Blog do Paullo Di Castro


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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Derrotas


Uma das coisas mais difíceis que o ser humano enfrenta é a derrota. Perder é um misto de sentimentos que começam com a dor, tristeza, baixa estima, levam à reflexão, o despertar para uma dura realidade, e com muita determinação e força de vontade, se deve levantar a cabeça e começar tudo de novo.

Tudo isso podemos tirar tanto de fatos determinantes da vida pessoal, como de um jogo de futebol. Quando seu time do coração chega em um lugar que nunca chegou, carrega toda uma história de lutas, menosprezo, dificuldades, e quando parece estar no olímpo, naquele momento de compensar tudo o que passou, a queda pode jogar pra baixo de todos os degraus que lentamente subiu, as vitórias que bravamente conquistou em uma caminhada em que a grande maioria não acreditava, e cada vez mais se chegava longe, e começava a idealizar uma realidade até então muito distante.

Não importa o quando as pessoas em sua volta dificultaram o seu sucesso, elas podem ter apenas trabalhado em cima dos seus pontos fracos, aquilo que você precisa melhorar, e não te deu condições de atingir plenamente seu objetivo.

Não quero escrever aqui um texto de auto-ajuda, nem de melancolia, mas apenas pensar em quão pequenos somos, como seres humanos, como instituições, das mais diversas vertentes e funções, e quão pequenos podemos continuar a ser, se ficarmos dependentes de um tratamento digno vindo de terceiros,o resulltado pode ser cada vez mais se afundar nas decepções.

O gosto mais amargo de uma não-conquista é saber que quem poderia te ajudar, ou quem precisava ser ético, agir profissionalmente, e acima de tudo, respeitar o seu trabalho não vez seu papel, e contribuiu determinantemente para que a sua competência não fosse suficiente. Mesmo podendo ter feito mais, você infelizmente esperava mais também dos outros.

Quem conhece todo o contexto em que passou o Goiás Esporte Clube até a noite dessa quarta-feira, 8 de dezembro de 2010, sabe bem que muito se aplica ao que falei. A falta de sensibilidade, o golpe baixo, a inveja, indiferença, e tudo o que sai de uma disputa sadia, derrubaram o que seria uma grande conquista, inclusive favoráveis a vários dos que o prejudicaram. Não dá pra contar com a seriedade de quem tem mal caráter, e não sabe valorizar a glória alheia. No futebol cada vez mais os interesses, sejam legítimos ou não, estão acima da conduta isenta e séria de quem era pra apenas fazer seu trabalho.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Depois da tempestade, a bonança


Hoje o Goiás Esporte Clube pode entrar pra história conseguindo seu primeiro título internacional. Quando a bola rolar em em Avellaneda, na Argentina, o verdão terá 90 minutos e dois gols na frente para segurar a vantagem e conseguir o caneco que o Centro-Oeste do país nunca viu. Em 67 anos de história, chegou a vez de uma força provinciana ofuscar a hegemonia de cariocas, paulistas, mineiros e gaúchos.

A catimba argentina é impressionante, fazem o possível e o impossível pra desestabilizar os goianos. Uma vigília em frente ao hotel da concentração do Goiás tomou conta da madrugada toda com rojões, foguetórios, bateria e tudo o que pudesse ser feito pra atrapalhar o descanso. Fazer isso por pouco tempo é rotineiro, mas a noite toda é muita malandragem! E a polícia dos hermanos totalmente negligente com os visitantes.

Outra afronta: Não deixar o time fazer reconhecimento do estádio na véspera do jogo, mesmo amparado por regulamento, é uma coisa pequena, mas que mostra a falta de profissionalismo, ética e boa vontade dos argentinos. Parece que a torcida reflete nos dirigentes a paixonite aguda que passa por cima do respeito.

Isso não é tudo que o Goiás tem que enfrentar, como tanto já bati na tecla aqui, o descaso da imprensa nacional faz outro inimigo a ser vencido, é visível a diferença com o trato a nós e aos times do eixo, a cobertura é mínima, já a da imprensa local, ao menos no período que antecede a grande decisão está digna. Destaque para o jornal O Popular, que colocou na capa incentivos de vários torcedores, mais duas páginas inteiras, e da rádio 730 AM, que está fazendo uma jornada de praticamente 24 horas.

