Blog do Paullo Di Castro


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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Uma carreira Fenomenal



Falar de sucesso, polêmicas, mulheres, dinheiro se tratando de Ronaldo Nazário de Lima parece sempre chuver no molhado. Desde 1993, e especialmente 94, quando o mundo conheceu o garoto franzino que viria a ser o maior artilheiros de Copas do Mundo. Comparações com Pelé, negociações milionárias para os maiores clubes da Europa.
Lembramos de trapalhadas fora de campo, boemia, e claro, as relações amorosas, mas o que mais marcou foi quando juntou a influência de Embaixador da ONU com o que sabe fazer de melhor, e resultou em uma partida histórica no Haiti, que tanto levou alegria para aquele povo devastado pela guerra. A iniciativa foi dele, e voltar os olhos do mundo para aquele lugar faz o futebol e a megalomania milionária do esporte bretão valer a pena nessas horas.
É difícil arranjar motivos para condenar Ronaldo, sim, teve o caso dos travestis, que não sairá da memória de todos, mesmo a gozação sendo maior que a traição e libertinagem do craque, mas isso é pouco pra uma trajetória que envolveu tanta superação, psicologia para escapar de tantos holofotes, bajulações e má fé em volta dele.
Na entrevista coletiva do anúncio da despedida ele considerou a carreira linda, sem ter feito nenhum inimigo. Listou como motivos o histórico de lesões, as dores constantes que o fizeram antecipar a aposentadoria no futebol. Desde o Milan ele descobriu o distúrbio hipotireoidísmo, que acelera o metabolismo, e exige hormônios que o futebol proíbe. Ele explicou com isso o excesso de peso que tanto foi motivo de chacota nos últimos anos.
Muitos agradecimentos, a todos os clubes em que passou, aos profissionais que o ajudaram em suas recuperações, seus patrocinadores, citando-os nominalmente que desde o começo da carreira o ajudaram, e os atuais, que possibilitaram sua volta ao Brasil. Agradeceu ao Corinthians, depois a família, a todos os críticos, que o ajudaram a ser mais forte, a quem o ajudou nos piores momentos. Seus olhos marejaram quando falou da torcida do Corinthians, citando-a como empolgante, apaixonada, e mesmo com pessoas fora do controle, o emocionaram muito.
Pediu desculpa por fracassar no projeto Libertadores, agradeceu efusivamente ao presidente do time André Sanchez, prometeu continuar vinculado ao clube da maneira que Sanchez quiser. Após isso, a emoção tomou conta, com dificuldade para falar. Para Ronaldo, a maior força que ele buscava foi responder tudo dentro de campo.
Anunciou a Fundação Criando Fenômenos, que ele espera dedicar muito tempo. Disse que nos últimos dias se sentia como em uma UTI, em estado terminal, e que o anúncio de parar eram como uma "primeira morte". Falou que precisava assumir algumas derrotas, e sentia ter perdido para seu corpo. Brincou que já sentia saudades da concentração, e o afastamento da rotina do futebol ainda machucaria muito ele.
Chegou na entrevista ao lado dos filhos Ronald, e Alex, que reconheceu recentemente, os dois vestidos com a camisa do alvi-negro paulista. Descontraíu um pouco com os meninos, falou em ser embaixador institucional do time pelo mundo e novamente reconheceu seus erros com ombridade.
Foi uma carreira incrível, marcada por muita superação, por jogadas geniais, por belas mulheres ao seu lado, por desafios da medicina, superados em maioria com muita garra, que renderam mais alegrias pro povo brasileiro, especialmente na Copa de 2002,  quando recuperou da maior lesão da carreira, e, sob o crédito do técnico Felipão, comandou o time para o pentacampeonato.
Nós brasileiros, amantes do futebol por todo o mundo, só temos a agradecer ao Fenômeno, por nesses 18 anos ter proporcionado tantos momentos emocionantes, do exemplo de superação. Valeu Ronaldo!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

De volta para casa


O futebol brasileiro vive um fenômeno de re-patriação, que pode ser observado principalmente por dois aspectos: a proximidade da Copa do Mundo, o que facilita a visibilidade ao se estar jogando no Brasil, e um outro fator que com certeza não é positivo: o despreparo profissional e emocional de nossos craques conduzirem suas carreiras (não estou falando do Jóbson!).
O primeiro só podia ser ele, o Fenômeno, após juras de amor pelo Flamengo, surpreendeu chegando para reabilitar o Corinthians, de volta à série A, criou polêmica se envolvendo com travestis, operou duas vezes em um ano, tirou a perna em muitos jogos decisivos e fez seus gols para alguns títulos de moral com a fiel torcida, e até lipo-aspiração se submeteu para diminuir a famosa barriguinha que criou em seus anos de declínio, ah sim, saiu do Milan pela porta de trás, tendo feito muito pouco pelo time de Berlusconi.
Outro dos "pioneiros" foi o atacante Adriano, após dar um balão na Inter de Milão, alegando depressão e vontade de abandonar o futebol, pouco tempo depois aparece vestindo a camisa do atual campeão brasileiro, dizendo estar feliz de morar na comunidade carente em que cresceu, e claro, à boêmia vida carioca. Ele é um dos maiores centroavantes dos últimos tempos, mas com certeza brilharia bem mais se soubesse o próximo passo a dar.
Com suas tranças personalizadas, Vágner Love inspira o amor no nome, e amarga quem lhe dá confiança. Nunca o achei um atacante perto de nível de seleção, brilhou na série B pelo Palmeiras, foi para Rússia e fez algumas boas temporadas lá, até driblar os dirigentes e voltar ao alviverde paulista, bastou um péssimo Campeonato Brasileiro para conseguir uma vaguinha no rubro negro carioca, se escorando em Adriano fica mais fácil.
No início do ano foi Roberto Carlos, que se deu bem muitos anos no Real Madrid, e na ressaca pós galáticos, foi procurar na Turquia uma continuidade, até vislumbrar participar do centenário do alvinegro paulista. Chegou arrumando encrenca com jornalista, sendo expulso no segundo jogo.
Agora a última novidade é a volta de Robinho ao Santos, sem estar certo na lista de Dunga, e jogando um futebol muito abaixo do que já fez, no Manchester City preferiu forçar a barra pra sair e ser acolhido pela torcida praieira que o adora, e, claro, estar mais perto de Dunga.
Sair dos salários milionários e voltar ao Brasil como heróis perto de pendurarem as chuteiras mostram um aspecto tenebroso para o futuro do futebol nacional, com certeza a credibilidade de nossos jogadores vão caindo com os grandes, e longe de achar bom que cada vez mais garotos migrem cedo para jogar no exterior, aqueles que são realidade mostram que não funcionam na cabeça como nos pés, e que são mercadorias descartáveis para quem quer contar com o talento deles.
Outros como Fred e Fernandão chegaram e não arrumaram encrencas (apesar do segundo ainda estar devendo à maior torcida goiana), jogam sua bola e aparentam estar mais felizes aqui.
As brechas achadas nas leis, as especulações de empresários, procuradores e cartolas fazem a sujeira fora de campo manchar um dos mais envolventes esportes do mundo, os jogadores se fazem de marionetes e logo procuram outro espetáculo para protagonizarem. E o maior espetáculo a se apresentar chama-se Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2010.