas para se insistir em velhas atrações. Algumas novidades animadoras, e para variar, reality shows para o desânimo de quem não gosta dessa exposição humana.

Copa do Brasil
A competição mais democrática, mas que ainda mostra grandes abismos entre os times de expressão e os quase amadores. Times como o São José do Amapá tem a folha de pagamento em R$ 25,00 e tem todo o elenco trabalhando em outras atividades, derrotas como a de 7x0 para o Goiás tornam-se absolutamente normal. Mas interessante é ver surpresas, como o Santa Cruz, em plana série D do Brasileirão eliminar o poderoso Botafogo, semifinalista do Carioca. Para isso ainda vale a pena uma competição como essa.

Diego do violino
Triste a história de um menino que só tinha alguma chance na vida graças ao trabalho sério e diferenciado do Afro-Reggae. O história do garoto comove qualquer um, não bastasse a luta pela vida que a realidade social dele provoca, ainda teve que lutar contra a cruel leucemia. As lágrimas de sua famosa foto tocando no enterro do coordenador do grupo agora tranferem a muitos que acompanharam a seu luta por 12 anos.

Pulseira do sexo
Um modismo que só poderia causar uma quebra de valores e ideais para crianças e adolescentes. Um símbolo que carrega consigo um perigoso sentido, que pode passar para a vida real. O limite se ilustra no assassinato e estrupro da menina de 13 anos em Londrina, por usar o adereço foi violentada e morta por três jovens despreparado. Fica o alerta para pais e educadores não deixarem essa prática terrível tomar conta de nossa juventude.