Os jogadores esmeraldinos estão com toda a motivação necessária, descansados mesmo com o barulho dos adversários, e sabem que podem apagar em grande estilo um ano em que três competições acabaram de maneira trágica e pequena pelo tamanho do Goiás. O árbitro escalado, Oscar Ruiz, da Colômbia, é um dos mais respeitados do mundo, já falhou com o Goiás na Libertadores de 2006, contra o Estudiantes também da Argentina, mas agora a história é outra, e esperamos faça uma boa arbitragem.

A vitória que se aproxima terá vários sabores, significados e valores para Goiás e o Brasil. É um título muito importante para um clube que nunca escalou degraus tão altos dentro e fora do Brasil. Não tem nada ganho, mas com certeza muita coisa pra se ganhar com a confirmação do título.

terça-feira, 27 de julho de 2010

SOS Futebol Goiano

O pós Copa do Mundo para os times de Goiás está pior que a encomenda. É alarmante a situação das três principais forças do futebol goiano. Terminamos o ano passado esperançosos ao ver pela primeira vez desde a divisão de séries, dois times na elite do futebol brasileiro. O Vila teve muitas chances de se juntar ao Goiás, chegou perto várias vezes, mas não foi capaz de honrar a torcida que tem. O Atlético manteve a base, passou na frente e fez por merecer, até começar a disputa.
Entra 2010 e tivemos um estadual fraco, com os times cercados de problemas, de racha no elenco, e principalmente, choques na gestões. As diretorias mostrando total despreparo para serem times grandes.
No Vila Nova a situação é a mais crítica. No momento não existe técnico, nem auxiliar, o time ocupa a zona do rebaixamento para a série C, mais de 50 jogadores foram contratados, e nenhum corresponde em campo. Na diretoria, troca de presidentes, os dois que mais seguraram as pontas nos últimos anos sendo limados do cargo, e um grupo que quer assumir, não resolve nada, falta dinheiro, falta prestígio, falta um time pra competir. O furo da barca é grande.
No Atlético, a base formada dos últimos anos já não é a mesma, ao menos valores que se destacaram antes não brilham mais da mesma forma. O presidente que outrora investiu no time, se vê às voltas com problemas judiciais, ligados à sua vida empresarial e política, e para piorar tudo, a lanterna do Brasileirão, e o retorno quase certo à série B.
Deixando por último o meu time, é o mais difícil de se analisar, temos a melhor estrutura daqui, os maiores títulos, um ex-técnico de Seleção Brasileira, mas mesmo assim, brigando para não brigar pela permanência na série A. A diretoria é de pouca ação, e sofre para se impor com representatividade perante os maiores. A montagem do time também não ajuda. O temperamento de alguns atletas muito menos.
O torcedor goiano sofre com seus representantes, luta para levantar o bairrismo, concorrendo com times muito mais estruturados do eixo Rio-São Paulo. É cada vez mais difícil convencer um goiano acostumado ao conforto da televisão, e aos triunfos dos grandes times, torcerem para só para algum daqui, ir ao estádio e incentivar, mas incentivar o quê?
Ou os times daqui tomam uma atitude de mais profissionalismo, parcerias viáveis para se montar bons elencos, ou continuaremos a ser saco de pancadas nacional. Como se não bastasse perder a sede da Copa de 2014 até para cidades sem futebol nenhum.

terça-feira, 6 de abril de 2010

"O nosso clube é a nossa glória!"


Passaram-se 67 anos, não são 67 dias, é um caminho longo, mas com muito para ser escrito ainda. O Goiás Esporte Clube é o time caçula de Goiânia, e um por um foi superando os seus rivais até que nos anos 90 consolidou-se como a força máxima do futebol goiano. A maior estrutura, mais títulos, participação isolada na elite do futebol brasileiro e artilheiros.
Primeiro com o tri campeonato goiano em 1991. Nas duas únicas vezes em que caiu para a série B, subiu na vice em 1994 e conquistou o título em 1999. Três vezes a extinta Copa Centro Oeste. Depois veio o penta estadual em 2000. Outro ano inesquecível foi a participação na Libertadores em 2006, quando chegou na segunda fase e vendeu caro a eliminação ao Estudiantes da Argentina.
Faltam exatamente 33 anos para o centenário. Esse número é muito significativo para o Goiás. Dizem que nos primeiros anos os rivais zombavam dos esmeraldinos dizendo serem um time de apenas 33 torcedores. O maior sonho de muitos torcedores e dirigentes, além de um título nacional é construir uma Arena com capacidade para 33 mil torcedores. Mesmo tendo a Serrinha abaixo do tamanho do Goiás, o Serra Dourada já foi adotado como casa, local das maiores conquistas do verde, e um lugar onde todos os adversários jogam precavidos e temerosos ao enfrentar o maior do Centro-Oeste.
São muitos os que escreveram essa história, os principais estão bem relembrados no blog do jornalista esmeraldino Elder Dias. Não é fácil ser um time goiano e brigar com os grandes do futebol brasileiro, mas essas pessoas e uma torcida que "a cada dia cresce mais" o conseguem levar a patamares maiores que muitos clubes mais estruturados e com bem mais tempo de estrada.
Problemas, crises é claro que existem, mas vão sendo superadas, vai-se errando para tentar acertar. O Goiás respira nosso estado não só no nome, mas nas cores, na história, no cenário nacional, nas diversas camisas espalhadas em vários cantos do mundo, na mídia verde que propaga o nome do Goiás com paixão e dedicação: Família Esmeraldina, Portal Esmeraldino e Tribo do Verdão.
A hora do Goiás conquistar um título expressivo se aproxima. Muitas glórias ainda serão dadas a essa imensa torcida, que solta o grito das arquibancadas e contagia os jogadores em campo. O Brasil ainda vai falar muito mais em Goiás Esporte Clube. Tenho orgulho de torcer para esse time, e só para ele, porque sou goiano, moro aqui, vou ao estádio e não preciso de Rede Globo para ser torcedor!

