Blog do Paullo Di Castro


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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Contemplatio



A contemplação exige desligarmos do externo, focar somente em um cenário eterno.

Com o tempo em ação, para uma profunda dedicação;

Alimentar a alma, priorizar um ambiente com calma;

Exportar os pensamentos, para uma redoma de novos momentos;

Aparar toda aresta, na ótica  diferente que nos resta;

Exprimir o contundente desafio, para ser apenas uma linha passando por um fio;

Empregar uma força interna, capaz de suprir necessidade externa;

Olhar para cima e sorrir, sabendo que devia mesmo estar ali;

Saber que o dói e o que alivia, curado apenas quanto se servia;

Querer preencher o vazio do peito, mas não consigo do meu jeito;

Preciso de um alento maior, de Quem me fez no mundo como criação melhor.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Travessias da Vida




Estar com a família e entre amigos é estar completo, na presença de Deus. Como é bom desfrutar da simplicidade do compartilhar, das risadas soltas, e, mesmo em momentos de dores, saber que existem pessoas para chorar. Não precisamos de muita coisa, e as que precisamos não merecemos, mas Deus em sua infinita graça nos dá.



O sopro da existência pode valer muito mais que uma imprecisão passageira. Aproveitar a liberdade em Cristo contra a escravidão do pecado é a melhor forma de passar nesse sopro. Com minha vida só tenho a agradecer a Deus, por cada instante concedido a mim, e por colocar ao meu lado pessoas que demonstram o seu amor por mim, me ensinando a amá-las porque o Senhor nos amou primeiro.



Precisamos fazer a leitura correta do momento em que nós estamos. Isso só é possível se fizermos um resgate de nossa história, firmando nas bases que ajudaram a construir o que somos hoje. Por outro lado, precisamos olhar para o futuro, e usar as ferramentas que dispomos para atingir nossos objetivos. Não podemos negligenciar nem um nem outro.



Somos a ponte dos momentos que vivemos no passado, para aqueles que virão. Se resgatarmos nossa história e deixarmos as bases que construímos, estaremos vulneráveis, sem a quem recorrer. Se não pensarmos no que virá, somos imprudentes em não asfaltar o caminho onde passaremos.



Temos dois olhos, com eles podemos nos atentar a dois momentos, e assim, estar com os dois pés no chão, não esquecendo por onde já passamos, e indo adiante, decidindo para onde seguir. Caminhar é preciso. 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Meu eu

Sou único, mas sou só mais um.

Nasci no mesmo dia que muita gente, mas meu gene é diferente;

Envelheço a cada dia, mas ganho maturidade a cada a avanço de idade;

Passo nos mesmos lugares, mas sempre descubro novas partes;

Avanço algumas casas, mas o dado pode não dar o número de forma clara;

Enfrento muitas dificuldades, mas as portas escancaram em oportunidades;

Conheço sempre pessoas novas, mas os defeitos se inovam;

Erro muito tentando acertar, mas o alvo pode mudar de lugar;

Me alimento de muitos aperitivos, mas me sacio com poucas mordidas;

Pedi novas chances, mas o que me foi dado foram experiências;

Acredito em piores dias, mas com maiores ousadias;

Melhoro minhas atitudes, mas acredito mais nas virtudes;

Planto sementes, mas a colheita só ficará fora da minha mente;

Terei filhos, livros e árvores, mas o maior legado não será esse;

Sou filho do maior amor do mundo, amor maior que tudo!


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Homenagem à Luciano Prais Carneiro


Dor, saudade, tristeza, esperança, lembrança e gratidão. São os sentimentos tomaram conta de mim em 24 horas, após receber a notícia da partida de meu amigo de infância, parceiro de ótimos momentos em nossa igreja, cara que admirava como atleta, como músico, como ser humano e acima de tudo: Como um vencedor. E vencedor não só por ter enfrentado tantas adversidades, mas por mostrar sua fé, otimismo, bom humor e determinação para superar todos os grandes desafios, não importasse quais fossem.
Luciano sempre foi um cara humilde, tratava todos por igual, e tinha um jeito cativante que despertava nos outros uma empatia imediata devido a essa personalidade, e não por qualquer outra coisa.
Com 23 viveu uma vida que muitos com o dobro, o triplo ou quatro vezes essa idade não conseguem aproveitar, cada conquista e aprendizado refletiam em uma alegria ímpar, contagiante, que ele levava a todos que encontrava.
Múltiplos talentos, não bastasse o triatleta exímio, dedicado e cheio de superações que foi, na música também despontava um faro especial, primeiro se destacando com a complexidade do violino, depois o violão, a guitarra, a gaita, dentre outros foram seus parceiros de inspiração e também louvor a Deus.
Como explicar uma alegria de viver dessas, se não por Deus, o Autor da vida, que enviou o Luciano para transmitir seu amor e suas maravilhas em forma de gente, que mesmo falho como todos os outros, tinha uma luz diferenciada, que irradiava os ambientes em que estava.
Ao lado dele, não seria a mesma coisa se não tivessem pais maravilhosos, que abdicavam do que fosse preciso para acompanhar o filho em cada jornada, contornando os próprios problemas de saúde, e lutando juntos em cada desafio, uma irmã que lhe apoiava sempre, uma família super carinhosa, que de diversas partes do Brasil e do mundo manifestavam apreço, uma noiva que esteve com ele em vários momentos e nunca esmureceu, e amigos que de diversas formas manifestavam o carinho e admiração por essa pessoa incrível.
Cada passo da intensa luta que ele deixou dos dois rounds da última guerra que travou estão eternizado em seu blog e quem sabe em outro espaço mais pra frente. Em qualquer momento ler qualquer um de seus posts ensina uma grande lição para cada um de nós, e a maior lição é o amor de Deus por seu filho, que transpareceu em todos os momentos da vida do Luciano, em cada vitória, em cada tribulação e sempre mostrando um ser humano exemplar, e para sempre estará em nossas melhores lembranças.
Saudades de você, amigo, do Léo Duarte, se foram tão jovens, mas sei que cumpriram bem o propósito de suas vidas, e na eternidade nos encontraremos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Suicídio