Abaixo várias versões do hino, mostrando a criatividade e talento de nossos torcedores:

Original:


Hino na guitarra (Márcio Antônio Aguiar):

Versão chorinho (Márcio Antônio Aguiar):

Versão Bossa Nova (Márcio Antônio Aguiar):

quarta-feira, 10 de março de 2010

Mãos ao alto!


Não é de hoje que o futebol extrapola o limite das quatro linhas e vira caso de polícia. Como não se desligam bola e dinheiro, a possibilidade de se manchar a reputação de um clube é muito grande, principalmente quando estão no poder gente sem caráter, que faz de tudo pelo enriquecimento pessoal, usando o clube como a fonte para caixa 2, negociações ilícitas, lavagem de dinheiro, dentre outros.
O Brasil passou os últimos 20 anos vendo gente como Beto Zini no Guarani, Zé Perrela no Cruzeiro, Eurico Miranda no Vasco, Alberto Dualibi no Corinthians, dentre vários outros serem expostos com grandes desfalques no caixa do clube a serem explicados. Alguns detinham um poder tão forte que seguiram na presidência por muitos anos. E como não lembrar do dirigente máximo do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira, que permanece vitalício à frente da CBF, e pesam sobre ele inúmeras acusações, mas nada que o tire do cargo.
O Goiás Esporte Clube vive agora uma revirada em um passado recente, e seu ex-presidente Raimundo Queiroz é acusado de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, crimes contra ordem tributária, agiotagem e lavagem de dinheiro. Precisa mais?
Atitudes como usar cartão corporativo em benefício próprio, envolver o filho e outro empresário de passado duvidoso, Renato Padilha, empréstimos em falsas empresas. Raimundo não teve as contas aprovadas pelo conselho fiscal do clube, e agora, quase quatro anos depois, o assunto volta com mais gravidade.
As investigações são conduzidas pelo delegado do 8º DP de Goiânia, em entrevista a Paulo Beringhs, ele garantiu conduzir o processo até o fim, diz que não é torcedor de nenhum time da capital goiana, e isso o credencia a ter mais isenção no caso. O buraco segue sem se achar o fim. Raimundo diz estar tranquilo, que quem não deve não teme, segue dirigindo o futebol do Santa Cruz em Recife, e deixa seus advogados cuidarem do caso em Goiânia.
Por muitos anos Queiroz foi diretor de futebol do clube, foi responsável por descobrir jogadores como Josué, Marquinhos e Araújo, que saíram do Goiás para grandes clubes do Brasil e do exterior. Como presidente deu as maiores alegrias ao alvi-verde goiano, 3º lugar no brasileirão e disputa da Libertadores, mas nunca teve sua conduta vista com bons olhos por muitos. Já chegou a arrancar um livro de atas em assembléia do clube das mãos da então vice-presidente Linda Monteiro, mesmo assim, caminhou muitos anos com a família Pinheiro, os mandantes do Goiás, até romperem e ele perder o espaço no clube.
É bom lembrar que acusado não é condenado, mas que ele deve muitas explicações é fato. Que a justiça consiga esclarecer tudo, condenar os culpados, e o torcedor esmeraldino poder torcer em paz, sem ter ninguém que desvie 10, 20 ou 30 milhões do seu time do coração.