Goiânia teve a manhã dessa quinta-feira tumultuada com a notícia da morte de um dos mais bem sucedidos empresários de Goiás, que por muitos anos foi o proprietário de uma das maiores indústrias da indústria farmacêutica do mundo. A hipótese mais provável é de suicídio. Não quero nem citar nome (até porque a grande maioria sabe quem é), mas só refletir um pouco.
Parece que muito dinheiro na maioria das vezes não vem acompanhado de felicidade. No começo pode aparentar, mas logo se paga um preço muito alto, quando se prioriza o que era inviável tempos antes. Até porque quanto mais alto se chega, mais trágico pode ser o tombo. Mas não é bem por aí que quero enfatizar, o mais perplexo em tudo isso, e pensar em como se chega a uma situação extrema de tirar a própria vida.
O que se passa na cabeça de uma pessoa que comete suicídio? Ela não tem gente o suficiente para amar e ser amada? Será que passa o famoso "filme na" da pessoa? Mas se passa esse filme, nele não tem cenas boas o suficiente para se repensar a intenção de dar fim à própria vida?
Infelizmente conheci diversas pessoas que chegaram ao fim por vontade própria, a maioria jovens, talentosos, com muitos amigos (ou não), e com muito o que contribuir,
um guitarrista exímio que acabara de se formar em música na UFG e atirou-se de uma ponte no Setor Novo Horizonte em Goiânia, um jovem que tinha ótimo trabalho com os surdos, e com teatro e se jogou de um edifício comercial no centro da cidade, só pra citar dois, e não ficar mais complexo com isso tudo.
Deus nos deu a vida de presente, nela temos esse mundo para habitar, usufruir de tantas coisas boas, mas um coração triste, a falta de esperança, de perspectiva de vida, pode ser o caminho para uma atitude sem volta.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Um professor da vida


Porque é melhor fazer uma homenagem em vida, principalmente para alguém que é o seu maior exemplo de luta, dedicação, entrega e integridade. Coisas que um pai com muito amor faz.


para Cloves Trindade Lopes

Nem Camões, nem Bilac, nem Bandeira, nem Andrade, nem Pessoa; nenhum desses nobres articulistas das palavras conseguiria traduzir no papel o que representa essa valiosa vida em questão.
O verde estava com pressa, para o mês mais alegre do ano receber quem viria para fazer diferença, poderia ser garimpeiro, alfaiate, tantos ofícios que o circulavam na infância, mas Deus tinha algo muito maior para aquele primogênito de vários irmãos.
Alguém que exala a paixão por onde trilhou, desde sua Bahia, o Sertão e a Chapada Diamantina, pelo sudoeste goiano com suas fartas plantações, os pastos e cerrados de diversos campos missionários inesquecíveis, na Anápolis baiana, na campininha da capital, no Lyceu, Pedro Gomes e Bandeirante, na Taguatinga repleta de nordestinos, desbravando pé-ante-pé o Plano Piloto, Asa Sul e Asa Norte, na Fundação Educacional do DF, na graduação em Letras e o mestrado em Teoria Literária na UFG, levantando a bandeira da ensino como carreira.
Nos recantos concedidos por Deus, onde estruturou a família ao lado da moça mais bela e de melhor família que conhecera, renderam inspiração para diversas crônicas, acrósticos, poemas, cartas que valiam mais que qualquer e-mail de hoje, inúmeras homenagens a quem foi marcante ao seu lado, passadas para o papel e absorvidas pelo coração.
O hinário cristão desfilava em sua boca, sempre enchendo a casa com sons do céu, e ao chegar e atender telefonemas com um marcante “Graças à Deus!”.
Fez o possível e o impossível para dar vida melhor aos irmãos, e depois esposa e filhos. Madrugadas que o cheiro de café e cuscuz despertavam a casa para mais um dia de desafios e bênçãos.
Como conciliar o mergulho maravilhoso no universo literário com a luta pela sobrevivência? Uma indagação em meio a tantas, mas Jesus deixou uma resposta: “Não se turbe o vosso coração, credes em Deus.” Essa paz só pede vir Dele, em meio a tantas lutas.
O corpo pede por mais descanso, só assim para frear um guerreiro, mas a paz e a lucidez permanecem, e firma mais o legado moral e intelectual do mestre, concedido pelo Autor da vida, que assim o mantenha entre nós por muito tempo.

Grato por ser meu pai


Paullo Osório Di Castro dos Guimarães Lopes